domingo, 23 de novembro de 2025
Bocage: a afirmação de uma singularidade na literatura portuguesa
quinta-feira, 4 de setembro de 2025
Biografia de Camões: as origens dos Camões
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Camos (Nigrán): neste lugar, existia, há cerca de oito séculos (séc. XIII), o
solar dos Camões, residência da família ancestral de Luís de Camões.
•
Esse topónimo, por sua vez, teve origem no nome de uma ave chamada camão
(ou caimão), uma ave aquática de plumagem azul e bico vermelho, que
ainda existe no estuário do rio Miñor.
▪ Um nobre galego era dono
de um pássaro camão que morreria se a sua esposa cometesse adultério.
▪ Um pretendente dessa
dama, tendo sido rejeitado por ela e cheio de despeito, resolveu caluniá-la,
insinuando que teria cometido adultério, por isso o marido quis matá-la.
▪ A esposa pediu ao
cônjuge que consultasse a ave. Ao verificar que esta continuava viva, ele
compreendeu que estava enganado, reconheceu o seu erro e uniu o seu nome de
família ao da ave.
•
Luís de Camões mencionou esta lenda numa carta em verso que escreveu a uma
dama, mostrando, assim, que conhecia as suas origens galegas.
•
Camões cresceu com a ideia de pertencer à nobreza, mesmo que empobrecida, ideia
essa consubstanciada no seguinte:
▪ O solar dos Camões, uma
casa senhorial ou castelo feudal, que, por alturas dos séculos XII ou XIII,
existia em Camos (Nigrán, Galiza), o local onde nasceu o trisavô do poeta (ter
esse passado associado a um castelo fortalecia de linhagem aristocrática).
▪ A lenda do camão, a qual
dava prestígio simbólico à família, visto que a associava à virtude e à honra.
▪ Antepassados ligados à
guerra e à navegação, atividades valorizadas pela nobreza medieval, já que os
feitos de armas e a expansão ultramarina eram sinal de honra.
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D. Fernando, o monarca português, reivindica a coroa de Castela por direito
dinástico, invade a Galiza, mas recua.
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Muitos nobres portugueses partidários de Pedro I refugiam-se em Portugal,
nomeadamente o Conde Andeiro, Aires Pires de Camões (capitão de galés) e o seu
primo Vasco Pires de Camões, provável fundador do ramo português da família.
• Os
motivos da vinda de Vasco Pires de Camões para Portugal são os seguintes: apoio
político a Pedro I, como já foi referido, e desavença pessoal (teria
assassinado um fidalgo).
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D. Fernando recompensa-o com várias propriedades: Gestaçõ, Montemor-o-Novo,
Sardoal, Constância, Marvão, Vila Nova de Anços, Estremoz, Avis, Évora e
Santarém.
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Após a morte de D. Fernando, em 22 de outubro de 1383, D. Leonor Teles, a
regente do reino, mantém Vasco Pires de Camões próximo de si, conde-lhe funções
e um casamento vantajoso com Maria Tenreiro.
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Na batalha de Aljubarrota (1385), Vasco Pires de Camões luta ao lado das forças
de Castela, é feito prisioneiro e posteriormente libertado, mas a sua atitude
fá-lo perder prestígio.
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Em 1391, ainda morava em Portugal, mas após esse ano desaparece dos registos
das cortes.
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Antes de se mudar para Portugal, era um trovador galego, tendo participado, por
exemplo, em contendas poéticas no Cancioneiro de Baena. Este dado liga o
talento literário de Camões a uma possível herança familiar.
•
Lei do Morgadio: o filho mais velho herdava os bens e títulos, garantindo a
continuidade da linhagem; os filhos segundos entregavam-se à vida eclesiástica
ou à carreira militar.
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Gonçalo Vaz de Camões:
▪ enquanto primogénito e
de acordo com a Lei do Morgadio, herdou os bens da família;
▪ através de alianças
vantajosas e do casamento com Constança da Fonseca, ligada a uma família
importante, a dos Coutinho, prosperou;
▪ no século XVI, António
Vaz de Camões, um seu descendente, era morgado de Camoeira, rico e influente.
•
Constança Pires de Camões:
▪ casou com Pierre
Séverin, um fidalgo francês que participou na conquista de Ceuta, em 1415;
▪ deu origem à família
Severim de Faria, da qual brotou Manuel Severim de Faria, biógrafo de Camões.
•
João Vaz de Camões:
▪ segundo filho de Simão,
foi o bisavô do poeta;
▪ entregou-se à carreira
militar e judicial: serviu D. Afonso V em expedições contra Castela e no Norte
de África e mais tarde tornou-se corregedor da comarca da Beira (cargo
judicial);
▪ casou com Inês Gomes da
Silva, filha bastarda da família Silva;
▪ desse casamento nasceram
três filhos: João Vaz, Antão Vaz e Pero Vaz;
▪ construiu um túmulo
sumptuoso na Sé Velha de Coimbra.
