terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Análise de «Não há vagas"

Podemos perceber de imediato que o poema (“Não há vagas”) traz uma das características do Movimento Modernista Brasileiro, ou seja, a ausência de pontuação, e também é perfeito exemplar para estudar a literatura em sua função social, ou seja, a literatura engajada (panfletária) na defesa do “ideário político, filosófico ou religioso”, com o intuito maior de alertar, informar, modificar, denunciar, etc. Com um tom de contestação o poeta denuncia o desemprego, ou seja, a situação do operário brasileiro (e mundial) que, ao procurar meios de sustento para enfrentar a dura realidade que o cerca, esbarra com este “pequeno lembrete de negação” e, em contrapartida, precisa enfrentar o preço absurdo dos gêneros de primeira necessidade (feijão e arroz). Lembra-nos também o valor de outras necessidades diárias (gás, luz e telefone), fala da sonegação (no caso aqui, quando o Estado deixa faltar, isto é, o desabastecimento de produtos importantes na dieta do cidadão como, por exemplo, leite, pão, carne e açúcar). Critica o Funcionalismo Público “que mantêm pessoas enclausuradas e sem perspectivas de promoção ou avanço intelectual” entre milhares de arquivos e conduzidas por “seu salário de fome”, em seguida, chega ao trabalhador de aço e carvão que perde seu dia (e seu tempo) nas oficinas escuras e indevidas. Por fim, crítica o próprio poema, que é fechado, ou seja, com tudo que “relata” e diz, não consegue modificar esta situação, não se faz ouvir, só traz aqueles que são vítimas das mazelas sociais como: o homem faminto (”sem estômago”), a mulher fútil (“de nuvens”), a fruta cara (“sem preço”), e o último grito lancinante de Ferreira Gullar (José Ribamar Ferreira – 1930/       )“O poema senhores” não diz nada (“não fede”/”nem cheira”), isto é, não cumpre sua função e mantêm-se o “status quo” (ou seja, nada mudou) em nossa sociedade.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Car...alho da Silva abandona a CGTP



     Sexta-feira, 27 de janeiro, Jornal da Noite da SIC, RODAPÉ: um exemplo de profissionalismo, dedicação e bom jornalismo.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Estrutura interna de 'Frei Luís de Sousa'

     A peça Frei Luís de Sousa está estruturada nos três momentos tradicionais, tal como sucedia nas tragédias clássicas:



     Por outro lado, cada ato apresenta uma estruturação tripartida, equivalente à macro-estrutura:


segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

H. I. 4. Competência discursiva e textual

1. Competência discursiva e textual.


2. Estratégia discursiva.


3. Adequação discursiva: oralidade e  escrita.


4. Registo formal e informal e formas de tratamento.


5. Marcadores e conetores discursivos.

Marcadores discursivos

  • Um texto / discurso não é uma soma arbitrária de palavras ou frases, mas um todo coeso, coerente e estruturado, isto é, um conjunto de elementos interligados de acordo com uma sequência e com as regras gramaticais da língua portuguesa.
  • Os marcadores discursivos contribuem para a coesão de um texto (oral ou escrito).
  • Englobam diversos elementos linguísticos.
  • Não desempenham qualquer função sintática na frase..
  • Permitem estabelecer conexões entre enunciados, de modo a construir um discurso coeso e coerente.
  • Fazem parte dos marcadores discursivos os conetores, que englobam elementos linguísticos pertencentes a diferentes classes de palavras (conjunções, advérbios ou interjeições).
  • Em síntese, são os seguintes os principais marcadores discursivos:

Marcadores discursivos

                Os marcadores discursivos são unidades linguísticas invariáveis que permitem estabelecer conexões entre enunciados, de modo a construir um discurso coeso e coerente.

