quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Características do Romantismo


Público leitor

            O Liberalismo deu lugar à ascensão da burguesia e alargou o público leitor.
            O Romantismo é a expressão literária e plástica da ascensão da burguesia.
            O Romantismo democratiza a literatura, pois esta deixa de ser um privilégio de reis ou fidalgos e de se circunscrever a círculos fechados de eruditos, chegando ao POVO, embora este continue esmagadoramente analfabeto, e sobretudo à burguesia, a classe que lê e à qual o Romantismo se dirige. Por outro lado, é curioso notar que a literatura romântica, especialmente a ultrarromântica, invadiu as famílias burguesas, ficando profundamente ligada ao mundanismo, à vida cívica: escreviam-se versos em álbuns, acompanhavam-se poemas a canto e piano nos salões, havia recitais poéticos em festas de beneficência e patrióticas, promoviam-se saraus literários.
            Acresce ainda o facto de a obra literária não ser já um mundo fechado de valores para eleitos; é uma comunicação franca de ideias práticas e vitais a todo o leitor. Envereda até, uma vez ou outra, pelos caminhos da denúncia social e do empenhamento político

Romantismo na Europa

            Teve origem na Escócia e na Inglaterra, países pouco permeáveis ao Classicismo, devido às suas arraigadas tradições.
            Na Alemanha, o individualismo, exacerbado na luta contra a hegemonia napoleónica, favoreceu o clima romântico.
            Em França, foi tardio porque o Classicismo estava muito implantado; os filósofos da Enciclopédia e sobretudo Rousseau, criador de uma literatura confessional, prepararam o terreno. Foram as influências vindas da Alemanha que aceleraram a sua implementação.
            Em Portugal, o Romantismo está ligado às guerras liberais; os primeiros grandes mestres – Garrett e Herculano – foram soldados liberais.

Génio criador

            O Romantismo privilegia a emoção, o sentimento em detrimento da razão e do espírito ordenador dos clássicos; isto é, vai sobrepor-se o culto do «eu» e dos direitos do coração às imposições orientadoras da inteligência (reacção contra o racionalismo clássico).




ESTÉTICA ROMÂNTICA


CONTEÚDO / TEMAS

O individualismo / o egotismo

            O homem romântico, contra a estética neoclássica, contra a imitação dos modelos, defende a independência, a afirmação do indivíduo em si mesmo, o culto da personalidade, do “eu”. O “eu” é o pólo centralizador e o valor máximo. O mundo exterior serve para que o “eu” projete nele os seus sentimentos ou de pretexto para a evasão para mundos imaginários. É a apologia da imaginação e do devaneio poético sem limites.

A aspiração ao infinito

            O escritor romântico afirma a sua rebeldia e insatisfação. Ele tende para o infinito, aspira a romper os limites que o constringem, numa busca incessante do absoluto, mas este permanece sempre como um alvo inatingível. Procura quebrar os seus limites; limitado como é, nunca conseguirá os seus intentos, considerando-se vítima e perseguido do e pelo destino.

A sacralização do amor

            O amor, sentimento absolutizado, exagerado, coloca o amante em permanente insatisfação e contradição, porque nada no mundo pode preencher os seus desejos incontroláveis. A mulher ou é um ser angelical bom (anjo) ou um ser angelical mau (diabo), exercendo uma atração irresistível sobre o homem. Idealizada, é fonte de contradições e conflitos, nunca permitindo harmonia entre os amantes.

A ânsia de liberdade

            Do acentuado individualismo brota naturalmente o desejo de quebrar todas as cadeias que coarctam a liberdade do “eu”, quer sejam políticas, morais ou sentimentais. Por isso, o escritor gritará contra os tiranos, sejam reis ou imperadores, aproximará a literatura do povo, a quem considera a essência da Nação, interessa-se pelos temas populares como manifestação espontânea da alma popular. O romântico deixar-se-á conduzir pelo instinto, pela paixão, pelo sentimento, pelo idealismo religioso, procurando pela natureza a visão da perfeição absoluta, da verdade absoluta e de Deus. A liberdade é um valor absoluto: “Abaixo a razão! Viva a Liberdade!” é o grito que se repete.
            O herói romântico comporta-se como um rebelde, altivo e desdenhoso, desafia a sociedade e o próprio Deus. Prometeu, o deus rebelde, é, assim, a figura mítica exaltada como símbolo e paradigma da condição do homem.
            A aventura do “eu” romântico apresenta uma feição de declarado titanismo, configurando-se o herói romântico como um herói rebelde que se ergue, altivo e desdenhoso, contra as leis e os limites que o oprimem, que desafia a sociedade e o próprio Deus. Prometeu é a figura mítica que os românticos frequentemente exaltam como símbolo e paradigma da condição titânica do homem, pois que, tal como Prometeu, é o homem um ser em parte divino, «um turvo rio nascido de uma fonte pura», cujo destino é urdido de miséria, solidão e rebeldia, mas que triunfa deste destino pela revolta e transformando em vitória a própria morte.

