terça-feira, 9 de maio de 2017

'Ode ao motor'

Ignição,
O coração começa a bater.
Cambota, cilindro, viela, pistão
Para cima e para baixo como uma mão
Que tenta agarrar o que não consegue ter.

Vr-r-r-r-uuuuuuuuum
Grita o motor como um trovão,
Como o rugido de um leão.
Feliz sou eu por o motor ter
Um som tão bom que alegra o meu ser.

Seja turbo ou de aspiração,
Nada como a admissão.
Ar fresco passa para o pistão
Para a cambota cento e oitenta graus fazer.

Há que sentir a pressão
Da segunda fase, a compressão,
Combustível e ar empurram o pistão,
Cheio de vontade de a cambota fazer mexer.

Faísca, dá-se a ignição
Do ar e combustível que causam a explosão
Nesta terceira fase, a combustão,
Que é o que verdadeiramente faz o meu coração mexer.

Por último e pior, dá-se a exaustão
Ar morto separa-se do pistão
Etapa final deste estado de ser
Admissão, compressão, combustão, exaustão
Nascer, crescer, viver, morrer.

Rafael Seco

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