terça-feira, 2 de abril de 2019

A representação do quotidiano na 'Farsa de Inês Pereira'

Na Farsa de Inês Pereira, encontramos diversos aspectos que espelham o modo de vida quotidiano da sociedade da época (final da Idade Média, na transição para o Renascimento).
Dentre eles, destacam-se os seguintes:
     a prática religiosa (ida à missa – a peça inicia-se com o regresso da missa por parte da Mãe);
     o hábito de recorrer a casamenteiros (Lianor Vaz e os Judeus);
     a falta de liberdade da rapariga solteira, confinada à casa da mãe e a viver sob o jugo desta (é o caso de Inês, que, no início da farsa, demonstra toda a sua revolta por estar confinada à casa materna, subjugada à autoridade da mãe e às tarefas domésticas que lhe são atribuídas – bordar, por exemplo);
     a ocupação da mulher solteira em tarefas domésticas (bordar, coser);
     o conflito de gerações (Inês e a Mãe), de interesses e conceções de vida (Inês versus a Mãe e Lianor Vaz);
     o casamento como meio de sobrevivência e de fuga à submissão da mãe;
     a tradição da cerimónia do casamento, seguida de banquete;
     a submissão ao marido da mulher casada e o seu «aprisionamento» em casa (o primeiro casamento de Inês, com o Escudeiro);
     a inércia da nova burguesia que nada fazia para adquirir mais cultura (o Escudeiro);
     a decadência da nobreza que procurava enriquecer através do casamento e buscava o prestígio perdido na luta contra os mouros (o Escudeiro);
     a devassidão do clero (o ataque de que a Mãe e Lianor Vaz foram vítimas por parte de clérigos; o Ermitão apaixonado e que seduz Inês); a corrupção moral de mulheres que se deixavam seduzir por elementos do clero (as cenas finais entre Inês e o Ermitão);
     o adultério (a traição de Inês com o Ermitão).


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