Português: 15/11/12

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

"Sou um guardador de rebanhos"

Poema IX

“Sou um guardador de rebanhos”

     O poema, constituído por três estrofes (duas sextilhas e um dístico) de versos brancos e métrica irregular, apresenta-nos um sujeito poético que se assume, metaforicamente, como um pastor, remetendo assim para o início do poema I, no qual se lhe comparava.
    A primeira estrofe inicia-se com uma metáfora (“Sou um guardador de rebanhos”) que institui o sujeito poético como um ser natural e simples (ele estabelece desde logo uma ligação com a Natureza, com a pastorícia, com um ambiente bucólico) e que anula a oposição entre o pensar e o sentir, através da identificação entre / transformações dos pensamentos e/em sensações, característica do sensacionismo de Alberto Caeiro: o conhecimento da realidade adquire-se pela sua apropriação direta mediante os cinco sentidos humanos, isto é, ele relaciona-se com a realidade, seja ela flor, fruto, ou um dia de calor, através dos sentidos. E isso basta-lhe, pois é essa relação que lhe traz a verdade desse real. É isso que significa a metáfora do verso 2: os pensamentos do «eu» são associados a um rebanho, representando assim a ideia de que a sua tarefa de poeta é juntar e guardar as impressões que recolhe da Natureza. Dito de outra forma, a metáfora constrói uma doutrina orientada para a objetividade, isto é, o conhecimento da realidade é adquirido a partir dos cinco sentidos. Mais: a metáfora institui o sujeito poético como um guardador de pensamentos (um pastor guarda ovelhas, o pastor-metáfora de Caeiro guarda pensamentos). O que significa ser um guardador de pensamentos? O eu poético é um «guardador» que vigia e...

A análise do poema continua aqui: »»».
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