segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
Esquema sobre a Introdução de Amor de Perdição
sábado, 24 de janeiro de 2026
Pequena biografia de Camilo
A questão seguinte consiste em saber a razão por que Camilo também esteve preso. Em termos pedagógicos, esta é uma ótima oportunidade para o professor apresentar os dados biográficos essenciais de Camilo, sem entrar em pormenores desnecessários.
Camilo nasceu em Lisboa em 1825 (16 de março),embora a sua vida tenha estado muito ligada à região norte de Portugal: Trás-os-Montes, Porto e Minho. Mal conheceu a mãe, de quem guardou memórias muito ténues, pois perdeu-a com cerca de dois anos, e aos 10 faleceu o pai, restando-lhe apenas a irmã Carolina, um pouco mais velha do que ele, mas também criança, na prática. Camilo tinha família paterna na região de Vila real, nomeadamente uma tia, pelo que os dois irmãos foram viver para casa dessa tia (Rita Emília), à guarda de quem ficaram. Fizeram a viagem de navio, de vapor, no entanto, à entrada da barra do Porto, depararam-se com condições adversas, pelo que tiveram de prosseguir a viagem até Vigo, onde desembarcaram. No meio dessa aflição, aquando da aproximação à Cidade Invicta, a criada que os acompanhava fez uma promessa ao Bom Jesus de Braga. A viagem entre a Galiza e o Minho foi feita por terra e, quando passaram por Braga, fizeram um desvio para a criada cumprir essa promessa.
A tia Rita Emília não teve uma boa relação com Camilo e a irmã. Quando esta, anos volvidos, se casou com um estudante de Medicina de uma aldeia chamada Vilarinho de Samardã, Camilo abandonou a tia e foi morar com a irmã, o cunhado e um irmão deste, que era padre – o padre António de Azevedo, que foi uma figura muito importante na formação intelectual de Camilo, pois ministrou-lhe os alicerces que lhe permitiram desenvolver os dotes intelectuais e literários. Ensinou-lhe latim e francês, deu-lhe a ler os clássicos, Camões (Os Lusíadas), etc. O escritor guardou, ao longo da sua vida, um sentimento de gratidão por esse padre, a ponto de lhe dedicar a obra O Bem e o Mal.
Camilo casou pela primeira vez, ainda muito jovem, com uma rapariga da região, e desse matrimónio nasceu uma filha, mas ambas morreram muito cedo. Prosseguiu os estudos, fazendo os chamados preparatórios para entrar na universidade, o que veio a acontecer, tendo-se matriculado na Escola...
A análise prossegue aqui: »»».
terça-feira, 20 de janeiro de 2026
Introdução a Amor de Perdição
O percurso atribulado de vida de Camilo Castelo Branco acaba por estar diretamente relacionado com a génese de Amor de Perdição. Tendo a vida do escritor conhecido múltiplas peripécias, a ponto de ser um romance, O Romance do Romancista (uma obra de cariz biográfica da autoria de Alberto Pimentel, publicada em 1890, que aborda os aspetos mais dramáticos da vida de Camilo), é um fator que merece ser explorado, até como forma de despertar o interesse dos alunos para a novela.
Nas linhas iniciais da Introdução de Amor de Perdição, encontramos um sujeito de enunciação que diz «li», forma verbal que remete para...
Consultar aqui: »»».
sábado, 21 de outubro de 2023
Apresentação do poema "O Sentimento dum Ocidental"
quarta-feira, 18 de outubro de 2023
Fases poéticas de Cesário Verde
segunda-feira, 26 de junho de 2023
segunda-feira, 5 de junho de 2023
segunda-feira, 29 de maio de 2023
Análise do capítulo II de Os Maias
domingo, 21 de maio de 2023
domingo, 16 de abril de 2023
Árvore genealógica de Camilo Castelo Branco
quinta-feira, 13 de abril de 2023
Análise da Conclusão de Amor de Perdição
A 17 de março de 1807, ao
deixar o Porto a caminho do desterro, Simão vê, pela última vez, Teresa, que
lhe acena do mirante do convento de Monchique. Desesperado, Simão corresponde
ao gesto de Teresa, ficando a saber mais tarde da sua morte pelo comandante da
nau. Pouco antes, tinha recebido o embrulho das cartas que escrevera a Teresa,
que ela, à beira da morte, lhe fizera chegar através de uma mendiga.
1.ª) Explicitar os grandes sentidos
morais, ideológicos ou sociais que a ação e o destino das personagens envolvem.
2.ª) Clarificar a situação em que se
encontram as personagens, após o final da ação, completando o relato feito ao
longo da novela. É por isso que as personagens que constituem o triângulo
amoroso (Simão, Teresa e Mariana) estão presentes na Conclusão (Simão e Mariana
em carne e osso e Teresa presentificada através da sua carta).
