sábado, 31 de março de 2012

Tancredo

     Tancredo tipifica o homem fatal do Romantismo.
     Desde logo, estamos na presença de uma personagem enigmática, incompreendida, foragida e condenada à morte, por ser uma opositora ao poder instituído.
     Por outro lado, o italiano possui uma beleza extraordinária que, conjugada com a sua figura pálida, atrai e seduz irresistivelmente Maria Monforte. Fisicamente, carateriza-se pela barba curta e frisada, pelos longos cabelos castanhos, ondeados e «com reflexos de ouro» e pelo olhar sombrio. Psicologicamente, é apresentado como um ser taciturno, orgulhoso e misterioso.
     Após o acidente de caça, desenha flores para Maria bordar e tange-lhe canções populares napolitanas à guitarra, indícios claros de um romance oculto.
     Acaba por fugir com Maria Monforte. A última notícia que temos dele é que foi morto num duelo.

Presságios

1. Família
  • A lenda recordada por Vilaça, segundo a qual «eram sempre fatais aos Maias as paredes do Ramalhete».
  • O quadro de Rubens representando um Cristo na cruz que se encontra no escritório de Afonso: Cristo morreu para expiar os pecados dos homens; de modo semelhante, Afonso morre por causa dos pecados de Carlos, seu neto.
  • A referência a uma tapeçaria presente no escritório de Afonso: «tapeçaria mostrava ainda as armas dos Maias no desmaio da trama de seda».
2. Pedro da Maia
  • A parecença de Pedro com um avô da mãe, que enlouquecera e se enforcara sugere o «enlouquecimento» da personagem após a fuga de Maria Monforte e o seu suicídio.
3. Maria Monforte
  • A associação de Maria a Helena de Tróia: ambas adúlteras e causadoras de «guerras trágicas»;
  • A referência ao «luxo sombrio do luto oriental de Judite».
4. A relação Pedro / Maria Monforte
  • A paixão por Maria é descrita como «um amor à Romeu, vindo de repente numa troca de olhares fatal...»:
  • sugestão de tragédia: a morte de Romeu e de Julieta na peça de Shakespeare corresponde à morte de Pedro;
  • a oposição paterna, outro traço comum à obra de Shakespeare;
  • a presença do fatalismo; 
  • O vestido cor-de-rosa de Maria sugere (a cor) a vida romântica em que Pedro se enleou;
  • A cor dos olhos de Maria («azul sombrio») sugere a existência de sombras, ou seja, complicações naquela relação;
  • A ramagem de um verde triste constitui um prenúncio da tristeza que ensombrará a relação amorosa;
  • A sombrinha que envolve totalmente Pedro parece a Afonso «... uma larga mancha de sangue...»:
  • por um lado, aponta para o suicídio de Pedro;
  • por outro, sugere o incesto de Carlos e Maria Eduarda, uma relação entre dos irmãos de sangue; 
  • o ramo que se esfolha num vaso do Japão antecipa também a morte de Pedro.
5. Carlos da Maia
  • A escolha do nome de Carlos é feita a partir de uma novela romântica «... de que era herói o último Stuart, o romanesco príncipe Carlos Eduardo; e, namorado dele, das suas aventuras e desgraças, queria dar esse nome a seu filho... Carlos Eduardo da Maia! Um tal nome parecia-lhe conter todo um destino de amores e façanhas.». Este dado tem vários significados:
  • a influência perniciosa da literatura romântica em Maria Monforte;
  • tal como a personagem da novela era o «último Stuart», também Carlos será o último dos Maias;
  • tal como o príncipe, carlos irá levar uma vida de «aventuras e desgraças»;
  • a presença do Destino («conter todo um destino de amores e façanhas». 


Em atualização...

segunda-feira, 26 de março de 2012

Revisão curricular - Secundário

Documento completo:  RevEstCurric26Mar12.

Revisão curricular - 2.º e 3.º ciclos

Documento completo:  RevEstCurric26Mar12.

Exames nacionais para alunos do Ensino Recorrente


          Mensagem n.º 5 / JNE / 2012 sobre a realização de exames nacionais finais para prosseguimento de estudos para os alunos dos cursos científico-humanísticos do ensino recorrente.

          Descaradamente «pedido emprestado» ao ADDUO.

"Poema de Agradecimento à Corja"

Obrigado, excelências.
Obrigado por nos destruírem o sonho e a oportunidade de vivermos
felizes e em paz.
Obrigado pelo exemplo que se esforçam em nos dar de como é possível
viver sem vergonha, sem respeito e sem dignidade.
Obrigado por nos roubarem. Por não nos perguntarem nada.
Por não nos darem explicações.
Obrigado por se orgulharem de nos tirar as coisas por que lutámos e às
quais temos direito.
Obrigado por nos tirarem até o sono. E a tranquilidade. E a alegria.
Obrigado pelo cinzentismo, pela depressão, pelo desespero.
Obrigado pela vossa mediocridade.
E obrigado por aquilo que podem e não querem fazer.
Obrigado por tudo o que não sabem e fingem saber.
Obrigado por transformarem o nosso coração numa sala de espera.
Obrigado por fazerem de cada um dos nossos dias
um dia menos interessante que o anterior.
Obrigado por nos exigirem mais do que podemos dar.
Obrigado por nos darem em troca quase nada.
Obrigado por não disfarçarem a cobiça, a corrupção, a indignidade.
Pelo chocante imerecimento da vossa comodidade
e da vossa felicidade adquirida a qualquer preço.
E pelo vosso vergonhoso descaramento.
Obrigado por nos ensinarem tudo o que nunca deveremos querer, o que
nunca deveremos fazer, o que nunca deveremos aceitar.
Obrigado por serem o que são.
Obrigado por serem como são.
Para que não sejamos também assim.
E para que possamos reconhecer facilmente
quem temos de rejeitar.

