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domingo, 22 de outubro de 2084

Professor

     "Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra. O professor, assim, não morre jamais." 

Rubem Alves

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Dados biográficos de Ésquilo

    Ésquilo, filho de Eufórion, da velha nobreza dos Eupátridas, nasceu em 525-524 a.C., no demo ático de Elêusis.

    No ano de 484 alcançou a sua primeira vitória. Estava, então, na plenitude da sua força vital, tinha quarenta anos.

    Cinco anos antes tinha tomado parte, com seu irmão Cinegiro, na batalha de Maratona. Cinco anos depois combateu, com seu irmão mais novo Amínias, na batalha de Salamina.

    Em 472 Ésquilo venceu com a tetralogia a que pertencem Os Persas.

    Em 468 Ésquilo foi vencido por Sófocles que, com a sua primeira representação, obteve a sua primeira vitória. Este facto e a descoberta de um fragmento de uma didascália (uma espécie de ficha técnica do concurso trágico) referente ao concurso em que Ésquilo obteve o primeiro lugar com a trilogia das Danaides, Sófocles o segundo e Mésato o terceiro, permite datar as Suplicantes, primeira peça da trilogia das Danaides, até há pouco considerada a mais antiga das peças conservadas de Ésquilo, com uma data posterior à de Os sete contra Tebas, que é de 467 a.C. Um pormenor do referido fragmento recomenda para as Suplicantes a data de 463.

    Pondo de lado o problema da data do Prometeu, aproximadamente 469 a.C., resta referir a vitória de 458 com a Oresteia.

    O poeta morreu em 456-455 a.C., em Gela, na Sicília, por ocasião de uma segunda visita a esta ilha.

Cenários (da tragédia grega)

    Primitivamente, os cenários eram maciços. Ainda no tempo de Ésquilo, para figurar um altar ou um túmulo, elevava-se ao fundo da orquestra um altar ou um túmulo, grosseiramente construídos. De acordo com a informação de Aristóteles, Sófocles introduz o cenário pintado. Este cenário devia cobrir a fachada da σκηνή ao fundo do proscénio.

    Quanto aos maquinismos, no século V, só há a certeza do uso da μηχανή, uma espécie de guindaste que permitia elevar ou fazer descer uma personagem, por exemplo, o chamado "deus ex machina" (Eurípides fazia descer uma divindade do céu através da μηχανή.

    Provas do uso do "ecciclema" (ἐκκύκλημα) só existem paea a época helenística, o que não significa, evidentemente, que não tenha sido usado já no século V. O "ecciclema" era uma espécie de plataforma rolante que saía por uma das portas do fundo, permitindo mostrar o interior da habitação e o que nela se desenrolava, como, por exemplo, um crime.

    Citemos, finalmente, o brontéion (βροντεῖον), que servia para imitar o ruído do trovão. Era uma grande bacia de bronze colocada por trás da cena em que se lançavam pedras e ferros com estrondo.

Edifício (da tragédia grega)

    O teatro grego era um teatro ao ar livre, constituído por uma colina natural, em Atenas a Acrópole, onde se talhavam os assentos para os espectadores.

    Junto deste hemiciclo, o coro evoluía na orquestra, no centro da qual se erguia o altar de Dioniso.

    Sobre os degraus do altar sentava-se o flautista.

    Ao fundo da orquestra, frente as espectadores havia uma construção em madeira, mais tarde e pedra, a σκηνή, onde se encontravam os camarins dos atores e dos coreutas.

    Em frente da σκηνή e liga a ela havia um estrado comparável ao palco dos nossos teatros.

    O proscénio ( προσκήνιον / λογεῖον) estava, no século V, quase ao nível da orquestra, separado dela por apenas dois ou três degraus.

    O palco elevado surge só na época helenística.

Estrutura de uma tragédia grega

    No capítulo da estrutura, uma tragédia do século quinto compõe-se dos seguintes elementos fundamentais:

            a) elementos recitativos: o prólogo e os episódios;

            b) elementos mélicos, ou líricos: o párodo e os estásimos.

