segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Origem e significado de Natal

O termo natal começou por ser um adjetivo que significava «relativo ao nascimento», «onde se deu o nascimento», «natalício».
            A palavra provém do adjetivo latino natalis, formado a partir do verbo «nascor», que queria dizer «nascer».
            Do adjetivo «natal», formou-se o nome «natal», subentendendo-se a palavra «dia»: o dia natal significava o dia do nascimento e, daí, o próprio nascimento, mas esse termo normalmente apenas é usado para designar o nascimento de Jesus Cristo, iniciado por maiúscula (o Natal). Do latim natalis derivaram também as designações de várias outras línguas, como o francês (noël) ou o italiano (natale), entre outras.
            Deste modo, o vocábulo «Natal», escrito com maiúscula inicial, é o nome da festa religiosa cristã que celebra o nascimento de Jesus Cristo, a figura central da religião cristã; o termo «natal», com letra minúscula, significa «do nascimento» e refere-se ao nascimento ou ao local onde se deu o nascimento. Escrevem-se, igualmente, com maiúscula alguns topónimos, como o da cidade brasileira de Natal.
            Primitivamente, nas igrejas do Oriente, o nascimento de Jesus celebrava-se a 6 de janeiro. No entanto os Evangelhos não contêm qualquer referência à data exata desse nascimento. Foi o clero romano, algures entre 243 e 336, que definiu o dia 25 de dezembro como o da celebração do nascimento de Jesus, possivelmente graças ao papa Júlio I.
            A teoria mais aceite sugere que a comemoração do Natal teve origem em festas pagãs que ocorriam no mês de dezembro, durante o Império Romano, relacionadas com o solstício de inverno, para garantir a fertilidade e para celebrar o «renascimento do Sol», uma vez que o solstício de inverno era o dia mais curto do ano. De facto, a Roma pagã comemorava o Natale Solis Invicti, a festa solsticial consagrada ao Sol, precisamente no dia 25 de dezembro. De acordo com os cálculos da época, estava-se no solstício de inverno e esse era o dia em que o Sol estava mais fraco e, portanto, pronto para recomeçar a crescer e a trazer vida à natureza: era o nascimento do Sol invencível (Natale Solis Invicti), que prevalecia sobre a noite. Após a decisão do clero romano, gradualmente a celebração pagã deu lugar à cristã. Aliás, se tivermos em atenção as Escrituras, Jesus é apresentado como a verdadeira «luz do mundo», sendo frequente a associação de Deus ao Sol, Deus como a luz que ilumina a terra. De Roma, a celebração de 25 de dezembro propagou-se a todas as terras cristãs.
            Algumas vozes colocam o nascimento de Jesus no mês de abril, outras na festa dos Tabernáculos dos judeus, correspondente ao atual mês de setembro. Uma declaração de Clemente de Alexandria aponta mesmo várias datas: 15 de abril, 20 de abril, 21 de abril, 20 de maio. Enquanto a Igreja católica não fixou a data do Natal, este era comemorado em dias diferentes, dependendo da região, pois não se sabia com exatidão o dia do nascimento de Jesus. No entanto, para que passasse a constar do calendário litúrgico, bem como para marcar o ano I da nossa era (depois de Cristo) e ainda para permitir a conversão dos novos pagão sob o domínio do Império Romano, estabeleceu-se o dia 25 de dezembro, uma opção que terá sido ditada enquanto estratégia da Igreja para enfraquecer as comemorações pagãs que ocorriam nessa data, como, por exemplo, o Dies Natalis Solis Invicti ou a Saturnália, uma festa de homenagem ao deus Saturno. Assim, é muito provável que, gradativamente, durante os séculos III e IV, a comemoração do Natal no dia 25 de dezembro se tenha popularizado a ponto de o Papa Júlio I ter determinado que o nascimento de Jesus ocorrera, de facto, nessa data. Supostamente, o anúncio do papa teve lugar em 350.
            Relativamente à origem, alguns historiadores situam-na na antiga Babilónia, numa festa que comemorava o nascimento de Nimrode, um dos seus reis, e também no Egito, onde a data marcava o nascimento da deusa Ísis. De modo semelhante, a época, ainda antes do Cristianismo, era festejada no norte da Europa para marcar o fim dos dias curtos e o retorno do Sol. As antigas comemorações de Natal duravam até 12 dias, pois foi este o tempo que os três Reis Magos demoraram até chegar à cidade de Belém para entregarem os seus presentes (ouro, mirra e incenso) ao recém-nascido Jesus. Hoje, os enfeites de Natal são iniciados no começo de dezembro e terminam doze dias após o Natal.

O nosso Natal (VI)


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