O “mal du siècle”

            Da impossibilidade de alcançar o absoluto a que o romântico aspira, nascem o pessimismo, a melancolia, o cansaço, o desespero, a volúpia do sentimento, a busca da solidão. O mal du siècle, a indefinível doença que alanceia os românticos, que lhes enlanguesce a vontade, entedia a vida e faz desejar a morte, exprime o cansaço e a frustração resultantes da impossibilidade de realizar o absoluto, das paixões sem objeto, consumidas num coração solitário, roído pela angústia de viver.

A fantasia

            A fantasia desempenha um papel desmesurado para o romântico: o sonho e a evasão são constantes, resultando da insatisfação do presente.

A angústia metafísica

            A vida é, para o romântico, um problema constante; o seu egotismo fê-lo perder a confiança nas suas potencialidades. A sociedade não o compreende e daí ele voltar-se para o infinito e, como não o alcança, vive num permanente estado de angústia.

O sentimento religioso – panteísta

            A aspiração dos românticos por um ideal encontra, por vezes, eco na tendência religiosa: Deus responde ao enigma da vida, à paz e esperança. A sua religiosidade é sobretudo de natureza sentimental e intuitiva; o seu diálogo com a divindade tende a dispensar a mediação do sacerdote e o formalismo dos ritos, desenrolando-se na intimidade da consciência.
            Os românticos afirmam também sentir Deus na natureza; a sua sensibilidade leva-os a amar o Cristianismo dulcificante, salvador, em detrimento de uma mitologia cruel e distante. De facto, na senda da Profession de foi du vicaire savoyard, de Jean-Jacques Rousseau, os românticos descobriram e cultuaram Deus nos astros e nas águas do mar, nas montanhas e nos prados, no vento, nas árvores e nos animais. Por isso, o panteísmo representa a forma de religiosidade mais frequente entre os românticos.
            Renasce, por outro lado, o mito de Satanás (satanismo), co-símbolo do mal e da desgraça.

A Natureza

            Os clássicos tinham idealizado a natureza como o locus amoenus, cenário cristalino e primaveril, bucólico, harmonioso, equilibrado e proporcionador de sensações agradáveis, bucolicamente matizado de flores e de águas puras, paisagem doce e agradável, despertadora de sensações aprazíveis; era uma natureza simétrica, equilibrada, como simétricas e equilibradas eram as suas formas poéticas.
            Os românticos criam um outro modelo de natureza – o locus horrendus –, natureza em tumulto, de imagens sombrias, noturnas, capaz de provocar sensações violentas: é constituída por realidades como a sombra, a noite, as trevas, a lua, o cemitério, as ruínas, a tempestade, o vento agreste, o pôr do Sol, o abismo, o mocho, o sapo, realidades essas capazes de provocar violentas sensações em escritores dominados pelo sentimento. Entre a natureza e o “eu” estabelecem-se relações afectivas; as coisas, os objectos associam-se aos seus estados de alma. O escritor projecta sobre todas as coisas os seus estados emotivos, os seus sonhos e devaneios. A natureza é amiga e confidente e funciona como ser afetivo e animado.
            O locus horrendus provoca sentimentos exagerados, às vezes mórbidos, de acordo com o estado de espírito do “eu”, o desejo de evasão para outros mundos e até o desejo da morte.

O exotismo

            Desgostado com a realidade que o rodeia – encarnação do finito, do efémero e do imperfeito –, em conflito com a sociedade ou dilacerado pelos seus conflitos interiores, o romântico procura ansiosamente a evasão: no sonho e no fantástico, na dissipação, no espaço e no tempo.
            A evasão no espaço conduz ao exotismo e o romântico parte à procura de lugares exóticos, palco para a sua imaginação ilimitada; busca a evasão em países estrangeiros com as suas personagens, habitantes e costumes novos; por vezes, conduz ao gosto pelo bárbaro e primitivo.
            Entre os países europeus, a Itália e a Espanha, países de paisagens e costumes característicos, de contrastes violentos e de paixões arrebatadas, representam as grandes fontes europeias do exotismo romântico; fora da Europa, é o Oriente, com o seu mistério, o fascínio dos seus costumes, das suas tradições, o objecto do exotismo romântico.
            A evasão no tempo conduziu à reabilitação e à glorificação da Idade Média, época histórica particularmente denegrida pelo racionalismo iluminista.

