domingo, 22 de outubro de 2084
Professor
terça-feira, 29 de setembro de 2026
Questionário - Cena IV
📝 Questionário de Avaliação: Cena IV de Desejo sob os Ulmeiros (25 Questões)
Clique em cada pergunta para revelar a opção correta e a fundamentação do texto.
1. Quem são os dois irmãos mais velhos que decidem abandonar a herdade para procurar ouro na Califórnia?
Explicação: Filhos do primeiro casamento de Ephraim Cabot, ambos abandonam o trabalho escravo na quinta da Nova Inglaterra assim que recebem o dinheiro pelas suas partes.
2. Qual é o valor exato que Eben paga a Simeon e Peter em troca do papel em que abdicam dos seus direitos sobre a quinta?
Explicação: Eben entrega o montante em moedas de ouro para que os irmãos possam financiar a viagem de barco para a Califórnia.
3. Onde estava escondido o saco com o dinheiro utilizado por Eben para comprar as partes dos irmãos?
Explicação: O dinheiro fora escondido por Ephraim Cabot, mas a mãe falecida de Eben descobriu o esconderijo e revelou-o ao filho antes de morrer.
4. A quem pertencia legitimamente o dinheiro escondido, segundo a convicção de Eben?
Explicação: Eben considera que o dinheiro acumulado pelo pai pertencia de direito à sua mãe, que trabalhou até à morte sem recompensa, sendo ele o seu único herdeiro.
5. Quantos anos tem Ephraim Cabot quando regressa à quinta com a nova esposa na quarta cena?
Explicação: Apesar da idade avançada, o patriarca mantém uma grande força física enrijecida pelo trabalho braçal.
6. Qual é a idade de Abbie Putnam, a nova e terceira esposa de Ephraim Cabot?
Explicação: Abbie é 40 anos mais jovem do que o marido e procura na herdade a estabilidade de um lar próprio.
7. Como é descrito o rosto de Ephraim Cabot na didascália de apresentação da quarta cena?
Explicação: A comparação associa a fisionomia do patriarca à aridez e dureza das pedras do solo da quinta.
8. Que insulto zoomórfico e degradante lança Peter a Abbie quando a vê chegar?
Explicação: A metáfora expressa a rejeição absoluta da nova madrasta, rebaixando-a à condição de animal doméstico.
9. Que metáfora profana utiliza Simeon para questionar onde o pai encontrou a nova esposa?
Explicação: A imagem associa a descoberta de Abbie a uma exumação macabra ou pacto diabólico, antecipando a tragédia que ela trará ao lar.
10. Como reagem Simeon e Peter para provocarem e ridicularizarem o pai no momento da despedida junto ao portão?
Explicação: Executam uma dança grotesca ao redor de Cabot, partindo os vidros da sala com pedradas antes de fugirem a cantar.
11. Qual é a canção dos garimpeiros que Simeon e Peter cantam alegremente enquanto se afastam pela estrada?
Explicação: A canção popular dos garimpeiros simboliza o entusiasmo e a ilusão da corrida ao ouro na Califórnia.
12. O que faz Simeon à cancela do muro de pedra antes de abandonar definitivamente a propriedade?
Explicação: O ato simboliza o fim do confinamento e a abolição de todas as barreiras impostas pela tirania do pai.
13. Que sensação física e patológica sente Eben antes mesmo de avistar a chegada da carroça de Ephraim?
Explicação: Eben compara a premonição do regresso do pai a um sintoma patológico visceral que lhe contagia o corpo.
14. Que metáfora aplica Simeon a Eben para descrever a sua obstinação e semelhança com a natureza do pai?
Explicação: Equipara o caráter de Eben à madeira rija e torcida do marmeleiro, sublinhando que ele herdou a rigidez do próprio pai.
15. Que comparação faz Abbie sobre a forma como Simeon e Peter a olhavam fixamente ao portão?
Explicação: Abbie devolve aos enteados a linguagem animalizada, comparando o olhar de cobiça dos dois à fome do gado suíno.
