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quarta-feira, 26 de junho de 2019

Análise de "O Grito", de Edvard Munch

 O Grito é considerado a obra-prima de Edvard Munch, pintor norueguês nascido em Loten, em 12 de dezembro de 1863, e aí falecido em 23 de janeiro de 1944, um dos precursores do Impressionismo e do Expressionismo. Pintado pela primeira vez em 1893 a óleo e pastel sobre cartão, o quadro conheceu quatro versões, três das quais dispersas por museus e outra na posse de um empresário norte-americano, Leon Black, que a comprou por 119,9 milhões de dólares.          
            A pintura situa-nos num cenário natural, constituído por céu, água e arvoredo, representado de forma impressionista, no qual são visíveis três figuras: uma em primeiro plano e as outras duas ao fundo, todas situadas numa ponte, que é o único elemento do cenário caracterizado por linhas direitas, pois todos os restantes elementos estão representados com linhas ondulantes e curvas, criando um efeito de redemoinho, de abismo que tudo engole, nomeadamente as duas embarcações que parecem à deriva. Este movimento, conjugado com as cores, é gerador de tensão e sugere um grito da própria natureza.
            À semelhança do cenário, a figura humana em primeiro plano caracteriza-se por linhas curvas: trata-se de um corpo contorcido, em sofrimento, estado sugerido pelo seu grito e pelas mãos que apertam a cabeça, em atitude de desespero, contrastando com as outras duas figuras, direitas e de costas, que se afastam, acentuando a ideia de solidão e de profundo desespero. O rosto da primeira pessoa é fantasmagórico, os seus olhos estão desmesuradamente abertos, mas, ao mesmo tempo, as cavidades oculares parecem estar vazias, evocando uma caveira, o que torna este rosto uma prefiguração da morte. Em suma, este ser grita em uníssono com a natureza ou porque não quer ouvir o grito dela, dado que as mãos na cabeça podem indiciar o seu desejo ou recusa de escutar. De facto, cada vez mais surgem interpretações, baseadas nas palavras do próprio Munch, segundo as quais a figura não grita, antes cobre os ouvidos enquanto ouve os gritos da natureza. Mais: segundo Giulia Bartrum, curadora de uma exposição dedicada ao artista no Museu Britânico, a pintura é a reprodução de um pôr do Sol, de um céu vermelho-sangue que gerou nele um efeito de muita ansiedade. Assim sendo, a figura e as mãos nos ouvidos está praticamente em êxtase, a tentar bloquear o grito da natureza. No fundo, o quadro seria uma metáfora para uma emoção muito intensa e muito pessoal.
            Igualmente importantes são os efeitos cromáticos. De facto, as cores do quadro são fortes e vivas, mas simultaneamente soturnas: o amarelo e o vermelho remetem para as nuvens do pôr do Sol, divisando-se ainda réstias de azul; o azul-escuro identifica a água (o mar talvez, ou um lago); enquanto os tons verdes e castanhos assinalam as árvores e a terra. Por outro lado, as cores que caracterizam o céu parecem contaminar todos os outros elementos que ganham tonalidades sangrentas. O elemento cromático assume, assim, um significado simbólico, não sendo somente um reflexo da realidade, até porque esta pintura não pretende constituir a sua representação objetiva.
            Várias curiosidades rodeiam também este quadro. Por exemplo, ele inspirou a saga de filmes Scream, protagonizada pela atriz Neve Campbell, na qual os «serial killers» usam máscaras baseadas na expressão da figura principal da pintura. Além disso, apareceu duas vezes na série Os Simpsons, a primeira na aberta do episódio Treehouse of Horror IV (exibido nos EUA em 1993) e a segunda no episódio See Homer Run, de 2005, no qual foi satirizado o roubo de duas versões da pintura.
            Em suma, segundo as interpretações mais antigas, O Grito constitui a representação de um determinado estado psíquico, expressando um intenso sentimento de desespero e angústia. Neste sentido, a figura em primeiro plano simboliza o ser humano na sua íntima e intrínseca solidão. Pelo contrário, tendo em conta interpretações mais recentes, o quadro representa o êxtase de uma figura perante o «grito da natureza».


terça-feira, 27 de novembro de 2018

"Les Demoiselles d'Avignon" ou "As meninas de Avignon"



  • É considerada a pintura que abre o período cubista de Picasso.
  • As figuras centrais são cinco mulheres que olham o espectador de modo sensual e provocador.
  • A sua postura é "primitiva" e não uma imitação da realidade natural: as suas formas são angulosas e toscas.
  • As mulheres situadas à direita do quadro têm um ar assustador, quase inumano, um reflexo da influência das primitivas artes africanas e dos seus símbolos e figuras.
  • https://pt.slideshare.net/hcaslides/picasso-1507740

terça-feira, 2 de outubro de 2012

"Campo de Trigo com Corvos"