▪ Antão Vaz de Camões:
→ é o avô do poeta;
→ casou com D. Guiomar da
Gama, que tinha ascendentes comuns a Vasco da Gama;
→ terá servido na Índia
com Afonso de Albuquerque, em 1507, fazendo parte da esquadra do Mar Vermelho;
→ levou uma vida
atribulada:
.
fugiu para Vilar de Nantes, em Chaves, em 1504, por ter cometido um homicídio;
.
viveu das rendas da abadia local;
.
morreu cerca de 1528;
.
filhos prováveis:
- Isidro Vaz (capelão do rei);
- Simão Vaz de Camões (pai
do poeta);
- Bento de Camões (tio do poeta);
- outros, incluindo
um Luís, possível inspiração para o nome do poeta).
▪ Bento de Camões:
. tio
do poeta;
. teve
uma carreira eclesiástica brilhante:
-foi cônego
regrante de Santo Agostinho no Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra;
- em 1539,
foi eleito prior do Mosteiro de Santa Cruz e prior geral da congregação;
- em 1540,
foi nomeado chanceler da Universidade de Coimbra, um cargo semelhante a reitor;
.
manteve alguns conflitos com D. João III.
▪ Simão Vaz de Camões:
. pai
de Camões;
. nascimento:
provavelmente em Coimbra ou Vilar de Nantes, em data incerta;
.
estudou em Braga;
.
trabalhou como tesoureiro na Casa da Índia e na Casa dos reis D. Manuel I e D.
João III;
. foi
agraciado com o título de cavaleiro (não hereditário) em 21 de junho de 1538,
por D. João III, devido à participação numa perseguição em Safim (Marrocos) aos
mouros;
. foi
para a Índia como capitão de uma nau; segundo Pedro de Mariz, naufragou à vista
de Goa e morreu no Oriente, em data incerta;
.
casou, antes de 1524, com Ana de Sá:
- os
primeiros biógrafos falam numa Ana Macedo, uma mulher nobre de Santarém,
enquanto outros genealogistas confirmam essa ligação aos Macedo, uma linhagem
nobre portuguesa com ramificações na cidade referida e possíveis ligações a
figuras notáveis como a família de Damião de Góis (note-se que, na época, os
apelidos variavam muito, daí a oscilação ente «de Sá» e «de Macedo»);
- alguns
autores pensaram que havia duas mulheres (uma mãe, que teria morrido cedo, e
outra madrasta), por causa da Canção X, mas trata-se de uma interpretação
errada;
- nalguns
documentos, Camões chegou a assinar Luís Sá de Camões, mostrando a ligação aos
dois apelidos;
- a
oscilação de apelidos era normal da época, não sendo fixos nem oficiais:
. não
havia um nome de família obrigatório e as pessoas não tinham um apelido legal e
permanente;
. os
apelidos podiam vir do pai ou da mãe (por exemplo, uma filha podia usar o
apelido da mãe ou de uma avó, e os irmãos nem sempre partilhavam o mesmo
apelido);
. os
apelidos mudavam ao longo da vida (com o casamento, serviço militar ou cargos,
a pessoa podia adotar outro apelido, para reforçar status).
segunda-feira, 1 de janeiro de 2024
Vida e obra de Luís de Camões
1524 – 1525
Nascimento
Luís Vaz de Camões terá nascido em 1524 ou 1525,
provavelmente em Lisboa (ou Coimbra) (não se sabe ao certo a data e o local do
seu nascimento), no seio de uma família da pequena nobreza e oriunda da Galiza.
O pai chamava-se Simão Vaz de Camões e a mãe, Ana de Sá (ou Ana Macedo, segundo
alguns documentos).
1535 – 1545
Juventude em Coimbra
Segundo alguns autores, Camões viveu parte da sua juventude
em Coimbra, onde se terá instalado desde muito novo, para aí fazer os seus
estudos. Através do seu tio, D. Bento Camões, chanceler a Universidade e prior
do Mosteiro de Santa Cruz, teve acesso às aulas de Humanidades, regidas pelos
frades de Santa Cruz, e contacto com os ideais humanistas, bem como acesso a
obras de grandes nomes da literatura renascentistas europeia.
Petrarca e a influência renascentista
Francesco Petrarca (1304 – 1374), poeta e humanista italiano, foi um dos grandes exemplos da nova estética do Renascimento. Seguidor da escola petrarquista, Camões viria a adotar os...
