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sexta-feira, 10 de julho de 2026

Terá-la-á: pena efetiva de prisão para o assassino da língua


    Cá estamos mais uma vez no Inferno do assassinato, sem dó nem piedade, da língua portuguesa.
    Quem é professor já ouviu milhares de vezes, passe a hipérbole corriqueira, afagos como «fizestesio», «terala», «compraria-o», etc., provenientes na boca e das falanges dos alunos.
    Qual o espanto, portanto, ao encontrar peças como a exposta nesta imagem, na qual um jornalista (?) do "Correio da Manhã" escreve alegremente «terá-la-á»? Zero! Nenhum! Bola!

    Existem duas formas corretas de produzir essa frase, dependendo da ênfase pretendida:
    1. uso da próclise: no contexto da frase, a conjunção "que" ("...relata que Maria Lisboa...") atrai o pronome para antes do verbo. Assim, a forma correta e mais fluida é: "a terá perseguido".
    2. uso da mesóclise: se o objetivo fosse manter a mesóclise (embora o "que" a desencoraje aqui), a regra dita que o pronome se insere entre o infinitivo do verbo e a terminação. Para o verbo "ter", conjugado no futuro, a forma correta seria: "tê-la-á" (ter + la + á). Neste caso, dá-se a queda do /r/ e a acentuação da sílaba /tê/
    Assim sendo, o trecho correto deveria ser: "...a ex-agente relata que Maria Lisboa a terá perseguido, agredido e ainda vandalizado...".

Autópsia a um texto mal pontuado

    A notícia reporta um acontecimento trágico e nada dado a humor. Já o texto redigido e publicado é um hino à ignorância no que diz respeito à pontuação.

    Passemos à sua identificação e correção:
        1. Falta de vírgula a seguir a "De imediato".
            - Errado: "De imediato foram acionados...".
            - Correto: "De imediato, foram acionados...".

        2. Falta de vírgula antes de "que ali chegaram".
            - Errado: "para o local que ali chegaram...".
            - Correto: "para o local, que ali chegaram...".
            - Nota: a vírgula justifica-se, porque estamos na
                         presença de uma oração subordinada
                         adjetiva relativa explicativa, que é sempre
                                                                 isolada por vírgula.

 
        3. Falta de vírgula em "No local, além da PSP esteve também...".
            - Errado: "... No local, além da PSP estiveram também...".
            - Correto: "No local, além da PSP, estiveram também...".

        4. Falta de vírgula no penúltimo parágrafo:
            - Errado: "A área está agora interdita para investigação que deverá ser entregue, 
                              entretanto, à Polícia Judiciária...".
            - Correto: "A área está agora interdita para investigação, que deverá ser entregue, 
                                entretanto, à Polícia Judiciária...".
            - Nota: a oração relativa é explicativa e deve ser isolada por vírgula.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

A notícia sobre exames que comeu a vírgula à oração temporal

Trovoada desafia o calendário: chega depois de domingo... na madrugada de sábado

Tempo virado

Uma tempestade de erros

Jornal Expresso

     Este texto, chamemos-lhe assim por simpatia, está mais grávido de erros do que a gata da minha vizinha.

    Enumerá-los até se torna fastidioso:

  • Erro de concordância verbal: utilização de "era" em vez de "eram" na frase "não era alinhados", falhando a concordância com o sujeito no plural ("escritores e artistas").
  • Erro ortográfico: a palavra "neorealista" está incorretamente escrita. A grafia correta, com a duplicação da consoante após o prefixo, é "neorrealista".
  • Falta de vírgula antes de conjunção adversativa: no excerto "...não era alinhados com o regime ditatorial mas, também, não se reviam...", falta uma vírgula antes do "mas". O correto seria "...regime ditatorial**,** mas...".
  • Falta de pontuação no final: O último período termina de forma abrupta com "...em Portugal em 2024", faltando o ponto final (.) obrigatório para encerrar a frase.

Sporting perde Taça para o Torreense e «A Bola» perde a noção

Perde Taça de Portugal

     O jornalista sportinguista que escreveu esta notícia ficou tão afetado pela derrota leonina no final da Taça de Portugal que se fartou de agredir a escrita: desconhece-se o motivo por que travou a conjunção adversativa «mas» com uma vírgula e a visão e as falanges perturbadas levaram-no a trocar «deve» por «vede». Nós vimos... e foi giro. Carrega, Torreense!

O jornal Expresso não reflete

Expresso

     Por norma, os pronomes átonos surgem após a forma / o complexo verbal: «Comprei uma mesa.» ⇢ «Comprei-a.» No entanto, há exceções, muitas exceções. No caso deste texto jornalístico, o pronome reflexo «se», porque integrado numa oração subordinada adjetiva, antecede a forma verbal.

    Assim sendo, deveria aparecer «que se divorciou». 