Designação
Função
Marcadores discursivos
Estruturação da informação
ordenar a informação
por um lado, por outro lado, em primeiro lugar, após, antes, depois, em seguida, seguidamente, até que, por último, para concluir…
Reformuladores
reformular o discurso, explicando-o ou retificando-o
ou seja, isto é, quer dizer, por outras palavras, quer dizer, ou melhor, dizendo melhor, ou antes, como se pode ver, é o caso de, como vimos, quer isto dizer, significa isto que, não se pense que, pelo que referi anteriormente
Operadores discursivos
reforçar e concretizar ideias
de facto, na verdade, na realidade, com efeito, por exemplo, efetivamente, note-se que, atente-se em, repare-se, veja-se, mais concretamente, é evidente que, a meu ver, estou em crer que, em nosso entender, certamente, decerto, com toda a certeza, naturalmente, evidentemente, com isto (não), pretendemos, por outras palavras, ou melhor, ou seja, em resumo, em suma
Marcadores conversacionais ou fáticos
gerir a relação entre os interlocutores
ouve, olha, presta atenção




Conetores / Articuladores do discurso

                Os conetores ou articuladores têm como função articular, conectar, ligar grupos de palavras; unir frases simples, formando frases complexas; estabelecer nexos lógicos entre períodos e parágrafos, de modo a construir textos coesos e coerentes.
                Os conectores podem ser classificados com funcionalidades lógicas distintas, de acordo com o contexto de uso.

Designação
Função
Articuladores / Conetores do discurso
Aditivos
agrupar, adicionar ideias, segmentos, sequências, informação
e, nem (negativa), bem como, não só… mas também, além disso, mais ainda, igualmente, ainda
Alternativos / Exclusão
apresentar opções, alternativas
ou, ou… ou, ora… ora, seja… seja, alternativamente, em alternativa, opcionalmente
Contrastivos
indicar uma oposição, um contraste
mas, porém, todavia, contudo, no entanto, contrariamente, pelo contrário
Concessivos
negar o efeito, a conclusão
exprimir uma concessão
embora, ainda que, mesmo que, conquanto, apesar de, malgrado, não obstante, mesmo assim, ainda assim
Temporais
exprimir relações de tempo entre os segmentos do texto / discurso
quando, mal, assim que, logo que, enquanto, entretanto, depois que, desde que, antes de, mais tarde, ao mesmo tempo
Finais
traduzir o fim, a intenção, o objetivo
para (que), a fim de, a fim de que, de modo / forma a, com o objetivo de
Comparativos
exprimir uma comparação
como, tal como, assim como, bem como, também, mais / menos do que
Causais
exprimir a causa, a razão
porque, visto que, dado que, como, uma vez que, já que
Condicionais
introduzir hipóteses ou condições
se, caso, desde que, a não ser que, contanto que
Consecutivos
exprimir a ideia de consequência, resultado, efeito
por isso, daí que, de tal forma… que, tanto… que, tal… que, tão… que
Conclusivas
expressar uma conclusão, uma inferência (dedução lógica a partir do já exposto)
portanto, assim, logo, por conseguinte, concluindo, para concluir, em conclusão, em consequência, daí, então, deste modo, por isso, por este motivo
Completivos
completar o sentido do núcleo do grupo verbal
que, se, para
Confirmativos ou exemplificativos
documentar
exemplificar
por exemplo, a ilustrar, documentando, exemplificando


  • Outros valores são expressos, por exemplo, pelas conjunções (porque introduz um valor de causa, etc.).
  • Pelos exemplos apresentados no quadro acima, não só preposições, conjunções, advérbios e expressões que lhes sejam equivalentes desempenham a função de conetores do discurso. De facto, também os adjetivos numerais (primeiro, segundo, terceiro, etc.) e as formas verbais não finitas - gerundivas (sintetizando, prosseguindo, concluindo, recapitulando, etc.) ou infinitivas antecedidas de preposição (para começar, para concluir, a seguir, a encerrar, etc.) - podem funcionar como tal.

Processos fonológicos

     As modificações sofridas pelos fonemas em início, no meio ou no fim da palavra designam-se processos fonológicos e são as responsáveis pelas mudanças linguísticas, logo pela evolução da língua.

