domingo, 25 de março de 2018

Emprego dos pronomes demonstrativos

     O uso dos pronomes demonstrativos depende de um conjunto de especificidades que estão relacionadas com o local onde se encontra aquele de quem se fala, a localização do locutor e do seu interlocutor, bem como com a ideia de tempo passado e futuro.



ESTE / ESTA / ISTO


  • O pronome demonstrativo ESTE surge empregado com as flexões exigidas pelo contexto, ou seja, acompanha os nomes família, esposa e filhos.
  • Em termos de localização, o mendigo (aquele que fala) encontra-se próximo da família (esposa e filhos).
  • Ele apresenta a família ao dono da loja (aquele que ouve), que está relativamente afastado do grupo.
     Resumindo, os pronomes ESTE(S), ESTA(S) e ISTO podem ser usados em frases em que a primeira pessoa do discurso esteja explícita ou oculta ou que contenham os pronomes me, mim, comigo e o advérbio locativo aqui.

     Por outro lado, ESTE pode vir combinado com as preposições de [deste(s), desta(s), disto] ou em [neste(s), nesta(s), nisto].

Texto em português do Brasil
("Antes de entrar no elevador, verifique se o
mesmo se encontra parado neste andar.
Lei estadual n.º 9502/97")
     Os pronomes demonstrativos a que nos estamos a referir indicam também a posição temporal e revelam proximidade no tempo em relação à pessoa que fala. A forma ESTE emprega-se para o hoje, para o tempo presente ou futuro próximo. Vejamos alguns exemplos.
          Exs.:
               . Este é o ano do penta do Benfica.
               . Pretendo recomeçar a andar de bicicleta ainda nesta semana.



ESSE / ESSA / ISSO

     Os pronomes demonstrativos de segunda pessoa pressupõem que o locutor está relativamente próximo do interlocutor.


     O emprego desses pronomes observa o seguinte:
  • ESSE surge conjugado, de forma explícita ou não, com os pronomes pessoais de segunda pessoa do discurso [tu, te, ti, contigo, você(s)].
               - Essa caneta que está aí contigo é tua?
  • Ao nível da expressão do tempo, remetem para o passado relativamente próximo do momento em que se fala.
               - Essa noite dormi mal.
  • ESSE (e as suas variações) pode combinar-se com as preposições de (desse, dessa, disso) e em (nesse, nessa, nisso).
               - Em agosto, fez muito calor. Nesse mês, tive de dormir várias vezes na 
                 varanda.


AQUELE /AQUELA / AQUILO


     Como se pode observar pela tira de BD, os pronomes demonstrativos de terceira pessoa indicam distância entre os interlocutores e o "item" referido.
  • Os demonstrativos indicam também tempo passado ou bastante vago.
               - Aquele ano de 2001 foi trágico.
  • AQUELE (e suas flexões) pode combinar-se com a preposição a (àquele, àquela, àquilo), de (daquele, daquela, daquilo) e em (naquele, naquela, naquilo).
               - Em 1980, Sá Carneiro vivia com uma mulher com quem não era
                  casado. Naquela época, a sociedade portuguesa era bem mais
                  conservadora.

     A tira seguinte sintetiza o uso dos pronomes demonstrativos de acordo com o espaço ocupado pelo locutor em relação aos seus interlocutores.



Os pronomes demonstrativos e o discurso textual
  • O demonstrativo de 1.ª pessoa atua no interior do discurso para se referir ao que será enunciado.
               - Presta atenção a estas orientações.
               - O Benfica é tetra: este facto dói a muito boa gente.
  • O demonstrativo ESTE e variações retomam o nome imediatamente anterior.
               - O ar poluído afeta os pulmões; estes devem ser preservados.
               - Eça escreveu Os Maias. Esta é uma obra-prima.
  • Os demonstrativos de segunda pessoa fazem referência ao que já foi enunciado no discurso.
               - Amor ao próximo, solidariedade, respeito pelo outro; esses são alguns
                 dos valores exigidos para você vir a ser um voluntário social.
  • Aquele surge em oposição a este quando os termos a que se refere são mais distantes relativamente aos últimos citados.
               - Eça de Queirós e Miguel Torga são grande nomes da literatura
                 portuguesa. Este pela sua poesia e contos; aquele pelos seus
                 romances.


     Dos dois nomes mencionados, o mais próximo é o de Miguel Torga (este) e o mais distante é o de Eça de Queirós (aquele).