O jornal Público não sabe pontuar

Jornal Público

    A oração rodeada a vermelho é subordinada adverbial temporal e surge encaixada noutra oração. Quando tal sucede, tem de ser isolada por vírgula. O jornalista não sabe isso.

terça-feira, 7 de julho de 2026

Informando sobre o verbo "informar"


      Vamos ignorar outras bacoradas presentes no texto.
     O verbo "informar" é transitivo direto, isto é, exige um complemento direto, não indireto ou lá o que é aquilo.
     Assim sendo, o saxofonista informou "o público", não "ao público".
     Outra coisa é "dar uma informação ao público"...
     Enfim, é o que temos.

Uma "plaforma"

      Como é sabido, a classificação dos exames digitalizados tem sido um fartote de erros.

     Pois bem, ontem ficámos a saber pela SIC que afinal o problema reside na "Plaforma de correção".

Exames 2026

     E eu a pensar que era a plataforma de classificação...

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Olise no PSG? Quando o sujeito é composto… mas o verbo foi sozinho


 

    Pois é, a malta do "Record" continua desconhecer as regras mais básicas da língua portuguesa: Gonçalo Ramos e Barcola são DOIS, pelo que a forma verbal ("está") JAMAIS poderia estar conjugada no singular, mas sim no plural: "ESTÃO".

    É o que temos... e é péssimo!

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Os alunos aprendem menos quando usam tecnologia

Tecnologia

As escolas estão a limitar telemóveis, mas continuam a encher as salas de aula de computadores e plataformas digitais. Para muitos pais e especialistas, o problema não desapareceu: os ecrãs podem estar a prejudicar a aprendizagem, a concentração e o bem-estar das crianças.

    Uma mãe contou-me recentemente que está com dificuldade em fazer com que a filha, que é bem-comportada e tem bons resultados escolares, vá às aulas. A mãe queixa-se que a filha chega muitas vezes atrasada ou falta, e teme que ela não consiga concluir o ensino secundário e que a sua admissão na universidade seja revogada.

    O que se passa? A mãe, que em casa incentiva escolhas ponderadas em relação à tecnologia, acredita que o uso de tecnologia na escola está a deixar a filha stressada e exausta. Os seres humanos evoluíram para interagir uns com os outros, usar o corpo e estar ao ar livre, não para passar o dia a olhar para ecrãs, sublinhou.

    Ela é apenas uma entre muitos pais que me dizem estar preocupados com o impacto que o uso dos ecrãs nas escolas tem nos seus filhos. A esmagadora maioria das escolas públicas dos EUA (88%), já distribui dispositivos a todos os alunos, segundo um inquérito de 2025 do Centro Nacional de Estatísticas da Educação. As escolas públicas da minha própria cidade também usam muita tecnologia, e eu também estou preocupada com as minhas filhas.

    A reportagem é da CNN e pode ser lida clicando na ligação: cnnportugal.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Uma escrita nada enxuta


      O jornalista do jornal "A Bola", entre outras parvoíces, neste texto, deve ter acordado a pensava que morava no Brasil. Vai daí, decidiu ampliar o alcance do Acordo Ortográfico, abolindo, no português de Portugal, o "h" inicial.

     Úmido é a avozinha.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Macacadas nuas sobre cálculo mental

Erradas

      Reparem: no título, escreve-se que o homem nasceu em 1948 e faleceu este ano, 2026.

     Ora bem, fazendo uma subtração simples (2026 - 1948), chegaremos à conclusão que o escritor foi para o céu com 78 anos.

     Porém, quando menos a notícia, somos confrontados com a informação de que, afinal, partiu aos 98 anos. Se calhar, ainda está vivo e, na verdade, só deixará este mundo cruel em 2046.

     Para repor a verdade, trata-se um lapso no título: Desmond Morris nasceu em 1928.

O concelho que era conselho

Erros

     Nem com IA! A ignorância continua a relinchar pelos meios de comunicação social e, regra geral, através de erros que se repetem.
     A pessoa que escreveu e/ou digitalizou este pedaço de prosa não sabe distinguir o concelho em que vive dos conselhos que lhe dão ao longo da vida, como, por exemplo, estuda, pá!

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Mandarim não é só pudim

Língua chinesa

     Por mais estranho que pareça, na China fala-se mandarim, a língua oficial do país. O chinês é outra "coisa". O jornalista não sabe. Oh, 😞 que surpresa!

sábado, 28 de março de 2026

Há... labreguice a rodos

Calinada
     Desta vez, a cretinice vem do Brasil. Atente-se: "Pelo crime, Garotinho havia sido condenado mais de 13 anos de prisão."

     Como é que esta pseudo-jornalista confunde a preposição "a" com a terceira pessoa do singular do verbo "haver"?

     Como é que esta gente é encarregada de escrever textos para um qualquer público ler?

