segunda-feira, 20 de junho de 2011

Exame Nacional 2011 - 1.ª fase - Proposta de correcção

Grupo I

Texto A

1. Sensações do sujeito poético:
  • Sensação visual: "Moram ali pessoas que desconheço, que já vi mas não vi." (v. 3);
  • Sensação auditiva: "As vozes, que sobem do interior do doméstico..." (v.8).

2. Infância é sinónimo de:
  • inocência, felicidade e alegria ("As crianças, que brincam..." - v. 5);
  • beleza e fragilidade (os vasos de flores);
  • protecção ("... que brincam às sacadas altas..." - v. 5);
  • a (aparente) eternidade da alegria e felicidade simbolizadas pela infância, reveladora da inconsciência que as crianças têm da passagem do tempo.

3. Relação entre o sujeito poético e os outros:
  • é uma relação de oposição: o sujeito é infeliz e vive desajustado; os outros são felizes e vivem ajustados ao que os rodeia;
  • por outro lado, o sujeito é diferente dos outros, de quem vive afastado e que desconhece ("pessoas que desconheço, / que já vi mas não vi.").

4. Na última estrofe, o sujeito revela o seu vazio e a sua dor ("Um nada que dói..." - v. 26) e esse estado de espírito resulta da reflexões que fez nas estrofes anteriores.
          Assim, nelas ele questiona-se acerca do sentir dos «outros», concluindo que, no fundo, não há «outros», mas «nós», isto é, só é possível sentir individualmente. Por outro lado, é extremamente difícil ou impossível ter acesso ao sentir do(s) outro(s), dado que há um fechamento, uma falta de comunicação dos seres humanos entre si, que tem a ver com a individualidade de cada ser humano.


Texto B

. Introdução:
  • Reis, heterónimo de Pessoa, de formação clássica, cultor de um epicurismo triste;
  • Desenvolve o tema da da brevidade, fugacidade e transitoriedade da vida / do tempo.

. Desenvolvimento:
  • A passagem do tempo é inexorável, a vida é breve e a morte uma certeza (imagem do rio que passa, do mar, os símbolos clássicos - a barca, Caronte, o óbolo, etc.) # contraste com a Natureza, que se renova periodicamente;
  • A impossibilidade de o Homem lutar contra esses factos;
  • Implicações: sofrimento, dor, angústia...;
  • Objectivo: evitar o sofrimento;
  • Adopção de uma filosofia de vida / princípios de vida:
                    - aceitação dessas realidades;
                     - ideal do carpe diem: aproveitar o momento, porque a vida é breve;
                    - viver com moderação, auto-domínio, sem apego às coisas;
                    - comedimento das paixões, das ambições, evitando assim a dor da morte;
                    - busca do prazer relativo e da ataraxia;
                    - ...

. Conclusão:
  • Reis procura evitar o sofrimento e a dor motivadas pela efemeridade da vida / passagem do tempo;
  • Reis constrói uma filosofia de vida orientada nesse sentido.
          » Referência, por exemplo, a poemas como "Vem sentar-te comigo, Lídia...".



Grupo II

     Versão 1                                                                          Versão 2

1.1. D                                                                              1.1. B

1.2. B                                                                               1.2. A

1.3. C                                                                               1.3. B

1.4. D                                                                               1.4. C

1.5. C                                                                                1.5. B

1.6. A                                                                                1.6. D

1.7. A                                                                                1.7. B

2.1. O antecedente dos pronomes possessivos é o grupo nominal "As terras".

2.2. A expressão destacada desempenha a função de sujeito.

2.3. A oração referida é uma oração subordinada adverbial consecutiva.



Grupo III

. Introdução:
  • A importância genérica da literatura / da leitura para o ser humano;
  • Relacionamento com o texto introdutório.

. Desenvolvimento:

          - Argumento 1: a literatura desperta o sonho, a criatividade, a imaginação, dá asas ao
                                  Homem para este voar; é uma forma de evasão;

                    - Exemplos:
                              a) a identificação com uma situação, uma personagem...;
                              b) a construção de uma imagem mental das personagens, dos espaços,
                                   dos cenários, das acções...

          - Argumento 2: a literatura é sinónimo de conhecimento, cultura, consciência, espírito
                                    crítico, liberdade...

                    - Exemplos:
                              a) a leitura protege o ser humano da ignorância, estupidez, tirania... - con-
                                   frontar a sociedade portuguesa anterior ao Salazarismo e a actual, mais
                                   escolarizada, mais «lente»;
                              b) os alunos que lêem regularmente, por norma exprimem-se melhor, pen-
                                   sam de forma estruturada e crítica, em comparação com aqueles que
                                   não lêem, que apresentam maiores dificuldades em se expressarem.

          - Argumento 3: a literatura possibilita o estreitamento das relações familiares, a partilha
                                    e a afectividade; nela estão retratados os sentimentos humanos e as
                                    formas de relação do Homem com o que vê, sente...

                    - Exemplos:
                              a) a leitura em família (os pais que lêem para os filhos em idade pré-esco-
                                   lar; os pais e filhos que lêem em conjunto / partilham a leitura...);
                              b) os clubes de leitura...

          - Argumento 4: a literatura é a transfiguração da realidade, possibilitando assim a fuga
                                    à rotina e à monotonia do quotidiano;

                    - Exemplo: a fruição da leitura; a literatura / leitura enquanto prazer, ocupação de
                                       tempos livres - função semelhante à desempenhada por outras formas
                                       de arte (a música, o cinema, o teatro...).

É HOJE!


Pelo final da tarde, aqui será colocada uma proposta de correcção do exame.
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