quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

'Os Lusíadas': X, 144-156

         Na estância 144, narra-se o regresso dos marinheiros portugueses à sua pátria - concretamente a Lisboa (“Até que houveram vista do terreno / Em que naceram…”) ‑, numa viagem que decorreu tranquilamente, pois o tempo estava ameno (“Com vento sempre manso e nunca irado…” ‑ v. 2) e o mar calmo (“… cortando o mar sereno…” ‑ v. 1). Entre os versos 5 e 8, o poeta alude ao prémio e à glória que os marinheiros, com os seus feitos, alcançaram e que agora vêm entregar ao rei para seu engrandecimento e da Pátria (“E à sua pátria e Rei temido e amado / O prémio e glória dão (…) / E com títulos novos se ilustrou.” ‑ vv. 6-8).
         Nos primeiros quatro versos da estância 145, o poeta começa por se mostrar cansado, desiludido e incompreendido (“a Lira tenho / Destemperada e a voz enrouquecida” ‑ vv. 1-2), não pelo canto em si, mas por “Cantar a gente surda e endurecida” (v. 4) (isto é, gente que não escuta as suas palavras, não valoriza o seu canto, não reconhece o seu talento e mérito), visto que está corrompida pela “cobiça” e num estado de tristeza, desânimo e apatia (“… a pátria, não, que está metida / No gosto da cobiça e na rudeza / Duma austera, apagada e vil tristeza.” ‑ vv. 6 a 8), o que origina uma ausência de fervor patriótico e ânimo: “Não tem um ledo orgulho e geral gosto, / Que os ânimos levanta de contino / A ter pera trabalhos ledo o rosto.” (vv. 2 a 4 da estância 146).
         O poeta mostra-se cansado e desiludido («Nô mais, Musa, nô mais, que a Lira tenho / Destemperada e a voz enrouquecida...» ‑ est. 145, vv. 9-10) por o seu canto não ser escutado pela «gente surda e endurecida», que não reconhece o seu talento e o mérito, ocupada que está na satisfação da «cobiça».
         Por outro lado, o poeta mostra-se orgulhoso dos «vassalos excelentes», pois representam a glória, a coragem e o espírito patriótico, dispondo-se a enfrentar os maiores perigos e a desenvolver os maiores sacrifícios somente para engrandecerem o Rei e a Pátria («Olhai (...) / Quais rompentes liões e bravos touros...» ‑ est. 147, vv. 25-26; «Por vos servir, a tudo aparelhados / De vós tão longe, sempre obedientes...» ‑ est. 148, vv. 33-34).
         Além disso, ele mostra-se espantado pela ausência de orgulho pátrio e de ânimo nos seus contemporâneos, bem como pela cobiça e corrupção que os dominam («No gosto da cobiça e na rudeza / Duma austera, apagada e vil tristeza.» ‑ est. 145, vv. 15-16).
         Perante este panorama, o sujeito poeta interpela o rei e exorta-o a reconhecer o valor dos seus “vassalos excelentes”, os quais possuem as qualidades / virtudes necessárias à restauração da grandeza e orgulho da Pátria:
a. coragem e determinação inexcedíveis (“Quais rompentes liões e bravos touros…” ‑ est. 147, v. 26);
b. espírito de sacrifício e de missão, que os leva a enfrentar os mais diversos perigos e obstáculos (fomes, vigias, guerras, climas adversos, naufrágios, a própria morte, para engrandecerem o Rei e a Pátria (“Que vendecor vos façam, não vencido.” ‑ est. 148, v. 40;
c. mostram-se sempre prontos, obedientes e felizes por poderem servir o rei (estância 148).
         Os vassalos são apresentados como “vassalos excelentes” (est. 146, v. 8), “ledos” (est. 147, v. 1) e caracterizados pela coragem e pelo espírito de sacrifício e de abnegação (est. 147). Além disso, mostram-se “sempre obedientes” (est. 148, v. 2) e preparados para responder ao chamado e aos desejos do seu rei, que executam “contentes” (est. 148, v. 4) e orgulhosos. Por outro lado, encarnam o espírito de cruzada (est. 151, vv. 1-4), revelando toda a sua coragem e resistência (est. 151, vv. 5-8).
         É evidente, neste passo, o contraste que o poeta estabelece entre a situação presente da Pátria ‑ caracterizada pela cobiça, pela falta de ânimo e pela apatia ‑ com o passado, representado pelos heróis que ele canta / celebra, que se sacrificaram, enfrentando guerras e os perigos vários enumerados na estância 147, incluindo a própria morte, para engrandecer o rei e a Pátria.

