Português

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Modernismo: delimitação

          De acordo com o Prof. Carlos Reis, é possível  balizar o Modernismo português de acordo com duas perspectivas:
  • 1.ª perspectiva: desde finais do século XIX (cerca de 1890) até depois da II Guerra Mundial, mesmo até finais dos anos 50 (Pós-Modernismo).
  • 2.ª perspectiva: das vésperas da Primeira Guerra Mundial até à Segunda Guerra Mundial.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

«O dos Castelos»

          "O dos Castelos" é o primeiro poema de Mensagem, estando por isso inserido na primeira parte da obra, intitulada "Brasão" e, dentro desta, numa subparte designada "Os Campos". O campo é a parte inferior do escudo nacional e tem duas partes: a dos Castelos e a das Quinas. Daqui surge o nome do poema: O (Campo) dos Castelos. Recordar que o outro poema que integra este primeiro «andamento» de Mensagem se intitula O (Campo) das Quinas.

          Neste poema, Fernando Pessoa descreve a Europa e descreve-a como um ser feminino deitado sobre os cotovelos, fitando (ter presente a diferença semântica entre «olhar» e «fitar») «De Oriente a Ocidente», com «românticos cabelos» (que representam a herança cultural do Norte da Europa) e «olhos gregos» (que simbolizam a herança cultural do Sul europeu, a herança cultural grega). Por esta descrição, é fácil detectar a personificação da Europa, que se estende por toda a composição poética. Por outro lado, convém atentar na expressividade do verbo «jazer», que significa «estar deitado», mas também «estar morto ou como morto». Ora tal pode significar uma alusão à necessidade de despertar de uma certa letargia o continente europeu e conduzi-lo na senda da construção de um novo império. Seria interessante reflectir sobre o chamado projecto europeu (Comunidade Europeia) e num certo adormecimento da sua construção, bem como sobre as esperanças depositadas no Tratado de Lisboa.

          A segunda estrofe começa por reflectir a disposição dos cotovelos: o esquerdo é representado pela Itália, enquanto o direito pela Inglaterra. Tal disposição reitera o que foi dito acerca dos cabelos e dos olhos, isto é, remete para as raízes culturais europeias: o Norte e o Sol, a cultura romântica e a cultura greco-latina.

          Os versos 9 e 10 retomam a forma verbal «fita» e caracterizam o olhar da Europa: «esfíngico e fatal». Esta dupla adjectivação associa, à atitude expectante e contemplativa, as noções de enigma e de mistério (convém rememorar a lenda associada à Esfinge egípcia) com que a figura feminina «fita» o «Ocidente», que representa a sua vocação (da Europa, leia-se) histórica, isto é, o «futuro» que já desvendou no passado e que promete voltar a repetir-se futuramente. Ora, no último verso, Portugal é apresentado como o «rosto» da Europa, onde se situa o «tal» olhar que «fita» o «Ocidente». Associando os dois últimos versos do texto, podemos concluir, neste contexto, que o Ocidente constitui, efectivamente o «futuro do passado» (paradoxo), isto é, o trajecto que conduzirá Portugal a dar cumprimento à missão histórica que «repete» o passado (dos Descobrimentos). Em suma, o país de Camões e do próprio Pessoa será, metaforicamente, a locomotiva que guiará a Europa na senda desse futuro esperançoso.

          Simbolicamente, este primeiro poema da Mensagem apresenta a imagem de uma Europa decadente («A Europa jaz», isto é, está prostrada, está morta), que vive das glórias do passado (as origens gregas, a expansão romana e o império colonial inglês). Neste contexto, Portugal surge como o único país, com o papel messiânico que Pessoa lhe atribui, capaz de fazer ressurgir e renascer o continente europeu. Portugal deverá recuperar o seu estatuto de potência civilizadora de que já usufruiu no passado e fazer retornar a Europa à glória do passado. É curioso observar como, no actual (2011) contexto de crise e de impasse da União Europeia , Fernando Pessoa está cheio de razão quando apresenta esta imagem de um continente morto à espera de alguém com valor suficiente para a ressuscitar.

Texto expositivo-argumentativo (I)

          Tal como em Álvaro de Campos, também em Alberto Caeiro as sensações são um elemento relevante.