     Os processos fonológicos são de diversos tipos:

1. Processos fonológicos por inserção de segmentos: adição de um segmento a uma palavra.

          1.1. No início da palavra - prótese
                    . speculu > espelho
                    . mostrare > mostrar > amostrar

          1.2. No meio da palavra - epêntese
                    . humile > humilde
                    . umeru > umbro

          1.3. No final da palavra - paragoge
                    . ante > antes

2. Processos fonológicos por supressão de segmentos: supressão de um segmento na
    articulação de uma palavra

          2.1. No início da palavra - aférese
                    . atonitu > tonto
                    . inamorare > namorar

          2.2. No meio da palavra - síncope
                    . generu > genro
                    . veritate > verdade

          2.3. No final da palavra - apócope
                    . crudele > cruel
                    . cruce > cruz
     Na formação de novas palavras, pode ocorrer a supressão (haplologia) quando, da junção da forma de base e do sufixo, resultam duas sílabas contíguas, iguais ou similares:
          . bondad(e) + oso ® bondoso [em vez da forma bondadoso]
          . trágico + cómico ® tragicómico [em vez da forma tragicocómico]
     Ocorre também o processo de apócope quando existe truncação: cine por cinema; prof por professor.

3. Processos fonológicos por alteração de segmentos: é a mudança sofrida por alguns fonemas em resultado da influência de outros fonemas que lhe estão próximos.

     3.1. Assimilação: um som torna-se igual ou assemelha-se a outro que lhe é vizinho.
               . Assimilação total:
                    - nostru > nosso - o /s/ assimilou o /t/ [chama-se assimilação
                       progressiva porque ocorre da esquerda para a direita]
                    - ipse > esse [chama-se assimilação regressiva porque ocorre da direita para
                       a esquerda]
               . Assimilação parcial:
                    - chamam-lo > chamam-no - o /m/ tornou o /l/ também som nasal.

     3.2. Dissimilação: um som diferencia-se de outro igual ou com o qual se assemelha:
               . liliu > lírio
               . calamellu > caramelo

     3.3. Nasalização: uma vogal oral adquire nasalidade por influência de outro som nasal
            seu vizinho:
              . fine > fim
              . manu > mãnu > mão
              . lana > lãa > lã

     3.4. Desnasalização: um som vocálico nasal perde a sua nasalidade:
               . corona > corõa > coroa
               . bona > bõa > boa

     3.5. Vocalização: um som consonântico transforma-se num som vocal:
               . octo > oito
               . regnu > reino

     3.6. Consonantização: um som vocálico ou semi-vocálico transforma-se num som
            consonântico:
               . Iesus > Jesus
               . iam > já

     3.7. Ditongação: uma vogal ou um hiato originam um ditongo:
               . arena > area > areia
               . amant > amam

     3.8. Crase: contração ou fusão de duas vogais numa só:
               . legere > leger > leer > ler
               . a + a > à

     3.9. Sonorização: transformação de uma consoante surda em sonora:
               . secretu > segredo
               . maritu > marido

     3.10. Palatalização: transformação de um ou mais fonemas numa consoante
              palatal:
               . pl > ch: pluvia > chuva
               . fl > ch: inflare > inchar
               . li > lh: filiu > filho
               . di > j: hodie > hoje
               . ni > nh: ingeniu > engenho

     3.11. Metátese: permuta de um som ou sílaba no interior de uma palavra:
               . semper > sempre
               . merulu > melro
               . capiu > caibo

     3.12. Redução vocálica: enfraquecimento de uma vogal em posição átona:
               . bolo > bolinho
               . medo > medroso
               . mata > matagal

domingo, 22 de janeiro de 2012

Marcas clássicas

. A unidade de ação.

. A presença do Destino (ananké) que, produzindo o sofrimento (pathos), logo de início descai sobre as personagens principais, cuja gradação vai aumentando através de um clímax irresistível e fatalista.

. A presença da hybris.

. Os presságios (palavras de Telmo, D. Madalena e Maria).

. A agnarórise no final do segundo ato.