    Acrescentam-se ainda o êxodo, que aparece como o último dos episódios; os cantos episódicos, a saber, ἀμοιβαία (amoibaia, ou diálogos inteiramente líricos) e as monódias (canto de um só ator) e, finalmente, os diálogos lírico-recitativos (ou lírico-epirremáticos).

    O κομμός era um amoibaion entre o coro e o ator com conteúdo trenético (lamentoso, fúnebre).

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Elementos paratextuais e estrutura de Memorial do Convento

     O PowerPoint pode ser consultado e descarregado aqui: »»».

Na aula (LXII): bicicletas, placas e dentes

     Na aula onde se divaga sobre Os Maias, concretamente a temática da Educação, a conversa acaba em bicicletas.

    O professor informa que, quando era adolescente, era obrigatório uma bicicleta possuir uma placa (com a matrícula do veículo).

    A Maria Luís abre então a sua boca, com um ar de espanto sem medida:

    - Para andar de bicicleta, era preciso ter placa de dentes?

    Ser professor é uma experiência sem igual e, por vezes, sem explicação.

domingo, 12 de abril de 2026

Resumo do capítulo I de O Senhor das Moscas

    No início da narrativa, um garoto inglês de cerca de doze anos, Ralph, desce por uma área de rochas até uma lagoa próxima a uma praia em uma ilha tropical. Lá, encontra outro menino, Piggy, que é gordo, usa óculos grossos, sofre de asma e demonstra ser mais intelectual e preocupado. Piggy tem dificuldade em acompanhar Ralph fisicamente, inclusive para nadar, e revela traços de vulnerabilidade: seus pais morreram e ele vive com a tia. Ele também confidencia que odeia seu apelido (“Piggy” / “Porquinho”) e pede que não seja revelado, mas Ralph acaba ignorando isso e mais tarde expõe o apelido aos outros, provocando risos e zombarias.

    A conversa entre os dois revela o contexto da situação: durante uma guerra — possivelmente nuclear, envolvendo uma bomba atômica — um avião que transportava um grupo de meninos ingleses foi abatido e caiu em uma ilha deserta no oceano. A aeronave foi parcialmente arrastada para o mar, e acredita-se que todos os adultos a bordo morreram. Não há sinal do piloto, e é provável que ninguém saiba onde os meninos estão, o que reduz drasticamente as chances de resgate. Enquanto Ralph reage com entusiasmo à ausência de adultos e à ideia de liberdade em uma ilha paradisíaca, Piggy demonstra preocupação e senso de urgência, alertando que eles precisam se organizar para sobreviver.

    Explorando a praia, Ralph encontra uma grande concha de búzio cor creme. Piggy reconhece que ela pode ser usada como uma trombeta para reunir os sobreviventes. Como Piggy não consegue soprá-la devido à asma, ele orienta Ralph, que produz um som alto e estridente. O som da concha atrai gradualmente outros meninos, com idades entre seis e doze anos. O primeiro a aparecer é um garoto pequeno chamado Johnny, e os demais vão surgindo da selva e se acomodando, por exemplo, em troncos de palmeira caídos, aguardando.

    Entre os que chegam, destaca-se um grupo organizado: um coral de meninos vestidos com túnicas e capas pretas, ainda usando seus gorros apesar do calor intenso. Eles marcham em formação sob a liderança de Jack, um garoto mais velho, autoritário e ambicioso, que exige disciplina e postura dos demais. Inicialmente, Jack acredita que um adulto os convocou, mas ao perceber que estão sozinhos, afirma que terão que se virar por conta própria.

    Durante a reunião, Piggy tenta registrar os nomes dos meninos, mas encontra dificuldades e é frequentemente interrompido. Jack demonstra desprezo por ele, mandando-o calar e chamando-o de “gordo”, enquanto os outros meninos também zombam de sua aparência e comportamento.