                                          Joaquim Pessoa

sábado, 24 de março de 2012

Pornografia pura

Analu Campos

     Imagem representativa, por contraste, da exibição pornográfica do SLB hoje, em Olhão.

quinta-feira, 22 de março de 2012

"José"

    E agora, José?
    A festa acabou,
    a luz apagou,
    o povo sumiu,
    a noite esfriou,
    e agora, José?
    e agora, você?
    você que é sem nome,
    que zomba dos outros,
    você que faz versos,
    que ama, protesta?
    e agora, José?
    Está sem mulher,
    está sem discurso,
    está sem carinho,
    já não pode beber,
    já não pode fumar,
    cuspir já não pode,
    a noite esfriou,
    o dia não veio,
    o bonde não veio,
    o riso não veio
    não veio a utopia
    e tudo acabou
    e tudo fugiu
    e tudo mofou,
    e agora, José?
    E agora, José?
    Sua doce palavra,
    seu instante de febre,
    sua gula e jejum,
    sua biblioteca,
    sua lavra de ouro,
    seu terno de vidro,
    sua incoerência,
    seu ódio - e agora?
    Com a chave na mão
    quer abrir a porta,
    não existe porta;
    quer morrer no mar,
    mas o mar secou;
    quer ir para Minas,
    Minas não há mais.
    José, e agora?
    Se você gritasse,
    se você gemesse,
    se você tocasse
    a valsa vienense,
    se você dormisse,
    se você cansasse,
    se você morresse...
    Mas você não morre,
    você é duro, José!
    Sozinho no escuro
    qual bicho-do-mato,
    sem teogonia,
    sem parede nua
    para se encostar,
    sem cavalo preto
    que fuja a galope,
    você marcha, José!
    José, para onde?

O gato, o pau e o Benfica

segunda-feira, 19 de março de 2012

Dia do Pai: «Não tenho tempo»


Texto: Neimar de Barros

Voz: Marcos Durães

"Poema à Mãe"

No mais fundo de ti, 
eu sei que traí, mãe 

Tudo porque já não sou 
o retrato adormecido 
no fundo dos teus olhos. 

Tudo porque tu ignoras 
que há leitos onde o frio não se demora 
e noites rumorosas de águas matinais. 

Por isso, às vezes, as palavras que te digo 
são duras, mãe, 
e o nosso amor é infeliz. 

Tudo porque perdi as rosas brancas 
que apertava junto ao coração 
no retrato da moldura. 

Se soubesses como ainda amo as rosas, 
talvez não enchesses as horas de pesadelos. 

Mas tu esqueceste muita coisa; 
esqueceste que as minhas pernas cresceram, 
que todo o meu corpo cresceu, 
e até o meu coração 
ficou enorme, mãe! 

Olha — queres ouvir-me? — 
às vezes ainda sou o menino 
que adormeceu nos teus olhos; 

ainda aperto contra o coração 
rosas tão brancas 
como as que tens na moldura; 

ainda oiço a tua voz: 
          Era uma vez uma princesa 
          no meio de um laranjal...
 

Mas — tu sabes — a noite é enorme, 
e todo o meu corpo cresceu. 
Eu saí da moldura, 
dei às aves os meus olhos a beber, 

Não me esqueci de nada, mãe. 
Guardo a tua voz dentro de mim. 
E deixo-te as rosas. 

Boa noite. Eu vou com as aves. 

                                         Eugénio de Andrade, in Os Amantes Sem Dinheiro"

"Sofia por ela própria", Mendes e João Só


domingo, 18 de março de 2012

Sujeito

          1. Definição

          De acordo com a gramática tradicional, o sujeito era aquele que praticava (O João comeu a maçã. - voz ativa) ou sofria a ação (O rato foi comido pelo gato.).

          O sujeito é a função sintáctica desempenhada pelo constituinte da frase que controla a concordância verbal (em número e pessoa). Constitui, juntamente com o predicado, uma função central a nível da frase:
          . Os meus irmãos são pouco inteligentes.
          . O Antunes fugiu de casa.
          . Figueira é uma pequena vila.
          . Esse livro que tu compraste é muito interessante.
          . Chegaram as prendas do Eusébio.
          . Quem vai ao ar perde o lugar.
          . Espanta-me que os alunos estudem tão pouco.
          . É verdade que o Benfica jogou mal.
          . Ela ter namorado deixa-me abismado.
          . Ela é linda!
          . Isso é mentira!