. Como era lei na tragédia clássica, iria despertar nos espetadores o terror (fobos) e a piedade (éleos) purificantes.

. As personagenssão nobres (aristocráticas) e estão sempre poucas vezes em cena.

. A presença do coro:
     - a recitação litúrgica do ofício dos mortos pelos frades no final do ato III;
     - as palavras de Frei Jorge;
     - as palavras visonárias e os sonhos de Maria;
     - os receios aparentemente infundados de D. Madalena;
     - os lamentos críticos e os presságios de Telmo, figura agoirenta que representa o raciocínio
        frio e a inteligência esclarecida na análise dos acontecimentos. Aliás, Telmo é uma figura
        muito bem estruturada pela sua profundidade e densidade psicológica devida à duplicidade
        de duas afeições irreconciliáveis: uma para com o passado (D. João de Portugal), outra
        para com o presente (Maria) (III, 5).

. A semelhança do assunto com as antigas tragédias gregas:
     - a volta sob disfarce de um mendigo (Ulisses);
     - o sacrifício de uma filha inocente (Antígona e Ifigénia);
     - a situação trágica originada pela ida a Alcácer Quibir, equivalente a situações trágicas
        causadas pela ida a Tróia;
     - a situação de Mérope

Marcas do drama romântico

1.ª) A crítica a uma sociedade governada por preconceitos hirtos que vitimam inocentes (Maria é vítima da sua ilegitimidade).
2.ª) A rutura com a forma clássica:
. a obra está escrita em prosa, que substitui o verso da tragédia antiga, um tipo de discurso considerado por Garrett adequado a “assuntos tão modernos”;
. a peça é constituída por três atos, contrariamente à tragédia grega, composta por cinco;
. a diminuição da importância do coro (ainda que ecoe em Frei Jorge e em Telmo);
. a lei das três unidades não é cumprida cabalmente;
. os agouros e superstições populares substituem as crenças e rituais pagãos e dão expressão à manifestação da cultura portuguesa;
. os valores patrióticos e nacionais são exaltados, sobretudo, através de Manuel de Sousa;
. a religião cristã surge como um consolo, aligeirando a força inexorável e irremediável do Destino que controlava os homens a seu bel-prazer;
. o realismo psicológico sustentado na personagem Telmo, que assiste à transformação dos seus próprios sentimentos, num processo de autoconhecimento dinâmico, no momento em que percebe que, após ter acalentado, durante tanto tempo, a ideia de que D. João estaria vivo, desejava poupar Maria, renegando o primeiro amo;
. a experiência pessoal do autor: Almeida Garrett possuía uma filha ilegítima, filha de Adelaide Pastor Deville, por quem se apaixonara, ainda casado com Luísa Midosi; Adelaide Deville morreu antes que o escritor tivesse podido legitimar a situação da filha que tanto estimava – assim, a acção da peça traduz a sua angústia mais profunda, refletindo a sua própria realidade;
. a morte de Maria em palco é também um episódio caraterístico do drama romântico;
. as personagens são vítimas do Destino, mas, à maneira do drama romântico, são também vítimas das suas decisões e das suas paixões (por exemplo, Maria é condenada não apenas pelo Destino, mas pela sociedade).
3.ª) A linguagem coloquial, próxima das realidade vividas pelas personagens e dos seus estados de espírito;
         4.ª) O assunto da peça é um assunto nacional e histórico.

Catarse

     Tal como era lei na tragédia grega, todos os acontecimentos representados em palco iriam despertar nos espetadores o terror (fobos) e a piedade (éleos) purificantes – a catarse.
     A catarse (purificação) realiza-se através do castigo: o casal ingressa num convento, renunciando às paixões mundanas, Maria morre de vergonha por causa da sua ilegitimidade e ascende, pela sua inocência, ao espaço celeste.

Catástrofe

. D. Madalena:
     - é causada pelo regresso de D. João:
            . morte psicológica;
            . separação do marido;
            . profissão religiosa;
     - salvação pela purificação: torna-se a irmã Sóror Madalena das Chagas.