A conclusão do post encontra-se no link seguinte: vida-e-obra-de-camões.
domingo, 16 de abril de 2023
Árvore genealógica de Camilo Castelo Branco
quarta-feira, 25 de janeiro de 2023
domingo, 22 de janeiro de 2023
Biografia de Camilo Castelo Branco
▪ bastardia: Camilo é um filho bastardo – a sua
mãe era criada do seu pai;
▪ orfandade: a mãe morre antes de Camilo
completar dois anos, e o pai quando ele tem dez, por isso vai viver para casa
de uma tia paterna, em Vila Real;
▪ educação religiosa: em determinado momento, Camilo passa
a viver em Vilarinho de Samardã, em casa de uma irmã mais velha, onde recebe
uma educação religiosa e literária, ensinado por um padre;
▪ aventuras sentimentais:
→ em 1841, casa, pela primeira vez,
com Joaquina Pereira de França, uma camponesa de quem tem uma filha, mas
abandona-as pouco tempo depois;
→ em 1846, rapta Patrícia Emília e por
essa razão é preso na Cadeia da Relação do Porto, mas acaba igualmente por
abandonar essa mulher e a filha que dela tivera;
→ a permanência no Porto, a partir de
1848, acentua a sua inconstância amorosa: envolve-se com uma freira, mantém uma
paixão simultânea por duas senhoras, vive em mancebia com uma costureira;
→ conhece Ana Plácido, casada com um
rico comerciante brasileiro, Manuel Pinheiro Alves: a partir de 1850, a paixão
por essa mulher domina a vida sentimental do escritor, levando-o a cometer
vários atos desregrados por causa desse amor – entra no seminário do Porto,
como forma de aniquilar a paixão, rapta Ana Plácido e foge, entra na Cadeia da
Relação do Porto (Camilo e Ana Plácido são acusados de adultério). Absolvidos e
libertos em 1861, não mais se separam e acabam mesmo por casar em 1888 (o
marido de Ana Plácido falecera em 1863). Têm três filhos;
▪ vida boémia e turbulenta: no Porto, o escritor leva uma vida
agitada. Por causa de amores, por questões jornalísticas (Camilo colabora em
vários jornais) ou por outros motivos, Camilo envolve-se em polémicas, em rixas
e desacatos;
▪ convívio com a paisagem física e
humana das províncias do Norte: a vida do escritor decorre praticamente toda no Norte do
país (à exceção de curtos períodos na capital) – primeiro, em Vila Real e em
Samardã, depois em Friúme, sempre em casa de familiares; entre 1844-45, reside
na cidade do Porto, onde frequenta, sem sucesso, o curso de Medicina; posteriormente,
desloca-se para Coimbra para cursar Direito (o que acaba por não acontecer); a
partir de 1864, Camilo e Ana Plácido vivem em São Miguel de Seide, uma existência
marcada pelo isolamento, pela doença e por vários dramas (morte do primeiro
filho, loucura do filho Jorge, comportamento desregrado do filho Nuno; Camilo
arquiteta, inclusive, o rapto de uma jovem para casar com esta o seu último
filho);
▪ conhecimento íntimo do meio
portuense: as largas
temporadas que passa no Porto dão ao escritor uma visão profunda e realista da
sociedade portuense e dos seus diferentes elementos;
▪ pobreza e doença: os seus últimos anos de vida são
marcados por dificuldades económicas (Camilo chega mesmo a vender parte da sua
biblioteca em leilão) e pelo avanço da cegueira, doença que já lhe havia sido
detetada anos antes;
▪ profissionalismo: Camilo vive exclusivamente do
que escreve, o que faz com que seja um verdadeiro profissional das Letras.
Assim se explica o seu ritmo febril de produção, bem como a extensa obra
literária que nos legou: 173 títulos, não contando traduções, prefácios e
outros textos dessa natureza.
Bibliografia:
. imprensanacional./pt/camilo-castelo-branco/;
. Jacinto do Prado Coelho, Introdução ao Estudo da
Novela Camiliana, 2.ª ed., 2.º vol., 1983.
. José Viale Moutinho, Memórias Fotobiográficas
(1825-1890), Lisboa, Ed. Caminho, outubro, 2009.
. Amor de Perdição, Coleção Resumos, Porto
Editora;
. livro.dglab.gov.pt
segunda-feira, 17 de outubro de 2022
Serebriakova - uma vida, uma obra
Este post é da autoria de Beatriz, uma professora de Filosofia de Setúbal, que possui um blogue onde escreve sobre diversos assuntos da atualidade e/ou do seu interesse: IP azul.
Neste caso, trata-se da divulgação de um nome da pintura ucraniana desconhecido para o comum dos mortais: Zinaida Serebriakova. O post original é este: Serebriakova - uma vida, uma obra.
O primeiro problema foi artístico: o seu estilo pessoal já não era bem-vindo no mundo da arte vanguardista, suprematista e construtivista favorecido pela Rússia soviética.
























