Português

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Obras de Almeida Garrett

Poesia
    "Hino Patriótico" (1820 - poema)
    "Ao Corpo Académico" (1821 - poema)
    "O Retrato de Vénus" (1821 - poema)
    Lírica de João Mínimo (1829)
    Romanceiro (1843 - volume I)
    Flores sem Fruto (1845)
    Folhas Caídas (1853)
    Lírica I (1853)

Narrativa
    Adozinda (1828)
    Viagens na Minha Terra, publicada em folhetins em 1843 e editada na íntegra em 1846
     Arco de Sant'Ana (1845 - volume I; 1850 - volume II)

Teatro
    Lucrécia (1819)
    Mérope (1820)
    Catão (1821)
    Camões (1825)
    D. Branca (1826)
    Um Auto de Gil Vicente (1838)
    Dona Filipa de Vilhena (1840)
    O Alfageme de Santarém (1842)
    Frei Luís de Sousa (representado pela primeira vez em 1843 e publicado em 1844)
    Tio Simplício (1846)
    Falar Verdade a Mentir (1846)
    A Sobrinha do Marquês (1848)

Discursos
    "Oração fúnebre de Manuel Fernandes Tomás" (1823)
    "Elogio fúnebre de Carlos Infante de Larcerda, Barão de Sabroso" (1830)
    "Da Formação da Segunda Câmara das Cortes" (1837)
    "Na Discussão da Lei da Décima" (1841)

Mensagem do Coveiro aos Tontos

     Ler em .

Biografia de Almeida Garrett



1799          A 4 de fevereiro, no seio de uma família burguesa, nasce no Porto, mais precisamente na rua do Calvário, às Virtudes, numa casa ainda hoje assinalada com uma lápide municipal, nos números 37, 39 e 41, João Baptista da Silva Leitão, nome a que, mais tarde, acrescentará os apelidos Almeida Garrett. De acordo com o seu biógrafo, Gomes de Amorim, o apelido Baptista foi retirado do nome do seu padrinho, em sua homenagem, enquanto que Almeida era apelido da avó materna e Garrett da sua avó materna, de ascendência irlandesa.
 
Infância   O período da infância, vivido até aos 10 anos em Vila Nova de Gaia, entre a Quinta do Castelo e a Quinta do Sardão (ambas pertencentes à sua família), foi decisivo no futuro do escritor e na construção do sentimento poético de Garrett, alimentado pelas tradições populares reveladas nas histórias e cantilenas/modinhas populares contadas e cantadas pelas duas velhas criadas da família com quem conviveu: a velha Brígida (lembrada pelas suas “histórias da carochinha” em Viagens na Minha terra) e a mulata Rosa de Lima (surge no prefácio de Adozinda como recitadora de “maravilhas e encantamentos, de lindas princesas, de galantes e esforçados cavaleiros”). Estas recordações infantis despertarão nele o gosto pelas tradições nacionais que o levaram desde muito novo a compilar os textos que, posteriormente, usou na elaboração do Romanceiro e incluiu nalgumas peças de teatro.
 
1809          Em consequência das Invasões Francesas, nomeadamente da segunda, comandada por Soult, que entrou em Portugal por Chaves e se dirigiu, de seguida, para o Porto, cidade que ocupou, a família viu-se obrigada a fugir, primeiro para Lisboa e, depois, para os Açores, dado que o seu pai, António Bernardo da Silva, um funcionário superior da Alfândega do Porto, tinha nascido na ilha do Faial, o que explica o facto de a família se ter refugiado na Terceira, ilha onde passou a sua adolescência, onde estudou Latim e Grego, literatura clássica e filosofia, sob a orientação dos tios D. Frei Alexandre da Sagrada Família (anterior bispo de Malaca e de Angra e bispo eleito do Congo e de Angola) e João Carlos Leitão. Sob a influência dos tios e o desejo dos pais, Garrett pensa abraçar a carreira eclesiástica, mas rapidamente desiste da ideia por falta de vocação para o sacerdócio.
Ainda nas ilhas, começa a escrever, sob o pseudónimo de Josino Duriense. Por outro lado, o contacto com a cultura humanística clássica, nos Açores, através da leitura e do estudo dos grandes tragediógrafos gregos e latinos, revelou e desenvolveu nele o gosto pelo teatro, exemplificado pela escrita da tragédia Xerxes.
 
1816       De regresso ao continente, matricula-se no curso de Direito na Universidade de Coimbra, cidade onde funda uma sociedade maçónica com Manuel da Silva Passos e José Maria Grande. Em Coimbra, funda também um teatro académico e faz representar o seu drama Xerxes (que se perdeu) e a tragédia Lucrécia. Na mesma época, inicia a escrita de duas tragédias, Afonso de Albuquerque e Sofonista, que deixa incompleta.
 