• Tal como sucedeu em vários capítulos da novela, o género
epistolar está presente na Conclusão, constituindo um elemento fundamental para
o conhecimento da história e doestado de alma das personagens.
• O género epistolar está presente na Conclusão de duas
formas:
1.º) Como discurso: a última carta de
Teresa para Simão, que este lê em estado de agonia e a caminho da morte.
2.º) Como objeto material com valor
simbólico: o maço de cartas trocadas entre Simão e Teresa, que Mariana
conserva.
• Esta carta de Teresa, a última, é a mais expressiva de todas
as do Amor de Perdição, constituindo um documento impressionante.
• Teresa coloca-se numa posição especial, como se estivesse
situada em vários tempos:
- No presente em que escreve a carta:
“É já o meu espírito que te fala, Simão”.
- No passado que ela já será (morta),
quando Simão ler a carta: “A tua amiga morreu”.
- No futuro da leitura de Simão e da
própria personagem, após a morte de Teresa: “Tu nunca hás de amar, não, meu
esposo?”.
• Esta questão do tempo permite que passado, presente e futuro
convirjam naquela carta, como se Teresa possuísse um poder que se situa além da
sua condição humana.
• As funções da carta são óbvias: 1.ª) uma despedida de
Teresa, visto que nela antecipa a sua morte e estamos perante as últimas palavras
que dirige a Simão; 2.ª) a rememoração do amor entre ambos e os seus planos;
3.ª) a formulação de uma mensagem de esperança relativamente à realização do
amor de ambos num plano espiritual.
• A carta constitui, pois, uma despedida de Teresa relativamente
a Simão, um texto profundo, intenso e emotivo. Recorde-se que a fidalga já
tinha morrido no mirante do convento de Monchique.
• Teresa inicia a carta referindo-se à sua própria morte: “É
já o meu espírito que te fala, Simão.” Deste modo, ela parece situar-se numa
dimensão não terrena, transcendente. A missiva constitui, portanto, uma
confirmação da sua morte e da inevitabilidade da mesma: “… era inevitável
fechar os olhos quando se rompesse o último fio, este último que se está
partindo, e eu mesma o ouço partir.”
• Essa ideia acentua-se quando, no parágrafo seguinte, Teresa
se apelida de “esposa do céu”, o que significa que acredita no amor eterno,
antevê a possibilidade de realização do amor numa outra dimensão, numa outra
vida. Outras passagens da carta confirmam-no: “A infeliz espera-te noutro
mundo, e pede ao Senhor que te resgate.”; “À luz da eternidade parece-me que já
te vejo, Simão!”. Ou seja, como é impossível a concretização do amor de ambos
na terra, Teresa espera o reencontro com o amado e a união espiritual dos dois
numa existência supraterrena.
• Na epístola, Teresa recorda os projetos de vida que ambos
tinham delineado, evocando um passado feliz, porque era cheio de sonhos e esperança
numa vida futura em comum: “A vida era bela, era, Simão, se a tivéssemos como tu
ma pintavas nas tuas cartas que li há pouco!” Essa felicidade idílica, numa
vivência plena do amor, é acentuada por referências a elementos da Natureza: “Estou
vendo a casinha [atente-se no diminutivo carregado de afetividade] que
tu descrevias defronte de Coimbra, cercada de árvores, flores e aves.” Esta
recordação do passado, da felicidade futura entrevista, confere maior
dramatismo à missiva e à situação atual dos dois jovens amantes, visto que essa
felicidade idílica e idealizada contrasta profundamente com o presente de
ambos: “Oh! Simão, de que céu tão lindo caímos!”
• No final da carta, Teresa pede a Simão que não ame mais
ninguém: “Tu não hás de amar, não, meu esposo?” Deste modo, se Simão acatasse o
pedido da fidalga, o amor entre ambos seria eterno e concretizar-se-ia no Céu,
onde se encontrariam e poderiam viver o seu amor e ser felizes.
• Por outro lado, o tom com que a epístola termina é
profundamente de desgraça e perdição, apresentando Teresa a morte como a única
saída para os dois apaixonados: “Que importa morrer, se não podemos jamais ter
nesta vida a nossa esperança de há três anos? […] a morte é mais do que
uma necessidade, é uma misericórdia divina, uma bem-aventurança para mim.” Para
Teresa, a morte é a única solução para um amor impossível, e os dois
apaixonados encontrar-se-ão na eternidade: “a infeliz espera-te noutro mundo”.
• O
discurso de Teresa na missiva é marcado por diversos recursos expressivos, como
a metáfora e vocabulário associado à dor, ao sofrimento e à morte
(“martírio”, “desgraça”, “malfadada”).
• Após a leitura da carta de Teresa, Simão sobe ao convés,
cambaleando, e contempla o mirante de Monchique, “que avultava negro no sopé da
serra penhascosa em que atualmente vai a Rua da Restauração.” O mirante vazio e
negro enfatiza a sua perda, isto é, a morte de Teresa.
