«A peça de Almeida Garrett, conhecida por Frei Luís de Sousa, é uma peça que contém 3 atos, e os atos estão divididos em cenas. Esta peça trata-se da morte de dois reis, um deles é casado, dá-se a morte dos reis, D. Madalena que era casada com um dos reis mais tarde volta a casar-se com Manuel de Sousa Coutinho, e têm uma filha chamada Maria.»E é isto...
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quarta-feira, 6 de março de 2019
'Frei Luís de Sousa', a peça dos dois reis
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
Ato II, Cena I - Ficha de trabalho
1.
No início do ato II, Maria refere-se a uma obra:
(A) Os
Lusíadas.
(B) Corte na
Aldeia.
(C) Auto dos
Frades.
(D) Menina e
Moça.
2.
A referência temporal existente no início da cena indica-nos que
(A) entre o ato I e o ato II decorreram 24 horas.
(B) entre o ato I e o ato II decorreram 8 dias.
(C) entre o ato I e o ato II decorreram 72 horas.
(D) entre o ato I e o ato II decorreu um mês.
3.
Maria e Madalena reagiram de forma diferente ao incêndio do palácio de Manuel
de Sousa.
(A) Maria
considerou-o um ato grandioso e sublime, enquanto a mãe ficou aterrada e
doente, quase não dormindo desde o sucedido e não conseguindo libertar-se das
imagens dessa noite, nomeadamente da destruição do quadro do marido.
(B) Maria
ficou entusiasmada, dando o seu apoio total ao pai, enquanto a mãe receou que o
ato levasse o marido à prisão, não conseguindo esquecer a forma como o retrato
ardeu e considerando esse facto um prognóstico de algo terrível que irá
acontecer.
(C) A filha e
a mãe reagiram, aparentemente, de forma diferenciada, porém, na realidade,
ambas receavam as consequências do ato de Manuel de Sousa, receando que algo de
mal lhe viesse a suceder.
(D) Maria e Madalena
quiseram dar um sopapo no professor de Português por estar a aborrecer os
alunos com este trabalho.
4.
Transcreva:
a) a expressão que evidencia a crença de Maria em
agouros: __________________________
b) a expressão que evidencia a crença de Madalena
em agouros: _______________________
5.
A fala de Telmo (linhas 37 a 45) apresentam dois momentos diferentes.
5.1. No primeiro, as duas primeiras frases, a
intenção da personagem é
(A) mostrar a sua crença em Deus.
(B) acalmar o seu espírito inquieto.
(C) afastar Maria do presságio negativo que acaba
de afirmar.
(D) tranquilizar Maria relativamente ao futuro dos
pais.
5.2. No segundo, Telmo
(A) expressa a sua admiração pela figura de D.
João de Portugal.
(B) sugere a
sua admiração pela ação dos governadores num momento de grande aflição em
Lisboa, por causa da peste.
(C) elogia as
qualidades de Manuel de Sousa.
(D) condena o
ato de Manuel de Sousa, elogiando, no entanto, a sua ação patriótica em defesa
da liberdade.
6.
Na indicação cénica que introduz a fala de Telmo referida em 5, este mostra
(A) o seu terror pelos efeitos que as suas
palavras têm junto de toda a família.
(B) o seu
terror pela forma como Madalena vive os seus próprios presságios e pela lucidez
de Maria a revelar a sua crença na desgraça da família.
(C) o seu
terror pela forma como as suas constantes referências ao passado propiciaram a
mudança de palácio e a doença de Madalena.
(D) o seu
terror perante esta inútil ficha de trabalho.
7.
Telmo manifesta, agora,
(A) um grande terror pelo ato de Manuel de Sousa.
(B) um grande remorso pelo mal causado em Maria.
(C) uma grande admiração por Manuel de Sousa pelo
seu ato de patriotismo.
(D) uma grande tristeza pelo desaparecimento de D.
João.
8.
Por outro lado, Telmo
(A) lamenta não ter conhecido melhor e estimado
como devia Manuel de Sousa.
