segunda-feira, 18 de junho de 2012

Correção do exame nacional de Português - 12.º ano

Grupo I

A

1. As qualidades que permitem atingir as «honras imortais» e «graus maiores», isto é, a obtenção de alyos cargos da hierarquia social, são as seguintes:
  • a busca esforçada /  esforço denodado («Mas com buscar, co seu forçoso braço, / As honras que ele chame próprias suas» - vv. 17-18);
  • a determinação («Mas com buscar, co seu forçoso braço» - v. 17)
  • a combatividade, a capacidade de luta, o espírito de sofrimento e superação pessoal («Vigiando e vestindo o forjado aço» - v 19);
  • a valentia demonstrada na guerra em nome da Pátria («Vigiando e vestindo o forjado aço» - v. 19);
  • a coragem e a capacidade de resistência evidenciadas nas navegações árduas por regiões inóspitas, enfrentando inúmeros perigos, à custa de sofrimento («Sofrendo tempestades e ondas cruas, / Vencendo os torpes frios no regaço / Do Sul, e regiões de abrigo nuas» - vv. 20-22);
  • a abnegação («Engolindo o corrupto mantimento / Temperado com árduo sofrimento.» - vv. 23-24);
  • a firmeza e a imperturbabilidade estóica perante o sofrimento dos companheiros, não por razões pessoais, mas para impedir que o desalento e o desânimo se instalem junto deles («E com forçar o rosto, que se enfia, / A parecer seguro...» - vv. 25-26);
  • a vitória sobre os obstáculos e as limitações pessoais («Pera o pelouro ardente que assovia / E leva a perna ou braço ao companheiro.»).
2. Intenção crítica - Nestes versos, o poeta critica:
  • aqueles que vivem à sombra da glória dos antepassados («Não encostados sempre nos antigos / troncos nobres de seus antecessores» - vv. 5-6);
  • aqueles que se entregam à vaidade, aos luxos e aos requintes supérfluos, à avidez e à preguiça  («Não nos leitos dourados, entre os finos / Animais de Moscóvia zibelinos» - vv. 7-8);
  • aqueles que não resistem aos «manjares novos e esquisitos»,  à ociosidade («Não cos passeios moles e ouciosos»), aos prazeres, aos apetites, que tornam «moles» / fracos («Que afeminam os peitos generosos» - v. 12) os «peitos generosos» e corajosos.
     A anáfora reforça a intenção crítica do poeta, que, pela repetição da negativa («Não cos», ««Não»), realça aquilo que deve ser rejeitado, isto é, os comportamentos que merecem a sua reprovação e que contribuem para a decadência e a degradação moral da Pátria.

3. O poeta, nesses versos, enuncia as qualidades que aqueles que procuram a virtude têm de possuir:
  • o desprezo pelas honras, pela riqueza e pelos privilégios conquistados graças à «ventura» (por isso imerecidos)  e não pela virtude;
  • a sua (das honras e da riqueza) conquista através da prática da virtude e da justiça, do sentido de honra, do esforço pessoal do indivíduo.
4. Partindo do entendimento esclarecido, sustentado na experiência e na libertação dos interesses mesquinhos («O baxo trato humano»), o poeta conclui que o herói é aquele que
  • se dignifica através do seu esforço e da sua capacidade de sofrimento;
  • adquiriu serenidade com a experiência («repousado» - v. 34), distanciando-se do homem comum («embaraçado» - v. 36);
  • ascende a um plano superior («alto assento» - v. 35), de onde observa, com distância, os comuns mortais («Fica vendo, como de alto assento, / O baxo trato humano embaraçado» - vv. 35-36);
  • se torna ilustre por merecimento e não por calculismo, isto é, contra a sua vontade e nunca a seu pedido («Subirá (como deve) a ilustre mando, / Contra vontade sua, e não rogando.» - vv. 39-40);
  • será reconhecido, nos territórios onde as leis forem justas, como alguém capaz de governar («Este, onde tiver força o regimento / Direito e não de afeitos ocupado, / Subirá (como deve) a ilustre mando» - vv. 37-39).
     Assim, o herói é aquele que apresenta uma conduta exemplar que o transforma num modelo a imitar e a seguir, tornando-se digno de ascender a um plano divino.