• A partir deste momento, Simão é acometido de uma febre maligna,
de ânsias e delírios, e entra numa lenta agonia que o conduz à morte: “saiu
cambaleando”, “segurou entre as mãos a testa, que se lhe abria abrasada pela
febre. […] cair o meio corpo.”, “Seguiu-se a febre, o estorcimento, e as
ânsias, com intervalo de delírio.”, “era febre maligna a doença, e bem podia
ser que ele achasse a sepultura no caminho da Índia.”, “A febre aumentava. Os
sintomas da morte eram visíveis aos olhos do capitão.” Sentindo a aproximação
da morte, pede a Mariana que, quando fechar os olhos, lance ao mar as cartas
que trocou com Teresa.
• À medida que a febre vai aumentando, “… os sintomas da morte
eram visíveis aos olhos do capitão.” De seguida, é referida uma tempestade que
se abate sobre o navio, que traduz ao gosto romântico, a dor física e emocional
de Simão (“O navio fez-se ao largo muitas milhas e, perdido o rumo de Lisboa,
navegou desnorteado.”), constituindo a morte o apaziguamento, a paz.
• Já moribundo, Simão delira e recorda passagens da última
carta de Teresa, tendo sempre a seu lado Mariana, a quem se refere como “puro
anjo” e a quem diz: “Tu virás ter connosco; ser-te-emos irmãos no Céu… O mais
puto anjo serás tu… se és deste mundo, irmã…”. A presença de Mariana torna-se,
à semelhança de Teresa, espiritual, não terrena. No seu delírio, Simão sente a
presença das duas figuras femininas que o amavam.
• A morte de Simão ocorre ao romper da manhã (sugerindo a
manhã uma morte redentora), nove dias após a carta de Teresa, apertando a mão
de Mariana. Essa morte, ocorrida por um ideal – o amor, contribui para
confirmar o estatuto de Simão como herói romântico: Simão morre por amor,
porque não pode viver sem Teresa. Por outro lado, o passamento dos dois
protagonistas torna-se, assim, consequência da liberdade que desejavam e que a
sociedade não lhes concedem. De facto, a morte de ambos pode ser lida como um
grito de revolta contra a sociedade da época e um sinal de mudança social a que
muitos aspiravam. O seu corpo é atirado ao mar.
• No momento em que o corpo morto de Simão é lançado ao mar,
Mariana atira-se à água e abraça o seu cadáver, que uma onda traz até si. Em
vida e na morte, a filha do ferrador sempre esteve ao seu lado e nunca o
abandonou.
• Por que razão Mariana morre? A filha de João da Cruz jamais
poderia sobreviver à morte de Simão, dado que o seu destino estava
irremediavelmente ligado ao do fidalgo. A decisão de se suicidar no momento da
morte de Simão representa uma concretização do seu amor, ou seja, é uma forma
de estar (como sempre esteve) ao lado de quem ama. O amor prevalece sobre todos
os sentimentos e não é vencido pela morte, à semelhança do que sucede com
Teresa e Simão.
• Mariana salta para a água com as cartas
trocadas entre Teresa e Simão, cumprindo o pedido que este lhe fizera (“[…]
atire ao mar todos os meus papéis, todos; e estas cartas que estão debaixo do meu
travesseiro também.”), que os marinheiros acabam por recuperar. Note-se que a
apresentação da correspondência trocada entre ambos os protagonistas cria um
efeito de verosimilhança no que diz respeito à novela. De facto, para que a
ação da novela fosse verosímil, as cartas são poderiam desaparecer na água,
antes tiveram de ser recolhidas. Se elas se tivessem perdido, a sua transcrição
na obra não seria credível, pois o autor não teria sido acesso a elas. Por outro
lado, nessa correspondência está representado um amor que levou à perdição.
• De acordo com o professor Carlos Reis, na
Conclusão, o triângulo amoroso dá lugar ao triângulo da perdição, ideia
comprovada por vários elementos:
1.º) A
carta de Teresa e as expressões de perdição e morte que contém, como, por
exemplo, “A tua amiga morreu”, “tua esposa do céu”, “a infeliz espera-te noutro
mundo”, “e eu na sepultura”, entre muitas outras.
2.º) A
situação de agonia e delírio em que cai Simão, seguida da sua morte.
3.º)
O suicídio de Mariana, antecipado pela própria quando, respondendo a uma
pergunta de Simão, lhe diz: “Morrerei, senhor Simão”.
• Por outro lado, Teresa e Simão vivem um amor correspondido, mas os dois foram-se afastando fisicamente ao longo da obra. Já Mariana ama Simão, porém não é correspondida, mas as duas personagens estão cada vez mais próximos fisicamente. Essa aproximação física culmina com o beijo de Mariana a Simão e o desaparecimento de ambos nas águas do mar, com a filha de João da Cruz abraçada ao corpo do fidalgo.