          Fazendo apelo à sua experiência de leitura, exponha, num texto de sessenta a cento e vinte palavras, a sua opinião sobre a importância das sensações na poesia de Caeiro.

Alta Noite na Sé Velha


          Já passou um «século» sobre este tema musical. Na época, éramos umas crianças de cabelos pelos ombros e ideias tolas na cabecinha...

          Local: Coimbra, Sé Velha

          Evento: Serenata Monumental da Queima das Fitas

          Data: 1989

          Tema: «Alta Noite na Sé Velha»

          Grupo: Toada Coimbrã

          Elementos:
                    » Rui Pedro Lucas (cantor)
                    » Alcides Sá Esteves (cantor)
                    » António Vicente (guitarra portuguesa)
                    » João Paulo Sousa (guitarra portuguesa)
                    » João Carlos Oliveira (viola)
                    » Jorge Mira Marques (viola)

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Plano (Álvaro de Campos e Pablo Picasso)

Planificação


Titulo: a arte como critica social

Introdução:

     • O poema compara o binómio de newton à Vénus de Mile, ou seja, Álvaro de Campos
        tem de demonstrar que uma teoria cientifica é tão bela como uma obra de arte.

     • O quadro retrata uma mulher em sofrimento

     • Tanto o poema como o quadro possuem características de corrente modernista

     • Ambas as formas de arte apresentam características modernas em contraste com o conceito
        de modernismo

.
Desenvolvimento:

     • O quadro representa a companheira de Picasso, por quem o autor nutre sentimentos
        fortes.
        Ao retratá-la usa uma técnica inovadora para a época, mas que revela uma força de
        sentimentos e evoca dor provocada pela guerra, tema característico do futurismo.

     • A imagem evoca, em quem a observa, sentimentos de pena e repudio, pelo motivo que
        levam a mulher a chorar a guerra.

     • O verso Binómio de Newton tenta provocar o leitor ao comparar, uma teoria da física com
        uma obra  de arte, mas ao mesmo tempo pretende ser uma critica social pois afirma que
        ninguém dá por isso. Ou seja, a sociedade não dá valor à ciência nem possivelmente à arte

     • Tanto o poema como o quadro são algo inédito e raro, comparado com a arte tradicional.
        Ambos abordam temas diferentes dos hábitos não só ao conteúdo com na forma


Conclusão:

     • Tanto o poema como o quadro pretendem ser uma forma de critica social

     • O primeiro critica os que não olham nem entendem a Ciência como algo de belo e tão
        importante como uma obra de arte

     • O segundo é uma critica à guerra, motivo de choro da mulher

     • A poesia e a pintura para além da arte são uma forma de propaganda e uma chamada de
       atenção para a realidade que os cerca.

PC

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O Modernismo


Álvaro de Campos - Linguagem e estilo

· Aspectos fónicos:
          -» Verso livre, em geral muito longo;
          -» Irregularidade formal (estrófica, métrica e rítmica);
          -» Assonâncias, onomatopeias, aliterações;
          -» Rima interior;
          -» Ritmo amplo, com alternâncias.

· Aspectos morfossintácticos e semânticos:
          -» Excesso de expressão: exclamações, interjeições, apóstrofes, pontuação emotiva
              (exclamações, interrogações, reticências);
          -» Mistura de níveis de língua;
          -» Desvios sintácticos;
          -» Estrangeirismos e neologismos;
          -» Substantivação de fonemas;
          -» Metáforas ousadas, personificações, hipérboles, paradoxos, enumerações, gradações;
          -» Estilo torrencial (2.ª fase);
          -» Repetições, simetria de construção, anáforas;
          -» Construções nominais, infinitivas e gerundivas;
          -» Grafismos inovadores e expressivos;
          -» Estética não aristotélica (fase futurista), assente nas ideias de força, dinamismo,
              energia, etc.

Álvaro de Campos - TEMAS

·  Poeta plural (como Fernando Pessoa) - três fases:
          -» Decandentismo («Opiário»);
          -» Triunfalismo futurista e sensacionista (Odes);
          -» Cansaço e abulia («Tabacaria».

