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domingo, 22 de outubro de 2084

Professor

     "Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra. O professor, assim, não morre jamais." 

Rubem Alves

domingo, 12 de abril de 2026

Resumo do capítulo I de O Senhor das Moscas

    No início da narrativa, um garoto inglês de cerca de doze anos, Ralph, desce por uma área de rochas até uma lagoa próxima a uma praia em uma ilha tropical. Lá, encontra outro menino, Piggy, que é gordo, usa óculos grossos, sofre de asma e demonstra ser mais intelectual e preocupado. Piggy tem dificuldade em acompanhar Ralph fisicamente, inclusive para nadar, e revela traços de vulnerabilidade: seus pais morreram e ele vive com a tia. Ele também confidencia que odeia seu apelido (“Piggy” / “Porquinho”) e pede que não seja revelado, mas Ralph acaba ignorando isso e mais tarde expõe o apelido aos outros, provocando risos e zombarias.

    A conversa entre os dois revela o contexto da situação: durante uma guerra — possivelmente nuclear, envolvendo uma bomba atômica — um avião que transportava um grupo de meninos ingleses foi abatido e caiu em uma ilha deserta no oceano. A aeronave foi parcialmente arrastada para o mar, e acredita-se que todos os adultos a bordo morreram. Não há sinal do piloto, e é provável que ninguém saiba onde os meninos estão, o que reduz drasticamente as chances de resgate. Enquanto Ralph reage com entusiasmo à ausência de adultos e à ideia de liberdade em uma ilha paradisíaca, Piggy demonstra preocupação e senso de urgência, alertando que eles precisam se organizar para sobreviver.

    Explorando a praia, Ralph encontra uma grande concha de búzio cor creme. Piggy reconhece que ela pode ser usada como uma trombeta para reunir os sobreviventes. Como Piggy não consegue soprá-la devido à asma, ele orienta Ralph, que produz um som alto e estridente. O som da concha atrai gradualmente outros meninos, com idades entre seis e doze anos. O primeiro a aparecer é um garoto pequeno chamado Johnny, e os demais vão surgindo da selva e se acomodando, por exemplo, em troncos de palmeira caídos, aguardando.

    Entre os que chegam, destaca-se um grupo organizado: um coral de meninos vestidos com túnicas e capas pretas, ainda usando seus gorros apesar do calor intenso. Eles marcham em formação sob a liderança de Jack, um garoto mais velho, autoritário e ambicioso, que exige disciplina e postura dos demais. Inicialmente, Jack acredita que um adulto os convocou, mas ao perceber que estão sozinhos, afirma que terão que se virar por conta própria.

    Durante a reunião, Piggy tenta registrar os nomes dos meninos, mas encontra dificuldades e é frequentemente interrompido. Jack demonstra desprezo por ele, mandando-o calar e chamando-o de “gordo”, enquanto os outros meninos também zombam de sua aparência e comportamento.

    Os meninos decidem então escolher um líder. Jack se apresenta como candidato, alegando que deveria ser o chefe, e os coristas votam nele. No entanto, a maioria dos meninos escolhe Ralph. Sua eleição parece decorrer de vários fatores: sua aparência, seu carisma e, simbolicamente, a posse da concha, que representa autoridade. Todos, inclusive o coral, acabam aceitando a decisão, embora Jack fique visivelmente contrariado e constrangido.

    Para amenizar a tensão, Ralph permite que Jack permaneça no comando do coral, designando-os como caçadores. Jack aceita essa função com satisfação. Em seguida, Ralph organiza o grupo e propõe que verifiquem se estão realmente em uma ilha deserta e se há habitantes. Ele escolhe Jack e um terceiro menino, Simon, para acompanhá-lo na exploração. Piggy insiste em ir também, mas é excluído, o que o magoa; Ralph tenta compensá-lo dando-lhe a tarefa de anotar os nomes dos demais.

    Ralph, Jack e Simon partem então pela selva densa. Durante a exploração, experimentam entusiasmo, liberdade e um sentimento crescente de amizade e aventura. Eles atravessam a vegetação, chegam a regiões de rochas altas e escalam uma colina íngreme. Do topo, confirmam que estão em uma ilha isolada, sem qualquer sinal de civilização. Ralph sente que aquele território lhes pertence, como se fosse uma descoberta própria. Jack já começa a pensar na caça como meio de sobrevivência.

    No caminho de volta, os três encontram um porco (ou leitão/javali) preso em cipós. Jack, armado com uma faca, se prepara para matá-lo, o que representaria sua primeira ação como caçador. No entanto, ele hesita — seja por medo, inexperiência ou conflito interno — e o animal escapa. Jack, envergonhado, promete com firmeza que da próxima vez não falhará.