         Entre as estâncias 149 e 152, o poeta faz uma série de recomendações ao rei D. Sebastião:
a. recompensá-los, favorece-los e alegrá-los com a sua presença e trato alegre e humano;
b. aliviá-los de leis rigorosas, cruéis / injustas;
c. promover os mais experientes;
d. apoiá-los todos, sem distinção, nos seus ofícios (= profissões), que exercem segundo as suas aptidões, seja qual for a área em que se distinguem;
e. estimar os que expandiram a fé cristã e o império (apelo ao espírito de cruzada) sem temer os inimigos nem regatear esforços;
f. velar para que ninguém possa dizer que os Portugueses constituam uma nação servil, em vez de senhorial;
g. receber conselhos apenas dos homens experientes (neste passo, Camões valoriza o conhecimento prático em detrimento do saber livresco ‑ apesar de os estudiosos possuírem muitos conhecimentos teóricos, os experientes sabem mais do concreto).
         Este conjunto de características configura o perfil de líder, tendo em conta também o pedido do poeta ao rei para que não permita que os estrangeiros 8alemães, franceses, italianos e ingleses) desvalorizem a capacidade de os portugueses gerirem o seu destino.
         Com estes conselhos, o poeta espera que o rei ‑ neste caso, D. Sebastião ‑ saiba incentivar os seus vassalos, que apenas esperam a sua liderança para agir. Ele anseia que o monarca exerça o poder com humanidade e a humildade de quem procura aconselhamento junto dos mais sábios e mais experientes. Espera ainda que o soberano saiba estimular e aproveitar as energias latentes para dar continuidade aos feitos do passado e dar matéria a novo canto. Isto significa que a obra termina com uma mensagem globalizante que abarca o passado, o presente e o futuro, isto é, a glória do passado deverá ser tomada como exemplo no presente para construir um futuro grandioso (in Plural 12, texto adaptado).
        
         A estância 153 abre com uma alusão a Formião, filósofo grego que discursou diante do general Aníbal sobre a arte de combater e que foi escarnecido por este. Essa referência funciona como exemplo para constatar que a arte da guerra se aprende na prática, isto é, «vendo, tratando e pelejando» (v. 8), e não teoricamente (“Sonhando, imaginando ou estudando” ‑ v. 7).
         Na estância 154, Camões traça o seu autorretrato:
a. “humilde baxo e rudo”;
b. possuidor de “honesto estudo”;
c. misturado com “longa experiência”;
d. possuidor de “engenho” / talento;
e. disposto a servir o rei em combate;
f. disponível para cantar o rei e os seus feitos.
         Ora, este autorretrato corresponde ao do homem ideal do Renascimento:
i. possuidor de um saber feito de estudo e experiência (conciliação do saber teórico e do saber prático);
ii. detentor de talento e inspiração artísticos;
iii. possuidor da lealdade, da coragem e do desapego do bom soldado, sempre disponível para servir o seu rei.
         Falta apenas ao poeta ser aceite pelo monarca, pois possui virtudes que devem ser reconhecidas. De seguida, mostra a sua disponibilidade para cantar os seus feitos futuros (“… e o vosso peito / Dina empresa tomar de ser cantada” ‑ est. 155, vv. 5-6).
         Na última estância, o poeta incentiva o rei a prosseguir a guerra de cruzada no Norte de África e oferece-se para a cantar, assegurando-lhe que será cantado e os seus feitos em todo o mundo e que será mais temido em Marrocos que tudo (observar a comparação hiperbólica dos versos 1 e 2 ‑ Atlante teria sido transformado em pedra pela visão da cabeça de Medusa, uma das três Górgonas, que transformava quem a contemplasse em pedra). O próprio Alexandre Magno rever-se-ia em D. Sebastião, sem invejar a glória de Aquiles, pois a do soberano português seria muito superior.
         A finalizar a análise destas últimas estâncias do poema, ficam aqui as palavras de António José Saraiva, no prefácio de uma das edições da obra:
      “Na Dedicatória, o poeta convida o moço rei a «ver» os feitos dos seus vassalos, isto é, do Gama e seus companheiros, como se estivessem a ocorrer diante dos olhos de ambos. Há nela também referências ao tema da Cruzada. Só depois se segue a ação. E, no final do poema, o autor volta a dirigir-se ao rei numa longa conclusão de 10 estrofes e meia, em que outra vez o exorta a «olhar» os seus vassalos, lhe dá vários conselhos e o incita à guerra de cruzada próxima, que o autor se oferece para cantar. Assim, a narração insere-se entre as duas falas ao rei. O poema poderia ser interpretado como um longo discurso feito a D. Sebastião, que é diretamente interpelado no começo e no fim.”