* * * * * * * * * *

          2. Posição

          Geralmente, o sujeito surge à esquerda do verbo:
                    . O Benfica derrotou o Beira-Mar.

          No entanto, pode surgir também após o verbo:
                    . Desapareceu o Jaime Graça..
                    . Espanta-me que o Benfica tenha perdido oito pontos seguidos.
                    . Surgiu um contratempo

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          3. Representação
.
          O sujeito pode ser representado por um grupo nominal ou por uma frase.

               » Grupo nominal:

                         . um determinante e / ou quantificador e um ou mais nomes:
                                   . O Vítor não cantou.
                                   . Os meus filhos são os meus tesouros.
                                   . Todos aqueles filmes me agradam.
                                   . Aquele golo foi irregular.
                                   . O Tancredo e a Maria fugiram para Paris.

                         . um nome:
                                   . Lisboa é uma cidade antiquíssima.
                                   . Cantar faz bem à alma. (Neste caso, estamos perante uma
                                     forma verbal substantivada - cantar -, verificando-se um fenó-
                                     meno de derivação imprópria ou conversão).

                         . um pronome:
                                   . Elas são lindas!
                                   . Eu vi-te na feira.
                                   . Isso é um disparate.

                         . um nome com modificador:
                                   . Uma bela mulher foi entronizada. (adjetivo + nome)
                                   . Os alunos que conheço são preguiçosos. (oração adjetiva
                                      relativa junto do nome)
                                   . O golo madrugador foi insuficiente. (nome + adjetivo)
                                   . A Dânia Neto, uma bela mulher, pousou para a Playboy.
                                     (nome + modificador do nome apositivo)

                         . um nome com complemento:
                                   . O treinador do Benfica farta-se de inventar.


               » Oração:

                         . uma oração subordinada substantiva completiva:
                                   . É preciso que o governo governe bem.
                                   . É proibido dar calduços.
                                   . É evidente que assim não seremos campeões.

                         . uma oração subordinada substantiva relativa:
                                   . Quem leu Os Maias receberá dois chocolates.
                                   . Quem cala consente.

          Quando o sujeito é constituído por um grupo nominal ou uma oração subordinada substantiva relativa, pode ser substituído por um pronome pessoal, na forma nominativa, com o qual o verbo concorda:
                         . A televisão avariou. ® . Ela avariou.
                         . Eu e tu assassinámos o poema. ® . Nós assassinámos o poema.

          Quando o sujeito é constituído por uma oração, pode ser, muitas vezes, substituído por um pronome demonstrativo:
                         . É pena que tenhamos perdido. ® . É pena isso.
                         . Foi lamentável que o árbitro não tivesse visto aquele fora-de-
                           -jogo® Foi lamentável aquilo.
.
* * * * * * * * * *
 .
        4. Teste

          Para identificar o sujeito de uma frase, podemos formular uma pergunta ao verbo com os interrogativos Quem ou O que, colocados antes do verbo:
                         . O Cardozo marcou dois golos. ® Quem marcou (dois golos)?
                            ® Resposta: O Cardozo (= sujeito).
                         . A televisão avariou. ® O que avariou? ® Resposta: A televisão (=
                           sujeito).
.
* * * * * * * * * *
.
          5. ClassificaçãoTipos de sujeito

1. Sujeito simples: o sujeito é constituído por um grupo nominal (cujo núcleo é um nome ou um pronome):
          . Ele é inteligente.
          . Esta mulher não é bonita.
     ou por uma oração:
          . Quem muito fala pouco acerta.
          . Quem tudo quer tudo perde.
          . É provável que o Benfica não seja campeão este ano.


2. Sujeito composto: o sujeito é constituído por mais do que um grupo nominal:
          . O Pedro e a Regina casaram-se.
          . Eu e tu falamos alto.
          . Eu e a Joaquina casámos.
     ou por mais do que uma oração:
          . Quem arrisca e quem sabe o que quer só não consegue se não quer.
          . Quem espera e quem tem paciência alcança os seus objetivos.
     ou pela combinação de um grupo nominal e de uma oração:
          . A Dora e quem tu sabes namoram desde ontem.
          . O Antunes e quem o ama foram de férias para a Guatemala.


3. Sujeito nulo

          O sujeito é um elemento frásico sintaticamente obrigatório, mas nem sempre está expresso na frase. Quando tal sucede diz-se que o sujeito é nulo.
          Existem três tipos de sujeito nulo:

     3.1. Sujeito nulo subentendido: o sujeito não está expresso na frase (isto é, não tem realização lexical), mas pode ser recuperado pelo contexto e pela flexão verbal (pessoa e número):
          . Vamos fazer o copianço para o teste de Português. ® sujeito: nós.
          . Estou ansioso pelo Benfica - Braga. ® sujeito: eu.

     3.2. Sujeito nulo indeterminado: o sujeito não tem realização lexical e ocorre quando o verbo se encontra na 3.ª pessoa do plural ou do singular, acompanhado, neste caso, do pronome pessoal se com valor impessoal. Por outro lado, o sujeito nulo indeterminado pode ser parafraseado por «alguém», «há quem», «há pessoas que».
          . Dizem que o professor de Português vai faltar na quarta-feira.
          . Estuda-se pouco em Portugal.
          . Falou-se muito no acidente de ontem no Chile.
          . Diz-se que há corrupção no futebol.
          . Bebe-se demasiado álcool em Portugal.
          Quem disse? Quem falou? Quem diz? Quem bebe?
           Nenhuma das frases permite responder a cada uma das perguntas, daí concluirmos que o sujeito das quatro formas verbais é indeterminado.