B

. Introdução:
  • Povo, personagem coletiva anónima, exaltada e retirada do anonimato pelo narrador («estratagema» das letras do alfabeto), é o herói do romance:
  • Herói diferente do tradicional: deficiente, feio, rude e violento por vezes.
. Desenvolvimento:
  • Humilde e trabalhador, vive na mais completa miséria física e moral;
  • É explorado e escravizado (ex.: muitos homens são arrancados à força de suas casas e afastados das suas famílias e conduzidos a Mafra amarrados) para trabalhar no convento;
  • Vive em condições de alojamento (a Ilha da Madeira) e de alimentação muito precárias;
  • Sofre trabalhos e dificuldades diversos durante a edificação do convento (ex.: os acidentes e as consequentes deficiências e mortes);
  • É-lhe exigido um esforço inumano durante a edificação do convento (ex.: a Epopeia da Pedra);
  • Herói imortalizado que, com o seu esforço, dedicação e coragem, foi indispensável à realização da obra.
. Conclusão:
  • Apresentação de uma visão diferente da registada pela História, apresentando o povo como o verdadeiro herói das grandes feitos e das obras obras.


Grupo II

     Versão 1                      Versão 2

1.1. C                                       D

1.2. B                                       A

1.3. D                                       C

1.4. A                                       B

1.5. C                                       B

1.6. A                                       C

1.7. B                                       D

2.1. Oração subordinada substantiva completiva.

2.2. Predicativo do sujeito.

2.3. «(d)a versão em castelhano».



Grupo III

. Introdução
  • A procura da popularidade, sobretudo pelas camadas mais jovens da população, a todo o custo e por diversos meios;
  • A facilitação da popularidade por parte dos meios de comunicação e das redes sociais (facebook, Youtube, twitter...);
  • O caráter ilusório e efémero da popularidade.
. Desenvolvimento
  • Arg. 1 - A procura da popularidade como sinónimo de fama, reconhecimento público e sucesso profissional rápidos.
  • Ex. 1 - A utilização das redes sociais, do Youtube como meios de divulgação das capacidades artísticas (por exemplo, na área da música).
  • Arg. 2 - A popularidade associada ao desejo de ser aceite pelo outro, de fazer amizades.
  • Ex. 2 - O uso do facebook e a «caça» aos «like» e aos «amigos».
  • Arg. 3 - A adesão massiva a programas televisivos (reality shows e programas de entretenimento) que prometem a promoção pessoal, a fama e o sucesso rápidos.
  • Ex. 3 - Programas como «Ídolos».
  • Contra-arg. 1 - O caráter efémero da popularidade e as consequências negativas que tal acarreta (o cair rapidamente no esquecimento, as depressões, as tentativas de suicídio).
  • Ex. 4 - O caso de Zé Maria, vencedor do primeiro Big Brother.
  • Contra-arg. 2 - A impreparação / a dificuldade para lidar com a popularidade súbita e intrusiva.
  • Ex. 5 - Os casos Zé Maria e Susan Boyle (concorrente com talento que lhe proporcionou uma fama instantânea que, por sua vez, conduziu à depressão, por incapacidade para lidar com a situação).
  • Contra-arg. 3 - A exposição exagerada da pessoa e da sua privacidade e os seus efeitos negativos.
  • Ex. 6 - A explosão do cyberbullying; o modo como certos adolescentes são envolvidos e enganados pro adultos (por ex., pedófilos), levando-os à fuga de casa, ao rapto - alusão ao caso das duas jovens encontradas numa quinta da região da Guarda
. Conclusão
  • A procura da popularidade é, por vezes, ilusória, tendo presente o dinamismo da vida contemporânea, sempre em busca de novidade e mudança;
  • Necessidade de estrutura mental para lidar com este tipo de situações;
  • A TV e as redes sociais escondem inúmeros perigos e podem constituir uma feira de ilusões.

Correção do exame nacional de Língua Portuguesa - 9.º ano

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Boa sorte!

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