domingo, 4 de fevereiro de 2018

Provérbio "Mais quero asno que me leve que cavalo que me derrube"


a) “Mais quero asno” ¾® Pêro Marques, marido estúpido e ingénuo;

b) que me leve” ¾® que leve Inês a cavalo, ou seja, que lhe faça todas as vontades;

c) “que cavalo” ¾® Escudeiro, marido “avisado” e “discreto”;

d) “que me derrube” ¾® que a derrube, ou seja, que lhe faça a “vida negra”, lhe tire a liberdade e a ameace e maltrate.



            Sobre este tema, transcrevemos o programa “Lugares Comuns”, da autoria de Mafalda Lopes da Costa, Antena 1, de 24 de janeiro de 2012:

            Passar de cavalo para burro corresponde a ficar em pior situação, descer de categoria ou posto, passar de um cargo importante para outro que lhe é inferior, descer de posição social, em suma, ser rebaixado, ficar pior.
            Segundo o filólogo brasileiro Aurélio Buarque de Holanda, a expressão nasceu por analogia com uma antiga prática de sanção militar. Antigamente, no exército a cavalo, o sargento que perdia as divisas, por exemplo, por má conduta, e passava par acabo ou soldado raso perdia também o cavalo e era-lhe dado a montar uma mula ou mesmo um burro.


Tema da 'Farsa de Inês Pereira'

Esta farsa é o desenvolvimento dramático do provérbio Mais quero asno que me leve que cavalo que me derrube. Gil Vicente desenvolveu este dito popular, que lhe foi apresentado por alguns fidalgos que desconfiavam da sua honestidade literária. O mote foi muito bem trabalhado, provando Gil Vicente, desta forma, que a calúnia não tinha razão de ser. Trata-se de uma história bem urdida, com princípio, meio e fim, à maneira do Auto da Índia ou do Velho da Horta.

'Os Lusíadas' em português atual (acompanhados de notas)

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