     3.3. Sujeito nulo expletivo: o sujeito não tem interpretação e ocorre com verbos impessoais:

          . formas verbais referentes e a fenómenos da natureza:
                    . Anoiteceu.
                    . Choveu.
                    . Nevou na Serra da Estrela.

          . o verbo «haver» com sentido de existir:
                    . Há alunos que não respeitam os professores.

          . o verbo «haver» no início de determinados textos narrativos:
                    . Há muitos anos, eu tinha cabelo.

          . o verbo «ser»:
                    . São dezanove horas e dezanove minutos.


          No entanto, determinadas regiões e determinados grupos sociais realizam o sujeito nulo expletivo recorrendo à forma pronominal pessoal ele, resultando daí uma ênfase da ação ou evento:
                    . Ele muito trovejou hoje!
                    . Ele há cada coisa!

domingo, 11 de março de 2012

Corodoma - Pedido de ajuda


VAMOS AJUDAR O MÁRIO

O Mário Pires de 51 anos era um professor de Educação Física  no Agrupamento de escolas de Macedo de Cavaleiros, quando há dois anos lhe foi diagnosticada uma doença rara, Cordoma que no caso dele é um tumor benigno no tronco cerebral que no caso dele é invasivo. Durante este tempo procurou ajuda médica mas, muitas portas se fecharam. Há cerca de um ano, uma equipa médica da região do Porto aceitou tratá-lo, mas não conseguiu ajudá-lo. Há duas semanas informou a família  que nada mais havia a fazer pelo Mário e de que  o tumor era  inoperável. O Mário estava há cerca de três meses na Unidade de Cuidados Continuados de Murça. O seu estado é crítico, mede 1,80m e pesa 50 Kg. Além da perda de peso, fez uma traqueotomia para respirar, a sua voz é pouco audível,  alimenta-se com uma sonda gástrica e toma medicação pois sofre de muitas dores de cabeça devido ao crescimento do tumor. Há cerca de 59.000 casos a nível mundial, mas em Portugal não há qualquer estatística relativa a esta doença, por isso desconhecemos se existem ou não. . A sua família e amigos não se conformam com este prognóstico e procuraram ajuda pelo mundo inteiro. O Prof. Dr. Helmut Bertalanffy é a luz ao fundo do túnel e o Mário vai ser operado e tratado no Instituto de Neurociências de Hannover. O Mário vai ser operado em Hannover em príncipio na terça- feira. Os custos totais do tratamento são elevados (50.000€), mas se todos ajudarmos tornar-se-á muito mais fácil.

Professor de Educação Física na empresa Agrupamento Vertical de Escolas de Macedo de Cavaleiros
Se quiseres ajudar o Mário:
CONTA: MÁRIO JOSÉ GONÇALVES PIRES
Transferências Nacionais:
NIB: 003501740006147500071  Caixa Geral de Depósitos
Transferências Internacionais
IBAN: PT50003501740006147500071       BIC:CGDIPTPL

                                                                        Via A Educação do meu Umbigo

"Estão podres as palavras"

Estão podres as palavras – de passarem
por sórdidas mentiras de canalhas
que as usam ao revés como o carácter deles.
E podres de sonâmbulos os povos
ante a maldade à solta de que vivem
a paz quotidiana da injustiça.
Usá-las puras – como serão puras,
se caem no silêncio em que os mais puros
não sabem já onde a limpeza acaba
e a corrupção começa? Como serão puras
se logo a infâmia as cobre de seu cuspo?
Estão podres: e com elas apodrece a mundo
e se dissolve em lama a criação do homem
que só persiste em todos livremente
onde as palavras fiquem como torres
erguidas sexo de homens entre o céu e a terra.


                                                Jorge de Sena

sexta-feira, 9 de março de 2012

Exame intermédio de 9.º ano 2012 - Correção

Grupo I

    Versão 1                                                    Versão 2

1. F - A - C - G - D- B - E                             C - E - G - D - A - F - B

2.1. D                                                         C

2.2. C                                                         D

2.3. B

3. B

4. Os elementos textuais que evidenciam a relação existente entre o remetente e o destinatário são
         - os vocativos «Querida» e «meu amor», presentes na fórmula de abertura e de
            fecho;
         - a referência aos filhos de Estêvão.
     Estes elementos deixam antever a existência de uma relação de familiaridade entre o remetente e o destinatário.

5. Animais aquáticos referidos por Estêvão e respetiva missão:
          - os chernes são escavadores, logo atuam em profundidade nas salésias;
          - os salmões são exploradores e fornecem informações;
          - os tubarões-martelo fazem parte das Brigadas de Choque;
          - a baleia branca orienta as equipas de ataque com icebergues;
          - parte dos golfinhos colaboram / são colaboracionistas.