1818         Em 1818, passou a usar os apelidos Almeida Garrett, à semelhança de toda a sua família. A introdução desses dois apelidos reflete o esteticismo e o elitismo social de Garrett.
 
1820         Concluída a licenciatura em Direito, parte para Lisboa, onde participa na revolução liberal, determinada pelos ideais de liberdade proclamados pela Revolução Francesa, que marcam para sempre o percurso cívico e político de Garrett. Enquanto dirigente estudantil e orador, defende o vintismo, escrevendo inclusive um Hino Patriótico recitado no Teatro de S. João.
 
1821          Estreia a tragédia Catão, acontecimento literário que lhe possibilita a entrada na vida pública e o conhecimento de Luísa Midosi, prima de seus primos Luís Francisco e Paulo Midosi. Neste mesmo ano, após a publicação do seu poema Retrato de Vénus, é acusado nas páginas da “Gazeta Universal”, pelo padre José Agostinho de Macedo, de ser “materialista, ateu e imoral”.
                 Funda a Sociedade dos Jardineiros. Após nova viagem aos Açores, provavelmente por razões relacionadas com a sua ligação à Maçonaria, estabelece-se em Lisboa, continuando aí a publicar textos repletos de fervor patriótico.
                   Conclui a sua licenciatura.
 
1822          É ilibado da acusação de materialismo, ateísmo e abuso de liberdade de imprensa, resultante da publicação do poema O Retrato de Vénus e das respostas que deu em sua defesa no periódico “Português Constitucional Regenerado”.
                 Funda, com o amigo Luís Francisco Midosi, um jornal dedicado às senhoras portuguesas: “O Toucador”.
            Em 11 de novembro, casa-se com Luísa Midosi, após ter assumido o lugar de chefe de repartição da instrução pública.
 
1823     Na sequência da Vilafrancada, o golpe militar chefiado por D. Miguel que teve como consequência o restabelecimento do Absolutismo, e a instabilidade política que se lhe segue, Garrett é obrigado a abandonar o seu cargo na Secretaria dos Negócios do reino, é preso na Cadeia do Limoeiro, em Lisboa, e a exilar-se por duas vezes: em Inglaterra, de 1823 a 1824, e em França, de 1824 a 1826, onde contactou com a nova estética – o Romantismo. O exílio acabou por ser decisivo para a sua vida política e para a notoriedade literária, visto que lhe permitiu a integração nos círculos de emigrados liberais e o contacto com o Romantismo europeu, que importaria para Portugal, tornando-se na sua figura central, juntamente com Alexandre Herculano.
                   Garrett e a família vivem com muitas dificuldades durante o exílio, dado que o poeta apenas consegue emprego num banco como correspondente comercial.
 
1825           É publicado, em Paris, o poema Camões.
 
1826       É publicado, em Paris, o poema D. Branca, que, juntamente com Camões, são obras de temática nacionalista, consideradas marcos fundadores do Romantismo português e cuja escrita é influenciada pelas leituras das obras de Shakespeare, Byron e Walter Scott durante o primeiro exílio inglês.
             Após a morte de D. Afonso VI, Almeida Garrett é amnistiado e regressa à pátria, após a Outorga da Carta Constitucional e da abdicação de D. Pedro IV em favor da sua filha D. Maria da Glória. Em Lisboa, funda com Paulo Midosi o jornal “O Português” e escreve em “O Cronista”.
 
1927         Garrett e os dois irmãos Midosi são presos devido aos seus artigos em defesa do Liberalismo.
 
1828        O regresso de D. Miguel a Portugal força Garrett a novo exílio em Inglaterra, que se prolonga até finais de 1831. Desta vez, tem como emprego o cargo de secretário particular do Duque de Palmela, também exilado em Inglaterra, e fixa-se em Plymouth. Em Londres, publica Adozinda e Bernal Francês (texto mais tarde inserido no Romanceiro).
 
1829       Publica, ainda em Londres, a Lírica de João Mínimo, que reúne poemas escritos desde a juventude. Redige o jornal “O Chaveco Liberal” e inicia a escrita de Da Educação, que visa a instrução da nova rainha D. Maria II para o cargo que ocupa.
 
1831         Escreve nas páginas de “O Precursor”. Segue, em dezembro, para França (onde prepara, com outros exilados, a expedição que visa o fim do Absolutismo) e, posteriormente, para os Açores, em 1832.
 
