§ Tema: a
mulher / beleza feminina.
§ Estrutura
interna
D Mote (tese) -
Apresentação de Lianor:
® é
localizada a caminho da fonte;
® é
caracterizada física - "fermosa"
e
psicologicamente - "não segura"
D Voltas (confirmação da tese) - Desenvolvimento:
®
da caracterização física:
ì "branca"
. adjectivação í "fermosa"
ï "linda"
î "graciosa"
ì "mãos de prata" ü
. metáforas í "cabelos de ouro" ý preciosidade
î "chove nela graça tanta" þ
. figuras de estilo ì "mais branca que a neve pura"
. hipérboles í "dá graça à formosura"
î "tão linda que o mundo espanta"
. comparação: "Mais branca que a neve pura"
. superlativação |
"tão linda"
| "graça
tanta"
.
vestuário - cor ¾¾
branco: pureza
¾¾ vermelho: paixão, alegria
® da caracterização
psicológica: "não segura"
(insegurança)
- caminhar com o pote na
cabeça > insegurança > encontro com o amigo
(desequilíbrio)
- da beleza (ser ou não
apreciada)?
- do encontro com o namorado
(pode não encontrá-lo)?
- dos seus sentimentos?
De
notar a alternância entre os aspectos objectivos e subjectivos do retrato, de
forma a transmitir a impressão que o sujeito colhe da imagem de Lianor.
§ Estrutura
narrativa
Espaço: ambiente campestre, rural, bucólico ("verdura", "fonte").
Tempo: presente - momento em que o sujeito observa a mulher.
Acção: caminhar para a fonte
- "vai pera a fonte".
Personagem: Lianor.
§ Recursos
estilísticos
A
descrição da beleza e graciosidade de Lianor é feita através dos seguintes recursos:
1.
Nível fónico
.
Métrica: redondilha maior (versos de 7 sílabas) - medida velha.
. Rima -
ABB / CDCCBB;
- emparelhada e
interpolada;
- consoante
("verdura" / "segura");
- rica
("verdura" / "segura") e pobre ("prata" /
"escarlata");
- grave
("verdura" / "segura").
j
.
Aliteração em v.
. Alternância de sons abertos (ó, á), sugestivos de vitalidade, e fechados (ô, u) e nasais (on, an).
. Transporte: vv. 1-2, 15-16.
2.
Nível morfossintáctico
.
Expressividade do substantivo graça, dos adjectivos linda, branca e pura.
.
Substantivos:
fonte | ambiente
verdura |
pausa |
neve | retrato físico
ouro |
encarnado |
graça | retrato psicológico
formosura |
. Adjectivação: fermosa; (não) segura
(exposta às ciladas do amor); branca;
pura; linda.
. Orações consecutivas: "que o mundo espanta";
"que
dá graça à fermosura".
. Alternância
entre orações coordenadas e subordinadas.
. Expressividade do verbo chover, com valor
transitivo e sentido hiperbólico: a
graça era tão evidente e abundante como a chuva.
.
Advérbios tanta, não.
3.
Nível semântico
.
Personificação: "tão
linda que o mundo espanta".
. Metáforas: "mãos de prata, "cabelos de ouro" ® fazem ressaltar
a brancura das mãos e os cabelos louros, características do tipo da mulher clássica;
"chove nela graça tanta".
. Hipérboles: "mais branca que a neve
pura";
"tão linda
que o mundo espanta";
"chove nela graça tanta
que
dá graça à fermosura".
.
Comparação: "mais branca que a
neve pura".
. Diminutivos: sainho, vasquinha ® sugerem a ideia de carinho e simpatia do
sujeito pela mulher, o encantamento daquele face à beleza e graciosidade desta.
. Associação de cores (o vermelho do
vestuário, o branco da pela e o loiro dos cabelos) para sugerir a
alegria, a pureza e a perfeição de Lianor, respectivamente.
. As peças
de vestuário e os objectos que
transporta, em si graciosos, que o sujeito poético pretende transferir - a graciosidade - para Lianor.
.
Trocadilho: "Chove nela graça
tanta / Que dá graça à fermosura".
§ Mulher retratada: a mulher clássica,
petrarquista, cujo retrato incide mais sobre a beleza psicológica e menos sobre
a física.
§ Classificação: vilancete ® forma
poético-musical composta a partir dum mote
curto (2 ou 3 versos), tradicional, geralmente alheio, que introduz o tema. De início, este mote era tirado duma canção popular-vilã e a ele cabia, em exclusivo, a designação de vilancete, que depois passou a atribuir-se a todo o poema. A seguir ao mote existem as voltas ou glosas, compostas por 7 versos, que desenvolvem o tema introduzido pelo mote. A glosa divide-se em cabeça (os primeiros 4 versos) e cauda (os restantes 3). O último verso da cabeça rima com o primeiro da cauda, fazendo assim a ligação entre ambas; os dois últimos versos da cauda rimam com os dois últimos versos do mote, e o último deste é, no vilancete perfeito, integralmente repetido no último verso da cauda.
curto (2 ou 3 versos), tradicional, geralmente alheio, que introduz o tema. De início, este mote era tirado duma canção popular-vilã e a ele cabia, em exclusivo, a designação de vilancete, que depois passou a atribuir-se a todo o poema. A seguir ao mote existem as voltas ou glosas, compostas por 7 versos, que desenvolvem o tema introduzido pelo mote. A glosa divide-se em cabeça (os primeiros 4 versos) e cauda (os restantes 3). O último verso da cabeça rima com o primeiro da cauda, fazendo assim a ligação entre ambas; os dois últimos versos da cauda rimam com os dois últimos versos do mote, e o último deste é, no vilancete perfeito, integralmente repetido no último verso da cauda.
§ Influências -
Intertextualidade
§ Petrarca
(inovações renascentistas):
-
caracterização da mulher (física e psicológica);
- caracterização predominantemente psicológica e só aparentemente física.
§
A utilização do trocadilho, da hipérbole e do jogo de conceitos e ambiguidades,
como recursos do engenho poético (também existentes na endecha "Aquela cativa"), coloca, em
certa medida, Camões como precursor da poesia cultista e conceptista do século
XVII.
