domingo, 19 de fevereiro de 2012

Coesão estrutural

     Uma das formas de construir a coesão textual é o paralelismo estrutural - a repetição simétrica de construções - em frases, períodos ou parágrafos contíguos ou próximos.:

                    Eles não sabem que o sonho
                    é uma constante da vida
                    [...]
                    Eles não sabem que o sonho
                    é vinho, é espuma, é fermento,
                    [...]
                    Eles não sabem que o sonho
                    é tela, é cor, é pincel
                    [...]

     O paralelismo pode assumir diferentes categorias:

          · Paralelismo sintático: repetição do modelo de construção de uma frase em frases
             seguidas:

                    Ex.: «Ou é porque o sal não salga, ou porque a Terra se não deixa salgar.
                           Ou é porque o sal não salga, e os pregadores não pregam a
                           verdadeira doutrina (...). Ou é porque o sal não salga, e os 
                           pregadores dizem uma cousa (...).»

          · Paralelismo lexical: repetição da mesma palavra ou expressão em frases
             contíguas ou próximas:

                    Ex.: «Eu penso que a língua portuguesa em Timor-Leste é importante,
                           porque a língua portuguesa em Timor-Leste é uma língua oficial, e
                           e a língua portuguesa em Timor-leste não é nova mas é antiga
                           antiga quando os portugueseses descobriram Timor-Leste...».

          · Paralelismo fónico: repetição de sons com o objetivo de ecoar, ampliar ou
             repercutir o anteriormente dito:

                    Ex.: «Casei com o João por causa do pão. Comeram-me o pão, divorciei-
                           -me do João

          · Paralelismo semântico: repetição do mesmo conteúdo, ou semelhante, em duas
             ou mais frases:

                    Ex.: «Adoro fazer turismo: conhecer novos lugares e novas culturas, ouvir
                           línguas e sotaques diferentes, comer pratos típicos de diferentes
                           regiões...».

Coesão temporo-aspetual

     A coesão temporo-aspetual é conseguida através da compatibilização entre a sequencialização dos enunciados, de acordo com uma lógica temporal, e a informação aspetual, isto é, o ponto de vista do enunciador relativamente à situação expressa pelo verbo, apresentando o modo como decorre essa situação.

     Os mecanismos que asseguram este tipo de coesão são os seguintes:

           uso correlativo dos advérbios / expressões adverbiais de tempo e dos tempos
             verbais:

                    Ex.: Agora, vamos ler um extrato de Os Maias. Depois faremos um
                           exercício gramatical.
                           Amanhã é dia de folga. (* Amanhã foi dia de folga.)

          • utilização de grupos nominais e preposicionais com valor temporal:

                    Ex.: O bebé chorou toda a noite. Só adormecemos de madrugada.

           uso compatível dos valores aspetuais dos verbos  e do valor semântico dos
             conetores temporais utilizados:

                    Ex.: Enquanto jantou, a Lucília viu televisão.
                           * Enquanto saiu, a Lucília viu televisão.

           uso correlativo dos tempos verbais:

                    Ex.: Quando a Maria chegou, já a filha tinha saído.
                           * Quando a Maria chegou, já a filha sairá.
                           Assim que o Benfica marcou golo, brindámos com champanhe.
                           * Assim que o Benfica marcou golo, brindaremos com
                              champanhe. (esta frase é agramatical, visto que é impossível conciliar o futuro
                              com o ponto de partida - o pretérito perfeito.)

           ordenação sequencial dos eventos / das situações apresentados no texto:

                    Ex.: A Maria acabou o teste e entregou-o ao professor.
                           * A Maria entregou o teste ao professor e acabou-o.

Coesão interfrásica

     A coesão interfrásica designa os mecanismos de sequencialização que permitem a ligação / articulação das frases ou dos parágrafos entre si.

     Esses mecanismos são, genericamente, os marcadores discursivos, em que se incluem os conetores / articuladores do dircurso, com destaque para a coordenação e a subordinação:
  • Ex.: Queria ir-se embora, mas o polícia não lho permitia, por isso resolveu carregar no botão de emergência. De imediato, os travões fizeram-se ouvir.

     Por vezes, a ligação entre as frases faz-se sem a presença de marcadores discursivos, configurando uma elipse:
  • Ex.: Vítor Pereira tinha preparado a equipa para aquele jogo. Tudo se gorou. O árbitro fez vista grossa à grande penalidade e ao golo irregular do adversário. («Tudo se gorou.» = «Porém, tudo se gorou.»)

Coesão frásica

     O texto é uma unidade de comunicação / uma sequência de enunciados (oral ou escrita), de extensão variável - um texto pode ser constituído por um curto enunciado ou por uma variedade de enunciados -, com um princípio e um fim bem delimitados, produzida por um ou por vários autores, que deve obedecer, na sua construção, a um conjunto de regras que, articulando-se entre si, dão sentido ao discurso.

     A palavra texto deriva do latim textum (com origem no verbo texto - "entrelaçar", "construir", "compor"), que significa «tecido, entrelaçamento». Tendo presente esta origem etimológica, o texto resulta da ação de tecer, de entrelaçar unidades que formam um todo interrelacionado, com determinadas propriedades que lhe conferem um sentido, sendo o seu objetivo comunicar algo.

     A coesão frásica designa os mecanismos linguísticos que conferem unidade aos vários elementos que constituem a frase.
     Esses mecanismos são os seguintes:
  • ordem das palavras na frase (ordem direta: SUJEITO + VERBO + COMPLEMENTOS / MODIFICADORES):
  • Ex.: A Ana aborrece as pessoas.
  • concordância em género e número (entre o núcleo nominal e adjetivos, determinantes, quantificadores, modificadores):
  • Ex.: O João é um bom menino.
  • Ex.: A Joana e a Sofia são boas meninas. 
  • interligação entre o predicado verbal e o sujeito e seus complementos;
  • princípio da regência verbal:
  • Ex.: A mulher de quem eu gosto chama-se Maria. (o verbo «gostar» rege a preposição «de»).

H. II. 2. Coesão e coerência textuais

1. Coesão textual:
2. Coerência:
  • Coerência lógico-concetual;
  • Coerência pragmático-funcional;
  • Isotopia;
  • Configuração do texto.
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