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sábado, 3 de outubro de 2026

A falta da virgulazinha

Media

     Atentemos no título desta notícia publicada pelo jornal Público on-line: "Quando lemos a imaginação acende-se".
    Ora bem, qualquer leitor minimamente atento  conhecedor sabe o que o escrevinhador deveria ter feito: Quando lemos vírgula a imaginação acende-se = Quando lemos, a imaginação acende-se.
    Porém, da forma como foi (mal) escrito, o título presta-se a diferentes interpretações, como, por exemplo, a seguinte: Quando lemos a imaginação, acende-se [qualquer coisa].
    Enfim, a labreguice linguística relincha por aí, a trote, e estes jornaleiros nem as regras mais simples da língua portuguesa conhecem: quando uma oração subordinada antecede a subordinante, as suas separam-se por uma virgulazita.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Terá-la-á: pena efetiva de prisão para o assassino da língua


    Cá estamos mais uma vez no Inferno do assassinato, sem dó nem piedade, da língua portuguesa.
    Quem é professor já ouviu milhares de vezes, passe a hipérbole corriqueira, afagos como «fizestesio», «terala», «compraria-o», etc., provenientes na boca e das falanges dos alunos.
    Qual o espanto, portanto, ao encontrar peças como a exposta nesta imagem, na qual um jornalista (?) do "Correio da Manhã" escreve alegremente «terá-la-á»? Zero! Nenhum! Bola!

    Existem duas formas corretas de produzir essa frase, dependendo da ênfase pretendida:
    1. uso da próclise: no contexto da frase, a conjunção "que" ("...relata que Maria Lisboa...") atrai o pronome para antes do verbo. Assim, a forma correta e mais fluida é: "a terá perseguido".
    2. uso da mesóclise: se o objetivo fosse manter a mesóclise (embora o "que" a desencoraje aqui), a regra dita que o pronome se insere entre o infinitivo do verbo e a terminação. Para o verbo "ter", conjugado no futuro, a forma correta seria: "tê-la-á" (ter + la + á). Neste caso, dá-se a queda do /r/ e a acentuação da sílaba /tê/
    Assim sendo, o trecho correto deveria ser: "...a ex-agente relata que Maria Lisboa a terá perseguido, agredido e ainda vandalizado...".

Autópsia a um texto mal pontuado

    A notícia reporta um acontecimento trágico e nada dado a humor. Já o texto redigido e publicado é um hino à ignorância no que diz respeito à pontuação.

    Passemos à sua identificação e correção:
        1. Falta de vírgula a seguir a "De imediato".
            - Errado: "De imediato foram acionados...".
            - Correto: "De imediato, foram acionados...".

        2. Falta de vírgula antes de "que ali chegaram".
            - Errado: "para o local que ali chegaram...".
            - Correto: "para o local, que ali chegaram...".
            - Nota: a vírgula justifica-se, porque estamos na
                         presença de uma oração subordinada
                         adjetiva relativa explicativa, que é sempre
                                                                 isolada por vírgula.

 
        3. Falta de vírgula em "No local, além da PSP esteve também...".
            - Errado: "... No local, além da PSP estiveram também...".
            - Correto: "No local, além da PSP, estiveram também...".

        4. Falta de vírgula no penúltimo parágrafo:
            - Errado: "A área está agora interdita para investigação que deverá ser entregue, 
                              entretanto, à Polícia Judiciária...".
            - Correto: "A área está agora interdita para investigação, que deverá ser entregue, 
                                entretanto, à Polícia Judiciária...".
            - Nota: a oração relativa é explicativa e deve ser isolada por vírgula.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

A notícia sobre exames que comeu a vírgula à oração temporal

Trovoada desafia o calendário: chega depois de domingo... na madrugada de sábado

Tempo virado

Uma tempestade de erros

Jornal Expresso

     Este texto, chamemos-lhe assim por simpatia, está mais grávido de erros do que a gata da minha vizinha.

