quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Meio século


     50 anos é muito tempo! À escala do Universo, é um nada, mas para cada um de nós é um tempo apreciável.
     Neste meio século, o primeiro e último, milhões de coisas sucederam, sonhos se construíram, alguns foram concretizados, outros nem de perto. É assim, certo?
     A partir de certa altura, começa a interiorizar-se mais a noção do tanto que falta concretizar e da cada vez maior escassez de tempo. Como o inestimável amigo Miguel hoje dizia, a partir da nossa idade já começamos a descontar o tempo (20, 19, 18...) em vez de o adicionar.
     Muita gente que passou pela nossa vida já desapareceu, alguns mantêm-se, outros vão surgindo, porque, de tudo o que se vive, o mais importante são as poucas pessoas que entraram na nossa vida e a marcaram para o sempre, seja este o que for. Das presenças, ainda permanecem aquela que nos deu o ser e meia dúzia de familiares. Dos que foram chegando, a pessoa com quem se decidiu partilhar a nossa existência e as duas flores que daí resultaram. Dos que foram partindo - e são tantos já! -, a tua ausência é a única que é impossível «reparar, restaurar».
     Passaram 50, venham os próximos... os que forem.

Tempo e espaço em Admirável Mundo Novo

            Admirável Mundo Novo decorre no ano de 2450 dC, uma data em que a Terra está unida politicamente como o "Estado Mundial". Os controladores que o governam maximizam a felicidade humana usando tecnologia avançada para moldar e controlar a sociedade. As pessoas crescem em garrafas e sofrem uma lavagem cerebral durante o sono na infância. Como resultado, os cidadãos do Estado Mundial são física e psicologicamente condicionados a serem felizes com o seu lugar na sociedade e com o trabalho para que são designados. Todo o cidadão pertence a uma “casta”, variando de Alfas altamente inteligentes e fisicamente fortes a “semi-idiotas” da Épsilon. As pessoas de castas inferiores são produzidas em lotes de mais de cem gémeos idênticos e vivem a vida inteira ao lado de seus duplicados. Todos os cidadãos têm acesso instantâneo a prazeres de todos os tipos. Eles são condicionados e socialmente incentivados a serem sexualmente promíscuos. “Música sintética” e “filmes sensoriais” – filmes com sensações físicas, além de imagens e sons – proporcionam experiências sensoriais imersivas. Sempre que os cidadãos experimentam um sentimento desagradável, são encorajados a tomar soma, uma droga que um escape à emoção negativa.
            A maioria dos eventos do romance ocorre na Inglaterra. Huxley usa marcos familiares ingleses para ajudar os seus leitores a descodificar o futuro que ele imaginou. A Estação Charing Cross, em Londres, tornou-se a "Charing T Tower", porque as cruzes cristãs foram substituídas pelo "T" do carro Modelo T da Ford, enquanto as estações de comboio foram substituídas por torres que lançam foguetes intercontinentais. A outra localização principal do romance é a "Reserva Selvagem" no Novo México. É uma área em que as tecnologias do Estado Mundial não foram introduzidas. Os "selvagens" ainda dão à luz, acreditam em deuses e suportam a dor física e o sofrimento emocional. O povo e os costumes da Reserva Selvagem são modelados vagamente nas tradições dos nativos americanos de Zuñi. O cenário da Reserva permite que o romance compare todas as sociedades históricas – da era neolítica à de Huxley – com a sociedade do Estado Mundial.
            O cenário do Estado Mundial é central para a exploração dos temas de Admirável Mundo Novo. Como a prioridade dos Controladores Mundiais é a felicidade dos seus cidadãos, ninguém no Estado Mundial tem a oportunidade de aprender com o sofrimento ou experimentar a solidão. Arte e religião não existem. O cenário altamente controlado do Estado Mundial estabelece a questão central do romance: qual é o preço da felicidade e valerá a pena pagá-lo? Ao oferecer-nos uma visão do futuro do nosso próprio mundo, Admirável Mundo Novo é capaz de questionar e satirizar os valores da sociedade contemporânea. Por exemplo, o "Processo de Bokanovsky", que duplica os seres humanos, satiriza a produção em massa, levando-a à sua conclusão extrema. Ao mostrar que no Estado Mundial a religião e a arte não têm sentido, o romance põe em dúvida o valor de ambas na nossa própria época.

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