    Após essa longa exploração, os três retornam à praia, onde os outros meninos aguardam, encerrando o primeiro momento de organização e descoberta na ilha.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Análise da ação de O Senhor das Moscas

    O eixo dramático de O Senhor das Moscas gravita em torno do embate entre Ralph e Jack. dois polos de liderança que encarnam visões inconciliáveis de organização humana. De um lado, Ralph, com a sua inclinação para a ordem, a deliberação coletiva e o amparo dos mais frágeis; do outro, Jack, cuja autoridade se funda na imposição, no medo e na sedução da violência. Se, num primeiro momento, Jack se curva, ainda que a contragosto, à escolha de Ralph como chefe, essa aceitação logo se revela provisória. A rivalidade latente cresce como uma chama mal contida, até consumir por inteiro a frágil estrutura social erguida pelos meninos.

    Mais do que indivíduos, Ralph e Jack configuram arquétipos: são figuras simbólicas de impulsos antagónicos que habitam a própria natureza humana. À medida que o domínio de Ralph se dissolve, enfraquecido pela indisciplina, pela negligência e pelo fascínio que a caça exerce sobre os demais, torna-se cada vez mais evidente a precariedade da civilização. O colapso da sua liderança sugere que os instintos primitivos, quando liberados, tendem a subjugar as convenções sociais, revelando-as como construções delicadas, sempre à beira da ruína. O resgate final de Ralph por um oficial da marinha, representante de uma ordem maior, não chega a oferecer consolo pleno: ao contrário, o pano de fundo de uma guerra global insinua que a barbárie não é exclusividade da ilha, mas atravessa o mundo dito civilizado.

    Inserido nesse contexto de conflito planetário, o romance funciona como advertência, tanto em relação ao poder destrutivo da tecnologia bélica quanto à instabilidade inerente ao espírito humano. Ao restringir a ação a um grupo de crianças isoladas, com escassas referências ao exterior, a narrativa adquire um caráter quase mítico, como se aquilo que ali se desenrola fosse inevitável e universal. O microcosmo da ilha torna-se, assim, espelho ampliado do mundo: um laboratório onde se expõem...

Continuação da análise aqui: »»».

Análise de O Senhor das Moscas

I. Apresentação


II. Biografia de William Golding


III. Contexto de O Senhor das Moscas


IV. Resumo / Enredo / Ação


V. 

Resumo de O Senhor das Moscas

    O Senhor das Moscas desenrola-se numa ilha deserta do Pacífico, durante uma guerra devastadora — frequentemente interpretada como nuclear —, após um avião que transportava um grupo de rapazes britânicos ser abatido. O piloto morre, e os sobreviventes ficam entregues a si próprios, sem qualquer supervisão adulta, num ambiente simultaneamente paradisíaco e hostil.

    Entre os primeiros a surgir estão Ralph e Piggy, um rapaz intelectual, fisicamente frágil e frequentemente ignorado pelos outros. Na praia, Ralph encontra uma concha, e Piggy percebe o seu potencial: ao soprá-la, conseguem convocar os restantes sobreviventes. Reunidos, os rapazes organizam-se e tentam recriar uma ordem semelhante à sociedade de onde vieram. Elegem Ralph como líder, apoiado pelo conselho de Piggy, e atribuem a Jack, chefe do antigo coro, a responsabilidade pelos caçadores.

    O grupo divide-se de forma geral entre os “pequeninos”, crianças de cerca de seis anos, e os mais velhos, entre os dez e os doze. Desde o início, Ralph estabelece como prioridade o resgate: decide que devem manter uma fogueira acesa no topo da montanha para sinalizar navios. O fogo é aceso com recurso aos óculos de Piggy, que concentram a luz solar. Contudo, a excitação e a irresponsabilidade dos rapazes fazem com que o incêndio...

Resumo completo: »»».

Contexto de O Senhor das Moscas

                Quando O Senhor das Moscas foi publicado pela primeira vez, o mundo procurava ainda recompor-se da devastação humana provocada pela Segunda Guerra Mundial. Entre civis e militares, este conflito ceifara cerca de 60 milhões de vidas, deixando atrás de si uma memória de ruína e perda dificilmente mensurável.