·  Decadentismo literário (1.ª fase):
          -» Abulia, tédio de viver;
          -» Procura de sensações novas;
          -» Busca da evasão.

·  Futurismo (2.ª fase):
          -» Apologia / elogio da civilização mecânica e industrial e da técnica;
          -» Ruptura com o subjectivismo da lírica tradicional;
          -» Atitude escandalosa e chocante: transgressão da moral estabelecida.
    Sensacionismo:
          -» Vivência em excesso de sensações («Sentir tudo de todas as maneiras» - afastamento
              de Caeiro;
          -» Atitudes sadistas e masoquistas;
          -» Cantor apaixonado do mundo moderno, contemporâneo.

·  Pessimismo (3.ª fase) - reencontro com o Pessoa ortónimo:
          -» Dissolução do eu;
          -» Dor de pesnar, de ser lúcido, racional;
          -» Conflito entre a realidade e o poeta;
          -» Inadaptação ao real, que é «opaco» e gera estranheza e perplexidade;
          -» Cansaço, tédio, abulia;
          -» Angústia existencial;
          -» Solidão;
          -» Nostalgia da infância irremediavelmente perdida.
    Busca de soluções (ilusões) para o mal que o afecta:
          -» Sonho;
          -» Retorno à infância;
          -» Viagem («Ode Marítima»);
          -» Ópio («Opiário»;
          -» Sensacionismo futurista.

·  Romantismo:
          -» Hipertrofia do «eu»;
          -» Excesso;
          -» Desejo de evasão e dispersão.

·  Ser dividido entre o sonho e a realidade.

The Man

Ficha de leitura de "Lisbon Revisited (1923)"

1. O poema constrói-se, essencialmente, com base num discurso que o «eu» poético dirige a uma segunda pessoa do plural.

     1.1. Demonstre a veracidade da afirmação, considerando o modo verbal e a função da
             linguagem predominante.

2. A acumulação de construções negativas, nas três primeiras estrofes, remete para uma
     recusa.

     2.1. Explique, por palavras suas, aquilo que o sujeito poético recusa.

3. Comente a interrogação retórica presente no verso 11.

4. A par da recusa referida em 2., o sujeito poético afirma os seus «direitos».

     4.1. Refira-os, justificando a sua resposta com passagens do poema.

5. A décima estrofe constitui uma espécie de parêntesis no discurso do sujeito poético.

     5.1. Identifique o sentimento que aí se revela.

     5.2. Indique a que época da vida do sujeito poético se reporta esta estrofe e a respectiva
             simbologia no contexto do poema.

     5.3. Interprete a expressividade dos adjectivos presentes nos versos 28 a 31.

     5.4. Demonstre, remetendo para passagens do texto, que o sentimento que liga o sujeito
             poético à cidade de «Lisboa» se prende com os direitos por ele apregoados em estrofes
             anteriores.

6. Esclareça o sentido da última estrofe, demonstrando que ela se relaciona intimamente com o verso 4: "A única conclusão é morrer."

7. Relacione o título do poema - "Lisbon Revisited" - e o conteúdo da décima estrofe (vv. 28-33) com o quadro de Miguel Yeco.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Plano (Álvaro de Campos e Pablo Picasso)

Planificação


Título: A Arte como Crítica Social


Introdução:

          • Breve alusão ao verso de Campos e ao quadro de Picasso;
          • Inserção de ambas as obras de arte na corrente futurista;
          • Ruptura com o conceito tradicional de arte.


Desenvolvimento:

          • Breve descrição e reflexão crítica sobre o quadro de Pablo Picasso «Mulher que Chora»;
          • Sentimentos que a imagem evoca em quem a observa;
          • Breve reflexão sobre o sentido do verso de Campos «O Binómio de Newton…»;
          • Conceito de arte que ambas as obras traduzem pela sua estranheza e raridade.


Conclusão:

          • Conceito de arte como forma de crítica social;
          • A arte é utilizada para atrair a atenção do público.