1832    Regressa a Portugal, desembarcando primeiro nos Açores, integrando com Alexandre Herculano, como voluntários, o exército liberal de D. Pedro e participando ativamente no desembarque do Mindelo (em julho) e no cerco e libertação do Porto, em julho de 1832.
                Inicia a escrita do seu primeiro romance – O Arco de Sant’Ana –, que se teria baseado num antigo manuscrito encontrado no Convento dos Grilos, onde os expedicionários se aquartelam, e cujo primeiro volume só é publicado em 1845.
 
1834     Parte para a cidade de Bruxelas, na Bélgica, para assumir o cargo de Cônsul-Geral e Encarregado de Negócios de Portugal. Nessa urbe, entra em contacto com as obras dos grandes escritores românticos alemães, como Goëthe e Schiller.
 
1836         Regressa a Portugal, separa-se de Luísa Midosi e passa a viver com Adelaide Pastor Deville, com quem terá uma filha. Em simultâneo, afirma-se como um claro opositor ao regime, ao lado de Passos Manuel, velho amigo dos tempos de Coimbra. Após a Revolução de Setembro, forma-se novo governo de esquerda liberal, tendo Garrett sido eleito deputado às cortes constituintes e nomeado por Passos Manuel Presidente do Conservatório de Arte e incumbido de reformar o teatro nacional. O projeto para a renovação da Arte em Portugal é descrito no prefácio de Um Auto de Gil Vicente (1838), um dos primeiros contributos de Garrett para a criação de um repertório teatral português.
 
1837         É nomeado Inspetor-Geral dos Teatros, o que lhe permite fundar o Teatro Nacional D. Maria II e o Conservatório Nacional, a primeira escola portuguesa de atores.
 
1838          A sua ação em prol da dinamização do teatro português prossegue com a publicação de Um Auto de Gil Vicente (1838), Dona Filipa de Vilhena (1840) e O Alfageme de Santarém (1842), procurando, assim, dinamizar o quase inexistente repertório dramático nacional.
 
1841        O ministro António José de Ávila propõe a dissolução do Conservatório. O deputado Almeida Garrett responde-lhe diretamente e, no dia seguinte, é demitido de todos os seus cargos. Falece Adelaide Pastor, deixando órfã a filha de ambos.
 
1843         Desencantado com a evolução da causa liberal durante o governo cabralista, Garrett afasta-se dos cargos políticos, mas não abdica do seu patriotismo empenhado, como se pode comprovar em Viagens na Minha Terra, obra escrita neste ano que denuncia o materialismo excessivo que conduz à degradação física e moral do país e cuja primeira parte é publicada em folhetins na “Revista Universal Lisbonense” (a edição só fica concluída em 1846). As Viagens são inspiradas por um passeio pelo Ribatejo a convite de Passos Manuel, então na oposição ao governo de Costa Cabral. Ainda neste ano, é publicado o primeiro volume do Romanceiro e feita a primeira representação de Frei Luís de Sousa, com Garrett a desempenhar o papel de Telmo Pais, no teatro da Quinta do Pinheiro.
 
1844          É publicado Frei Luís de Sousa, três anos após a morte de Adelaide Pastor Deville, quando o escritor conhece Rosa de Montufar Barreiros, Viscondessa da Luz, por quem se apaixona e a quem dirige cartas de intensa paixão e que lhe inspira a escrita dos poemas de Folhas Caídas.
 
1845        Publica o romance O Arco de Sant’Ana, iniciado em 1832, durante o cerco do Porto, mas cujo primeiro volume só sai em 1845, e Flores sem Fruto.
 
1846      Nos tempos do Cabralismo e seguintes, afastado da vida política, passa a frequentar a sociedade elegante e escreve as peças Tio Simplício, Falar Verdade a Mentir, Um Noivado no Dafundo.
 
1848       É representada a peça A Sobrinha do Marquês no Teatro D. Maria II e logo a seguir publicada.
 
1851          Com a Regeneração, Almeida Garrett retoma a vida política, tendo sido nomeado, em julho, Ministro dos Negócios Estrangeiros, após a nomeação de Visconde e Par do Reino.
                   O governo francês concede-lhe o título de Grande Oficial da Legião de Honra.
                   São publicados os volumes II e II do Romanceiro.
 
1852          É novamente eleito deputado. Escreve e lê, na Câmara, o “Discurso de Resposta ao Discurso da Coroa”.
 
1853       Publica Folhas Caídas, uma coletânea de poemas marcados por um subjetivismo de cariz confessional em cuja génese está a paixão avassaladora e adúltera por Rosa de Montufar.
                Com a Regeneração, regressa à administração do Teatro Nacional, mas demite-se a pedido dos atores e autores.
                 Já muito doente, começa a escrever Helena, a obra que seria o seu terceiro romance. Apesar de o seu estado de saúde se agravar de dia para dia, ainda apresenta o “Relatório e Bases para a Reforma Administrativa”.
 