Campo de Trigo com Corvos, van Gogh
  • "Campo de Trigo com Corvos" é um quadro de 1890 (tela de 50 X 103 cm), da autoria do pintor holandês Vincente van Gogh (1853 - 1890) que se inscreve no contexto da pintura de paisagens.
  • Assunto: O quadro retrata uma revoada / um bando de corvos sobrevoando um campo de trigo, sob um céu carregado e ameaçador.
  • Elementos do quadro:
  • Campo de trigo:
  • O trigo dourado está pronto a ser colhido;
  • A luminosidade do amarelo revela indícios de alguns raios solares que rompem a densa camada de nuvens;
  • As linhas diagonais do trigal sugerem um efeito de movimento, efeito da ação do vento sobre o campo;
  • O trigal está ainda marcado por cercas verdes e três caminhos. 
  • Três caminhos:
  • São divergentes e perdem-se ao longe;
  • O primeiro, à esquerda, é escarpado, num terreno íngreme;
  • O do meio é sinuoso, perdendo-se no interior do trigal, mas conduz a algum lugar situado para além do campo;
  • O terceiro, à direita, está livre de obstáculos, seguindo para fora do trigal;
  • Estão pincelados sinuosamente em tons de verde e vermelho. 
  • Corvos:
  • O bando de corvos parece estar em debandada / fuga;
  • O preto das aves contrasta com o amarelo, com o azul e branco, acentuando a movimentação do seu voo, que indicia uma fuga em busca de um lugar seguro, na iminência de uma tempestade;
  • De facto, se a tradição encara a figura do corvo como símbolo de maus presságios e de morte, no Génesis é o símbolo da perspicácia: a ave vai verificar se a terra reaparecerá na superfície das águas depois do dilúvio.
  • Céu:
  • O céu escuro e ameaçador, conjuntamente com a presença dos corvos, reflete um ambiente profundamente negativo;
  • O contraste entre o amarelo do trigal, sugerindo volume e vivacidade, e o azul intenso do céu, misturado com o preto, sugere negatividade, tensão, inquietação, agitação;
  • O céu azul promove um efeito de profundidade;
  • As duas nuvens claras no céu, uma mais ao centro (encobrindo o sol?, dissimulando-o?) e outra mais à esquerda, fazendo contrastar o preto e o branco, realçam um céu tempestuoso.

domingo, 10 de junho de 2012

'Companheiros do Medo', de René Magritte

          René François Ghislain Magritte foi um dos principais artistas surrealistas belgas. Magritte nasceu na Bélgica, no dia 21 de novembro de 1898, falecendo posteriormente no dia 15 de agosto de 1972. Em 1912, sua mãe cometeu suicídio por afogamento no rio Sambre. Magritte estava presente quando o corpo foi retirado das águas do rio.
          O seu surrealismo vai evoluir, com os anos, para um estilo muito pessoal, que joga com os símbolos frequentes em torno da relação entre linguagem e objetos. As suas pinturas são comuns em jogos de duplicação.
          Esta foi uma obra na qual o pintor demonstra imagens insólitas, às quais deu tratamento rigorosamente realista, utilizou processos ilusionistas, sempre à procura do contraste entre o tratamento realista dos objetos e a atmosfera irreal dos conjuntos. A escuridão e a utilização de cores frias permitem caracterizar o pintor e a sua forma de trabalho, em relação à sua vida artística. Esta obra é uma metáfora que se apresenta como representação realista, através da posição de objetos comuns e símbolos que aparecem na sua obra, tais como os pássaros, as folhas, todo aquele terreno degradado, uma visão triste para apreciarmos.
          Todas as obras de Magritte têm uma lição de moral, mas só para quem consiga decifrar o quanto são maravilhosas as suas pinturas e o que elas representam. Neste quadro, pretende transmitir que o nosso medo existe, porque temos coragem para ter medo. Quem não tem medo não tem coragem, pois só os corajosos têm medo.
          Concluindo, este quadro de René François Ghislain Magritte veio representar o medo que D. Madalena de Vilhena tinha dentro de si, faz lembrar a angústia que aquela mulher viveu ao longo da sua vida.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

quarta-feira, 11 de maio de 2011

sábado, 12 de março de 2011

"Lisbon Revisited (1923)" e "Going Down Town"

          Relacione o título do poema - «Lisbon Revisited (1923)» - e o conteúdo da décima estrofe com o quadro de Miguel Yeco.

Miguel Yeco, Going Down Town (1986)



                               Lisbon Revisited (1923)

                               Não: não quero nada.
                               Já disse que não quero nada.

                               Não me venham com conclusões!
                               A única conclusão é morrer.

                               Não me tragam estéticas!
                               Não me falem em moral!
                               Tirem-me daqui a metafísica!
                               Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
                               Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) -
                               Das ciências, das artes, da civilização moderna!

                               Que mal fiz eu aos deuses todos?

                               Se têm a verdade, guardem-na!

                               Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
                               Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
                               Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

                               Não me macem, por amor de Deus!

                               Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
                               Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
                               Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
                               Assim, como sou, tenham paciência!
                               Vão para o diabo sem mim,
                               Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
                               Para que havemos de ir juntos?

                               Não me peguem no braço!
                               Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
                               Já disse que sou sozinho!
                               Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia!

                               Ó céu azul - o mesmo da minha infância -,
                               Eterna verdade vazia e perfeita!
                               Ó macio Tejo ancestral e mudo.
                               Pequena verdade onde o céu se reflecte!
                               Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
                               Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.

                               Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
                               E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!

                                                                                                                    Álvaro de Campos
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