quinta-feira, 7 de novembro de 2019

O discurso político


1. Definição

            O vocábulo «político» provém do latim «politicus», que, por sua vez, teve origem no grego πολιτικóσ («politikós»), que significa «dos cidadãos» ou do «do Estado» (ou seja, cidadão, pertencente à cidade), traduzindo Πóλισ («pólis») conceito de «cidade», mas também de «Estado», visto que «cidade», na Grécia clássica, correspondia a uma unidade estatal.
            Em termos de definição, um discurso político é um texto que pertence ao género argumentativo em que se expõe uma tese (isto é, defendem ideias e propostas sobre o rumo de um país ou de uma comunidade e sobre as medidas que devem ser adotadas para que essas propostas tenham sucesso), que se pretende provar, através de argumentos e exemplos.
            A sua finalidade é convencer o interlocutor e aderir a esse ponto de vista.
            O discurso político contém uma dimensão ética e social, apela ao bem comum e veicula valores de vária ordem (social, económica, cultural, etc.), assumindo-se como uma voz coletiva.

2. Objetivo

            O objetivo de um discurso político é convencer o interlocutor a aderir a uma ideia ou a uma causa, apoiando-as, socorrendo-se da retórica, a arte de bem discursar, por escrito ou oralmente e desencadeando uma reação do público: votar, apoiar, intervir, mobilizar-se para uma iniciativa, etc.

3. Estrutura

Introdução:
Apresentação da tese que se vai defender, para a adesão do interlocutor.
Desenvolvimento:
Apresentação dos argumentos;
Refutação dos contra-argumentos;
Apresentação de provas – exemplos.
Organização em parágrafos, contendo cada um uma ideia principal.
Conclusão:
Confirmação da tese.

4. Características – Marcas de género

Caráter persuasivo
Interação com o interlocutor – o locutor questiona, repete, usa o imperativo e a segunda pessoa verbal (singular e plural), e emprega o vocativo em apóstrofes, com o propósito de defender uma causa política, um rumo de ação para um país, uma comunidade, etc.
Argumentação
Estratégia: convencer os ouvintes a aderir às propostas do enunciador, mobilizando argumentos válidos e coerentes e guiando-se por princípios honestos e justos, ou contra-argumentos, se for necessário.
Registo expositivo
Articulação entre os registos expositivo e argumentativo: o orador apresenta factos (exposição) que fundamentam a argumentação e atestam as afirmações proferidas através de provas.
Dinamismo discursivo – nomeadamente entoação, ritmo, tom, pausas oportunas, expressividade e gestos.
Coerência e coesão
Informação significativa, encadeamento lógico dos tópicos, coerência e validade dos argumentos, contra-argumentos e provas.
Eloquência
Exploração dos recursos expressivos e da plasticidade da língua – nomeadamente metáforas, comparações, estruturas sintáticas paralelas, construções de imagens e jogos semânticos.
Mobilização de recursos expressivos
Metáfora, comparação, interrogação retórica, apóstrofe, enumeração, reiteração, ironia, etc.
Exploração de outros recursos
Postura do corpo, expressão facial, tom e volume da voz, etc.


Chumbar um aluno "não serve para nada"

«É absolutamente intolerável que esta nova vida de certas cliques ideológicas do terceiro quartel do século XX se faça à custa de acusar os professores pelo mau desempenho dos seus alunos, dando um ar de legitimação às teses economicistas que são o aspecto nuclear das preocupações do governo nesta matéria.
Quem sabe um pouco de História Comparada da Educação sabe que, com algumas nuances, o No Child Left Behind (que é, curiosamente, a inspiração retórica mais próxima da actual investida entre nós, sendo uma iniciativa do Bush Jr.) terminou em fiasco e acabou com o desempenho dos alunos americanos pior do que antes. Por lá demorou uma dúzia de anos a reconhecer nisso. Por cá, basta ficarem sempre os mesmos – ou os seus herdeiros – a dominar o CNE ou o ME e será sempre um sucesso.
Os erros do NCLB foram reconhecidos em plena era Obama (para que não restem dúvidas sobre o facto de não ter sido a “direita” a acabar com a coisa) e seria bom que aprendêssemos com eles. Caso exista ainda quem tenha vontade de aprender, após décadas de enquistamento intelectual em teses ultrapassadas.
A minha opinião, em resumo de sete minutos, ficou hoje no fim (a partir dos 42′) do Antena Aberta da Antena Um
Paulo Guinote, O Meu Quintal
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