'Os Lusíadas': VIII, 96-99

         Vasco da Gama permanece nas naus e decide não desembarcar, visto que já não confia no ambicioso Catual, pois já o traíra, era muito ambicioso («cobiçoso»), corrupto («corrompido») e «pouco nobre». Por outro lado, Gama espera vir a descobrir a verdade com o tempo, daí também a sua decisão.
         Ora, esta referência ao sucedido a Vasco da Gama é o exemplo que serve de ponto de partida para a reflexão do poeta, que adverte, a partir do verso 5 da estância 96, para o efeito corruptor do dinheiro, que tanto sujeita os ricos como os pobres.
         Na estância 97, o poeta apresenta três casos através dos quais pretende provar a sua tese enunciada na estância anterior, isto é, que exemplificam o poder negativo dos bens materiais – dinheiro e ouro ‑, que levam à adoção de atitudes inesperadas.
         O primeiro exemplo refere-se ao rei da Trácia, que assassinou Polidoro, filho de Príamo, rei de Troia, com o único fito de lhe roubar o ouro. De facto, para o salvar, quando a cidade estava prestes a cair em poder dos Gregos, o rei enviou-o com ouro ao rei da Trácia que, todavia, se apoderou do ouro e o assassinou.
         O segundo caso refere-se a Dánae, filha de Acrísio, rei de Argos (Grécia), que foi encerrada numa torre para que não procriasse e, deste modo, fosse anulada uma profecia de um oráculo que anunciou a morte do soberano às mãos de um neto. Porém, Júpiter metamorfoseou-se em chuva de ouro, introduziu-se na torre e engravidou-a. Desse ato nasceu Perseu, que, concretizando a profecia, assassinou o avô.
         O último exemplo alude a Tarpeia, uma jovem romana que, na esperança de obter anéis de ouro dos Sabinos que sitiavam Roma, lhes abriu as portas da cidade. No entanto, os inimigos não a pouparam, esmagando-a sob as joias e os escudos, tendo assim ficado soterrada.
         Nas estâncias 98 e 99, o poeta prossegue a enumeração dos efeitos negativos do dinheiro:
a. corrompe o pobre e o rico (estância 96);
b. leva ao assassínio (exemplo do rei da Trácia);
c. conduz à traição (est. 98, v. 1): os soldados rendem-se quando as suas fortalezas ainda se encontram abastecidas;
d. conduz à traição e à falsidade entre os amigos;
e. transforma o mais nobre em vilão (est. 98, vv. 3 a 6): a ambição material pode levar nobres, capitães ou virgens a renderem-se ao seu poder, mesmo tendo consciência de que a sua honra ficará manchada;
f. corrompe as ciências, os juízes e as consciências, levando-as a agir contra os seus princípios morais e culturais (est. 98, vv. 7-8);
g. distorce / perverte a interpretação dos textos (est. 99, vv. 1-2);
h. manipula as leis e a justiça, que se aplicam arbitrariamente (est. 99, v. 2);
i. fomenta o perjúrio (est. 99, v. 3);
j. fomenta a tirania nos reis (est. 99, v. 4);
k. corrompe os membros do clero, ainda que sob uma capa de virtude.

