quinta-feira, 21 de março de 2019

Estilo e arte narrativa de Fernão Lopes

. As crónicas de Fernão Lopes enquadram-se numa fase da língua portuguesa normalmente conhecida como português antigo e exibem construções sintáticas, expressões e vocabulário com marcas da língua de um período de amadurecimento. Apesar dos arcaísmos (“talente”, “aadur”, “açalmamento”) e de construções arcaicas (“Ca nenhuu por estonce podia outra cousa cuidar”), é claro que a língua portuguesa já sofreu uma evolução que a distingue dos seus primórdios.

. Na Crónica de D. João I, a narração alterna com a descrição e com o diálogo para incutir vivacidade e energia no relato dos episódios mais relevantes da Crise de 1383-1385. Fernão Lopes cria ritmo e tensão através da forma expressiva de narrar os acontecimentos e da introdução de discurso direto no relato (“– U matom o Meestre?”).

. A vivacidade, o ritmo e a emoção das personagens são também conseguidos através de características do discurso como as marcas de oralidade e a simplicidade da linguagem (registo corrente e vocabulário familiar), os verbos de movimento, os verbos introdutores do discurso (“bradar”), as interjeições e as apóstrofes (“Ó Senhor!”). O dinamismo da ação resulta do uso de tempos, formas e aspetos verbais como o imperfeito do indicativo, o gerúndio e o aspeto durativo. O uso de recursos expressivos é relativamente parco e pouco vai além da comparação, da metáfora e da personificação.

. As descrições são pautadas pelo forte apelo visual, isto é, pelo visualismo. O narrador desempenha o papel da testemunha dos acontecimentos; percorre os espaços e caracteriza os lugares, o ambiente e as figuras (indivíduos ou grupos) que encontra. O uso de verbos associados ao olhar (“oolhae”, “vede”) ajuda a salientar o visualismo das situações descritas. Por vezes, as sensações visuais são associadas às auditivas (cap. XV).

. Numa técnica semelhante à do cinema ou da reportagem, o narrador percorre os espaços, detendo-se em figuras individuais ou em grupos, como sucede na descrição do sofrimento do povo de Lisboa (cap. CXLVIII). Em colaboração com as outras técnicas anteriormente descritas, assim se consegue criar um estilo expressivo que põe em destaque pormenores patéticos (ou seja, de sofrimento) da situação descrita.

. Articulação entre objetividade e subjetividade:
- Objetividade presente no rigor da pormenorização (exs.: descrições pormenorizadas com valor descritivo e informativo);
- Subjetividade presente na apreciação crítica e emotiva dos factos relatados (exs.: interrogação retórica, frase exclamativa).

. Coloquialismo:
- Interpelação do interlocutor (narratário), recorrendo à 2.ª pessoa do plural e à apóstrofe;
- Utilização do verbo ouvir, sugerindo a interação oral;
- Reprodução de cantigas populares;
- Uso de palavras / expressões de sabor popular e / ou arcaizante.

. Visualismo e dinamismo:
- Articulação entre planos gerais (focalização da cidade e dos atores coletivos aque nela intervêm) e planos de pormenor (incidência em grupos de personagens e / ou em situações particulares);
- Recriação dos acontecimentos de forma dinâmica;
- Emprego de vocábulos que marcam o sensorialismo da linguagem (atos de ver e ouvir);
- Emprego de recursos expressivos que conferem visualismo ao relato: comparação, personificação, enumeração, hipérbole.


Significado do nome António

     António será, provavelmente, o antropónimo mais comum da língua portuguesa.

     A sua origem é obscura. De facto, alguns autores atribuem-lhe etimologia etrusca, que originou o latim "antonius", que significava «inestimável», enquanto outros consideram que deriva do grego "anthonomos", que significava "aquele que se alimenta de flores".

     Seja como for, o termo já existia em Roma, designando uma "gens" famosa, da qual a figura mais conhecida é a de Marco António, de acordo com Orlando Neves, no seu Dicionário de Nomes Próprios.

     Assim sendo, «António» significa "inestimável", "aquele que não tem preço", "o que está na vanguarda".
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