16. Qual é a atitude inicial de Abbie ao contemplar a casa de lavoura pela primeira vez ao lado de Ephraim?
Explicação: Abbie saboreia a posse da casa, demonstrando a sua ambição de dominar a propriedade e a herdade.
17. Que comparação insultuosa lança Eben a Abbie no primeiro encontro a sós na cozinha?
Explicação: Eben reduz o casamento de Ephraim e Abbie a uma mera transação comercial de prostituição por teto e comida.
18. Que insulto utiliza Eben para tentar repelir a aproximação sedutora e o toque físico de Abbie?
Explicação: Eben diaboliza Abbie para tentar erguer uma defesa verbal contra a atração e o fascínio que a madrasta lhe provoca.
19. Qual foi o passado de sofrimento relatado por Abbie para tentar comover Eben e conquistar a sua simpatia?
Explicação: Abbie justifica a sua obsessão por um lar explicando que trabalhou toda a vida para os outros sem ter um teto próprio.
20. Que acusação lança Eben ao pai no confronto verbal sobre a religiosidade puritana do patriarca?
Explicação: Eben inverte a alegoria bíblica, afirmando que a religião dura e opressiva do pai conduz os próprios filhos à perdição.
21. Como qualifica Ephraim Cabot a maturidade e a autonomia de Eben durante o bate-boca final da quarta cena?
Explicação: O pai recorre a uma metáfora de mutilação psicológica para desqualificar a virilidade e a capacidade de liderança do filho.
22. Que metáfora insultuosa dirige Peter a Ephraim Cabot no momento da despedida no portão?
Explicação: Reduz o corpo do patriarca a pele animal enrijecida e gasta, desfazendo o respeito sagrado pela autoridade paterna.
23. Qual é a ameaça física e violenta que Ephraim lança aos filhos que lhe partem os vidros da janela?
Explicação: O patriarca utiliza uma imagem da lida rural, ameaçando esmagar o esqueleto dos filhos como um fardo de lenha seca.
24. O que faz Abbie no fecho da Cena IV enquanto Ephraim e Eben se retiram para o estábulo?
Explicação: Ao lavar a louça, Abbie instala-se no espaço doméstico da casa, assumindo o papel que pertencera à falecida mãe de Eben.
25. O que faz Eben depois de ser chamado de "homem incompleto" e ver a madrasta tomar conta da cozinha?
Explicação: Eben aceita o desafio do pai e da madrasta, preparando a batalha pela posse da herdade e pela afirmação da sua masculinidade.
Metáforas e comparações na cena IV da 1.ª parte de Desejo sob os Ulmeiros
📇 Cartões de Estudo: Metáforas e Comparações em Desejo sob os Ulmeiros
❓ Metáfora: "O cabresto rebentou! A albarda foi ao ar!"
❓ Metáfora: "A ti te há-de ele comer, velhote!"
❓ Metáfora: "Onde diabo a desenterrou?"
❓ Metáfora: "Metê-la no chiqueiro com as outras porcas"
❓ Metáfora: "Velho coiro!"
❓ Metáfora: "Ficam com os ossos num feixe!"
❓ Metáfora: "Velha bruxa!"
❓ Metáfora: "Atraindo as suas ovelhas ao pecado!"
❓ Metáfora: "Nunca chegaste a homem inteiro!"
❓ Comparação: "...comprou-a... como quem compra uma pega!"
❓ Comparação: "...olhar para mim como um par de porcos para a bolota"
❓ Comparação: "...sinto-o chegar, como se sente o arrepio das febres..."
❓ Comparação: "É duro como um marmeleiro!"
❓ Comparação: "O rosto é duro, como se tivesse sido esculpido num seixo..."
❓ Comparação: "As mãos parecem cascos!"