     Este post foi indecorosamente plagiado de outro, da autoria de Marta Mendonça [aqui].

Principais indicadores de resultados escolares por disciplina – 3.º ciclo, 2011/12 − 2015/16


     A DGEEC apresenta uma série temporal de cinco anos com a evolução dos principais indicadores de resultados escolares, por disciplina, no quinquénio entre 2011/12 e 2915/16 [série].
     No documento, é analisado o desempenho escolar dos alunos em cada disciplina do 3.º ciclo do ensino básico geral, em escolas públicas de Portugal Continental.
     Esta publicação constitui uma extensão do estudo "Resultados Escolares por Disciplina - 3.º ciclo, 2014/15", que pode ser consultado aqui [estudo].

Pronomes demonstrativos


     Qual é o erro desta vez?

     O pronome demonstrativo este retoma o nome imediatamente anterior do discurso. Ora, no início do excerto apresentado, encontramos isto: "Daniel Raimundo, o emigrante português que emocionou o País, morreu depois de uma batalha contra um tumor. Este estava a viver na Bélgica...". Neste caso, o pronome "este" remete para o grupo nominal "um tumor", de acordo com a regra acima enunciada.
     O 'jornalista', ao escrever o texto da forma apresentada, está a informar que o tumor estava a viver na Bélgica. É óbvio para qualquer leitor que ele se queria referir ao malogrado Daniel Raimundo, porém a 'ignorância gramatical' do noticiarista produziu apenas um pedaço de humor negro. Poderia, perfeitamente, ter escrito "O adepto sportinguista" (ou algo do género), ou utilizado o pronome pessoal "ele", ou ainda o demonstrativo "aquele", em suma, poderia ter optado por várias construções, exceto... "este".
     Já agora, qual o motivo que o levou a usar a maiúscula no nome país?

Obs.: Pode esclarecer as dúvidas sobre o uso dos pronomes demonstrativos neste post [uso dos pronomes demonstrativos].

Ponto sobre o Rio Dão e Nicho do século XVIII

Nicho do séc. XVIII
Ponte sobre o Rio Dão - concelho de Penalva do Castelo

Rio Dão


sexta-feira, 23 de março de 2018

Como ouvir música do YouTube no Android, com o ecrã desligado

     Estar ligado ao Youtube e ter de manter o ecrã do telemóvel ligado constituía um aborrecimento (por motivos óbvios) e dispêndio de bateria.

     Pois bem, Pedro Simões explica, neste post [android], o que fazer para poder estar conectado com o ecrã desligado.

terça-feira, 20 de março de 2018

Preposição

A preposição é uma palavra invariável, que pertence a uma classe, e estabelece relações de sentido entre elementos de uma frase. O sentido do primeiro desses elementos é completado pelo sentido do segundo:
- A Maria foi ao cinema (1.º elemento) com o namorado. (2.º elemento)

domingo, 18 de março de 2018

Queda da estação espacial "Tiangong-1"

     Depois de seis anos e meio no espaço, a Tiangong-1, primeira estação espacial chinesa, prepara-se para regressar à Terra. O problema é que está totalmente fora de controle e ninguém sabe quando e onde vai cair.
     Aqui [Tiangong-1] ou aqui [Tiangong-a], é possível acompanhar o regresso da filha pródiga.

"Édipo Rei", de Sófocles


     A peça Édipo Rei foi escrita por Sófocles (496-406 a.C.), provavelmente no ano de 427 a.C..

