sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Sufixo gentílico -iano: açoriano

     Não obstante a palavra Açores possuir um e na sua terminação, o habitante das ilhas designa-se açoriano, sim, com i.

     A razão da alteração das vogais prende-se com o facto de o adjetivo se formar adicionando o sufixo gentílico -iano à base açor, sufixo esse que entra na composição de outras palavras, como canadiano, cabo-verdiano, iraquiano, iraniano, equatoriano, etc.

     A regra é simples:
  • sempre que se associa um sufixo a uma base que termina em vogal, esta é suprimida:
  • carro - carrinho
  • sempre que se associa um sufixo a uma base cujo plural termina em -es, o sufixo associa-se ao singular terminado em -r:
  • flor (plural flores- florinha
  • cor (plural cores) - corzinha 
  • açor (plural açores) - açoriano

"Mandado" ou "mandato"?

     As palavras mandado e mandato são objeto de confusão frequente.

     O nome mandado (formado do verbo mandar) provém do latim mandatus e designa uma ordem oficial escrita, de caráter imperativo, emanada de uma autoridade judicial ou administrativa.  Implica, pois, uma ordem da parte de quem o emite e obediência de quem o recebe.
  • A juíza de instrução emitiu um mandado de busca contra a SAD do Benfica.
     Pode ser um madado de prisão, um mandado de busca, um mandado de captura, um mandado judicial...

     Por sua vez, o nome mandato provém do latim mandatum e designa o período de exercício de um determinado cargo eleitoral.
  • A presidente Dilma não concluiu o seu mandato.
     "O mandato é o poder concedido, por meio de votação, a uma pessoa ou partido político durante um determinado período, o encargo, a delegação. Trata-se de uma palavra da mesma família do verbo «mandatar»: quem recebeu ou tem um mandato foi mandatado para desempenhar uma função ou para cumprir uma missão." (Rocha, Maria Regina, in "Diário do Alentejo", 14 de março de 2008). Ou seja, no mandato delegam-se determinadas funções ou trabalhos em determinada entidade, que é o mandatário. O indivíduo A autoriza o B, confere-lhe o poder de agir em seu nome em determinada situação. Temos como exemplo a procuração que um indivíduo passa a outro, ou os deputados da Assembleia da República, que têm um mandato a cumprir que lhes é conferido pelos seus eleitores.
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