ART

Orações - completivas e relativas (GC9)

1.
     a)
          - «A Rute declarou» - oração subordinante
          - «que o professor de Português está louco.» - oração subordinada substantiva completiva

     b)
          - «Quem foi ao Porto» - oração subordinada substantiva relativa
          - «dormiu nas aulas do dia seguinte.» - oração subordinante

     c)
          - «As pessoas são mais cultas» - oração subordinante
          - «que lêem livros» - oração subordinada adjectiva relativa restritiva

     d)
          - «Logo que a Carol chegou» - oração subordinada adverbial temporal
          - «a Sophie gritou bem alto o seu amor a Saramago» - oração subordinante

1.1.1.
     1) «A Ana Rute fez essa declaração

     2) «A Joana dormiu nas aulas do dia seguinte.»

     3) «As pessoas leitoras são mais cultas.»

     4) «A Sophie saiu da sala imediatamente

1.1.2. Nas frases 1 e 2, a classe é a dos nomes («declaração» e «Joana»); na frase 3, é a dos adjectivos («leitoras»); por último, na frase 4, é a classe dos advérbios.

1.3. As orações subordinadas classificam-se como substantivas, adjectivas e adverbiais porque há um paralelismo entre estes três tipos de orações e as funções desempenhadas por substantivos (nomes), adjectivos e advérbios.

2.1.
     Grupo 1: frases a), c) e f).

     Grupo 2: frases b), d), e) e g).

2.2.1. As orações subordinadas do grupo 1 («Quem foi ao ar», «de quem a trata bem» e «onde a mandarem») são substantivas relativas. Já as orações subordinadas do grupo 2 («que ia aos cucos», «se ia aos cucos», «que gosta de margaridas» e «que não votarei no próximo domingo») são substantivas completivas.

2.2. As orações que são seleccionadas por um verbo ou por um nome são as do grupo 2, que são orações subordinadas substantivas completivas.

3.
     Elementos subordinantes:
          a) «sabia» (verbo);
          b) «verdade» (nome);
          c) «surpreendente» (adjectivo).

     Orações subordinadas:
          a) «se o seu coelho regressaria à toca.»;
          b) «que o Pedro gosta da época da vareja.»;
          c) «que o Sporting jogue tão bem.».

     Classificação das orações subordinadas: são todas orações subordinadas substantivas completivas.

4. As orações subordinadas substantivas são de dois tipos: completivas e relativas.
    As orações subordinadas substantivas completivas são, geralmente, introduzidas por uma conjunção subordinativa completiva e têm um elemento subordinante. As orações subordinadas substantivas relativas são, geralmente, introduzidas por um pronome relativo e não têm nenhum elemento subordinante.

5.1.
     a) «Os professores que bebem cerveja têm barriguinha de grávida.»
     b) «A Carol e a Vera, que estudaram pouco, passaram no exame de código.»
     c) «Margarida, as bolas de berlim que me fanaste estavam envenenadas.»
     d) «Vi uma fotografia assustadora que mostrava o cão da Rute
     e) «A Sara e a Joana, que são amigas dos animais, atropelaram uma osga.»

5.2. Estas orações são introduzidas por pronomes relativos.

5.3. As orações a), c) d) são subordinadas adjectivas relativas restritivas, enquanto as b) e e) são subordinadas adjectivas relativas explicativas.

5.4.
     a) «Os professores que bebem cerveja têm barriguinha de grávida.»
     b) «A Carol e a Vera, que estudaram pouco, passaram no exame de código.»
     c) «Margarida, as bolas de berlim que me fanaste estavam envenenadas.»
     d) «Vi uma fotografia assustadora que mostrava o cão da Rute.»
     e) «A Sara e a Joana, que são amigas dos animais, atropelaram uma osga.»

6. As orações subordinadas adjectivas relativas são de dois tipos: restritivas e explicativas. Ambas são, geralmente, introduzidas por um pronome relativo e têm como elemento subordinante um grupo nominal. As orações subordinadas adjectivas restritivas contribuem para a construção do valor referencial da entidade representada pelo antecedente. As orações subordinadas adjectivas explicativas contêm uma informação adicional sobre uma entidade representada pelo grupo nominal. Por isso, não contribuem para a definição da referência do seu antecedente. Na oralidade, caracterizam-se por pausas e, na escrita, por vírgulas.
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