domingo, 17 de fevereiro de 2013

"Judith I"


Judith I é uma representação plástica da autoria de Gustav Klimt, a qual engloba os principais temas que o fascinam: a morte e o erotismo. A obra foi criada em 1901 e, actualmente, encontra-se em exposição no Museu de Belvedere, em Viena. Das suas inúmeras fases artísticas, apresenta-se o “Período Dourado” como a fase mais positivamente criticada pela sociedade, mas foi no seu momento artístico de “Arte Erótica” que foram criadas as suas obras mais importantes. Judith I engloba as duas fases anteriormente referidas e no momento da sua publicação gerou-se uma enorme polémica, uma vez que a obra foi interpretada como uma alegoria da ameaça feminina, pois os impulsos sexuais das mulheres eram considerados, na época, pecados insanos da alma.
A obra representa a história de “Judith e Holofernes”, a qual relata a narrativa da viúva judia de extrema beleza e crença em Deus que, para salvar o seu povo do inimigo, das tropas assírias, seduziu e decapitou o general assírio Holofernes. Não obstante, apesar de o título se encontrar completamente explícito na obra, gravado sobre uma lâmina dourada no quadro, a maioria da sociedade associou a figura feminina a Salomé, a mulher responsável pela decapitação de João Baptista, em especial a população judaica.
Em primeiro plano, apresenta-se a figura de uma mulher jovem, seminua e apenas de meio-corpo. O rosto da protagonista, ligeiramente inclinado, as suas narinas dilatadas, os olhos semicerrados, as bochechas avermelhadas e os lábios entreabertos, conferem a esta mulher uma sensualidade extrema, acompanhada por uma expressão facial erótica. Por outro lado, o seu corpo imaterial e distante contrasta, completamente, com a beleza do seu rosto. Os seus seios encontram-se moderadamente cobertos por uma blusa transparente, possui um colar extremamente justo de tonalidade dourada, a sua pele é belíssima, saudável e de um tom bastante claro, contrastando com o negro dos seus cabelos. Possui uma cabeça decapitada nas suas mãos, nomeadamente de um homem de traços judaicos, isto devido à tonalidade escura da sua pele, aos seus cabelos negros moderadamente compridos, à sua barba negra e longa e, ainda, ao nariz tipicamente judaico. Logicamente, a cabeça decapitada pertence a Holofernes.
Em segundo plano, encontram-se as inúmeras árvores acompanhadas por uma escuridão imensa, que se chega a confundir com o negro do cabelo da protagonista, transmitindo assim uma sensação nocturna. Esta representação em segundo plano simboliza os relevos assírios do Palácio de Nínive, localizado na Assíria. Relativamente às cores predominantes, destaca-se o verde e o dourado. O verde representa a esperança, a juventude e a prosperidade e o dourado, a beleza e a realeza, podendo cada um destes elementos facilmente caracterizar a história de Judith. O dourado tem um destaque especial, pois atenua a figura da mulher no quadro e é uma das características do “Período Dourado”.
Em suma, estamos perante uma obra maravilhosa. Através da análise do quadro, tomamos conhecimento não só do estilo artístico do pintor, mas também da arte vienense e, ainda, alargamos a nossa cultura geral com a descoberta da lenda judaica. A forma como Klimt retracta esta história transcendente através de meras pinceladas demonstra, sem dúvida, as suas enormes capacidades e talento. O seu nível de criatividade e paixão pela arte pode ser comparado à enorme coragem desta guerreira judaica, a qual arriscou a vida pelo seu povo e consequentemente, foi recompensada pelo sucesso da liberdade.


Bibliografia:
           - http://www.artbible.info/art/large/780.html;
                 - http://pt.wikipedia.org/wiki/Gustav_Klimt;
              surpreendente.html#axzz2JNzCzLDL.

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