         Em síntese, os vícios provocados pela ambição são os seguintes:
i. a traição (“Faz tredores e falsos os amigos”);
ii. a corrupção (“Este corrompe virginais purezas”);
iii. a arbitrariedade (“Este interpreta mais que subtilmente / Os textos…”);
iv. a mentira / o perjúrio (“Este causa os perjúrios entre a gente”);
v. a tirania (“E mil vezes [hipérbole] tiranos torna os Reis”).

         Relativamente à estrutura interna, é possível identificar dois momentos:
. 1.º momento (est. 96): apresentação da «tese» ‑ o poder corruptivo do dinheiro, a partir do sucedido com Vasco da Gama.
. 2.º momento (est. 97 a 99): os efeitos negativos da ambição pelo dinheiro / ouro.

'Os Lusíadas': VII, 78-87

         No início deste canto (estâncias 3 a 14), Camões elogia os portugueses, porém, no final, o seu tom é de crítica. Esta aparente contradição explica-se se tivermos em conta que os portugueses que o poeta elogia e apresenta como exemplo, são os heróis do passado, com Vasco da Gama à cabeça. No entanto, os portugueses criticados são os contemporâneos de Camões, que, aparentemente, esqueceram o heroísmo e a grandeza dos seus antepassados.

         Neste passo da obra, estamos no exato momento em que o Catual visita as naus portuguesas, sendo recebido por Paulo da Gama, enquanto seu irmão Vasco é recebido no palácio do Samorim. Ao ver as bandeiras com pinturas alusivas a feitos e heróis da História de Portugal, o chefe indiano mostra curiosidade em saber o que cada uma delas representa. Paulo da Gama prepara-se para satisfazer o desejo do Catual e narrar episódios da História de Portugal, no entanto Camões interrompe a narração e invoca as ninfas do Tejo e do Mondego para que o auxiliem nessa árdua tarefa.

         Na estância 78, o poeta autocaracteriza-se como «insano e temerário» (dupla adjetivação), aventureiro e receoso do «caminho tão árduo, longo e vário» (tripla adjetivação, exclamação e metáfora) por que se vai aventurar, isto é, narrar novos episódios da História de Portugal, agora pela voz de Paulo da Gama, ao Catual de Calecute, a pedido deste e a propósito dos símbolos das bandeiras. Assim, o poeta dirige-se às ninfas do Tejo e do Mondego (apóstrofe do verso 3, estância 78), solicitando-lhes inspiração para a tarefa. A leitura das restantes estâncias deste passo de Os Lusíadas sugere que, além do já exposto, o poeta se sente desalentado, por isso necessita de um reforço de inspiração.
         Nos últimos quatro versos desta estância, Camões faz uso de uma imagem para “justificar” a invocação («Vosso favor invoco» ‑ v. 5) dirigida às ninfas: a sua empresa / tarefa reveste-se de tal grandiosidade e é de tal monta que, se as ninfas não o auxiliarem, ele receia não conseguir levá-la a cabo, a de cantar os feitos gloriosos dos portugueses.
         Entre as estâncias 79 e 81, o poeta, numa reflexão de tom marcadamente autobiográfico (atestado pelo uso da primeira pessoa e pelo conteúdo biográfico), salienta que tem vindo sempre a cantar os feitos lusos e, em simultâneo, luta pela sua pátria e elenca as dificuldades, as misérias e os perigos que tem enfrentado / sofrido / corrido (vide esquema do poema), comparando-se, no final da estância 79, a Cânace, personagem mitológica que se suicidou e escreveu ao irmão Macareu uma carta de despedida, com a pena na mão direita e a espada na outra (segundo Ovídio, baseado em Eurípides, Cânace foi obrigada pelo pai, que lhe enviou uma espada, a cometer suicídio como punição pelo facto de ter mantido uma relação incestuosa com o irmão, da qual nasceu uma criança que foi morta pelo avô, que a lançou aos cães). Essa comparação aponta para o facto de o poeta aliar à sua coragem na guerra a sua faceta de artista (estância 79, vv. 7-8). A espada simboliza as batalhas em que o poeta participou, o seu lado guerreiro, enquanto a pena remete para a sua obra literária, para a arte, para a escrita.
         Na estância 81, finalizada a enumeração dos infortúnios que pautaram a sua vida, introduz um novo a que dá destaque através do articulador «ainda», criando a sensação de instabilidade: como se já não bastassem os tormentos que teve de suportar, acresce que. Em vez de os seus patrícios e contemporâneos o premiarem, pelo contrário, ingratos, «inventam-lhe» novos trabalhos e privações.
         Na estância 82, dirige-se novamente às ninfas, apostrofando-as, para criticar, socorrendo-se da ironia, os «valerosos» senhores de Portugal que, em vez de acarinharem e glorificarem aqueles que, como ele, através da poesia / arte, cantam os feitos ilustres dos portugueses, os maltratam, são ingratos. E qual é a consequência desta postura? A desmotivação das futuras gerações de poetas, que se sentirão inibidos de cantarem os feitos lusos. Deste modo, Camões procura criticar a incultura, o desinteresse pela arte e a ingratidão dos portugueses. Dito de outra forma, os grandes senhores não amam a arte nem incentivam as artes, o que fará com que os grandes feitos do futuro não sejam cantados e, portanto, deles não fique memória. Critica ainda a ambição desmedida e o facto de sobreporem os seus interesses aos do «bem comum e do seu Rei», a dissimulação, o abuso de poder e a exploração do povo.