     Laio e Jocasta têm um filho, porém aquele tinha sido avisado por um oráculo que de seria morto pelo próprio filho, pelo que pede a um dos seus servos para abandonar a criança no Monte Citerão (entre Tebas e Corinto) com os pés amarrados a uma árvore, para aí morrer. No entanto, um pastor encontra-o e salva-o e a criança acaba por ser adotada Pólibo, rei de Corinto.
     Já adulto, Édipo decide abandonar Corinto e consultar um oráculo, que lhe revela o seu destino trágico: assassinar o pai e casar com a mãe. Destroçado pela revelação, segue em direção à cidade e, numa encruzilhada, tem uma discussão com um velho senhor, acabando por o matar e a toda a sua comitiva, à exceção de um homem.
     Chegado às portas de Tebas, encontra a Esfinge, ser mitológico metade leão e metade mulher que aterrorizava o povo tebano com os seus enigmas, posto que quem não os decifrasse acabava devorado por ela. Confrontado com a charada do monstro ("Qual é o animal que de manhã tem quatro pés, dois ao meio dia e três à tarde?"), Édipo não hesita e responde que se trata do homem. Ao acertar a resposta, ele salva-se, bem como à cidade, onde é recebido como um herói. Como recompensa, recebe a coroa da cidade e a mão da rainha Jocasta, que enviuvara misteriosamente.
     Jocatas e Édipo têm quatro filhos. Quinze anos passados, Tebas é assolada por uma doença terrível. Preocupado com a maldição (a peste) que assolava a cidade, Édipo envia Creonte, seu cunhado, ao oráculo de Apolo, em busca de orientação e de uma solução para o problema.
     Ao regressar, Creonte informa-o de que a maldição é um castigo divino pelo facto de Laio ter sido morto e ninguém o ter ainda vingado e que acabaria quando o assassino do antigo rei de Tebas, caído, muito anos antes, numa encruzilhada, fosse encontrado e punido (com a morte ou a expulsão da cidade).
     Deste modo, Édipo dedica-se inteiramente à tarefa de descobrir o assassino e, assim, salvar Tebas, começando por interrogar vários cidadãos sobre o ocorrido. Um dos interrogados é Tirésias, um profeta cego que lhe diz que o autor do crime estará mais perto do que ele imagina.
     O rei fica atordoado com a informação, porém Jocasta, sua esposa, procura tranquilizá-lo, dizendo-lhe que os profetas já se enganaram anteriormente. E ilustra as suas palavras, referindo a história do seu filho com Laio, cujo oráculo profetizou que mataria o próprio pai e desposaria a mãe. De acordo com Jocasta, tal profecia não se concretizou, dado que a criança foi entregue, ainda bebé, a um camponês para ser morta.
     A narração da esposa não descansa Édipo, pois recorda que, quando era criança, um velho lhe havia dito que estava predestinado a matar o seu próprio pai e a deitar-se com a mãe. Além disso, anos volvidos, quando se dirigia para Tebas, assassinara um homem numa encruzilhada, situação que soa muito semelhante à história de Laio.
     Jocasta implora ao marido que não remexa mais no seu passado, porém tal pedido é ignorado por ele. Édipo questiona mais pessoas, incluindo um mensageiro e um camponês que conheceriam bastante bem a história de como ele fora abandonado e adotado por uma família de Corinto.
     Jocasta compreende, então, que, na verdade, é a mãe de Édipo. Horrorizada com a descoberta, tira a sua própria vida. Posteriormente, é o próprio Édipo quem toma consciência de que é ele o assassino do próprio pai e marido da própria mãe. Igualmente horrorizado, fura os seus olhos, amaldiçoa os dois filhos que lutam pela coroa e exila-se de Tebas, guiado pela filha Antígona, cumprindo assim o castigo (a expulsão da cidade) que Apolo tinha destinado ao assassino, para que a mancha fosse retirada da cidade, salvando-a da peste.
     Édipo, que trouxera outrora sorte à cidade, voltou a trazê-la no final da peça, ao salvá-la da peste, conseguindo aquilo que se tinha proposto na peça.

     A peça e o seu protagonista deram origem ao célebre Complexo de Édipo, conceito criado por Sigmund Freud no campo da psicologia, que consiste na atração que um filho sente pela mãe durante determinado período da vida.

terça-feira, 13 de março de 2018

Portaria n.º 29/2018

     Define regras relativas ao preenchimento das vagas para progressão ao 5.º e 7.º escalões da
carreira dos educadores de infância e dos professores dos ensinos básico e secundário.

Despacho n.º 2145-C/2018

     Fixação do número de vagas para a progressão ao 5.º e 7.º escalões.

"Félis" ou "Féliks"?

     Qual é a pronúncia correta? "Félis" ou "Féliks"?

     O blogue Português em forma dá a resposta e explica, com apreciável clareza, a questão [aqui].

quinta-feira, 8 de março de 2018

Plural de "filhó"

     Não é pouco frequente encontrar falantes que pronunciam "filhós" no singular e "filhoses" no plural.
     Sendo verdade que alguns dicionários registam as formas referidas (provavelmente por analogia com "nozes", "vozes", etc.), é recomendado o uso de:

          - filhó (singular) e
          
          - filhós (plural).