. Manuel de Sousa:
     - morte psicológica:
            . separação da esposa;
            . separação do mundo;
            . profissão religiosa;
     - glória futura de escritor ® Frei Luís de Sousa: glória de santo.

. D. João de Portugal - morte psicológica:
     - separação da esposa;
     - a situação irremdiável do anominato.

. Maria de Noronha:
     - morte física.

. Telmo Pais:
     - não poderá resistir a tantos desgostos e, tal como D. João, cairá no rio do
        esquecimento.

Peripécias


  • O incêndio do palácio de Manuel de Sousa Coutinho;
  • A mudança para o palácio de D. João;
  • A chegada do Romeiro;
  • A tomada de hábito de D. Madalena e Manuel de Sousa;
  • A morte de Maria.

Clímax

     O clímax verifica-se com a chegada do Romeiro e o desvendar da sua verdadeira identidade.

Anagnórise (reconhecimento)

     A anagnórise (cena do reconhecimento - II, 15) efetiva-se com o reconhecimento / a identificação do Romeiro como D. João de Portugal.

Outras marcas trágicas (Frei Luís de Sousa)

  • A existência de poucas personagens em cena, todas de estrato social elevado e de caráter nobre.
  • A ação sintética: a peça possui um número escasso de ações que conduzem à ação trágica.
  • A condensação do tempo em que decorre a ação.
  • A concentração dos espaços (em número reduzido).
  • Cumprimento, incompleto, da lei das três unidades: unidade de ação, de espaço (incompleta, porque na peça existem três espaços distintos) e de tempo.
  • Ambiente trágico de de solenidade clássica.
  • Os momentos de retardamento.
  • A existência, desde o início, de um clima de fatalidade que o ominoso da recorrência de acontecimentos à sexta-feira e do espaço do palácio de D. João adensa e asfixia. Tudo deixa antever a catástrofe; nada há de supérfluo.

sábado, 21 de janeiro de 2012

YouTube Space Lab


Bom dia,
Somos uma equipa de jovens portugueses que foi selecionada para a fase final do YouTube Space Lab, um concurso a nível mundial, apoiado por agências espaciais como a NASA e a ESA, entre outros parceiros. Este concurso tem como objectivo a projecção de um experiência a ser realizada em microgravidade – ou seja, que não pode ser realizada na Terra.
O grupo vencedor terá a sua experiência realizada na Estação Espacial Internacional (ISS), direito a uma viagem a Washington e a treino de cosmonauta na Rússia ou uma oportunidade de assistir ao lançamento do foguetão com a sua experiência no Japão.
Há 10 finalistas de cada região em duas categorias (a nossa: 17-18 anos). Os vencedores de cada região (no nosso caso: da Europa, África e Médio Oriente) receberão a viagem a Washington e ainda um voo a Gravidade Zero.
75% da pontuação de cada finalista advém de uma votação por parte de um júri composto por personalidades de renome em diferentes áreas, entre os quais os Professores Collin Phillinger, Ehud Behar e Stephen Hawking. (lista completa no site oficial do concurso:http://www.youtube.com/user/spacelab/spacelab)
Os restantes 25% da cotação final da equipa resultam do número de votos no vídeo que criámos para a competição e que está publicado no YouTube. Assim sendo, gostaríamos de saber se será possível ter o apoio do [blog] a nível de divulgação, para que possamos realizar uma experiência portuguesa no espaço.
Link direto para o vídeo: http://goo.gl/1Rfr7
Evento no facebook:  http://goo.gl/yIBhq
(por favor partilhem os links para que o público possa votar em nós – até dia 24!)

