quinta-feira, 8 de março de 2012

Pedro da Maia

     Incluída na longa analepse que se inicia no capítulo I, a história exemplar de Pedro da Maia norteia-se pelos princípios naturalistas, segundo os quais a personalidade do indivíduo dependia da conjugação de três fatores: a hereditariedade, a educação e o meio.

1. Educação


2. Hereditariedade



3. Meio
  • O Romantismo (Ultrarromantismo) hiper-sentimental e lamechas: «romantismo torpe»;
  • o vaguear pelos lupanares e botequins;
  • a vida de boémia, «dissipada e turbulenta», de «estroinice banal»: os distúrbios no Marrare, as «façanhas nas esperas de toiros, de cavalos esfalfados", as pateadas em São carlos;
  • as devoções (as leituras devotas);
  • a família (a mãe).

     Numa perspetiva determinista, o comportamento do Homem não é espontâneo, mas influenciado por determinados fatores: a hereditariedade, o meio e a educação.
     Pedro cresce pequeno, nervoso e indiferente a quaisquer interesses, apesar da sua inteligência viva, com grande paixão pela mãe, cuja morte provoca nele longos dias de prostração e apatia, seguidos de outros de dissipação e estúrdia para afogar o seu sofrimento, a sua dor, e novamente de uma fase de abatimento e devoção religiosa. Tornar-se-á num bom representante dessa exaltação sentimental que, posteriormente, o fará fracassar no suicídio, de toda uma geração romântica, orientando-se pelos valores indiviodualistas, desligada dos problemas sociais. Dessa fase será libertado pela paixão por Maria Monforte.

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4. Comportamentos
  • A promessa, feita após a morte da mãe, de dormir durante um ano sobre as lajes do pátio;
  • as visitas diárias ao túmulo da mãe, carregado de luto pesado;
  • os distúrbios, a boémia e a estroinice;
  • as leituras devotas;
  • a mudança frequente de comportamentos e atitudes.


5. A paixão por Maria Monforte

     5.1. A paixão romântica
           
  • paixão súbita / à primeira vista => paixão fatal;
  • namoro "à antiga";
  • escrita diária de duas cartas febris de seis folhas de papel a Maria;
  • oferta de ramos das mais belas camélias dos jardins de Benfica;
  • as ausências ao jantar em Benfica;
  • as crises de abatimento.

     5.2. A oposição de Afonso
  • ao conhecer os pormenores hediondos relativos à família de Maria Monforte, Afonso opõe-se ao relacionamento amoroso;
  • recusa ao filho a autorização para se casar com ela (o que não impede o casamento);
  • o talher de Pedro é retirado da mesa;
  • Vilaça nota em Afonso, que nele se apoia pesadamente, a primeira tremura do velho;
  • a referência a Pedro é riscada da conversação.

     5.3. Os presságios
  • a parecença de Pedro com um avô da mãe, que enlouquecera e se enforcara: aponta para o suicídio de Pedro;
  • a paixão por Maria é descrita como "um amor à Romeu, vindo de repente numa troca de olhares fatal...":
  • a oposição paterna (de Afonso da Maia);
  • a presença do fatalismo;
  • os indícios de tragédia (a morte dos amantes na peça de Shakespeare encontra, n' Os Maias, equivalência na morte de Pedro;
  • o vestido cor-de-rosa: a cor simboliza a vida romântico em que Pedro se enleou;
  • a cor dos olhos de Maria ("azul sombrio"): sugere a existência de sombras, ou seja, complicações, naquela relação amorosa;
  • a ramagem de um verde triste: constitui o prenúncio da tristeza que ensombrará a relação;
  • a sombrinha que envolve totalmente Pedro da Maia parecia a Afonso "... uma larga mancha de sangue...":
  • o suicídio de Pedro;
  • o incesto de Carlos e Maria Eduarda (a relação amorosa entre dois irmãos de sangue), 
  • o ramo que se esfolha num vaso do Japão sugere a morte de Pedro.

     Em jeito de conclusão, assinale-se o estado de espírito de Pedro nos momentos que antecedem o seu suicídio e que vem comprovar estarmos na presença de uma personagem que é «um fraco em tudo». Com efeito, ele surge em casa do pai num estado de absoluto desespero e descomposto: enlameado, desalinhado, com a face lívida, os cabelos revoltos um olhar de loucura.Com o rosto devastado, envelhecido, chora perdidamente, lançando-se nos braços do pai.
     Num primeiro momento, ainda pensa perseguir Maria e Tancredo, mas desiste rapidamente dessa intenção, revelando, desde já, a sua incapacidade para reagir frontalmente às situações adversas. Ao longo da noite que antecede a morte, Pedro revela grande agitação e falta de autodomínio, sobretudo por não saber o que fazer e por se ver naquela situação. Por momentos, revela toda a sua fúria contra o «amigo» Tancredo, que fugiu com a esposa, e contra esta, que o atraiçoou fugindo e deixando-o numa situação miserável. Antes do momento fatal, escreve uma carta final ao pai.

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