Português: Calinadas
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sábado, 11 de julho de 2026

Na aula (LXX): D. Duarte contra o assassino da língua

Texto de aluno

    A resposta que se reproduz pertence, naturalmente, a um aluno do 12.º ano, que respondia a uma pergunta sobre um poema de Mensagem sobre a figura do rei D. Duarte.
    Lida a resposta, imagina-se o desgraçado do monarca a revolver-se na tumba, confuso consigo mesmo e o seu reinado. 
    Há quem considere de extrema dificuldade a interpretação dos textos de Fernando Pessoa, porém este texto supera largamente tudo o que de mais hermético o poeta lisboeta escreveu na sua relativa curta vida. Solicita-se, urgentemente, um exegeta...

Na aula (LXIX): O eclipse gramatical


    A criatura humana queria escrever elipse, mas... estava um dia solarengo e quente. Foi isso...

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Terá-la-á: pena efetiva de prisão para o assassino da língua


    Cá estamos mais uma vez no Inferno do assassinato, sem dó nem piedade, da língua portuguesa.
    Quem é professor já ouviu milhares de vezes, passe a hipérbole corriqueira, afagos como «fizestesio», «terala», «compraria-o», etc., provenientes na boca e das falanges dos alunos.
    Qual o espanto, portanto, ao encontrar peças como a exposta nesta imagem, na qual um jornalista (?) do "Correio da Manhã" escreve alegremente «terá-la-á»? Zero! Nenhum! Bola!

    Existem duas formas corretas de produzir essa frase, dependendo da ênfase pretendida:
    1. uso da próclise: no contexto da frase, a conjunção "que" ("...relata que Maria Lisboa...") atrai o pronome para antes do verbo. Assim, a forma correta e mais fluida é: "a terá perseguido".
    2. uso da mesóclise: se o objetivo fosse manter a mesóclise (embora o "que" a desencoraje aqui), a regra dita que o pronome se insere entre o infinitivo do verbo e a terminação. Para o verbo "ter", conjugado no futuro, a forma correta seria: "tê-la-á" (ter + la + á). Neste caso, dá-se a queda do /r/ e a acentuação da sílaba /tê/
    Assim sendo, o trecho correto deveria ser: "...a ex-agente relata que Maria Lisboa a terá perseguido, agredido e ainda vandalizado...".

Autópsia a um texto mal pontuado

    A notícia reporta um acontecimento trágico e nada dado a humor. Já o texto redigido e publicado é um hino à ignorância no que diz respeito à pontuação.

    Passemos à sua identificação e correção:
        1. Falta de vírgula a seguir a "De imediato".
            - Errado: "De imediato foram acionados...".
            - Correto: "De imediato, foram acionados...".

        2. Falta de vírgula antes de "que ali chegaram".
            - Errado: "para o local que ali chegaram...".
            - Correto: "para o local, que ali chegaram...".
            - Nota: a vírgula justifica-se, porque estamos na
                         presença de uma oração subordinada
                         adjetiva relativa explicativa, que é sempre
                                                                 isolada por vírgula.

 
        3. Falta de vírgula em "No local, além da PSP esteve também...".
            - Errado: "... No local, além da PSP estiveram também...".
            - Correto: "No local, além da PSP, estiveram também...".

        4. Falta de vírgula no penúltimo parágrafo:
            - Errado: "A área está agora interdita para investigação que deverá ser entregue, 
                              entretanto, à Polícia Judiciária...".
            - Correto: "A área está agora interdita para investigação, que deverá ser entregue, 
                                entretanto, à Polícia Judiciária...".
            - Nota: a oração relativa é explicativa e deve ser isolada por vírgula.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

A notícia sobre exames que comeu a vírgula à oração temporal

Trovoada desafia o calendário: chega depois de domingo... na madrugada de sábado

Tempo virado

Uma tempestade de erros

Jornal Expresso

     Este texto, chamemos-lhe assim por simpatia, está mais grávido de erros do que a gata da minha vizinha.

    Enumerá-los até se torna fastidioso:

  • Erro de concordância verbal: utilização de "era" em vez de "eram" na frase "não era alinhados", falhando a concordância com o sujeito no plural ("escritores e artistas").
  • Erro ortográfico: a palavra "neorealista" está incorretamente escrita. A grafia correta, com a duplicação da consoante após o prefixo, é "neorrealista".
  • Falta de vírgula antes de conjunção adversativa: no excerto "...não era alinhados com o regime ditatorial mas, também, não se reviam...", falta uma vírgula antes do "mas". O correto seria "...regime ditatorial**,** mas...".
  • Falta de pontuação no final: O último período termina de forma abrupta com "...em Portugal em 2024", faltando o ponto final (.) obrigatório para encerrar a frase.