Desde já o nosso obrigado,
Daniel Carvalho
Guilherme Moreira Aresta
Miguel Ferreira

(Finalistas do YouTube Space Lab e alunos do 1.º ano do Mestrado Integrado em Bioengenharia na FEUP – Universidade do Porto)

Tempos de necessidade (II): Cavaco Silva falido


«Roubado» ao jornal i

Tempos de necessidade


terça-feira, 17 de janeiro de 2012

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Quase todos os alunos do 4.º e 6.º fazem erros de concordância

     «Apenas 8% dos alunos do 4.º e 6.º ano consegue escrever frases sem erros de concordância. Em ambos os anos de escolaridade, este foi o item das provas de aferição de Língua Portuguesa, realizadas em Maio por cerca de 216 mil estudantes, que obteve a taxa de sucesso mais baixa, revelam os relatórios com a análise pormenorizada do desempenho dos estudantes divulgados sábado pelo Ministério da Educação.»

Fonte: Público 

sábado, 14 de janeiro de 2012

Tempo da representação

     O tempo da representação está intimamente ligado aos três momentos-chave da intriga:
  • Exposição (ato I): um dia, sexta-feira, 27 de julho de 1599 (I, 2);
  • Anagnórise (reconhecimento) (ato II): um dia, sexta-feira, 4 de agosto de 1599; 
  •  Desenlace (catástrofe) (ato III): uma noite, de sexta para sábado, 5 de agosto de 1599). 

Tempo representado

     O tempo representado corresponde a oito dias:
  • "Há oito dias que aqui estamos nesta casa..." (II, 1);
  • "Mas isto ainda é cedo", "São cinco horas, pelo alvor da manhã..." (III, 1).
      Por estas informações, contidas nas indicações cénicas, podemos concluir que entre o início e o desenlace da peça decorrem oito dias, enquanto apenas algumas horas separam os atos II e III.

Tempo histórico

     A ação da peça Frei Luís de Sousa (quer os acontecimentos representados, quer os seus antecedentes) situa-se no final do século XVI, princípio do século XVII, como é possível verificar pela didascália inicial do ato I: "Câmera antiga, ornada com todo o luxo e elegância portuguesa dos princípios do século dezassete." Ao longo do texto, outras referências temporais situam-na no ano de 1599 (ver demais «posts» relativos à categoria Tempo), havendo alusões a outras datas.
     Em síntese, os dados mais relevantes relacionados com o tempo histórico são os seguintes:
  • a referência à Reforma Protestante, de meados do século XVI: "... o homem é herege, desta seita nova d'Alemanha ou d'Inglaterra" (I, 2);
  • a referência à batalha de Alcácer Quibir (4 de agosto de 1578);
  • a alusão a Filipe II de Espanha, I de Portugal, aclamado rei em 1580: "... os senhores governadores de Portugal por D. Filipe de Castela, que Deus guarde..." (I, 5);
  • as desavenças entre portugueses e castelhanos e o domínio filipino, após a perda da independência nacional, resultado da derrota de Alcácer e da morte de D. Sebastião;
  • o sebastianismo, representado por Telmo Pais e D. Maria;
  • as alusões de Telmo a Camões e de Maria (no início do ato II, cita a frase que abre a novela Menina e Moça) a Bernardim Ribeiro;
  • a existência de peste em Lisboa.

Didascália inicial (ato III)

. Parte baixa do palácio de Manuel de Sousa ® nível inferior => passagem para outro estádio da existência humana.

     » Porta esquerda ® acesso à capela da Senhora da Piedade:
               . abandono do mundo profano;
               . ingresso no mundo religioso;
               . morte de Maria.

     » Casarão vasto, "sem ornato nenhum":
               . ausência de elementos decorativos;
               . corte com o mundo profano.

     » "Arrumadas às paredes":
               . tocheiras
               . cruzes ® sofrimento, morte
               . círios
               . "alfaias e guisamentos de igreja" ® vida religiosa

     » "A um lado":
               . esquife ® morte, martírio, sacrifício

     » "Do outro":
               . cruz negra com o letreiro J.N.R.J. ® morte, martírio, sacrifício
                                                                        ® ressurreição
               . toalha ® limpar os pecados
               . Semana Santa ® morte ® ressurreição, nova vida

     » "A um lado":
               . "tocheira baixa com tocha acesa e já bastante gasta" ® símbolo de final de
                 vida no mundo profano

     » "sobre a mesa":
               . castiçal de chumbo
               . hábito de religioso dominicano
               . túnica
               . escapulário
               . rosário
               . cinto
                         ® tomada de hábito ® morte para o mundo profano e entrada no
                              mundo espiritual
                         ® envergar o hábito = vida iluminada

     » "No fundo, porta..." ® baixos do palácio.



