terça-feira, 12 de agosto de 2014

Alunos pagavam para ter notas máximas

     A notícia pode ser lida aqui: CM.

     Isto faz de todas as instituições de ensino privadas um acumulado de trampa? Obviamente, não. Porém, depois de várias notícias e reportagens sobre o que se passa em várias delas, pertencentes a grupos empresariais sistematicamente ligados ao Poder, é para desconfiar de que a podridão poderá não ser pontual, como os defensores da privatização da Educação clamam.

     Aliás, tudo isto é sabido há muito tempo. «Eu» sou a prova provada: se, por um lado, já vivi uma situação de fraude, que combati como pude (perante a indiferença de uma maioria de «colegas») e pela qual paguei um preço no interior da escola, por outro, já tive alunos que, chegados ao 11.º ano e confrontados com resultados escolares que não eram os pretendidos e que não lhes permitiriam aceder ao curso superior pretendido, decidiram matricular-se em colégios particulares... neste caso, no Porto. O que sucedeu? A sua avaliação interna disparou. Porém, no momento da avaliação externa, mostraram o que tinham mostrado no ensino público.

     Passemos para Lisboa, como poderia ser para Braga... Num certo colégio, onde lecionava uma amiga de uma amiga, era prática, nos exames mais complexos (leia-se Matemática A, por exemplo) o(s) professor(es) coadjuvante(s) acederem às salas onde se realizavam as provas para «ajudarem» os alunos.

     Como em qualquer serviço, se o cliente paga - e paga muito! - deseja ser bem servido. 

"Temos maus professores" - crónica de Alexandre Homem Cristo

     Alexandre Homem Cristo, assessor do CDS e investigador (salvo erro), publicou uma crónica no Observador.
     A peça de sapiência tem muito que se lhe diga, como se poderá constatar a partir das pérolas seguintes:
  • «Portugal tem maus professores. E não é por acaso: é fácil tornar-se professor.»;
  • «... quem hoje vai para professor não são os bons alunos.»;
  • «quem hoje frequenta os cursos da área da educação são, em média, os que têm níveis socioeconómicos mais baixos e que, por isso, obtêm mais bolsas de acção social.»;
  • «Assim, em termos gerais, quem quer ser professor são os piores alunos, os mais pobres e os menos cultos.»;
  • «Ora, afinal, o que mostram os resultados? Que 14% reprovou. Que 63% cometeu erros ortográficos (15% fez 5 ou mais erros).».

     Vamos lá por partes...

1. «Temos maus professores» é o título, mas o cronista concentra a sua atenção num conjunto de candidatos a professores, isto é, que não exercem na sua maioria. Assim sendo, há desde logo aqui um problema de coerência textual.

2. Clama o articulista contra os erros ortográficos dados pelos desempregados que realizaram a Prova Pacóvia. Bom, «14% reprovou»? «63% cometeu erros»? Alexandre, o amigo também não dá para professor, pois comete erros - neste caso de concordância - básicos. Ups! É investigador! Diacho!

3. Afirma, do alto da sua torre, que os alunos que pretendem ser professores são pobres e que isso é uma das justificações principais para a sua impreparação genérica e para os erros ortográficos que deram na Prova Pacóvia. Seguindo esta linha de raciocínio, gente pobre não deve ser professora... e, por extensão, médica, engenheira... papa... Nasceu pobre e desfavorecida, deve morrer pobre e desfavorecida.

4. Além disso... caguei para esta gente. Farto!

Limpinho, limpinho...


     Com o triunfo, ontem, frente ao Rio Ave e a correspondente conquista da Supertaça, o Benfica arrecadou os quatro troféus respeitantes à época de 2014.
     Aproveitemos esta hegemonia, pois que - palpita-me - não será duradoura.
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