❓ Comparação: "...viver como os lírios do campo"
Análise da cena IV da 1.ª parte de Desejo sob os Ulmeiros
a) Ação
b) Espaço
O espaço físico articula-se entre o interior da cozinha — centrado
na mesa de refeições, no fogão e no soalho que escondia o ouro — e o exterior
imediato da casa, dominado pelo portão com o muro de pedra e pela estrada que
conduz ao Oeste. No plano social, a quinta representa o microssistema agrário e
patriarcal da Nova Inglaterra do século XIX, fundamentado na servidão familiar,
no isolamento geográfico e na exploração do trabalho. No plano psicológico, o
espaço transforma-se num território de conquista e profanação. A cozinha,
antigo santuário da mãe de Eben, converte-se no palco onde Abbie afirma a sua
soberania e onde a tensão erótica entre madrasta e enteado é selada. O portão
de pedra deixa de ser uma mera divisória de propriedade para encarnar a
barreira da escravidão; o seu desmantelamento físico por Simeon simboliza o
romper da prisão doméstica, abrindo passagem para a estrada como espaço
psicológico de utopia, evasão e liberdade.
c) Tempo (da Ação, do Discurso,
Histórico e Psicológico) O tempo da ação decorre durante o nascer do sol e o
início da manhã, marcando a transição da luz cinzenta da alvorada para a
luminosidade plena do dia. O tempo do discurso é extremamente dinâmico e polifónico,
alternando entre a celebração ruidosa e carnavalesca dos irmãos mais velhos, o
ritmo pausado, denso e sedutor do diálogo entre Abbie e Eben na cozinha, e a
violência verbal cortante da disputa final exterior. No plano histórico, a ação
fixa-se rigorosamente no ano de 1850, em plena febre do ouro na Califórnia,
ambiente evocado pela canção popular e pela ilusão de enriquecimento rápido. No
plano psicológico, o tempo adquire uma dupla dimensão: para Simeon e Peter, o
tempo estagnado de décadas de servidão explode numa vertigem de libertação onde
o futuro é conquistado em instantes; para Eben e Abbie, o tempo condensa-se num
presente suspenso e ameaçador, onde o passado de trauma e a urgência do desejo
futuro se chocam inevitavelmente.
d) Caracterização Aprofundada
(Física, Psicológica e Social) das Personagens Eben Cabot surge como um jovem
de 25 anos dotado de uma beleza rústica e de uma força física notável, mas
profundamente dividido no seu foro íntimo. Psicologicamente, é dominado por uma
obsessão patrimonial e por uma devoção quase religiosa à memória da mãe
falecida, acreditando ter cumprido a sua missão ao recuperar o ouro e os papéis
da quinta. Contudo, ao ser confrontado com Abbie, revela a sua extrema
vulnerabilidade, lutando desesperadamente entre a repulsa moral pela usurpadora
e uma atração erótica incontrolável. Socialmente, passa de servo explorado a
suposto proprietário legítimo da herdade. Abbie Putnam, com 35 anos, é
caracterizada por um ar alegre, cara cheia e bonita, impregnada de uma
sensualidade vigorosa e um olhar determinado e duro. Tendo sofrido um passado
miserável de orfandade, servidão e perdas pessoais, é movida por um instinto de
sobrevivência e por uma necessidade visceral de possuir um lar. Revela-se
calculista, sedutora e dominadora, consciente do seu poder sobre o velho
Ephraim e capaz de reconhecer em Eben uma alma gémea em termos de energia e
obstinação. Ephraim Cabot, aos 75 anos, mantém um corpo alto, seco e de costas
curvadas pelo trabalho contínuo, apresentando um rosto duro como xisto e olhos
miopes. Representa a rigidez do patriarca puritano, cuja autoridade se
fundamenta numa teologia severa e num orgulho inflexível; apesar de traído pela
debandada dos filhos e ridicularizado, tenta manter a postura de tirano inabalável.
