domingo, 22 de outubro de 2084
Professor
quarta-feira, 5 de agosto de 2026
Análise da cena II do ato I de O Mercador de Veneza
Análise de O Mercador de Veneza
I. Contexto
II. Resumos
2.1. Resumo da peça
2.2. Resumo das cenas
2.2.1. Cena I, Ato I
2.2.2. Cena II, Ato II
2.2.3. Cena III, Ato III
2.3. Análise das cenas
2.3.1. Cena I, Ato I
2.3.2. Cena II, Ato I
2.3.3. Cena III, Ato I
III. Personagens
3.1. Caracterização
1. António
2. Bassânio
3. Pórcia
4. Lourenço
5. Graciano
7.
3.2. Papel / Relevo
3.3. Representatividade
3.4. Relações entre as personagens
1. António e Bassânio
IV. Espaço
4.1. Físico / Geográfico
4.2. Social
4.3. Psicológico
V. Tempo
5.1. Histórico
5.2. Da ação
5.3. Do discurso
5.4. Psicológico
VI. Linguagem
VII. Elementos simbólicos
Resumo da cena II do ato I de O Mercador de Veneza
- O príncipe napolitano é ridicularizado por falar obsessivamente sobre o seu cavalo e por se gabar de o saber ferrar, o que leva Pórcia a gracejar que a mãe dele talvez tenha tido um caso com um ferrador.
- O conde palatino é descrito como um homem excessivamente triste e melancólico, que nunca sorri, mesmo perante as histórias mais alegres, parecendo estar sempre a dizer que não se importa de ser escolhido ou não.
- O fidalgo francês é visto como uma caricatura sem personalidade própria, que tenta imitar e exagerar os hábitos dos outros (tendo um cavalo melhor que o do napolitano e um semblante mais carregado que o do palatino), sendo capaz de dançar ao ouvir um melro ou de esgrimir com a sua própria sombra.
- O jovem barão inglês (Falconbridge) é criticado pela total impossibilidade de comunicação, pois não domina o latim, o francês ou o italiano, tal como Pórcia não percebe o inglês. Além disso, embora seja atraente, veste-se de forma bizarra, misturando modas adquiridas em Itália, França e Alemanha.
- O lorde escocês revela falta de firmeza, pois permitiu que o inglês lhe batesse sem retribuir no momento, tendo o francês como fiador da sua promessa de retribuição futura.
- O jovem alemão (sobrinho do duque de Saxe) é caracterizado como um bêbedo detestável, que se comporta pior do que um animal quando está embriagado à tarde e pouco melhor do que um homem quando está sóbrio de manhã. Para evitar o desastre de casar com ele, Pórcia sugere colocar um copo de vinho sobre o cofre errado para o induzir em erro.
Linguagem de O Mercador de Veneza
O tempo do discurso de O Mercador de Veneza
- A especulação imaginativa de Salarino: ao descrever o que sentiria se tivesse frotas no mar, Salarino expande o tempo do discurso ao detalhar ações quotidianas hipotéticas (soprar a sopa quente, olhar para a areia de uma ampulheta ou contemplar o mármore de uma igreja). Esta acumulação de imagens poéticas dilata o tempo verbal, transportando o espetador para um cenário mental de catástrofe que interrompe a linearidade da rua veneziana.
- O sermão de Graciano sobre o silêncio: o seu longo discurso sobre os homens que cultivam uma gravidade artificial para parecerem sábios funciona também como uma pausa moralista e satírica, desacelerando o ritmo da cena para contrastar a vivacidade festiva com a apatia melancólica de António.
O tempo da ação de O Mercador de Veneza
O tempo histórico de O Mercador de Veneza
A ação de O Mercador de Veneza situa-se na transição do final do século XVI para o início do XVII, em pleno Renascimento.
- Salânio evoca a figura de Jano bifronte (o deus romano de duas caras) para explicar a dualidade do temperamento humano (aqueles que riem sem motivo e os que se mantêm severos), e menciona Nestor (o sábio ancião da Ilíada) como o padrão máximo de seriedade.
- Bassânio recorre à mitologia grega ao comparar Pórcia ao velocino de ouro e os seus pretendentes a novos Jasões que viajam em demandas marítimas para a conquistar, transformando uma busca matrimonial e financeira numa epopeia heroica clássica.
- Além disso, Pórcia é comparada à sua homónima romana, a filha de Catão e esposa de Bruto, sublinhando que as referências da Roma Antiga eram o padrão de virtude e nobreza com que as mulheres da época eram medidas.
Espaço físico / geográfico de O Mercador de Veneza
- As frotas e os portos: há uma atenção constante voltada para os mapas, com os olhos cravados nos portos, molhes e enseadas de abrigo que possam proteger os navios. Os destinos das embarcações são múltiplos e dispersos.
- A opulência e o exotismo: o mar é descrito como o caminho para mercadorias de luxo, mencionando-se as preciosas especiarias do Oriente e as sedas ricas que, em caso de naufrágio, cobririam as ondas do oceano.
- Os perigos da natureza: o espaço marítimo é também sinónimo de ameaça constante. Através da imaginação de Salarino, elementos do quotidiano terrestre evocam a geografia hostil do mar: o sopro de uma sopa quente faz lembrar tempestades e ventos destruidores; a areia de uma ampulheta evoca os perigosos baixios onde navios como o Santo André podem encalhar; e o mármore de uma igreja lembra os rochedos e escolhos que podem despedaçar as embarcações.
- O Castelo de Belmonte: caraterizado como um local de isolamento aristocrático e de beleza indescritível, onde reside Pórcia.
- A "Nova Cólquida": ao comparar Belmonte a este território mítico da Antiguidade Clássica, e os pretendentes a heróis como Jasão que viajam de distantes terras e de toda a parte para subir as escadas do castelo, Bassânio transforma Belmonte num espaço de demanda lendária, onde o amor se conquista através de provas de valor e fortuna.