"Endless Road" - Time Bandits


1985

quarta-feira, 7 de março de 2018

Grafia da 1.ª pessoa do plural do infinitivo pessoal e impessoal

     É muito frequente a confusão, na escrita, entre a segunda pessoa do plural do infinitivo pessoal e impessoal.
     Com efeito, não é incomum encontrar frases como esta:
          * Se enviar-mos os documentos até amanhã, não pagaremos multa.

     Vamos, então, esclarecer a questão.

1. Quando a forma verbal está conjugada no infinitivo pessoal, o mos faz parte da forma verbal e não é separado dela por hífen:
          - Se enviarmos os documentos até amanhã, não pagaremos multa.

2. No caso do infinitivo impessoal, o mos é o resultado da contração dos pronomes pessoais me e os (me + os = mos) e separa-se da forma verbal através de hífen:
          - Esqueci-me dos CD em tua casa. Podes enviar-mos pelo correio?

3. Se, no momento de escrever, a dúvida nos assaltar, podemos recorrer ao teste da negação.
     Assim, colocamos a frase pretendida na forma negativa:

     3.1. Se a palavra não se partir, não leva hífen:
               - Se não enviarmos os documentos até amanhã, não pagaremos multa.

     3.2. Se a palavra se partir e o mos for colocada antes da forma verbal, escreve-se
             com hífen:
               - Esqueci-me dos CD em tua casa. Podes não mos enviar?

"Bem-vindo" ou "benvindo"?

1. Se pretendemos fazer uma saudação, desejar as "boas-vindas", devemos escrever bem-vindo.

2. Se se tratar de um nome próprio, escrevemos Benvindo.

FAQ

     FAQ é a sigla da expressão inglesa "frequently asked quetions".

     Ora, as siglas, na escrita, não têm plural [sigla], o qual é indicado pelas palavras que as antecedem.
     Deste modo, é errado escrever FAQs ou FAQ's.

"Trata-se de" ou "tratam-se de"?

     Sempre que surge acompanhado da preposição, o verbo "tratar" não se flexiona no plural, uma vez que é um verbo impessoal, ou seja, usa-se apenas na terceira pessoa do singular.

          - Trata-se de um jogador fenomenal este Jonas Pistolas.
          - Trata-se de "e-mails" comprometedores para qualquer insolvente.

     Mesmo que a frase se encontro no plural, a forma "trata-se de" mantém-se. 

"Interviu" ou "interveio"?

     Intervir é um verbo derivado do verbo vir e não do verbo ver. Assim, deve conjugar-se como vir, daí que a forma correta seja interveio.
          - Eu intervenho. (inter + venho)
          - Tu intervéns. (inter + vens)
          - Ele intervém. (inter + vem)
          - etc.

domingo, 4 de março de 2018

A importância de uma vírgula

A vírgula em quatro regras simples

     A vírgula é o sinal de pontuação mais usado pelos portugueses quando escrevem. Quem nunca teve de lutar com um «texto» escrito por um aluno, constituído por mais do que uma dezena de linhas e sem outro sinal de pontuação além da vírgula?

     Isto significa que as pessoas escrevem, genericamente, mal, incluindo aqueles que se 'abalançam' neste espaço. Aqui [vírgula] deixamos um apontamento sobre o uso desse sinal que tão difícil é de usar pela generalidade dos 'escriventes'.

sábado, 3 de março de 2018

The Shirelles, "Baby it's you"


1961

Os segredos do ENEM


     Em Portugal, começa a falar-se em acabar com os exames no ensino básico e secundário. Por enquanto, eles ainda existem no final do 9.º, 11.º e 12.º anos.

     No Brasil, esses exames têm o nome de ENEM. Aqui fica uma ligação [Cursos Segredos do ENEM] para os nossos visitantes além-Atlântico.

Como usar o Twitter na sala de aula

     É mais do que sabido que os jovens usam e abusam das chamadas redes sociais. Face ao aparente declínio do Facebook, o Twitter tem vindo a ganhar algum terreno entre aqueles.

     Nesta posta [Twitter na sala de aula], o professor brasileiro André Gazola sugere algumas possibilidades para usar aquela ferramenta no contexto do ensino-aprendizagem.

"Desfrutar" ou "disfrutar"?

     A forma correta é desfrutar.

     Este verbo provém da junção do prefixo "des-" com o nome "fruto" e o sufixo "-ar".

     Pode ser usado com ou sem a preposição "de":

          - Quero desfrutar de um bom jogo.

          - Quero desfrutar um bom jogo.
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