                O fim do conflito foi, quase de imediato, sucedido pelo início da Guerra Fria. O bloco comunista encontrava-se sob a liderança da União Soviética, que instaurara um regime totalitário na sequência da revolução de 1917 — revolução essa alicerçada nas teorias do socialismo. Este defendia a propriedade comum dos recursos em benefício da comunidade, em oposição à expansão territorial que, na prática, os líderes comunistas procuravam assegurar. Por sua vez, o Ocidente capitalista, liderado pelos Estados Unidos, receava a disseminação do comunismo. Com ambas as superpotências na posse de armamento nuclear, a Guerra Fria tornou-se um tempo de tensão constante e latente. Ambos estes conflitos históricos servem de pano de fundo a O Senhor das Moscas.

                A Segunda Guerra Mundial exerceu uma influência profunda sobre William Gerald Golding. Ao serviço da Royal Navy, participou em combates no Atlântico Norte, tomou parte na batalha que conduziu ao afundamento do navio de combate alemão Bismarck, em 1941, e comandou uma embarcação lançadora de foguetes durante o desembarque na Normandia, em 1944.

                Aquilo que testemunhou durante o conflito marcou profundamente a sua visão do ser humano e da sociedade. Golding ficou abalado perante a extraordinária capacidade humana para infligir dor e destruição. Num ensaio publicado em 1965, intitulado “Fábula”, escreveu: “Comecei a perceber do que as pessoas eram capazes”. Não foram apenas os horrores perpetrados pelos nazis sobre os prisioneiros nos campos de concentração, nem os maus-tratos infligidos pelos japoneses que o perturbaram. Também as ações dos Aliados o inquietaram: justificavam a destruição em nome de princípios morais, mas essa justificação abria uma inquietante zona cinzenta, onde o desumano podia tornar-se aceitável. Todas estas contradições levaram Golding a conceber a natureza humana como algo simultaneamente selvagem e implacável.

                Os ecos destas ideias percorrem O Senhor das Moscas. Jack e os seus caçadores, em particular, tornam-se agentes da violência: começam por caçar animais, mas acabam por matar e torturar seres humanos. Até Ralph, símbolo da ordem e da sociedade, participa numa caçada e no assassinato de Simon. Tal como o texto sugere, todos os seres humanos encerram em si a capacidade de praticar o mal.

                O Senhor das Moscas foi escrito durante a Guerra Fria, período em que a humanidade viveu, pela primeira vez, sob a ameaça concreta de aniquilação nuclear. As bombas atómicas tinham sido utilizadas duas vezes pelos Estados Unidos para forçar a rendição do Japão, em 1945. Perante isso, os líderes da União Soviética sentiram-se compelidos a desenvolver o seu próprio arsenal nuclear, tanto por razões defensivas como ofensivas. Quando a União Soviética se tornou oficialmente uma potência nuclear, em 1949, a Guerra Fria já estava em curso.

                Tal como sucede no romance, onde os rapazes se dividem em grupos que passam a desconfiar uns dos outros e a procurar a destruição mútua, também as nações se fragmentaram em blocos. A maioria dos países alinhou-se sob a influência da União Soviética e dos seus aliados comunistas, ou sob a esfera dos Estados Unidos e do Ocidente. A tensão entre estes dois polos era elevada, dando origem a conflitos indiretos, como a Guerra da Coreia — invasão da Coreia do Sul pela Coreia do Norte entre 1950 e 1953 —, na qual os Estados Unidos apoiaram o Sul, enquanto a China e a União Soviética apoiaram o Norte.

                A Guerra Fria, com o seu potencial de destruição em massa, bem como a paranoia que dominava ambos os lados, encontra-se refletida na obra. A narrativa inicia-se com os rapazes isolados numa ilha, após o avião em que viajavam ter sido abatido. Acreditam que uma bomba nuclear destruiu o mundo e vivem com o receio de serem encontrados pelos “Vermelhos”, termo frequentemente utilizado no bloco ocidental para designar os comunistas.

Biografia de William Golding

                William Gerald Golding nasceu na Cornualha, em Inglaterra, a 19 de setembro de 1911. Filho de Mildred Golding, uma dedicada sufragista, e de Alec Golding, professor e fervoroso defensor do racionalismo, cresceu num ambiente onde a razão era exaltada como o principal instrumento de conhecimento. O pai lecionava na Marlborough Grammar School, escola que o jovem Golding frequentou, permanecendo sob a sua forte influência durante toda a infância.

                Desde cedo revelou inclinação para a escrita: começou a escrever aos sete anos e, aos doze, já ensaiava o seu primeiro romance. Leitor precoce, mergulhou na poesia de Alfred Tennyson e na obra de William Shakespeare, influências que o acompanhariam ao longo da vida. Contudo, a sua infância não foi isenta de sombras: há registos de que, em pequeno, podia ser agressivo, chegando a maltratar outras crianças — traço que mais tarde ecoaria na complexidade moral das suas personagens.