    Os meninos decidem então escolher um líder. Jack se apresenta como candidato, alegando que deveria ser o chefe, e os coristas votam nele. No entanto, a maioria dos meninos escolhe Ralph. Sua eleição parece decorrer de vários fatores: sua aparência, seu carisma e, simbolicamente, a posse da concha, que representa autoridade. Todos, inclusive o coral, acabam aceitando a decisão, embora Jack fique visivelmente contrariado e constrangido.

    Para amenizar a tensão, Ralph permite que Jack permaneça no comando do coral, designando-os como caçadores. Jack aceita essa função com satisfação. Em seguida, Ralph organiza o grupo e propõe que verifiquem se estão realmente em uma ilha deserta e se há habitantes. Ele escolhe Jack e um terceiro menino, Simon, para acompanhá-lo na exploração. Piggy insiste em ir também, mas é excluído, o que o magoa; Ralph tenta compensá-lo dando-lhe a tarefa de anotar os nomes dos demais.

    Ralph, Jack e Simon partem então pela selva densa. Durante a exploração, experimentam entusiasmo, liberdade e um sentimento crescente de amizade e aventura. Eles atravessam a vegetação, chegam a regiões de rochas altas e escalam uma colina íngreme. Do topo, confirmam que estão em uma ilha isolada, sem qualquer sinal de civilização. Ralph sente que aquele território lhes pertence, como se fosse uma descoberta própria. Jack já começa a pensar na caça como meio de sobrevivência.

    No caminho de volta, os três encontram um porco (ou leitão/javali) preso em cipós. Jack, armado com uma faca, se prepara para matá-lo, o que representaria sua primeira ação como caçador. No entanto, ele hesita — seja por medo, inexperiência ou conflito interno — e o animal escapa. Jack, envergonhado, promete com firmeza que da próxima vez não falhará.

    Após essa longa exploração, os três retornam à praia, onde os outros meninos aguardam, encerrando o primeiro momento de organização e descoberta na ilha.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Análise da ação de O Senhor das Moscas

    O eixo dramático de O Senhor das Moscas gravita em torno do embate entre Ralph e Jack. dois polos de liderança que encarnam visões inconciliáveis de organização humana. De um lado, Ralph, com a sua inclinação para a ordem, a deliberação coletiva e o amparo dos mais frágeis; do outro, Jack, cuja autoridade se funda na imposição, no medo e na sedução da violência. Se, num primeiro momento, Jack se curva, ainda que a contragosto, à escolha de Ralph como chefe, essa aceitação logo se revela provisória. A rivalidade latente cresce como uma chama mal contida, até consumir por inteiro a frágil estrutura social erguida pelos meninos.

    Mais do que indivíduos, Ralph e Jack configuram arquétipos: são figuras simbólicas de impulsos antagónicos que habitam a própria natureza humana. À medida que o domínio de Ralph se dissolve, enfraquecido pela indisciplina, pela negligência e pelo fascínio que a caça exerce sobre os demais, torna-se cada vez mais evidente a precariedade da civilização. O colapso da sua liderança sugere que os instintos primitivos, quando liberados, tendem a subjugar as convenções sociais, revelando-as como construções delicadas, sempre à beira da ruína. O resgate final de Ralph por um oficial da marinha, representante de uma ordem maior, não chega a oferecer consolo pleno: ao contrário, o pano de fundo de uma guerra global insinua que a barbárie não é exclusividade da ilha, mas atravessa o mundo dito civilizado.

    Inserido nesse contexto de conflito planetário, o romance funciona como advertência, tanto em relação ao poder destrutivo da tecnologia bélica quanto à instabilidade inerente ao espírito humano. Ao restringir a ação a um grupo de crianças isoladas, com escassas referências ao exterior, a narrativa adquire um caráter quase mítico, como se aquilo que ali se desenrola fosse inevitável e universal. O microcosmo da ilha torna-se, assim, espelho ampliado do mundo: um laboratório onde se expõem...

Continuação da análise aqui: »»».

Análise de O Senhor das Moscas

I. Apresentação


II. Biografia de William Golding


III. Contexto de O Senhor das Moscas


IV. Resumo / Enredo / Ação


V. 

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