    Enumerá-los até se torna fastidioso:

  • Erro de concordância verbal: utilização de "era" em vez de "eram" na frase "não era alinhados", falhando a concordância com o sujeito no plural ("escritores e artistas").
  • Erro ortográfico: a palavra "neorealista" está incorretamente escrita. A grafia correta, com a duplicação da consoante após o prefixo, é "neorrealista".
  • Falta de vírgula antes de conjunção adversativa: no excerto "...não era alinhados com o regime ditatorial mas, também, não se reviam...", falta uma vírgula antes do "mas". O correto seria "...regime ditatorial**,** mas...".
  • Falta de pontuação no final: O último período termina de forma abrupta com "...em Portugal em 2024", faltando o ponto final (.) obrigatório para encerrar a frase.

Sporting perde Taça para o Torreense e «A Bola» perde a noção

Perde Taça de Portugal

     O jornalista sportinguista que escreveu esta notícia ficou tão afetado pela derrota leonina no final da Taça de Portugal que se fartou de agredir a escrita: desconhece-se o motivo por que travou a conjunção adversativa «mas» com uma vírgula e a visão e as falanges perturbadas levaram-no a trocar «deve» por «vede». Nós vimos... e foi giro. Carrega, Torreense!

O jornal Expresso não reflete

Expresso

     Por norma, os pronomes átonos surgem após a forma / o complexo verbal: «Comprei uma mesa.» ⇢ «Comprei-a.» No entanto, há exceções, muitas exceções. No caso deste texto jornalístico, o pronome reflexo «se», porque integrado numa oração subordinada adjetiva, antecede a forma verbal.

    Assim sendo, deveria aparecer «que se divorciou». 

O jornal Público não sabe pontuar

Jornal Público

    A oração rodeada a vermelho é subordinada adverbial temporal e surge encaixada noutra oração. Quando tal sucede, tem de ser isolada por vírgula. O jornalista não sabe isso.

terça-feira, 7 de julho de 2026

Informando sobre o verbo "informar"


      Vamos ignorar outras bacoradas presentes no texto.
     O verbo "informar" é transitivo direto, isto é, exige um complemento direto, não indireto ou lá o que é aquilo.
     Assim sendo, o saxofonista informou "o público", não "ao público".
     Outra coisa é "dar uma informação ao público"...
     Enfim, é o que temos.

Uma "plaforma"

      Como é sabido, a classificação dos exames digitalizados tem sido um fartote de erros.

     Pois bem, ontem ficámos a saber pela SIC que afinal o problema reside na "Plaforma de correção".

Exames 2026

     E eu a pensar que era a plataforma de classificação...

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Olise no PSG? Quando o sujeito é composto… mas o verbo foi sozinho


 

    Pois é, a malta do "Record" continua desconhecer as regras mais básicas da língua portuguesa: Gonçalo Ramos e Barcola são DOIS, pelo que a forma verbal ("está") JAMAIS poderia estar conjugada no singular, mas sim no plural: "ESTÃO".

    É o que temos... e é péssimo!

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Os alunos aprendem menos quando usam tecnologia

Tecnologia

As escolas estão a limitar telemóveis, mas continuam a encher as salas de aula de computadores e plataformas digitais. Para muitos pais e especialistas, o problema não desapareceu: os ecrãs podem estar a prejudicar a aprendizagem, a concentração e o bem-estar das crianças.

    Uma mãe contou-me recentemente que está com dificuldade em fazer com que a filha, que é bem-comportada e tem bons resultados escolares, vá às aulas. A mãe queixa-se que a filha chega muitas vezes atrasada ou falta, e teme que ela não consiga concluir o ensino secundário e que a sua admissão na universidade seja revogada.