6. As palavras de despedida proferidas por Estêvão evidenciam, por um lado, a saudade que o marca nesse momento, motivada pela separação, e, por outro, o orgulho que sente por ter participado na construção de um mundo diferente, melhor.

7. De facto, o plano em que Estêvão está envolvido reveste-se de alguns perigos, como se pode verificar pelos seguintes dados (argumentos):
          - a carta deve estar sujeita a um «segredo rigoroso";
          - a existência de colaboracionistas sugere também a existência de perigos.

8.
     - Comentário mais adequado: o de Sara.

     - Expressão: "aparição de um mundo melhor em que as águas serão realmente limpas
        e seguras".

     - Razão: depois do início do "Grande Salto para o Fundo", os continentes desaparecem,
        juntamente com os seus habitantes, responsáveis pela poluição das águas.

     - Relação: a expressão "Águas transparentes para ti, meu amor" relaciona-se com o
        comentário de Sara, visto que revela o desejo de que as águas sejam límpidas e des-
        poluídas.

     - Características psicológicas de Estêvão: coragem e espírito de sacrifício.

     - A opção de Estêvão é um exemplo a seguir, dado que é fundamental que todos se
        empenhem e comprometam com a resolução dos problemas que afetam o mundo.
     - A opção de Estêvão não é um exemplo a seguir, porque o seu envolvimento na
        resolução dos problemas que perturbam o mundo provoca o seu afastamento da
        família, daqueles que lhe são mais queridos.

     - Comentário mais adequado: o de André.

     - Expressão: "um futuro em que os novos de todos os mares possam vir a ter uma
        vida livre e digna".

     - Razão: com o início do "Grande Salto para o Fundo", os continentes começam a
        desaparecer, bem como os seus habitantes, que ameaçam a liberdade e a digni-
        dade dos animais aquáticos.

     - Relação: a expressão "Águas transparentes para ti, meu amor" relaciona-se com o
        comentário de André, visto que revele o desejo de um mundo melhor do que o
        atual.

     - Características psicológicas de Estêvão: idem.

     - A opção de Estêvão: idem.


Grupo II

     Versão 1                            Versão 2

1. C                                          B

2.
     a) Os arqueólogos propuseram às autoridades a exploração subaquática dos
         navios naufragados.

     b) Antes da época dos Descobrimentos, já tinha / havia havido muitos nau-
         frágios nesta baía.

     c) Sempre que eu e a Sara fizermos um passeio por Troia, vamos pensar na
         história da «nau da prata».

     d) Se os piratas tivessem / houvessem querido, teriam afundado o navio inglês.

3.1. Complemento direto

3.2. Oração subordinada substantiva completiva

4. Discurso indireto: "O André disse à Sara que, como a vida dos marinheiros, o
    apaixonava, no dia anterior tinha ido / fora visitar um navio-escola."