(B) desespera pela ausência persistente de Manuel
de Sousa em Lisboa.
(C) lamenta a forma como tem vindo a atormentar
Madalena.
(D) questiona o futuro da família, após o gesto
patriótico de Manuel de Sousa.
9.
Após o incêndio do palácio, Manuel de Sousa
(A) fugiu para Lisboa, onde se encontra escondido
em casa da prima Joana.
(B) encontra-se escondido, com receio de
represálias dos governadores.
(C) encontra-se preso em Lisboa por ação dos
governadores.
(D) está em casa do Pacheco a comer doce de maçã e
sopa de abóbora.
10. Os
retratos não têm, na peça, uma função meramente decorativa. Os três que surgem
no ato II fascinam Maria.
10.1. A curiosidade da personagem pelo retrato de
D. Sebastião
(A) não tem
razão de ser, dado que ela apenas o conheceu através das palavras de Telmo.
(B) prende-se
com a história do rei e com a sua aventura extraordinária no Norte de África.
(C) prende-se
com a história do rei, em cuja morte não acredita, com a crença no seu regresso
e os valores que nele reconhece.
(D) fica a
dever-se às histórias que Telmo lhe contou sobre o monarca, em cuja morte
acredita, antes crendo no seu regresso, como profetizado pelo velho aio e pelo
povo.
10.2. Por sua vez, o fascínio pelo retrato de
Camões
(A) resulta da
admiração que tem pelo poeta e pela sua face de herói aventureiro e misterioso.
(B) prende-se
com o fascínio que nela exerceu após a leitura de Os Lusíadas.
(C) está
relacionado com o episódio de Inês de Castro e as semelhanças que tem com a
história da sua família, nomeadamente da sua mãe.
(D) não é
totalmente explicitado no texto, ficando no ar um ar de mistério em torno da
personagem.
10.3. Por último, a curiosidade de Maria pelo
retrato de D. João explica-se
(A) a partir
de todo o ambiente de mistério que envolve a sua figura e que causa reações tão
negativas quando a jovem procura saber mais sobre o primeiro marido da mãe.
(B) pela
reação que D. Madalena teve ao chegar ao palácio dele e ao deparar com o seu
retrato, deixando-a no estado em que se mantém desde então.
(C) por saber
a forma como a personagem foi capturada após a batalha de Alcácer Quibir e
enviada para as terras geladas da Ucrânia.
(D) por saber
a forma como a personagem sofreu após a sua captura em Alcácer Quibir e a
prisão na Terra Santa.
11. Complete a
resposta pré-elaborada à seguinte pergunta: Justifique
a reação do velho escudeiro perante a curiosidade de Maria em relação ao
retrato de D. João de Portugal.
A _________________ {calma /
aflição / constrangimento / hesitação} e as omissões que Telmo demonstra
perante as questões de ______________ estão relacionadas com a conversa que
teve com _____________________ na cena II do ato I, no sentido de procurar
não alimentar as crenças ___________________ da menina e evitar que descubra
informações sobre o ___________________. Nesta passagem da obra, é evidente o
____________ {terror
/ embaraço / receio}
do velho escudeiro na negação do conhecimento do seu amo, algo que Maria
percebeu de forma arguta.
|
12. Comente a
última fala de Telmo e as didascálias que a acompanham.
______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
13. No final
desta cena, Manuel de Sousa chega embuçado. Indique as razões que originam a
necessidade destes cuidados.
__________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
14.Complete o
quadro-síntese desta cena.
Cena I
|
Assunto
|
Indícios / presságios trágicos
|
Marai
conta a _____________ a situação da mãe, durante os últimos ___ dias,
analisando a forma como reagiu ao _____________ e como ficou aterrorizada ao
ver o retrato de ________ __________________. Na parte final, explica-se a
situação de _______________________, que se encontra ainda _______________, temendo
_________________ dos governadores.
|
. Versos de
__________________________, a novela trágica de Bernardim Ribeiro.
. Presságios de
_______________________, doente pela perda do _______________ de Manuel de
Sousa no _______________ (“prognóstico
fatal de outra perda maior, que está perto:”) e pela presença do de
_________________________.
. Presságios de _______________ (“há grande desgraça a cair sobre meu pai…
decerto! E sobre minha mãe também, que é o mesmo.”).