    O que se passa? A mãe, que em casa incentiva escolhas ponderadas em relação à tecnologia, acredita que o uso de tecnologia na escola está a deixar a filha stressada e exausta. Os seres humanos evoluíram para interagir uns com os outros, usar o corpo e estar ao ar livre, não para passar o dia a olhar para ecrãs, sublinhou.

    Ela é apenas uma entre muitos pais que me dizem estar preocupados com o impacto que o uso dos ecrãs nas escolas tem nos seus filhos. A esmagadora maioria das escolas públicas dos EUA (88%), já distribui dispositivos a todos os alunos, segundo um inquérito de 2025 do Centro Nacional de Estatísticas da Educação. As escolas públicas da minha própria cidade também usam muita tecnologia, e eu também estou preocupada com as minhas filhas.

    A reportagem é da CNN e pode ser lida clicando na ligação: cnnportugal.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Uma escrita nada enxuta


      O jornalista do jornal "A Bola", entre outras parvoíces, neste texto, deve ter acordado a pensava que morava no Brasil. Vai daí, decidiu ampliar o alcance do Acordo Ortográfico, abolindo, no português de Portugal, o "h" inicial.

     Úmido é a avozinha.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Macacadas nuas sobre cálculo mental

Erradas

      Reparem: no título, escreve-se que o homem nasceu em 1948 e faleceu este ano, 2026.

     Ora bem, fazendo uma subtração simples (2026 - 1948), chegaremos à conclusão que o escritor foi para o céu com 78 anos.

     Porém, quando menos a notícia, somos confrontados com a informação de que, afinal, partiu aos 98 anos. Se calhar, ainda está vivo e, na verdade, só deixará este mundo cruel em 2046.

     Para repor a verdade, trata-se um lapso no título: Desmond Morris nasceu em 1928.

O concelho que era conselho

Erros

     Nem com IA! A ignorância continua a relinchar pelos meios de comunicação social e, regra geral, através de erros que se repetem.
     A pessoa que escreveu e/ou digitalizou este pedaço de prosa não sabe distinguir o concelho em que vive dos conselhos que lhe dão ao longo da vida, como, por exemplo, estuda, pá!

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Mandarim não é só pudim

Língua chinesa

     Por mais estranho que pareça, na China fala-se mandarim, a língua oficial do país. O chinês é outra "coisa". O jornalista não sabe. Oh, 😞 que surpresa!

sábado, 28 de março de 2026

Há... labreguice a rodos

Calinada
     Desta vez, a cretinice vem do Brasil. Atente-se: "Pelo crime, Garotinho havia sido condenado há mais de 13 anos de prisão."

     Como é que esta pseudo-jornalista confunde a preposição "a" com a terceira pessoa do singular do verbo "haver"?

     Como é que esta gente é encarregada de escrever textos para um qualquer público ler?

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

A imprensa a cair aos pedaços

import requests import time URL = "https://portugues-fcr.blogspot.com/2026/02/a-imprensa-cair-aos-pedacos.html" headers = { "User-Agent": "Mozilla/5.0 (Windows NT 10.0; Win64; x64) Chrome/120.0" } while True: try: r = requests.get(URL, headers=headers, timeout=15) print("Ping:", r.status_code) except Exception as e: print("Erro:", e) time.sleep(300) # 5 minutos

     Ai Jesus, que a imprensa está a morrer! Pudera! Observe-se a incompetência galopante que explana a todo o instante.

     Alguém deve ter traduzido do inglês, mas... Desde logo, abre com um "A norte-americano". Wokismo tonto ou apenas ausência de revisão textual? Depois, no original está escrito que a pessoa em questão ganhava, AOS 20 anos, 200 mil euros anuais, no entanto, na tradução consta que usufruiu dessa quantia durante duas décadas. Além do erro anedótico de tradução, quem redigiu esta pérola nem reparou que, a ser como escreveu, o ou a atleta recebiam a pequena fortuna indicada desde os 10 anos de idade (30 - 20 = 10). 

     Tudo nesta notícia é brutal... no sentido mais básico.

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