quinta-feira, 8 de março de 2012

Sporting - Manchester City on-line

Maria Monforte

     Sinteticamente, a descrição que o narrador nos fornece desta personagem é a seguinte:
  • filha de Manuel Monforte, natural dos Açores;
  • loura;
  • "testa curta e clássica";
  • olhos maravilhosos;
  • "perfil grave de estátua";
  • vista por Pedro "como alguma coisa de imoral e superior à Terra";
  • "um ideal da Renascença";
  • vive rodeada de luxo;
  • lê novelas (românticas);
  • é conhecida em Lisboa pela alcunha pejorativa de «a negreira», alcunha ligada a seu pai e à forma como fizera fortuna, enquanto comandante de um navio de transporte de escravps;
  • a sua extrema beleza deslumbra Lisboa;
  • misteriosa;
  • apresenta traços de transgressão: "toilettes excessivas e teatrais".
     Após a lua-de-mel, em Itália e Paris, de regresso a Arroios, Maria exige que Pedro escreva a Afonso. Quando este a rejeitou, ela apressou ao casamento e a partida para Itália como forma de vingança e de lhe demonstrar que valia mais o seu poder de sedução do que as tradições familiares e o grau de parentesco. No entanto, com o regresso a Lisboa deseja a reconciliação para se poder mostrar à sociedade da capital «pelo braço desse sogro tão nobre e tão ornamental». Perante a recusa de Afonso, Maria injuria-o, chamando-lhe «D. Fuas» e «Barbatanas».
     Depois do nascimento da filha, recusa-se a amamentá-la, embora a adore e acarinhe em êxtase de idolatria. Relativamente ao marido, detém grande poder sobre ele e usa-o astutamente, como o demonstra o episódio da tentativa de reconciliação. Note-se a este propósito o facto de o narrador omitir o nome da criança, para que não seja explícito antes do momento indicado que Carlos e Maria Eduarda são irmãos. Sobre ela ficamos apenas a saber que se trata de «uma linda bebé, muito gorda, loura e cor-de-rosa, com os belos olhos negros dos Maias».
     As soirées de Arroios mostram-nos uma Maria avançada para o seu tempo. Por exemplo, fuma e joga com os homens. Por outro lado, lá estão presentes os traços que a marcam desde o início do romance: o luxo, a ostentação, a mundaneidade, as paixões que desperta e que suscitam os ciúmes do marido, apaziguados com carícias e mimos.
     Com efeito, Maria Monforte recebe e vive requintadamente, rodeada de luxo, fausto e ostentação. Esclarece-nos o narrador que «nunca fora tão formosa», que escolhe a túlipa, «opulenta e ardente», para flor que a simbolize - uma flor que sugere a sua sensualidade, que desperta paixões em todos os amigos de Pedro; em suma, uma mulher muito sensual e sedutora.
     Preenche o ócio diário lendo novelas românticas, que a influenciam de tal modo que escolhe o nome do segundo filho, entretanto nascido, a partir do nome de uma personagem de uma dessas novelas. Será também o conteúdo dessas novelas que a ajudam a lançar nos braços de Tancredo, a quem dedica, a partir de determinado momento, uma paixão revelada pelos seguintes indícios:
  • a excitação e noite mal dormida perante a ideia de ter «um príncipe entusiasta, conspirador, condenado à morte, ferido agora, por cima do seu quarto»;
  • os ciúmes que sente perante as idas constantes da arlesiana ao quarto de Tancredo;
  • a pergunta a Pedro se «era necessária (...) constantemente a sua própria criada no quarto de Sua Alteza!»;
  • a sua palidez e a sua cólera quando Pedro lhe responde que Tancredo achava «picante» a arlesiana;
  • o choro da arlesiana após uma conversa com Maria;
  • os suspiros sem razão (pág. 43).
     A partir de determinado momento, Maria muda radicalmente o seu comportamento e a sua postura:
  • troca o vestuário luxuoso por um vestuário negro;
  • suspende as soirées mundanas por outras singelas onde faz crochet, estuda música clássica e fala de política com sisudez, apenas com alguns íntimos;
  • é adepta da Regeneração;
  • organiza uma associação de caridade, a Obra Pia dos Cobertores;
  • visita os pobres;
  • torna-se devota;
  • a «deusa» transforma-se em terna Madona e vai adiando para o inverno a visita de reconciliação com Afonso.
     No capítulo III, temos notícia da sua presença em Paris sob o nome de Madame de l'Estorade, porque aí viera habitar com Mr. de l'Estorade, «um jogador, um espadachim, que a explorou e depois abandonou. «Pobre, formosa, doida, excessiva», nas palavras do narrador, sobrevive como uma prostituta: «... está com quem lhe paga.». Antes de Paris, tinha vivido na Áustria com Tancredo e com o pai durante três anos. Depois, fora para o Mónaco, onde Tancredo acabou morto em duelo. Entretanto faleceu também o papá Monforte, arruinado pelo luxo da filha, pelas viagens e pelas perdas do napolitano no jogo. Depois destes acontecimentos, deslocara-se para Londres.

Pedro da Maia

     Incluída na longa analepse que se inicia no capítulo I, a história exemplar de Pedro da Maia norteia-se pelos princípios naturalistas, segundo os quais a personalidade do indivíduo dependia da conjugação de três fatores: a hereditariedade, a educação e o meio.

1. Educação


2. Hereditariedade



3. Meio
  • O Romantismo (Ultrarromantismo) hiper-sentimental e lamechas: «romantismo torpe»;
  • o vaguear pelos lupanares e botequins;
  • a vida de boémia, «dissipada e turbulenta», de «estroinice banal»: os distúrbios no Marrare, as «façanhas nas esperas de toiros, de cavalos esfalfados", as pateadas em São carlos;
  • as devoções (as leituras devotas);
  • a família (a mãe).

     Numa perspetiva determinista, o comportamento do Homem não é espontâneo, mas influenciado por determinados fatores: a hereditariedade, o meio e a educação.
     Pedro cresce pequeno, nervoso e indiferente a quaisquer interesses, apesar da sua inteligência viva, com grande paixão pela mãe, cuja morte provoca nele longos dias de prostração e apatia, seguidos de outros de dissipação e estúrdia para afogar o seu sofrimento, a sua dor, e novamente de uma fase de abatimento e devoção religiosa. Tornar-se-á num bom representante dessa exaltação sentimental que, posteriormente, o fará fracassar no suicídio, de toda uma geração romântica, orientando-se pelos valores indiviodualistas, desligada dos problemas sociais. Dessa fase será libertado pela paixão por Maria Monforte.

* * * * * * * * * * * * * * *

4. Comportamentos
  • A promessa, feita após a morte da mãe, de dormir durante um ano sobre as lajes do pátio;
  • as visitas diárias ao túmulo da mãe, carregado de luto pesado;
  • os distúrbios, a boémia e a estroinice;
  • as leituras devotas;
  • a mudança frequente de comportamentos e atitudes.


5. A paixão por Maria Monforte

     5.1. A paixão romântica
           
  • paixão súbita / à primeira vista => paixão fatal;
  • namoro "à antiga";
  • escrita diária de duas cartas febris de seis folhas de papel a Maria;
  • oferta de ramos das mais belas camélias dos jardins de Benfica;
  • as ausências ao jantar em Benfica;
  • as crises de abatimento.