                Em 1930, ingressou no Brasenose College, na University of Oxford. Seguindo a vontade dos pais, iniciou estudos em ciências, mas, após dois anos, cedeu à sua vocação e mudou para literatura inglesa. Ainda estudante, publicou o seu primeiro livro — um volume de poesia — integrado na série da Macmillan Publishers. Mais tarde, viria a desvalorizar essa obra, considerando-a juvenil; no entanto, nela já se pressente a sua crescente desconfiança face ao racionalismo herdado. Concluiu o curso em 1935, com um grau em Inglês e um diploma em educação.

                Após a universidade, experimentou várias ocupações, trabalhando como escritor, ator e produtor num pequeno teatro londrino, ao mesmo tempo que se sustentava como assistente social. Considerava o teatro — em especial a tradição dos tragediógrafos gregos e de Shakespeare — a sua influência literária mais profunda. Acabaria por seguir o caminho do pai, tornando-se professor de Inglês e Filosofia em Salisbury, na Bishop Wordsworth's School, onde viria também a exercer funções de direção. O contacto diário com rapazes proporcionou-lhe uma visão penetrante da natureza humana que, mais tarde, se revelaria decisiva para a criação da sua obra mais célebre.

                Em 1939, casou com Ann Brookfield, com quem teve dois filhos. No ano seguinte, porém, interrompeu a vida civil para se alistar na Royal Navy, participando na World War II. Durante cerca de seis anos, serviu no mar, tomou parte em diversas missões e foi promovido a tenente, desenvolvendo uma duradoura ligação ao oceano e à navegação. Terminada a guerra, regressou ao ensino e à escrita.

                Foi em 1953 que concluiu Lord of the Flies (O Senhor das Moscas), romance que viria a ser publicado em 1954, após ter sido rejeitado por vinte e uma editoras. A receção inicial foi hesitante e as vendas modestas; chegou mesmo a desaparecer do mercado nos Estados Unidos, embora se mantivesse disponível no Reino Unido. Só em 1959, com a edição de bolso, a obra conheceu um renascimento, vindo a afirmar-se como um clássico incontornável da literatura contemporânea e presença habitual nos currículos escolares.

                Ao longo da sua carreira, Golding escreveu treze romances, além de poesia, peças de teatro, ensaios e contos. O conjunto da sua obra valeu-lhe o Prémio Nobel da Literatura em 1983, sendo ainda distinguido com o título de cavaleiro em 1988. Em 1961, abandonou definitivamente o ensino para se dedicar por inteiro à escrita.

                Golding morreu a 19 de junho de 1993, na sua terra natal, Cornualha, encerrando uma vida marcada pela reflexão profunda sobre a natureza humana, onde a razão e a sombra convivem em tensão permanente.

Apresentação de O Senhor das Moscas

    Em O Senhor das Moscas, um grupo de estudantes britânicos fica preso numa ilha tropical. Na tentativa de recriar a cultura que deixaram para trás, elegem Ralph como líder, com o intelectual Piggy como conselheiro. Mas outro rapaz, Jack, também quer liderar e, um a um, ele leva os meninos da civilidade e da razão para o instinto de sobrevivência selvagem de caçadores primitivos. Em O Senhor das Moscas, William Golding oferece ao leitor um vislumbre da selvajaria que se esconde até mesmo nos seres humanos mais civilizados.
 
Autor: William Golding.
 
Classificação: romance.
 
Género: alegoria.
 
Publicado pela primeira vez em: 1954.
 
Cenário: Ilha tropical deserta.
 
Personagens principais: Ralph ; Jack ; Piggy ; Simon ; Samneric ; Roger.
 
Temas principais: o mal ; mecanismos de expressão da violência; natureza humana; fala; silêncio.
 
Tema: selvageria versus civilização.
 
Símbolos principais: personagens principais; os óculos da Piggy; a fera; o fogo; a concha; O Senhor das Moscas.
 
Versões cinematográficas: Senhor das Moscas (1963); Senhor das Moscas (1990).
 
Os três aspetos mais importantes de O Senhor das Moscas:
 
O tema principal é que os humanos são essencialmente bárbaros, senão totalmente maus. Os meninos náufragos começam por estabelecer uma sociedade semelhante à que deixaram para trás na Inglaterra, mas logo essa sociedade degenera em clãs rivais governados pelo medo e pela violência; antes do fim do livro, três rapazes são mortos.