• Na Conclusão, o tempo surge concentrado. A
categoria está bem demarcada e o narrador vai anunciando a sua passagem: “Às
onze horas da noite…”, “à meia-noite”, “às três da manhã”. A morte de Simão
ocorre a 28 de março, pelo que os 11 dias da partida e da viagem são narrados
em cerca de cinco páginas.
• No final da obra, o destino e o livre arbítrio cruzam-se. Por
um lado, o comandante da nau refere que foi a má «estrela» de Simão que o
conduziu à morte. Por outro e por oposição, Mariana suicida-se, concretizando
uma opção individual premeditada e refletida.
Da família do protagonista, no
momento da escrita da novela, a única figura ainda vida era Rita, a irmã
predileta do fidalgo e tia de Camilo, que faleceu em 1872.
Mariana ama Simão e, assim sendo,
é-lhe de uma dedicação extrema, cuidando dele doente (“Mariana, que levantava a
cabeça ao menor movimento dele.”) e sacrifica-se para o acompanhar (“– Se não o
incomodo, deixe-me aqui estar, senhor Simão.”). Mas, para tal, tem de enfrentar
várias provações que se refletem no seu aspeto físico: “Mariana tinha
envelhecido”. Não obstante, abnegada como sempre, está ao seu lado sempre,
incluindo no momento da morte, com a resiliência que o amor lhe proporciona: “Mariana
ouviu o prognóstico e não chorou.”
Além disso, Mariana mostra-se sempre
solidária, humilde e submissa (“– Se não o incomodo, deixe-me aqui estar,
senhor Simão”), abnegada e determinada na luta pelo seu amor e, à semelhança de
Teresa, crença no amor eterno (“Viram-na, um momento, a bracejar, não para
resistir à morte, mas para abraçar-se ao cadáver de Simão, que uma onda lhe
atirou aos braços.”).
Quando o filho de Domingos Botelho
mergulha num estado de agonia e delírio, inicialmente, a filha do ferrador
declara-se pronta para morrer (por amor) se o mesmo acontecer a Simão (“– Morrerei,
senhor Simão.”). Depois, à medida que este fica mais debilitado, Mariana
manifesta os efeitos físicos que essa debilidade lhe causa (“Mariana tinha
envelhecido.”). Posteriormente, o facto de apertar o embrulho com as cartas de
Teresa e Simão à sua cintura, indicia a decisão que tomou e que conheceremos
pouco depois. O primeiro beijo que lhe dá acontece com ele já morto, assim de
associando amor e morte. Por último, durante o funeral do fidalgo, a sua
postura apática e quase indiferente compreende-se tendo presente a dita decisão
de se lançar ao mar atrás do corpo do jovem (“[…] e parecia estupidamente
encarar aqueles empuxões que o marujo dava ao cadáver…”).
Em suma, o suicídio de Mariana
decorre do amor-paixão que sente por Simão, caracterizado por uma dedicação, um
espírito de abnegação e intensidade sentimental tais que abdica da própria vida
para se unir ao seu amor para sempre. Deste modo, a morte proporciona-lhe a
concretização do amor pelo jovem fidalgo, abraçando o seu corpo para a
eternidade, bem como a paz que o amor por ele nunca lhe trouxera. A imagem é
bastante sugestiva: o destino atira-lhe para os braços o corpo do seu amado: “[…]
que uma onda lhe atirou aos braços.”
O final da novela é tipicamente
romântico, ao apresentar a solução característica para cada um dos amantes
infelizes: a morte.
Por seu turno, o académico tem
consciência da pureza e consistência dos sentimentos da filha de João da Cruz,
bem como do seu espírito de sacrifício, procurando nela o amparo de que necessita
nos seus últimos dias.
▪ Simão e Mariana, através dos diálogos, comunicam decisões
(por exemplo, a jovem declara que morrerá se o fidalgo falecer).
▪ As duas personagens exprimem emoções, sentimentos e
preocupações.
▪ Os diálogos servem ainda para apresentar informações e
esclarecer factos (por exemplo, o destino da correspondência de Teresa e
Simão).
• O espaço referido logo no início da
Conclusão é o camarote/o beliche que serve de aposento de Simão. Trata-se de um
espaço muito pequeno, que oprime a personagem, levando-a a confessar ao
comandante que aí sofre mais do que no convés.
• Como sucede noutros passos da obra, o
narrador é muito económico no que toca à descrição do espaço físico. Desta
forma, o leitor concentra a sua atenção nas personagens, nos seus dramas,
sentimentos e emoções.
• A redução/concentração do espaço, à medida
que a ação avança, contribui para adensar a atmosfera dramática/trágica.