Sporting perde Taça para o Torreense e «A Bola» perde a noção

Perde Taça de Portugal

     O jornalista sportinguista que escreveu esta notícia ficou tão afetado pela derrota leonina no final da Taça de Portugal que se fartou de agredir a escrita: desconhece-se o motivo por que travou a conjunção adversativa «mas» com uma vírgula e a visão e as falanges perturbadas levaram-no a trocar «deve» por «vede». Nós vimos... e foi giro. Carrega, Torreense!

O jornal Expresso não reflete

Expresso

     Por norma, os pronomes átonos surgem após a forma / o complexo verbal: «Comprei uma mesa.» ⇢ «Comprei-a.» No entanto, há exceções, muitas exceções. No caso deste texto jornalístico, o pronome reflexo «se», porque integrado numa oração subordinada adjetiva, antecede a forma verbal.

    Assim sendo, deveria aparecer «que se divorciou». 

O jornal Público não sabe pontuar

Jornal Público

    A oração rodeada a vermelho é subordinada adverbial temporal e surge encaixada noutra oração. Quando tal sucede, tem de ser isolada por vírgula. O jornalista não sabe isso.

terça-feira, 7 de julho de 2026

Informando sobre o verbo "informar"


      Vamos ignorar outras bacoradas presentes no texto.
     O verbo "informar" é transitivo direto, isto é, exige um complemento direto, não indireto ou lá o que é aquilo.
     Assim sendo, o saxofonista informou "o público", não "ao público".
     Outra coisa é "dar uma informação ao público"...
     Enfim, é o que temos.

Uma "plaforma"

      Como é sabido, a classificação dos exames digitalizados tem sido um fartote de erros.

     Pois bem, ontem ficámos a saber pela SIC que afinal o problema reside na "Plaforma de correção".

Exames 2026

     E eu a pensar que era a plataforma de classificação...

segunda-feira, 22 de junho de 2026

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Na aula (LXVII): o amor virtual de Simão Botelho e Mariana

    Em Amor de Perdição, Camilo Castelo Branco inovou e construiu dois triângulos amorosos: Simão - Teresa - Mariana e Simão - Teresa - Baltasar Coutinho.

    Em determinada aula, fala-se sobre o amor de Mariana por Simão, e o professor clarifica que não há contacto físico no sentido conjugal entre ambos:

    - Um amor sem contacto físico... Como é que se chama?

    - Virtual - responde, toda lampeira, a Maria Luís.

    São os novos tempos e os novos amores.

Na aula (LXVI): o naufrágio que vitimou Romeu e Julieta

    A propósito da Conclusão de Amor de Perdição, fala-se em Romeu e Julieta, de Shakespeare, e o seu final. Para os menos versados nestas coisas da Literatura, talvez seja adequado relembrar que Romeu encontra a amada aparentemente sem vida no túmulo da  família e que, desesperado, ingere veneno e morre ao seu lado. Na realidade, a jovem tinha tomado uma poção que a fazia parecer morta temporariamente. Quando desperta e vê o noivo morto, mata-se com um punhal.

    Pois bem, mal o professor recorda este desfecho, solta-se a voz tonitruante da Maria Luís:

    - Mas eles não tinham morrido num barco?

    - Isso era o Titanic - esclareceu a Maria Eduarda Coimbra.


    Ficámos esclarecidos.

Na aula (LXV): o dia em que o verbo mudou de classe

     - Qual é o adjetivo presente na frase?

    - O adjetivo é «soluçando».


    A nova especialista em gramática da língua portuguesa chama-se Diana Gonçalves.

Na aula (LXIV): pensamentos ilegítimos

    Lê-se o terceiro ato de Frei Luís de Sousa. Nesta fase, Telmo mostra-se arrependido. O professor questiona a razão do arrependimento.

    A resposta surge pela voz da Diana Gonçalves:

    - Telmo sente-se arrependido por dizer que Madalena é filha ilegítima.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Olise no PSG? Quando o sujeito é composto… mas o verbo foi sozinho


 

    Pois é, a malta do "Record" continua desconhecer as regras mais básicas da língua portuguesa: Gonçalo Ramos e Barcola são DOIS, pelo que a forma verbal ("está") JAMAIS poderia estar conjugada no singular, mas sim no plural: "ESTÃO".

    É o que temos... e é péssimo!

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Uma escrita nada enxuta


      O jornalista do jornal "A Bola", entre outras parvoíces, neste texto, deve ter acordado a pensava que morava no Brasil. Vai daí, decidiu ampliar o alcance do Acordo Ortográfico, abolindo, no português de Portugal, o "h" inicial.

     Úmido é a avozinha.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Na aula (LXIII): Shakespeare, o pirata

     - Rafael, sabes quem foi Shakespeare?

    - Não foi um dos piratas das Caraíbas?

    Não, Shakespeare não foi Jack Sparrow...

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