     5.2. A oposição de Afonso
  • ao conhecer os pormenores hediondos relativos à família de Maria Monforte, Afonso opõe-se ao relacionamento amoroso;
  • recusa ao filho a autorização para se casar com ela (o que não impede o casamento);
  • o talher de Pedro é retirado da mesa;
  • Vilaça nota em Afonso, que nele se apoia pesadamente, a primeira tremura do velho;
  • a referência a Pedro é riscada da conversação.

     5.3. Os presságios
  • a parecença de Pedro com um avô da mãe, que enlouquecera e se enforcara: aponta para o suicídio de Pedro;
  • a paixão por Maria é descrita como "um amor à Romeu, vindo de repente numa troca de olhares fatal...":
  • a oposição paterna (de Afonso da Maia);
  • a presença do fatalismo;
  • os indícios de tragédia (a morte dos amantes na peça de Shakespeare encontra, n' Os Maias, equivalência na morte de Pedro;
  • o vestido cor-de-rosa: a cor simboliza a vida romântico em que Pedro se enleou;
  • a cor dos olhos de Maria ("azul sombrio"): sugere a existência de sombras, ou seja, complicações, naquela relação amorosa;
  • a ramagem de um verde triste: constitui o prenúncio da tristeza que ensombrará a relação;
  • a sombrinha que envolve totalmente Pedro da Maia parecia a Afonso "... uma larga mancha de sangue...":
  • o suicídio de Pedro;
  • o incesto de Carlos e Maria Eduarda (a relação amorosa entre dois irmãos de sangue), 
  • o ramo que se esfolha num vaso do Japão sugere a morte de Pedro.

     Em jeito de conclusão, assinale-se o estado de espírito de Pedro nos momentos que antecedem o seu suicídio e que vem comprovar estarmos na presença de uma personagem que é «um fraco em tudo». Com efeito, ele surge em casa do pai num estado de absoluto desespero e descomposto: enlameado, desalinhado, com a face lívida, os cabelos revoltos um olhar de loucura.Com o rosto devastado, envelhecido, chora perdidamente, lançando-se nos braços do pai.
     Num primeiro momento, ainda pensa perseguir Maria e Tancredo, mas desiste rapidamente dessa intenção, revelando, desde já, a sua incapacidade para reagir frontalmente às situações adversas. Ao longo da noite que antecede a morte, Pedro revela grande agitação e falta de autodomínio, sobretudo por não saber o que fazer e por se ver naquela situação. Por momentos, revela toda a sua fúria contra o «amigo» Tancredo, que fugiu com a esposa, e contra esta, que o atraiçoou fugindo e deixando-o numa situação miserável. Antes do momento fatal, escreve uma carta final ao pai.

Maria Eduarda Runa

     "Linda morena, mimosa", Maria Runa é uma fidalga filha do conde de Runa, doente e frágil.
     Acompanha o marido, Afonso da Maia, no exílio, mas mostra-se sempre infeliz em Inglaterra, andando sistematicamente pensativa e triste, a tossir, a suspirar e calada, mostrando assim a sua nostalgia / saudade de Portugal.
     De facto, "verdadeira lisboeta, pequenina e trigueira", Maria Runa é hostil a tudo o que tenha a ver com a Inglaterra, pelo que, durante o período em que lá vive, surge constantemente pensativa, melancólica e inativa. Definha gradualmente e entrega-se à religião de uma forma beata e incondicional. Nem a viagem a Roma e a proximidade do Papa diminuem as saudades do solo pátrio.
     Odiando aquela terra de hereges, não consente que seu filho Pedro estude no colégio de Richmond, porque, segundo ela, aí não se ensinava o «seu catolicismo». Assim, convoca o padre Vasques, capelão de Runa, para educar o filho, que superprotege, facto que terá consequências nefastas para ele futuramente.
     A última notícia que temos dela é proveniente do narrador, que nos informa que morreu "numa agonia terrível de devota".

Deixis / Deíticos

  • Deixis, etimologicamente, liga-se ao ato de mostrar, de apontar através da linguagem.
  • A deixis designa o conjunto de palavras ou expressões que têm como função apontar para o contexto situacional, isto é, que assinalam as marcas da enunciação: o locutor - o sujeito que enuncia, o interlocutor - o sujeito a quem se dirige, o tempo e o espaço da enunciação.
  • O locutor / sujeito da enunciação é o fulcro a partir do qual se estabelecem as coordenadas do contexto:
  • EU: a pessoa que fala
  • TU: a pessoa que me escuta
  • AQUI: o lugar em que o EU se encontra
  • AGORA: o momento em que o EU fala 
  • Dito de outra forma: para que o discurso seja coerente, é necessário que esteja adequado a uma situação de comunicação (o chamado contexto situacional). Os dois elementos envolvidos na produção de qualquer enunciado ou discurso - o EU (locutor) e o TU (interlocutor) - inserem-se num determinado tempo (AGORA) e num determinado espaço (AQUI) e partilham (ou não) um universo de referência - o mundo extralinguístico.
  • Os deíticos são as palavras ou expressões (os elementos linguísticos) que, não tendo um valor referencial próprio, remetem para a situação em que é produzido o texto, isto é, permitem situar o enunciado em relação a um tempo, a um espaço, aos sujeitos e às circunstâncias diversas de comunicação.