Interesse pela Idade Média

            Abandonando os modelos greco-latinos e consequentemente a mitologia, os românticos apaixonaram-se pela Idade Média porque fora essa época o momento da afirmação das nacionalidades em que o povo ajudava os reis a criar as nações, porque fora o tempo cheio de peripécias e de prodigiosas aventuras. A evasão no tempo conduziu à reabilitação da Idade Média, denegrida pelo racionalismo iluminista. Os castelos antigos, os monges, os cavaleiros, os momos despertavam a imaginação exacerbada dos românticos. A Idade Média era um manancial inesgotável de lendas, poesia, canções de gesta, feitiçaria, tradições, folclore, etc.
            A evasão no tempo conduziu à reabilitação e glorificação da Idade Média, épica histórica particularmente denegrida pelo racionalismo iluminista. A Idade Média atraía a sensibilidade e a imaginação românticas pelo pitoresco dos seus usos e costumes, pelo mistério das suas lendas e tradições, pela beleza nostálgica dos seus castelos, pelo idealismo dos seus tipos humanos mais relevantes – o cavaleiro, o monge, o cruzado... –, mas solicitava também o espírito dos românticos por outras razões mais ponderosas.
            Ora, a Idade Média, época de gestação das nacionalidades europeias, aparecia como a primavera do «espírito do povo» característico de cada nação, como o período histórico em que tal espírito se revelara na sua pureza originária, sem ter sido ainda maculado por qualquer influência alheia (a Renascença, portadora de vastas influências greco-latinas, alheias ao espírito das nações medievais, será duramente criticada pelos românticos).

O nacionalismo e o popular

            A cultura francesa do século XVIII tinha unificado espiritualmente a Europa e Napoleão tentara a sua unificação política. Como reação a este desejo imperial, os escritores românticos procuram exaltar tudo o que é nacional e popular: o folclore, os costumes, as tradições, as figuras nacionais, a história pátria; a literatura popular e as grandes obras da literatura nacional. E creem que a alma dos nacionalismos europeus incarna no povo da Idade Média, daí o prestígio do popular e do folclórico. Foi por isso que a literatura romântica cedo adquiriu um caráter cívico e patriótico e enveredou gradualmente pelo historicismo, tratando com muito carinho figuras nacionais.

A emoção

            O romântico expressa espontaneamente as suas emoções: liberto de convenções, ele dá vazão ao que lhe vai na alma, transporta o seu estado de espírito para a Natureza e para a escrita.

A mulher

            A mulher, para o romântico, apresenta uma dupla faceta: pode surgir como mulher-anjo que veio do céu para purificar o coração do amante, enobrecer e animá-lo na sua missão poética, ou como mulher-demónio, que seduz e encandeia o homem, o perde e desgraça.

Herói romântico

. Aparece carregado de aleijões, indisciplinado, doente, irrequieto e egocentrista, sem grandes preocupações morais e pessimista.
. É um ser revoltado contra a sociedade, individualista e solitário.
. Surge rodeado de incertezas e carregado de insatisfação e angústia.
. É um D. Juan (D. Juanismo), um diletante que se apaixona por todas as mulheres, infligindo nas que por ele se apaixonam um destino terrível, espalhando à sua volta o sofrimento e a destruição.
. É um ser fragmentado interiormente.

A realidade humana total

            Se para o escritor clássico a beleza residia na imitação da natureza (no universal e não no particular), idealizando seres com todas as perfeições e sem quaisquer defeitos, o autor romântico, pelo contrário, semeia nas suas obras todos os tipos humanos. Deste modo, ao lado dos heróis, coloca os marginais, os fora da lei, os aleijões (físicos e morais): o ladrão, o assassino, o traidor, o perjuro, a prostituta, o corcunda, o cego, o adúltero, etc. Ocasionalmente, alia a elevação de sentimentos à hediondez física (como acontece, por exemplo, nas personagens o sineiro Quasimodo de Nossa Senhora de Paris, de Vítor Hugo, e o jardineiro Belchior de A Escrava Isaura, de Bernardo Guimarães).




