terça-feira, 12 de março de 2013

Um fim nunca esperado

A figuração apresentada é um cartoon e intitula-se de “Pastores de Nuvens”. É uma das obras de um cartunista brasileiro, Ubiratan Nazareno Borges Porto ou Biratan Porto, nascido em Belém do Pará a 29 de outubro de 1950. Formou-se em publicidade na Universidade Federal do Pará, sendo atualmente cartunista profissional e bandolinista nas horas vagas. Trabalha com humor gráfico há já 30 anos, tem sete livros de humor publicados e trabalhos divulgados nos EUA, Itália, França, Bélgica e Holanda. Conquistou importantes competições de humor no Brasil e noutros países. Criou o guião e dirigiu o filme de animação em 3D “Cadê o verde que estava aqui?”. No ano de 2002, conquistou o primeiro lugar no Internacional Cartoon Festival of Knokke-Heist, realizado na Bélgica, um dos mais importantes e tradicionais concursos de humor da Europa.
A imagem é formada por vários elementos, sendo um deles o solo seco e sem qualquer vegetação, o que nos remete para um deserto. Os indivíduos presentes na reprodução são pastores de nuvens uma vez que um dos sujeitos está a “bater” numa nuvem, tal como faz o pastor quando uma ovelha se afasta do rebanho. Abaixo das nuvens encontram-se potes, que aguardam que a água neles caia. Nuvens, que se encontram escuras, não por se avizinhar uma tempestade, mas sim, provavelmente, devido a poluição existente no ar.
O cartunista Biratan Porto, com a elaboração deste cartoon tinha a intenção de criticar a falta de água que o nosso planeta atravessa e que provoca, consequentemente, a desertificação dos solos, o que impede que se possa cultivar os campos, alimentar seres racionais e irracionais, e que pode mesmo vir a finalizar a espécie humana.
Tanto no cartoon, como nos poemas de Alberto Caeiro salienta-se a importância da Natureza. Para as ambas situações a Natureza, é o mais importante, a luz dos seus olhos, daí a tratarem como única e insubstituível. No cartoon estão representados pastores, que no entanto não o são, tal como Alberto Cairo é apelidado de pastor, não porque é na realidade um pastor, mas porque ama a natureza e lhe é fiel.
Os poemas de Caeiro, além do já mencionado, mostram que o poeta aceita a dor porque é natural e tudo o que é natural é justo, e também podemos ver isto no cartoon, pois os “pastores”, em vez de se levantarem e mudarem os seus hábitos, melhorarem o ambiente e acabarem com a seca, não, estão e vão continuar a estar sentados, pois aceitam o que lhes sucede sem criticar ou tentar mudar a situação, isto é, rendem-se perante o destino. Tanto nos poemas do heterónimo de Pessoa, como no cartoon, os indivíduos não pensam nem no passado nem no futuro, Caeiro apenas se centra nas suas sensações ocasionais e no presente que o situa no momento em que vive. Os “pastores” do cartoon estão sentados sem intenção de tentar mudar o futuro, ou de olhar para o passado e ver em que erraram e descobrir o que provocou a situação apresentada, para então a conseguirem alterar. Os guardadores apenas se centram na grande necessidade de obter água naquele preciso momento.
 O título do cartoon é por sua vez, “Pastores de Nuvens”, uma vez que os pastores representados não guardam as ovelhas, como é o comum, mas sim nuvens, isto porque esperam desesperadamente que caia chuva, por mais ínfima que seja.
Com a realização deste cartoon o principal objetivo do cartunista é alertar para a falta de água que provoca a desertificação dos solos e conseguir persuadir os populares a mudarem os seus hábitos diários.

MY

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