1854           Profere, na Câmara dos Pares, a resposta ao Discurso da Coroa de 1854.
                  Falece a 9 de dezembro, aos cinquenta e cincos anos, vitimado por um cancro hepático, após uma vida política e cívica intensa: estudante revolucionário em Coimbra (1820), jornalista interventivo perseguido pelas suas ideias liberais (1822-1823), preso e exilado político por diversas vezes (1823-1827 e 1828-1832), soldado da causa liberal, “bravo do Mindelo” que combateu no cerco do Porto, secretário da missão diplomática em Madrid, Paris e Londres, em prol da causa liberal, colaborador ativo de várias tarefas a nível governativo, cônsul geral na Bélgica (1834-1836), resistente político durante a ditadura do governo de Costa Cabral (1842-1846 e 1849-1851), Par do Reino (1851) e Ministro dos Negócios Estrangeiros (1852), durante a Regeneração. É sepultado no Cemitério dos Prazeres. Os seus restos mortais são depositados no Mosteiro dos Jerónimos em 1903 e trasladados para Santa Engrácia em 1966, aquando da inauguração do monumento como Panteão Nacional.
 
Fontes:
     * História da Literatura Portuguesa, de António José Saraiva e Óscar Lopes;
     * Coleção Resumos;
     * Dicionário da Literatura, de Jacinto do Prado Coelho;
     * Leituras - Revista da Biblioteca Nacional (n.º 4, primavera de 1999).

domingo, 25 de dezembro de 2011

Recomeça agora


Natal

Devia ser neve humana
A que caía no mundo
Nessa noite de amargura
Que se foi fazendo doce...
Um frio que nos pedia
Calor irmão, nem que fosse
De bichos de estrebaria.

                                 Miguel Torga, Diário IV (1948)

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Mariah Carey: "All I Want For Christmas is You" (1994)

Profs... a culpa é deles!


     Neste momento, é óbvio para todos que a culpa do estado a que chegou o ensino é (sem querer apontar dedos) dos professores. Só pode ser deles, aliás. Os alunos estão lá a contragosto, por isso não contam. O ministério muda quase todos os anos, por isso conta ainda menos. Os únicos que se mantêm tempo suficiente no sistema são os professores. Pelo menos os que vão conseguindo escapar com vida.
     É evidente que a culpa é deles. E, ao contrário do que costuma acontecer nesta coluna, esta não é uma acusação gratuita. Há razões objectivas para que os culpados sejam os professores.
     Reparem: quando falamos de professores, estamos a falar de pessoas que escolheram uma profissão em que ganham mal, não sabem onde vão ser colocados no ano seguinte e todos os dias arriscam levar um banano de um aluno ou de qualquer um dos seus familiares.
     O que é que esta gente pode ensinar às nossas crianças? Se eles possuíssem algum tipo de sabedoria, tê-la-iam usado em proveito próprio. É sensato entregar a educação dos nossos filhos a pessoas com esta capacidade de discernimento? Parece-me claro que não. A menos que não se trate de falta de juízo, mas sim de amor ao sofrimento.
     O que não posso dizer que me deixe mais tranquilo. Esta gente opta por passar a vida a andar de terra em terra, a fazer contas ao dinheiro e a ensinar o Teorema de Pitágoras a delinquentes que lhes querem bater. Sem nenhum desprimor para com as depravações sexuais - até porque sofro de quase todas -, não sei se o Ministério da Educação devia incentivar este contacto entre crianças e adultos masoquistas.
     Ser professor, hoje, não é uma vocação; é uma perversão.
     Antigamente, havia as escolas C+S; hoje, caminhamos para o modelo de escola S/M. Havia os professores sádicos, que espancavam alunos; agora há os professores masoquistas, que são espancados por eles. Tomando sempre novas qualidades, este mundo.
     Eu digo-vos que grupo de pessoas produzia excelentes professores: o povo cigano.
     Já estão habituados ao nomadismo e têm fama de se desenvencilhar bem das escaramuças. Queria ver quantos papás fanfarrões dos subúrbios iam pedir explicações a estes professores. Um cigano em cada escola é a minha proposta.
     Já em relação a estes professores que têm sido agredidos,tenho menos esperança.
     Gente que ensina selvagens filhos de selvagens e, depois de ser agredida, não sabe guiar a polícia até à árvore em que os agressores vivem, claramente, não está preparada para o mundo.

Ricardo Araújo Pereira, in Visão

"Professores portugueses, emigrem" (II)


Expresso

"Professores portugueses, emigrem!"

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