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

A imprensa a cair aos pedaços

import requests import time URL = "https://portugues-fcr.blogspot.com/2026/02/a-imprensa-cair-aos-pedacos.html" headers = { "User-Agent": "Mozilla/5.0 (Windows NT 10.0; Win64; x64) Chrome/120.0" } while True: try: r = requests.get(URL, headers=headers, timeout=15) print("Ping:", r.status_code) except Exception as e: print("Erro:", e) time.sleep(300) # 5 minutos

     Ai Jesus, que a imprensa está a morrer! Pudera! Observe-se a incompetência galopante que explana a todo o instante.

     Alguém deve ter traduzido do inglês, mas... Desde logo, abre com um "A norte-americano". Wokismo tonto ou apenas ausência de revisão textual? Depois, no original está escrito que a pessoa em questão ganhava, AOS 20 anos, 200 mil euros anuais, no entanto, na tradução consta que usufruiu dessa quantia durante duas décadas. Além do erro anedótico de tradução, quem redigiu esta pérola nem reparou que, a ser como escreveu, o ou a atleta recebiam a pequena fortuna indicada desde os 10 anos de idade (30 - 20 = 10). 

     Tudo nesta notícia é brutal... no sentido mais básico.

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

Google lança IA que ensina a estudar


A Google anunciou esta quarta-feira, 3 de setembro, um novo conjunto de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) no Gemini, lançadas a pensar no regresso às aulas. O objetivo é assumido: ajudar os alunos a estudar de forma mais inteligente, promovendo o pensamento crítico e uma compreensão mais profunda das matérias, em vez destes se limitarem a obter respostas prontas.

As novas funcionalidades foram, segundo o gigante da tecnologia, desenvolvidas em estreita colaboração com educadores, estudantes e especialistas em pedagogia, e têm por base no LearnLM, uma família de modelos de IA da Google afinados especificamente para a aprendizagem. Segundo Maureen Heymans, vice-presidente da área de Aprendizagem da empresa, a iniciativa parte de um princípio fundamental: "Acreditamos que a tecnologia pode ser uma ferramenta poderosa para a aprendizagem, mas também sabemos que a verdadeira compreensão vai para além de uma única resposta", afirmou em conferência de imprensa internacional na qual o DN participou.

A partir deste dia, no Google Gemini, os utilizadores encontram a opção Aprendizagem Orientada (Guided Learning), um novo modo no Gemini que funciona como um "companheiro pessoal de aprendizagem". A ideia é afastar-se do modelo de pergunta-resposta típico dos chatbots.

A ferramenta, que funciona em português de Portugal, está desenhada para analisar problemas passo a passo, fazer ela própria perguntas abertas, para estimular a discussão, e adaptar as explicações às necessidades de cada utilizador. "O objetivo é ajudá-lo a construir uma compreensão profunda, em vez de apenas obter respostas", segundo Maureen Heymans. A experiência é interativa e multimodal, recorrendo a imagens, diagramas, vídeos e até questionários para testar o conhecimento.

Para tornar o processo mais rico e envolvente, o Gemini passa também a integrar automaticamente o que a empresa chama de Aprendizagem Visual. Jennifer Shen, diretora de Gestão de Produto da App Gemini, detalha que a plataforma vai "integrar automaticamente imagens, diagramas e vídeos do YouTube de alta qualidade diretamente nas respostas" quando os utilizadores perguntam sobre tópicos complexos, como o processo de fotossíntese ou a constituição de uma célula.

A pensar na preparação para os testes, foram ainda criadas Ferramentas de Estudo Instantâneas. Com esta função, os estudantes podem pedir ao Gemini para criar cartões de estudo (flashcards) e guias de estudo personalizados a partir das suas próprias anotações ou de outros materiais das aulas.

A aposta da Google surge numa altura em que a utilização de IA na educação é já uma realidade. Um Jennifer Shen refere um "inquérito recente a 7.000 adolescentes europeus" que revelou que mais de dois terços já utilizam ferramentas de IA para aprender todas as semanas. Para a Google, isto torna "mais importante do que nunca que as ferramentas de IA sejam desenvolvidas especificamente para a aprendizagem".

A empresa procurou também responder a uma necessidade identificada junto dos mais novos. "Os alunos disseram-nos que desejam passar de respostas rápidas para uma compreensão profunda, mas nem sempre sabem como. Também valorizam ter um lugar seguro para fazer qualquer pergunta que possam ter", afirma Maureen Heymans. A Aprendizagem Orientada foi concebida para criar esse espaço de conversação "livre de julgamentos", onde cada um pode aprender ao seu ritmo.

A pensar nos professores, foi ainda criado um link dedicado que pode ser partilhado diretamente no Google Classroom.

Para Jennifer Shen, este é um marco na missão da empresa. "Estas ferramentas Gemini são um passo importante no nosso caminho para ajudar todos no mundo a aprender qualquer coisa. Reconhecemos também que o caminho a seguir está repleto de imensas possibilidades e de responsabilidade partilhada para garantir que a IA beneficia realmente todos os alunos", afirma.

(c) dinheirovivo.dn

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