FORMA

Independência criativa

            O génio romântico não pode estar sujeito a regras, como o génio clássico, pois ele voa no imaginário, nos seus sentimentos, nos seus instintos. Daí a abolição do rigor rítmico, rimático e estrófico, o verso livre e branco, a variedade estrófica.
            O Romantismo libertou a criação literária das coações advindas das regras, condenou a teoria neoclássica dos géneros literários, reagiu violentamente contra a conceção dos escritores gregos e latinos como autores paradigmáticos, fonte e medida de todos os valores artísticos.

Linguagem

            É acessível, mesmo coloquial e oralizante, nada convencional. O vocabulário é corrente e familiar. O poeta usa as reticências, a pontuação em abundância, o verso cortado, pois ele não atende a convenções, mas põe no papel os sentimentos que lhe brotam da alma sem correntes nem previsões. A frase é sensorial, musical, imitando a voz; os adjetivos são novos; o tom retórico e declamatório, com repetições, apóstrofes e exclamações.

Hibridismo de géneros

            Com os românticos aboliu-se a separação dos géneros; valorizam-se novas formas literárias e aliam-se o sublime e o grotesco.
            Muitas formas literárias características do Neoclassicismo, como a tragédia, as odes pindáricas e sáficas, a écloga, etc., entraram em decadência no período romântico, ao passo que se desenvolveram novas formas literárias como o drama romântico, o romance histórico, o romance psicológico e de costumes, a poesia intimista e a poesia filosófica, o poema em prosa, etc.



terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Os quatro pilares da aprendizagem, segundo S. Dehaene

25 de janeiro de 2020 , 9 tweets, 1 min de leitura
 
  Meus autores
Os quatro pilares da aprendizagem segundo S. Dehaene *

* Matemático e doutor em psicologia cognitiva. Especialista no estudo das principais operações intelectuais.
Fonte: Como aprendemos (2019). 
Segundo o autor, esses pilares têm validade universal. Não importa se somos bebés, crianças ou adultos: implantamo-los em qualquer idade e é essencial aprender a dominá-los. 
1. A atenção: conjunto de circuitos neuronais que selecionam, amplificam e propagam os sinais aos quais damos importância e multiplicam a sua representação na memória por cem ou mil. 
É aconselhável ajudar os alunos a concentrarem a sua atenção no que é importante, o que implica a eliminação cuidadosa de qualquer fonte de distração que os impeça de se afastar da tarefa principal e de se concentrar. 
2. Compromisso ativo: o aprendizado exige a geração ativa de hipóteses, com motivação e curiosidade. A aprendizagem ocorre se o aprendiz prestar atenção, pensar, antecipar e apresentar hipóteses com o risco de estar errado. 
Sem atenção, sem esforço, sem reflexão profunda, a lição desaparece sem deixar muito rasto. 
3. A detecção e correção de erros, com um bom feedback: todas as vezes que somos surpreendidos porque o mundo contradiz as nossas expectativas, os sinais de erro espalham-se pelo cérebro e são responsáveis ​​pela correção de modelos mentais, 
Elimine hipóteses inadequadas e estabilize as mais relevantes.

4. Consolidação: com o tempo, o cérebro compila o que foi adquirido e o transfere para a memória de longo prazo, a fim de libertar recursos para outras aprendizagens. 
Da mesma forma, a repetição desempenha um papel fundamental nessa consolidação e também no sono, que constitui um momento essencial durante o qual o cérebro repete e recodifica as aquisições do dia.
🔚 

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Correção do questionário das cenas 2 e 3 do Ato II de Romeu e Julieta

1of 5
What is Friar Lawrence worried about when he first sees Romeo

2of 5
How does Friar Lawrence regard Romeo's love for Juliet

3of 5
Who challenges Romeo to a duel

4of 5
How does Mercutio describe Tybalt

5of 5
How will Juliet sneak away to Friar Lawrence's cell

Correção do questionário do Prólogo e da cena 1 do Ato II de Romeu e Julieta

1of 5
Why doesn't Romeo leave with Mercutio and Benvolio

2of 5
Where are Romeo and Juliet when they meet for the second time

3of 5
What does Juliet say she would do if she knew Romeo loved her

4of 5
Why isn't Romeo afraid to be discovered talking to Juliet

5of 5
What is Juliet worried about with regard to Romeo

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