. Referência à morte de
________________, pressentida pelo próprio.
|
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sábado, 13 de fevereiro de 2016
Os presságios em 'Frei Luís de Sousa'
Segundo
Luís Amaro de Oliveira, o melhor de Frei Luís de Sousa é criar um ambiente de
ansiedade, um clímax de negros presságios e em iluminar as almas que Deus ou os
fados vão dilacerar.
Tendo
em conta a Memória ao Conservatório Real,
Almeida Garrett declara que em Frei Luís
de Sousa há toda a simplicidade de uma fábula trágica antiga, que pretende
despertar o terror e a piedade daqueles que assistem ao destino trágico de uma
família.
Assim,
o fatalismo aparece marcado ao longo de todo o texto, por indícios ou agoiros
que conduzem a um afunilamento em direção à chegada de D. João de Portugal.
Toda a ação da peça consiste precisamente na reação psicológica das personagens
perante a chegada dessa figura, sendo o Destino o grande impulsionador do
drama. Ora, é esta força fatídica que invade os pensamentos das personagens.
Relativamente
a Madalena, logo no início da peça, ela confessa sentir-se aterrorizada, pois
receia que algo de mal lhes aconteça: “(...)
este medo, estes contínuos terrores; oh! Que amor, que felicidade (...) que
desgraça a minha!”.
Madalena
vive em contínuo cuidado por si, por sua filha e, principalmente, por seu
marido que teme perder: “Aquele caráter
inflexível de Manuel de Sousa traz-me num susto contínuo (...); com efeito é
muito tardar (...); salvem-me aquele retrato (...); também tu me desamparas
(...) e hoje; todo o meu mal era susto; era terror de te perder (...) e tua
mãe, filha deixa-la aqui só, a morrer de tristeza (à parte) e de medo? Tenho
este medo, este horror de ficar só (...) de vir a achar-me só no mundo.”.
Quando
Manuel de Sousa Coutinho sugere a Madalena que se mudem para o palácio que fora
do seu primeiro marido, surge uma mulher assustada que vê, gradualmente, aproximar-se
o reencontro com D. João de Portugal: “Qual?
(...) a que foi... a que pega com S. Paulo? Jesus me valha!; parece-me que é
voltar ao poder dele, que é tirar-me dos teus braços, que o vou encontrar ali
(...); para aquela casa não, não me leves para aquela casa!; mas tu não sabes a
violência, o constrangimento de alma, o terror com que eu penso ter de entrar
naquela casa. Essa aproximação é, posteriormente, confirmada pela descrição em
didascália do palácio. O ambiente é pesado, propício a uma tragédia: salão
antigo, de gosto melancólico e pesado, com grandes retratos de família (...).”.
Assim,
quando Madalena deseja que Deus tenha D. João de Portugal em glória, Telmo
responde-lhe com um futuro dubitativo que põe em causa a morte de seu amo: “Terá (...)”. Em seguida, confirma os
seus pressentimentos: “… tenho cá uma
coisa que me diz que, antes de muito, se há de ver quem é que quer mais à nossa
menina nesta casa.”.
Madalena
intimida-se com os agoiros de Telmo e pede-lhe que os esqueça: “(...) não entremos com os teus agouros e
profecias do costume: são sempre de aterrar (...) deixemo-nos de futuros (...);
mas as tuas palavras misteriosas, as tuas alusões frequentes (...) esses
contínuos agouros em que andas sempre, de uma desgraça que está iminente sobre
a nossa família (...)”. Tenta mesmo demovê-lo emocionalmente a não voltar a
falar desses futuros: “não me mates a
minha filha”.