         Quanto à estrutura interna, este excerto de Os Lusíadas pode dividir-se em quatro momentos:
. 1.º momento (estância 78):
1. A invocação: “Vós, Ninfas do Tejo e do Mondego”;
2. Objetivo: pedir às Ninfas que lhe deem inspiração para a composição da obra (“Vosso favor invoco”);
3. Razões do pedido: o receio de que, sem a inspiração das Ninfas, não seja capaz de cumprir o seu propósito (“Que, se não me ajudais, hei grande medo / Que o meu fraco batel se alague cedo”).

. 2.º momento (estâncias 79 – 81): Argumentos do poeta:
1. O poeta já canta, há muito tempo, os feitos dos portugueses (“o vosso Tejo e os vossos Lusitanos”) ‑ os longos anos a escrever sobre os portugueses;
2. Trabalhos e danos que enfrentou:
a) os perigos e as aventuras / viagens do / pelo mar (79, v. 5);
b) os perigos / a participação da / na guerra (79, v. 6);
c) a errância pelo mundo;
d) a pobreza sofrida no Oriente (80, v. 1);
e) o desterro e os trabalhos passados em regiões estranhas (80, v. 2);
f) as esperanças e as desilusões (80, vv. 3-4);
g) os perigos das navegações: o naufrágio que sofreu (8º, vv. 5-8);
h) a ingratidão (81) dos senhores (82, v. 1) que o poeta cantava e que, em vez de honra e glória, lhe inventaram novos trabalhos (81, vv. 7-8), levando os poetas do futuro a desistir de cantar os feitos que mereçam “ter eterna glória”.

. 3.º momento (estâncias 82 a 86): Crítica ao exercício do poder:
‑ Acesso desonesto ao poder:
. a ambição;
. o interesse pessoal;
. a simulação.
‑ Mau exercício do poder:
. roubo do povo;
. pagamento injusto do trabalho.

. 4.º momento (estância 87):
a) Intenções do poeta: cantar aqueles que arriscam a sua vida e a colocam ao serviço de Deus e da Pátria / do Rei e, por isso, merecem a imortalidade;
b) Por oposição, nas estâncias 84 a 86, enumerou aqueles que não cantará:
i) os que colocam o interesse pessoal à frente do bem comum e do interesse do rei;
ii) os ambiciosos que ascendem ao poder para se servir a si mesmos e abusam desse poder;
iii) os dissimulados;
iv) os que exploram o povo.
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