* * * * * * * * * * * * * * *

1. Deixis pessoal
  • Indica as pessoas do discurso, que participam no ato de enunciação.
  • Integram este grupo:
  • os pronomes pessoais de 1.ª e 2.ª pessoa: eu, tu, nós, vós, me, te, nos, vos...;
  • os determinantes e pronomes possessivos de 1.ª e 2.ª pessoa: meu, teu, nosso, vosso...;
  • os sufixos flexionais de pessoa-número: cantas, cantamos...;
  • os vocativos.

2. Deixis espacial
  • Assinala a localização espacial de indivíduos ou objetos, tendo como ponto de referência o lugar em que decorre a enunciação.
  • Integram os deíticos espaciais:
  • os advérbios com valor locativo (= de lugar): aqui, ali, além, cá, lá...;
  • as locuções adverbiais com valor locativo: aqui perto, lá de cima...;
  • os pronomes e determinantes demonstrativos: este, esse, aquele, aquilo, o outro, o mesmo...;
  • alguns verbos que indicam movimento: ir, vir, trazer,levar, partir, chegar, aproximar-se, afastar-se, subir, entrar, sair, descer...;
  • algumas preposições e locuções prepositivas: perante, ao lado de...
  • Ex.: Dê-me aquele bolo.
O determinante demonstrativo aquele aponta para um bolo presente no contexto situacional e localiza-o num espaço distante do(s) interlocutor(es).

3. Deixis temporal

  • Localiza, no tempo, factos relacionados com a enunciação (o momento da enunciação e o que, em simultâneo, ocorre com ela; o que ocorre antes do momento da enunciação; o que o locutor pensa que virá a acontecer depois).
  • Integram os deíticos temporais:
  • os advérbios de tempo: ontem, hoje, amanhã...;
  • locuções adverbiais ou expressões de tempo: na semana passada, no dia seguinte, no próximo mês...;
  • os sufixos flexionais de tempo-momento-aspeto: falávamos, cantas...;
  • alguns adjetivos: futuro, atual, contemporâneo...;
  • alguns nomes: véspera...;
  • algumas preposições e locuções prepositivas: após, depois de, antes de...
  • Ex.: Quando tu entraste, ontem, em casa, a mãe já tinha saído.
O advérbio ontem é um deítico cujo valor referencial depende do conhecimento acerca do momento de enunciação: será impossível interpretar ontem sem se saber quando foi produzido o enunciado.
O pretérito perfeito entraste constitui um ponto de referência fundamental, remetendo para um tempo anterior ao da enunciação e, simultaneamente, fixando um ponto de referência discursivamente construído para uma nova relação de anterioridade expressa pelo pretérito mais-que-perfeito composto tinha saído.

4. Deixis social
  • Assinala a relação hierárquica existente entre os participantes na interação discursiva e os papéis que desempenham.
  • Desempenham a função as formas de tratamento: o senhor, o senhor diretor, o senhor presidente, vossa excelência...

5. Deixis textual
  • Demarca e organiza, anafórica e cataforicamente, o tempo e o espaço do próprio texto (escrito ou oral).
  • Constroem a deixis textual expressões como como referir antes, a ideia antes expressa, como se referiu no parágrafo anterior, como se demonstrou acima, veremos seguidamente...


IMPORTANTE
  • Não se deve confundir elementos anafóricos com deíticos.
  • Os elementos anafóricos identificam-se como elementos de retoma (relação entre termos / expressões linguísticos), enquanto os deíticos referenciam a situação de enunciação (relação do termo / expressão linguística com a situação de produção do enunciado).
Exemplo 1: anafóricos
. A casa da Maria é acolhedora. Ali sente-se a humanidade que a caracteriza.
Exemplo 2: deíticos
. Quero que me dês os apontamentos que estão ali.

quarta-feira, 7 de março de 2012

"Os companheiros do medo"

            A imagem retratada na figura [no quadro], intitulada “Os companheiros do medo”, foi criada em 1942 por René Magritte, que foi um pintor belga, nascido a 21 de novembro  de 1898, que se dedicou ao surrealismo e que foi morrer [morreu] em Bruxelas a 15 de agosto de 1967.
            Em primeiro plano, observam-se, imediatamente, duas corujas e três mochos e, em segundo plano, observam-se montanhas e o céu. No primeiro plano, estão representados animais da noite que nos remetem para a falta de vida, assim como todo o solo onde elas se encontram, desprovido de cor, avistando-se apenas pequenas plantas e um curto areal. Em segundo plano, observam-se montanhas no horizonte, com neve, e um céu escuro carregado de nuvens. Toda a imagem nos remete para o título, pois só nos faz recordar morte e agonia. A imagem é caracterizada por cores frias e tristes, como o cinzento e o preto, e a morte é simbolizada pelos mochos, as corujas, as nuvens carregadas e o solo nú [nu].
            O ato segundo da peça Frei Luís de Sousa relaciona-se com a imagem, devido ao facto de que, tal como a imagem,  nos remete para a ausência de vida, a agonia e o desespero, aquele também é caracterizado pela tristeza da chegada ao palácio que outrora fora de D. João de Portugal e pela descoberta iminente das personagens.
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