Desta
forma, os presságios de Telmo encontram reflexo em Madalena, corroborando os
seus temores e aproximando toda a família de um destino irrefutável.
Maria é
também uma espécie de feiticeira – “Então
adivinhas, feiticeira” -, que sabe de um saber cá de dentro e que consegue
ler nos olhos: “(...) é que vos tenho
lido nos olhos, leio, leio!... e nas estrelas do céu também, e sei cousas (...)”.
Efetivamente, a intuição de Maria diz-lhe que a inquietação dos pais em relação
a si não decorre somente de preocupações ligadas à sua saúde. É o começo da
própria intuição do drama que se avizinha. A tentativa de Madalena para que a
sua filha não fale de maus pressentimentos não resulta, pois as flores que
murcharam conduzem ainda Maria para a suspeita de tragédia através dos sonhos: “(...) não quero sonhar que me faz ver
cousas... lindas às vezes, mas tão extraordinárias e confusas (...)”. É
igualmente Maria que prenuncia a validade do segundo casamento de sua mãe: “Para que deixou ele o hábito minha mãe...?”.
Maria confirma os agoiros de Madalena em relação à perda do retrato: “Ela que não cria em agouros, que sempre me
estava a repreender pelas minhas cismas, agora não lhe sai da cabeça que a
perda do retrato é prognóstico fatal de outra perda maior, que está perto, de
alguma desgraça inesperada, não certa, que a tem de separar de meu pai.”.
A
crença sebastianista de Maria é igualmente um reflexo da vinda de D. João de
Portugal – “onde está El-Rei d.
Sebastião, que não morreu e há de vir (...)” - que aterroriza a mãe: “voz do povo, voz de Deus, minha senhora mãe”.
Esta personagem colabora, de facto, para a construção agoirenta e fatídica
própria de uma fábula trágica antiga: “Oh!
Há grande desgraça a cair sobre meu pai ... decerto e sobre mim e minha mãe
também, que é o mesmo”. Assim, ela pretende esclarecer os terrores de sua
mãe em relação àquele retrato: “este
retrato e o de meu pai que se queimou são duas imagens que lhe não saem do
pensamento; (...) quem é este outro, Telmo? Aquele aspeto tão triste (...)”.
É como se Maria pressentisse a solidão de D. João de Portugal.
Contudo,
Manuel de Sousa Coutinho destrói o mistério, dando-lhe uma grande naturalidade:
“Aquele era D. João de Portugal, um
honrado fidalgo e um valente cavaleiro.”. Confirmam-se, assim, os
pressentimentos de Maria: “Bem mo dizia o
coração.”.
É o
próprio Manuel de Sousa que explica à filha o medo da mãe face ao retrato: “Tua mãe ainda hoje estremece só de o ouvir
nomear; era um respeito...era quási um temor santo que lhe tinha.”. Esta
postura esclarecida e iluminada de Manuel não nos surpreende, uma vez que, ao
longo da obra, parece querer afastar os maus presságios de forma racional ou
até religiosa: “Não senão um temor justo,
Madalena: é o temor de Deus; não há espectros que nos possam aparecer senão os
das más ações que fazemos; Deus nos deixe gozar em paz de tão boa vizinhança; é
o dia da paixão de Cristo, Madalena.”.
Quando
Madalena fala do caso dos condes de Vimioso, - “verem-se com a mortalha já vestida e ... vivos, sãos ... depois de
tantos anos de amor (...)” - Manuel distingue as duas situações: “A nossa situação é tão diferente (...)”.
Contudo, a necessidade que Manuel de Sousa sente de assinalar a diferença de
situações marca bem como o que sente é oposto ao que afirma.
O
próprio Jorge, irmão e conselheiro de Manuel, pressente a aproximação do
destino trágico: “A todos parece que o
coração lhes adivinha desgraça (...)”.
