Português: 19/10/20

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Étimo e etimologia

  Etimologia: é o estudo da origem e evolução das palavras.
 
 
Étimo: o étimo é a palavra que é considerada como origem de outra.
Exemplo: “librum” é o vocábulo do latim que está na origem do termo português “livro”. Ou seja, “librum” é o étimo de “livro”.
 
No caso da língua portuguesa, na sua maior parte, as palavras têm origem no latim. Por isso, dizemos que a maioria das palavras da língua portuguesa têm étimos latinos.
 
Além do latim, muitas outras línguas contribuíram para o léxico do português. Assim, encontramos na língua portuguesa palavras cujos étimos são:
árabes: al-khass > alface; xarab > xarope;
castelhanos: guerrilla > guerrilha; moreno > moreno;
italianos: sbozzo > esboço; piano > piano;
ingleses: football > futebol; sandwich > sanduíche;
germânicos: werra > guerra; lôfa > luva;
 franceses: blouse > blusa; bidet > bide.
 
Há étimos que originaram diretamente uma nova palavra numa outra língua ‑ exemplo: al-gazâra (árabe) > algazarra.
 
Por outro lado, há palavras que entram indiretamente numa outra língua: a transmissão é indireta quando se concretiza através de uma língua intermediária. Por exemplo, várias palavras gregas chegaram ao português através do latim. É o que acontece com o seguinte vocábulo: kúklos (grego) > cyclus (latim) > ciclo (português).
 
Quanto ao significado, existem palavras que mantêm na língua de chegada um sentido idêntico ou muito próximo do seu étimo ‑ exemplo: leone- > leão (mesmo significado).
 
Por outro lado, há palavras cujo sentido se altera quando passa de uma língua para outra. Por exemplo, o vocábulo parvulus, que significava «pequeno» ou «insignificante» em latim, passa a ser sinónimo de tonto, idiota, em português.
 

Palácio da Pena


 

Apreciação crítica

 Definição
 
         A crítica é um texto de caráter informativo e argumentativo, no qual o autor apresenta ao leitor um produto cultural (um filme, um livro, uma peça de teatro, uma exposição, uma pintura, um “artigo” televisivo, etc., com o objetivo de o analisar e avaliar. Assim, a sua função é informar com rigor e apreciar quer positiva quer negativamente.
 
 
Estrutura
 
         A estrutura de uma apreciação crítica é a seguinte:
 
Título: deve ser sugestivo e apelativo (o texto poderá possuir também um antetítulo e um subtítulo) ‑ anuncia a opinião sobre o produto cultural ou evento criticado.
 
Introdução ou Abertura: apresentação sucinta do objeto e da opinião do autor (tese).
 
Desenvolvimento:
» descrição sucinta do objeto;
» comentário crítico, com apreciações pessoais favoráveis ou desfavoráveis.
 
Conclusão: confirmação da tese defendida / apreciação final.
 
 
Marcas de género
- Descrição sucinta do objeto da apreciação crítica.
- Linguagem clara e objetiva.
- Linguagem valorativa, elogiosa ou depreciativa (adjetivação expressiva).
- Recursos expressivos: metáfora, comparação, hipérbole, ironia, etc.
- Uso da terceira pessoa.
 

Exemplo de texto de apreciação crítica: "A agonia dos «blockbusters»

Afinal de contas, é bem verdade que a história dos "blockbusters" está recheada de maravilhas. Começando logo por "Tubarão" (1975), precisamente o título que, em termos industriais e comerciais, inaugurou o tipo de exploração comercial (cada vez mais salas, rentabilização cada vez mais acelerada) que os caracteriza. E, sem qualquer preocupação exaustiva, poderíamos citar "Regresso ao Futuro" (1985), "O Rei Leão" (1994), "O Sexto Sentido" (1999)... São todos "blockbusters" e todos são excelentes espetáculos.

Resta saber se o "género" não está a fabricar a sua própria agonia, de tal modo se vai ficando com a sensação de que a maioria destes filmes passaram a resultar mais de uma gestão "tecnológica" do que propriamente de um desejo de construir personagens e encenar aventuras. "Homem de Ferro 3", dirigido por Shane Black, de novo com Robert Downey Jr. no papel principal, aí está como penosa ilustração disso mesmo.

Ben Kingsley, compondo a personagem de um terrorista condenado à sua própria caricatura, será a única variação que nos pode levar a pensar que talvez pudesse existir aqui, ao menos, algum sentido de autoironia. Mas não. A proliferação gratuita de cenas ditas de ação, incluindo o "obrigatório" duelo final, vai-se reduzindo a uma acumulação de proezas mais ou menos digitais que, estranhamente, já nem conseguem rentabilizar o valor dramático do espaço.

Do ponto de vista da gestão industrial, estamos perante mais um exemplo de ocupação da produção pelos grandes conglomerados da banda desenhada (Marvel, neste caso). Não vem mal ao mundo por causa dessa aliança económica. Resta saber se nela, e através dela, ainda se procura alguma coisa que tenha a ver com o cinema. E com o gosto tão primitivo (mas tão essencial) de contar histórias.

 Fonte: RTP on-line


Análise do texto

Título:
▪ expressivo e apelativo;
▪ antecipa a tese do autor do texto o fim (previsível) dos “blockbusters”.
 
Abertura:
identificação sumária do objeto de crítica: terceiro capítulo da saga “Homem de Ferro”;
tese do autor: os realizadores atuais preferem mostrar efeitos especiais em vez de contar histórias.
 
Desenvolvimento:
 
Argumento favorável aos “blockbusters”: alguns são “excelentes espetáculos” (2.º      par.);
- Exemplos: filmes “Tubarão”, “Regresso ao Futuro”, “O Rei Leão”, “O Sexto Sentido”.
 
- Argumentos que sustentam a tese e exemplos (3.º par.):
1.º) os filmes valorizam a exibição de tecnologia, desvalorizando a ação credível e a construção de personagens coesas;
Exemplo: filme “Homem de Ferro 3”;
 
2.º) a ação do filme consiste numa acumulação de cenas “ditas de ação” (ex.: o obrigatório duelo final), que consistem numa mostra de habilidades digitais, não explorando categorias como o espaço (4.º par.);
Exemplo: filme “Homem de Ferro 3”.
 
Conclusão (5.º parágrafo): reforço da tese inicial este tipo de realização cinematográfica nega o cinema enquanto arte de narrar histórias ‑ interrogação.
 
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