Simeon e Peter, libertados da sujeição agrícola, encarnam a transformação do
embrutecimento animal na euforia infantil da alforria, entregando-se a um
comportamento subversivo, sarcástico e festivo antes da partida definitiva.
e) Linguagem e Enumeração das
Figuras de Estilo A linguagem da cena é caracterizada por um registo coloquial
e rústico, rico em termos do vocabulário agrícola, interjeições de desafio e
celebração, expressões de tom bíblico e imprecações inflamadas. A oralidade é
intensificada pela presença de cânticos populares e por diálogos rápidos e
sobrepostos. Enumeram-se, exclusivamente, as seguintes figuras de estilo
presentes na cena:
Metáfora
Comparação
Personificação (Prosopopeia)
Antítese
Hipérbole
Animalização (Zoomorfismo)
Ironia (e Sarcasmo)
Metonímia
Gradação
Apóstrofe (e Imprecação)
f) Características da Tragédia
Clássica Grega A quarta cena acolhe elementos estruturantes do drama trágico
clássico. A húbris (insolência e desmedida) manifesta-se tanto no fanatismo
religioso e orgulho cego de Ephraim, como no desejo possessivo e absoluto de
Abbie e Eben pela conquista da casa. A anagnórise e a peripécia ocorrem com a
chegada da nova esposa e a partida dos irmãos, alterando radicalmente a
estrutura de poder da quinta. A atração imediata e perturbadora entre Eben e a
sua madrasta reencarna o mito trágico de Fedra e Hipólito, insinuando a
inevitabilidade de um incesto trágico imposto pelo Fado (Moira). A maldição
paterna lançada ao céu por Ephraim retoma a tradição das pragas familiares e
das teias de culpa hereditária. Além disso, o comportamento ritualístico de
Simeon e Peter ao arrancarem o portão, executarem uma dança de guerra e
partirem os vidros mimetiza um ato de profanação e rutura com a ordem sagrada
do lar doméstico.
g) Elementos Simbólicos Os elementos cénicos e materiais da quarta cena possuem uma elevada carga simbólica. O portão e a cancela de pedra representam a opressão, a demarcação da propriedade e a escravidão secular dos filhos; o ato de arrancar a cancela dos gonzos e levá-la sob o braço simboliza a destruição física das cadeias do patriarcado e a conquista da liberdade. As moedas de ouro de vinte dólares, retiradas do esconderijo sob o soalho junto ao fogão, simbolizam o sangue e a herança espiritual da mãe falecida de Eben, funcionando como a moeda de alforria dos irmãos e o instrumento de reparação histórica. A janela da sala quebrada pelas pedras representa a destruição da fachada de respeitabilidade e puritanismo da casa. A cozinha e o fogão funcionam como o centro sagrado da memória materna, que é profanado e tomado por Abbie quando esta começa a lavar a sua louça. Finalmente, a canção da Califórnia atua como o hino de evasão e símbolo da promessa dionisíaca de utopia e prosperidade no Oeste.
h) Análise Ideológica da Cena Sob a perspetiva ideológica, a cena apresenta uma crítica devastadora ao materialismo possessivo e à falência moral da sociedade puritana e patriarcal. O'Neill expõe como a obsessão pela propriedade privada e pelo domínio da terra reduz todas as relações humanas a meros vínculos de troca, exploração e poder. A retórica religiosa de Ephraim Cabot é desmascarada como uma ideologia de auto-justificação que utiliza o nome de Deus para sancionar a tirania doméstica, a ganância e a opressão dos filhos. Paralelamente, o relato autobiográfico de Abbie introduz uma contundente crítica social à condição da mulher no século XIX, mostrando que a sua conduta implacável resulta da miséria, da exploração do trabalho feminino e da urgência de obter a posse de um lar para garantir a sobrevivência. Por fim, a partida de Simeon e Peter para a Califórnia estabelece o contraste entre o Feudalismo Agrário sufocante da Nova Inglaterra e o Mito da Fronteira do Capitalismo nascente, onde a busca do ouro surge como a única via de libertação individual face ao jugo da autoridade paterna.
sexta-feira, 18 de setembro de 2026
A origem dos nomes dos MESES em PORTUGUÊS
terça-feira, 15 de setembro de 2026
Análise de Desejo sobre os Ulmeiros, de Eugene O'Neill
I. Biografia de Eugene O'Neill
II. Relação da peça com a tragédia grega
III. Resumo da peça
IV. Resumo das cenas
. 1.ª parte:
. Cena I
. Cena II
. Cena III
V. Análise das cenas
. 1.ª parte:
. Cena I
. Cena II
. Cena III
V.