domingo, 2 de junho de 2013

"Pastores de Nuvens"

            Um “cartoon” é uma espécie de desenho e/ou caricatura que é feita com o objetivo de criticar (positiva ou negativamente) a sociedade, a vivência e os problemas vividos pela sociedade.
            Na página 65 do manual encontra-se uma caricatura do “cartoonista” brasileiro Biratan intitulado Pastores de Nuvens. Esta obra ganhou o 1.º prémio do V Porto Cartoon World Festival, devido à sua qualidade, às suas características e à sua mensagem. Mérito também para o maior autor de “cartoons” brasileiro de todos os tempos, que está entre os cinco melhores criadores de caricaturas do planeta.
            Esta imagem tem vários elementos muito chamativos que ajudam na transmissão da mensagem. Esta obra é então constituída por um céu muito branco, sem cor, que tem apenas algumas nuvens negras que se encontram agrupadas. A cor delas dá-nos uma ideia de que se aproxima uma tempestade e algumas delas vão largando pequenas gotas de água. O solo tem um aspecto muito seco, infértil e bastante duro, com uma ou duas pedras apenas. Este elemento apresenta uma cor branca também, à excepção das pedras, que têm uma cor castanha. Ficamos assim com uma ideia de que neste cenário está a ocorrer um extenso período de seca (aspecto de deserto). Vêem-se ainda alguns indivíduos já com alguma idade e com barba enorme. Enquanto que um dos homens está em más condições e usa chinelos, o outro, estando também em condições desfavoráveis, usa um chapéu e está descalço. Apesar destas diferenças, eles têm um ponto em comum que é o facto de ambos terem um cajado enorme, capaz até de tocar as nuvens. Estes indivíduos são parecidos com pastores e com o auxílio dos seus cajados vão aglomerando as nuvens como se elas fossem um “rebanho” apanhando a água que delas com cai, colocando bidões por debaixo delas. O pastor que se encontra mais à frente da imagem está sentado numa pedra e parece estar expectante que algo aconteça, provavelmente está à espera que comece a chover.
            O título desta obra ajuda-nos muito a compreender o seu significado, pois o nome é Pastores de Nuvens. Este título mostra-nos que os indivíduos são como pastores e estão preocupados em manter o seu “rebanho” de nuvens sempre junto e em ordem. Os dois homens querem extrair o “produto” das suas nuvens, ou seja, a chuva, assim como um pastor de ovelhas se preocupa em cuidar dos seus animais e retirar os seus produtos, com o leite por exemplo. São então representados como se fossem criadores de outros animais quaisquer.
            Biratan criou um desenho excelente, mas não nos podemos esquecer da mensagem que ele quer transmitir. O autor consegue fazer passar duas mensagens fundamentais, que são a falta de água e os períodos de seca, vividos principalmente pelos países em desenvolvimento, e o aumento da desertificação. Ele tenta sensibilizar as pessoas para a realidade vivida, por exemplo, em África, e tenta avisar-nos para o desperdício de água, pois devemos optar por medidas que reduzam os gastos deste recurso para que, em todo o mundo, possa haver esse bem precioso e para que os períodos de seca terminem ou diminuam. O outro lado da mensagem é a desertificação dos territórios, pois cada vez mais jovens abandonam a sua terra natal (zonas menos desenvolvidas) e vão para as áreas metropolitanas mais desenvolvidas, porque lá encontram mais oportunidades de trabalho podendo construir uma vida melhor. Este fenómeno acontece em maior quantidade nas localidades do interior dos países, o que faz com que essas terras fiquem cada vez com mais idosos e as actividades sejam mais focadas na agricultura e na pecuária. O autor tenta então alertar-nos para a possibilidade de criarmos meios mais desenvolvidos nas regiões vítimas deste fenómeno.
            O poema de Alberto Caeiro (um dos principais heterónimos de Fernando Pessoa) intitulado poema IX de O Guardador de Rebanhos está relacionado com o quadro. Em primeiro lugar os títulos das duas obras são muito semelhantes (Pastores de Nuvens e O Guardador de Rebanhos). Em segundo o lugar a mensagem transmitida tem pontos em comum, pois este poema mostra-nos que a Natureza deve ser preservada porque ela serve para ser apreciada e é essencial para todo o ser humano. A Natureza é o que mais perto está da realidade, é uma das poucas coisas que podemos dizer que é mesmo verdadeiro e real (“Sinto todo o meu corpo deitado na realidade”). Por isso conclui-se que as duas obras nos transmitem uma ideia de preservação e protecção desta realidade, pois sem ela o homem não é nada, torna-se um ser insignificante. 
            Conclui-se que esta imagem critica negativamente a sociedade e as suas atitudes e também a sua incapacidade de ver a verdadeira realidade. Porém, além de criticar faz também um apelo para que todas as pessoas encarem a actualidade e mudem alguns aspectos para consequentemente melhorar o mundo.