A
realização fatídica chega ao seu auge quando um romeiro exige falar com
Madalena. Depois de um diálogo sincopado, expectante, recheado de indícios,
entre ela e o Romeiro - “Já não tenho
família; hão-de jurar que me não conhecem; há três dias que não durmo ...
porque jurei ... faz hoje um ano (...)” - , Madalena toma conhecimento de
que o seu primeiro marido está vivo, embora julgando que se encontra longe. No
entanto, D. João de Portugal tudo faz para que ela o reconheça naturalmente
(arrependendo-se mais tarde e depois de assistir às consequências da sua
chegada); contudo, somente Jorge faz esse reconhecimento (anagnórise) e dá a conhecer
a verdade a seu irmão.
A
descrição em didascália do espaço do terceiro ato é um indício da tomada de
hábito: “(...) sua grande cruz negra
(...) um castiçal (...) vela acesa (...) um hábito completo (...)”. É,
pois, essa a decisão de Manuel - o castigo terrível do meu erro -, a
concretização do caso dos condes de Vimioso, incompreensíveis mistérios de
Deus.
Relativamente
à doença de Maria, que faz parte igualmente do desenlace trágico, há numerosos
indícios que nos preparam para a sua morte. No entanto, essa realidade é negada
sucessivamente pelas personagens: a mim
não se me pega nada (...), - E não há de morrer: não, não, três vezes não
(Telmo); Que febre, que ela tem hoje, meu Deus! Queimam-lhe as mãos ... e
aquelas rosetas nas faces (...) (Telmo); Tens, filha (...) se Deus quiser, hás
de ter, e hás de viver muitos anos para consolação de teus pais que tanto te
querem (Madalena). Nesta frase, a realidade psicológica é dada pela
sucessão dos tempos verbais a partir do presente do indicativo «tens»,
utilizado para sossegar o espírito de Maria. Segue-se uma oração do futuro do conjuntivo
(se Deus quiser) que dá um caráter
dubitativo aos futuros perifrásticos (hás
de ter, hás de viver).
Quando
Maria demonstra uma audição excecional, Jorge prevê algo de trágico em relação
à sua sobrinha: “Terrível sinal naqueles
anos e com aquela compleição.”. Efetivamente, essa agudez é já um sinal da
tuberculose de Maria. Manuel de Sousa tem igualmente a consciência da doença da
filha: “E esta testa ...escalda!; aquele
sangue está em chama, arde sobre si e consome-se, a não o deixarem correr à
vontade; a lançar sangue?...”.
Depois
da anagnórise de Jorge em relação ao Romeiro, também Manuel fica a saber a
verdade: o Romeiro é o próprio D. João de Portugal. Nesse momento, deseja a
morte da filha, arrependendo-se de imediato: “Eu queria pedir-te que a levasses já... e não tenho ânimo; peço-te
vida, meu Deus. Deixa, então, o destino de Maria nas mãos de Deus: (...) e viva
ou morta, cá deixo a minha filha (...)”. O mesmo arrependimento é seguido
por Madalena: “Oh, a minha filha...
também essa vos dou, meu Deus.”.
E é
Maria que se encarrega de concretizar esses indícios: “(...) aqui não morre ninguém sem mim; (...) morro, morro ... de
vergonha. (Cai e fica morta no chão)”.
Pode-se,
assim, concluir que a obra constrói ela própria o seu final, edificando um
desenlace trágico, tão ao gosto da tragédia grega. O fatalismo alimenta-se em
cada cena, em cada ato e, progressivamente, empurra as personagens para a
desgraça: foram (como diz Almeida
Garrett, na Memória ao Conservatório Real)
duas mortalhas que caíram sobre dois
cadáveres vivos - jazem em paz no mosteiro, o sino dobra por eles; morreram
para o mundo, mas vão esperar ao pé da Cruz que Deus os chame quando for a sua
hora.
Fonte: Prof. Lúcia Pedro Vaz (consultar aqui »»»).
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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Estrutura interna de 'Frei Luís de Sousa'
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domingo, 27 de novembro de 2011
Marcas românticas de 'Frei Luís de Sousa'
- A peça não possui unidade de tempo nem unidade de lugar, embora o grande espaço continue a ser o mesmo: Almada.