O romance é uma alegoria , ou seja, uma história em que personagens, cenários e eventos representam algo maior do que eles próprios. Por exemplo, a ilha representa o mundo; Ralph e Jack simbolizam diferentes abordagens à liderança.

William Golding escreveu O Senhor das Moscas após a Segunda Guerra Mundial, durante a qual os nazis exterminaram seis milhões de judeus e os Estados Unidos lançaram duas bombas atómicas sobre o Japão.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Mandarim não é só pudim

Língua chinesa

     Por mais estranho que pareça, na China fala-se mandarim, a língua oficial do país. O chinês é outra "coisa". O jornalista não sabe. Oh, 😞 que surpresa!

terça-feira, 31 de março de 2026

Despacho Normativo n.º 3/2026


Regulamento das Provas de Avaliação Externa e das Provas de Equivalência à Frequência
dos Ensinos Básico e Secundário para os anos letivos de 2025-2026 a 2027-2028

segunda-feira, 30 de março de 2026

Análise do poema "Quando era criança", de Fernando Pessoa

    O poema é constituído por três quadras de redondilha menor (versos de cinco sílabas) e rima interpolada e emparelhada, segundo o esquema abba.

    Na primeira estrofe, o sujeito poético declara que, enquanto foi criança, viveu sem ter consciência dos sentimentos (“Quando era criança / Vivi, sem saber” – vv. 1-2), pois não era dominado pela consciência, pela racionalidade, pelo pensamento. Porém, agora que é consciente (“Só para hoje” – v. 3), no presente, enquanto adulto, lembra aquilo que foi no passado (“Aquela lembrança” – v. 4). A antítese entre esses dois tempos – passado e presente – é marcada pelos tempos verbais (pretérito imperfeito – “era” – e perfeito – “Vivi” – versus presente) e pelo advérbio de tempo “hoje”.

    A antítese prolonga-se na segunda quadra. Assim, afirma que, no presente (“hoje” – v. 5) reflete, tem consciência de que era feliz no passado, o que contrasta com a infelicidade que o caracteriza atualmente (“É hoje que sinto / Aquilo que fui.” – vv. 5-6). Nos versos 7 e 8, estabelece que “mente”, isto é, que finge, intelectualiza todos os seus...

Análise aqui: »»».

Biografia de Eurípides

    Eurípides foi um dos três grandes dramaturgos Atenas clássica, conjuntamente com Sófocles e Ésquilo, tendo nascido por volta de 484 a.C. na atual capital grega, mais concretamente na ilha de Salamina, e falecido em 406 a.C. na Macedónia.

    É complexo escrever sobre a vida de Eurípides, pela simples razão de que ele viveu há milhares de anos, numa época em que se estava apenas no início da escrita de História (Heródoto – 484 a.C. - 425 a.C. –, considerado o seu pai, foi contemporâneo próximo do escritor). Os homens daquela era já tinham começado a registar grandes eventos, no entanto não tinham entendido que o registo da vida de alguém implicava o trabalho de pesquisa sobre a figura em questão. Uma espécie de biografia começou a ser elaborada cerca de duas gerações depois, quando os discípulos de Aristóteles e Epicuro se preocuparam e empenharam em desvendar e registar as vidas dos seus mestres. Contudo, a biografo como a entendemos atualmente nunca foi praticada na Antiguidade, visto que, em regra, era constituída por excertos selecionados da vida do biografado, como, por exemplo, grandes feitos, grandiosos discursos, e concentrava-se nos últimos anos da sua vida, especialmente na sua morte. É isto que explica o facto de pouquíssimas datas de nascimento serem hoje conhecidas, ou o desconhecimento das primeiras obras e primeiros anos de vida dos grandes homens da época.

    Por outro lado, a História era um ramo das “belas-letras” e não se preocupava grandemente com a exatidão do conteúdo. Regra geral, contentava-se com a data em que um homem se distinguia, o que constituía uma conceção muito vaga, convencionalmente fixada na época em que realizou a sua obra mais importante ou no ano em que alcançou a maturidade: a idade de quarenta anos.

sábado, 28 de março de 2026

Há... labreguice a rodos

Calinada
     Desta vez, a cretinice vem do Brasil. Atente-se: "Pelo crime, Garotinho havia sido condenado mais de 13 anos de prisão."

     Como é que esta pseudo-jornalista confunde a preposição "a" com a terceira pessoa do singular do verbo "haver"?

     Como é que esta gente é encarregada de escrever textos para um qualquer público ler?

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