Luís R.

BENFICA! BENFICA! BENFICA!


"Metamorfose de Narciso"

Para este trabalho escolhi analisar o quadro “Metamorfose de Narciso”. Esta obra é do artista plástico catalão Salvador Dalí que nasceu em Figueres, na Catalunha a 11 de maio de 1904 e faleceu a 23 de janeiro de 1989 com 84 anos. Dalí demostrou interesse pelas artes plásticas desde a infância e em 1921 entrou para a Escola de Belas Artes de São Fernando, em Madrid.
As obras de Dalí são cativantes por causa da sua incrível combinação de imagens bizarras, oníricas (relativas aos sonhos), e com excelente qualidade plástica. Em 1929, viajou para Paris onde conheceu Picasso, um dos artistas que mais o influenciou. No ano seguinte começou a fazer parte do movimento surrealista.
A Metamorfose de Narciso é um quadro do ano de 1937 que está exposto no museu britânico Tate Modern. Esta obra é ambígua pois quando vemos as rochas que estão em cima umas das outras ficamos com a sensação de que é a forma de uma pessoa mas também porque a fenda do ovo coincide com a sombra do cabelo dessa pessoa, que é Narciso. A fissura na unha do polegar dá à mão um caráter imóvel, surreal, adequado ao estilo de Dalí.
            O tema desta obra vem da mitologia clássica. Está relacionado com a lenda de Narciso. Este era um belo jovem que se apaixonou pelo seu próprio reflexo. Maravilhado, o rapaz ficou quieto como uma estátua a observar o seu reflexo e ao debruçar-se sobre a água acaba por morrer afogado. Depois de falecer os Deuses transformaram-no numa flor, daí o nome dado à flor narciso. Além da lenda, Dalí também usou como inspiração uma conversa que ouviu entre dois pescadores. Eles conversavam sobre um indivíduo estranho que tinha um "bulbo na cabeça", expressão alemã que significa doença mental. Isso deu-lhe a ideia de pintar o bulbo da flor surgindo através do ovo. Podemos ver umas formigas a subir a mão que segura o ovo. Estas representam a deterioração, a morte. 
Há quatro detalhes de a Metamorfose de Narciso que se destacam. O primeiro de todos é a figura de Narciso (o jovem que contempla a água obcecado pelo próprio reflexo); a mão que segura o ovo (esta parte do quadro representa o final trágico do conto, quando o jovem morre e se transforma num narciso); o ovo e a flor (o narciso que rompe a casca do ovo é considerada a parte mais brilhante da composição e a mais importante); a figura no pódio (um jovem isolado de costas viradas para os principais acontecimentos do quadro que parece totalmente absorvido enquanto se contempla a si mesmo). Segundo Salvador Dalí, esta pintura era a o melhor produto do seu método paranoico-crítico. 
Na minha opinião esta obra é uma obra fascinante e intrigante porque à partida não sabemos qual é a sua mensagem. Para além disto há quem diga que este quadro é um auto-retrato de Dalí, o que o torna ainda mais interessante de analisar. Podemos ver neste quadro um “mundo” onde os sonhos são reais, um “mundo” surreal.

Bibliografia:




  
Liliana L.

Caricatura de Eça


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