- O nacionalismo / patriotismo:
- de Maria, visível na sua resistência aos governadores castelhanos, o que traduz outro traço romântico: a ânsia de liberdade;
- o assunto é nacional, eivado de messianismo, que constituía uma força de reação contra o domínio dos espanhóis; uma reação do povo português ao domínio filipino.
- A linguagem, plena de exclamações, interrogações, reticências, frases curtas, procurando adequá-la ao íntimo, ao estado de espírito das personagens.
- Caracterização de Maria:
- a mulher-anjo;
- os ideais de liberdade;
- a exaltação de valores de feição popular;
- a atração pelo mistério;
- a intuição;
- a tuberculose, a doença dos românticos.
- As crenças: os agouros, as superstições, os sonhos, as visões de D. Madalena, Telmo e Maria (cenas II a IV do ato I).
- O mito do escritor romântico: martirizado, sofredor, solitário, marcado pelo Destino, refugia-se no convento, que lhe proporciona o isolamento indispensável à escrita.
- A crença no sebastianismo: logo no início (I, 2), D. Madalena afirma a Telmo: "... mas as tuas palavras misteriosas, as tuas alusões frequentes a esse desgraçado rei D. Sebastião, que o seu mais desgraçado povo ainda não quis acreditar que morresse, por quem ainda espera em sua leal incredulidade!". O sebastianismo, representado por Telmo e Maria, reside na crença no regresso do rei D. Sebastião, que conduzirá a uma época de brilho para Portugal e ao início de uma nova era mundial do direito e da grandeza, que será a última no plano da salvação dos homens.
- A religiosidade: além das constantes referências ao cristianismo e ao culto, a religião surge como refúgio e consolação para o sofrimento trágico, para as almas atormentadas pelo pecado (tomada de hábito de D. Madalena e de Manuel de Sousa). O próprio conflito tem origem, em grande parte, na ética cristã.
- A obra não possui cinco atos, como era de regra na tragédia clássica, mas somente três.
- O tema da morte: a morte é um tema típico do Romantismo por ser a melhor solução para os conflitos (Maria morre fisicamente e os pais morrem espiritualmente, para o mundo). Por outro lado, a morte de uma personagem em cena (Maria) admite-se no Romantismo, mas não no Classicismo.
- A apresentação formal da obra em prosa, porque "repugnava-lhe pôr na boca de Frei Luís de Sousa outro ritmo que não fosse o da elegante prosa portuguesa que ele, mais do que ninguém, deduziu com tanta harmonia e suavidade" (Memória ao Conservatório Real).
- Algumas personagens, sobretudo Madalena e Maria, embora aristocráticas, são verdadeiras heroínas românticas pelo seu comportamento emocional (por exemplo, Maria é uma personagem romântica pela sua sensibilidade doentia e de imaginação aguçada pela tuberculose - sonhos, visões).
- As crenças: agouros, superstições, visões e sonhos, bem evidentes em D. Madalena, Telmo e Maria.
- O individualismo: acentuado pelo confronto entre o indivíduo e a sociedade, entre o código moral estabelecido e o desejo de ser feliz à margem desse mesmo código, entre a fidelidade a um passado que esmaga e o abandono a um presente que abre um sentido para a vida.
- A linguagem e o estilo: a linguagem é adequada às circunstâncias e às personagens:
- linguagem carregada de remorso e amor, inquietação e angústia (reticências) em D. Madalena;
- digna, respeitosa, sem deixar de ser familiar, em Telmo, e ainda paternalista, confessional, agoirenta;
- carinhosa, familiar e respeitosa entre D. Madalena e Telmo;
- nobre e elegante, por vezes de tom didático, em Manuel de Sousa;
- agoirenta, fantasista e amorosa em Maria;
- confidencial, de tom religioso e moralizador, em Frei Jorge;
- fria e espectral, cheia de arrependimento, em D. João;
- digna e culta, na generalidade, como convém a uma obra com caraterísticas de tragédia.
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