NOTAS:

1.ª) A luminosidade do ambiente é escassa. Mergulhado na penumbra, o cenário, apenas iluminado por «tocheiras», «tocha acesa e já gasta», «vela acesa», propicia uma introspeção profunda onde tudo indicia a “entrada” para a vida religiosa, para a Ordem dos Dominicanos, ideia acentuada pela presença das «alfaias e guisamentos de igreja» e pelo hábito.

2.ª) A cruz negra com o letreiro, aliadas aos restantes elementos ligados à vida religiosa, simboliza que alguém passará por sofrimento, sacrifício, martírio e morte para a vida mundana.

3.ª) O jogo penumbra / luz e o ambiente secreto, intimista, de intenso recolhimento, possibilitam o encontro do «eu» com os mais recônditos lugares do seu espaço interior.

4.ª) A obra não obedece à unidade de espaço, pois decorre em lugares diferentes, embora todos os acontecimentos decorram em Almada.

5.ª) O espaço ganha uma dimensão trágica, pois fecha-se gradualmente, não possibilitando a saída das personagens para a dimensão física da vida.
A progressiva escassez de elementos decorativos e de luminosidade adensam a atmosfera trágica que culminará na catástrofe.

Didascália inicial (ato II)



NOTAS:

1.ª) Salão despido, pouco confortável, sem qualquer marca de humanização.

2.ª) Espaço mais sombrio, frio, austero, escassamente iluminado e fechado, o que está em sintonia com o estado de espírito das personagens, cada vez mais angustiadas e cercadas pelo Destino.

3.ª) Espaço opressivo, de confidências e também de recordação e reencontro com o passado, contribuindo para o avolumar do «pathos».

4.ª) Um trio de retratos ocupa um espaço privilegiado, numa cumplicidade onde se misturam o idealismo, o patriotismo, a desgraça e a fatalidade. Camões, grandioso épico que dedica a D. Sebastião Os Lusíadas, pedindo-lhe que dê matéria a outra epopeia, incentivando o jovem monarca a cometer grandes feitos no Norte de África para concretizar ideais elevados (difusão do Cristianismo e engrandecimento da Pátria); D. Sebastião não concretizará o seu ideal, morrendo na batalha de Alcácer Quibir. D. João de Portugal, um dos nobres que integrou o trágico exército, nobre honrado, patriota, fiel e corajoso, também desapareceu naquele fatídico areal africano.

5.ª) O ambiente fechado parece escassamente iluminado, evidenciando-se os reposteiros pesados de tecidos espessos de amplas dimensões, por um lado, indiciando que ocultam algo, por outro lado, remetendo para a ideia de que, uma vez descerrados, se passará para um outro espaço, que estará ligado a uma qualquer desgraça ou fatalidade.

6.ª) A mudança de lugar, decorrente do ato de Manuel deitar fogo ao seu palácio (traço histórico), é feita para um mundo absolutamente fechado em si próprio (cenários dos 2.º e 3.º actos). O palácio agora ocupado pertence ao marido que regressa, insufla vida ao passado. As recordações transformam-se logo em pressentimentos. O espaço anuncia a desgraça que se aproxima, tem uma ação fatal, opressiva, ominosa.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

J. 2. Pontuação e sinais auxiliares da escrita

1. Sinais de pontuação
          . Ponto final
          . Vírgula
          . Ponto e vírgula
          . Dois pontos
          . Travessão
          . Reticências
          . Ponto de interrogação
          . Ponto de exclamação

2. Sinais auxiliares de escrita
          . Aspas
          . Parênteses curvos
          . Parênteses retos ou colchetes
          . Asterisco
          . Chaveta
          . Barra oblíqua

Orações subordinadas adverbiais finais

  • Estas orações exprimem o propósito, a intenção, a finalidade da realização da situação exposta na oração subordinante.
               - Ele canta duas horas diárias para que possa participar no "Ídolos".
  • Podem ser finitas (exemplo acima) ou não finitas.
  • A oração subordinada adverbial final não finita pode ser apenas infinitiva:
               - Foram ao cinema para ver um filme novo.

Orações subordinadas adverbiais comparativas

  • São introduzidas por uma conjunção ou locução conjuncional comparativa.
  • Contêm o segundo elemento de uma comparação cujo primeiro termo está presente na oração subordinante:
               - A Naomi Watts canta tão bem como representa.
  • São frequentemente construídas com elipses:
               - A Naomi Watts é tão bela como a Kim Basinger [é bela].
               - O Eusébio fala tão bem português como [fala] inglês.
  • Podem ser finitas (os exemplos anteriores) como não finitas.
  • As orações subordinadas comparativas não finitas podem ser:
               . Infinitivas:
                         - Os jovens gostam mais de estar com os amigos do que de estudar.

               . Gerundivas:
                         - O Rui agitava os braços, como pedindo socorro.
  • Apresentam pouca mobilidade na frase:
               - O João é mais alto do que a namorada.
               - * Do que a namorada, o João é mais alto.

  • Estão dependentes, frequentemente, de um elemento quantificador presente na oração subordinante:
               - O João é mais alto do que o Pedro.
               - Uma mulher como nunca vira enlouqueceu o Ernesto.

Orações subordinadas adverbiais condicionais

  • Estas orações exprimem a condição ou hipótese necessárias à realização da situação enunciada na oração subordinante:
               - Se a minha avó tivesse rodas, era um camião.

  • Podem apresentar diversos valores semânticos:
               . Valor factual ou real (o seu conteúdo é passível de ser confirmado como real e verdadeiro):
                         - Se treinaste corretamente, podes estar tranquilo.

               . Valor condicional ou hipotético (refere uma situação que pode, ou não, vir a ocorrer):
                         - Caso haja visita de estudo, faremos uma bela merenda.

               . Valor contrafactual ou irreal (o conteúdo é irreal, não verdadeiro):
                         - Se o árbitro tivesse sido imparcial, o Benfica teria sido campeão.
  • Estas orações podem ser finitas (exemplos anteriores) ou não finitas.
  • As orações subordinadas condicionais não finitas podem ser:
               . Infinitivas:
                         - A ser certo isso, estamos perante uma situação gravíssima.

               . Participiais:
                         - Apresentada dentro do prazo, a tese foi aplaudida por unanimidade.

               . Gerundivas:
                         - Sendo exigente, o professor fomentou os bons resultados no exame nacional.

E. 4. Articulação entre constituintes da frase e entre frases

. Frase

I. Frase simples e frase complexas

II. Frase complexa

     1. Orações coordenadas

          1.1. Orações coordenadas sindéticas e assindéticas

     2. Orações subordinadas

          A. Orações subordinadas substantivas

               1. Orações subordinadas substantivas completivas

               2. Orações subordinadas substantivas relativas (sem antecedente)

          B. Orações subordinadas adjetivas

               1. Orações subordinadas adjetivas relativas

                    1.1. Orações subordinadas adjetivas relativas restritivas

                    1.2. Orações subordinadas adjetivas relativas explicativas

                    1.3. Orações subordinadas adjetivas gerundivas

          C. Orações subordinadas adverbiais

                    1. Oração subordinada adverbial temporal

                    2. Oração subordinada adverbial causal

                               2.1. Distinção entre orações coordenadas explicativas e subordinadas causais

                    3. Oração subordinada adverbial final

                    4. Oração subordinada adverbial condicional

                    5. Oração subordinada adverbial comparativa

                    6. Oração subordinada adverbial concessiva

                    7. Oração subordinada adverbial consecutiva
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