Português: 02/02/24

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Resumo da 5.ª parte da 1.ª crónica: Os discípulos do Diabo


    Finda a analepse operada no capítulo anterior, a narrativa regressa ao presente da ação e ao convívio com a família de Mollie, que oferece uma recompensa em trica de informações que possam ajudar a esclarecer as mortes de Anna e Lizzie. Seguindo o conselho de Hale, os Burkharts contratam um detetive particular chamado Pike, enquanto Mollie e Ernest incentivam os guardiões da propriedade de Anna a procederem de modo semelhante. Convém esclarecer que um dos princípios do acordo estabelecido entre o governo norte-americano e os Osage passava ser atribuído um tutor pelo Office de Assuntos Indígenas a todo aquele que fosse considerado incapaz ou incompetente para administrar os seus negócios. Esses tutores eram, regra geral, homens brancos que tinham o poder de controlar todas as questões relativas a finanças do tutoriado. O tutor de Anna e Lizzie eram um indivíduo chamado Scott Mathis e também este decidiu contratar detetives privados, que investigam os últimos dias de vida de Anna, nomeadamente entrevistando testemunhas e verificando os seus registos telefónicos. Deste modo, conseguem estabelecer que, na noite em que desapareceu, se encontrava em casa às 20 horas e 30 minutos, mas também chegam à conclusão que alguém pagou para o registo de chamadas da mulher ser alterado. No entanto, entre teorias e boatos que correm, os investigadores particulares nada mais descobrem de relevante e, assim, nove meses volvidos sobre os crimes, as investigações estão paradas e tudo aponta para que não sejam desvendados.

    Está a situação neste ponto quando chega o mês de fevereiro de 1922, que marca a ocorrência de nova morte, a de William Stepson, envenenado, seguida de duas outras de membros da tribo Osage. Em desespero, esta roga o auxílio de Barney McBride, um negociante de petróleo branco que havia casado com uma mulher Creek. O sujeito desloca-se a Washington DC no sentido de solicitar o auxílio das autoridades federais, porém o contacto com estas acaba por nunca se concretizar, visto que o seu corpo é encontrado em Maryland na manhã subsequente à sua chegada.

Resumo da 4.ª parte da 1.ª crónica: Reserva subterrânea


    Este capítulo assenta num recuo no tempo – analepse – para clarificar como os Osage se tornaram uma tribo rica e como vieram a habitar naquela zona do estado do Oklahoma. A narrativa recua até à época que assistiu à chegada dos colonos europeus à América do Norte, quando os Osage ocupavam um território que compreendia a área que se estendia entre o Missouri e o Kansas, incluindo as famosas Montanhas Rochosas. Quando os Estados Unidos adquiriram grande parte desse território aquando da compra do estado do Louisiana (31 de outubro de 1803) à França, os Osage foram forçados a renunciar às suas terras situadas entre os rios Arkansas e Missouri. Deste modo, quando Mollie nasceu, a tribo estava limitada a uma pequena parcela de terra localizada a sudeste do Kansas. Duas vezes por ano, os Osage mudavam de território para caçar búfalos, uma atividade que consideravam sagrada: cada parte do animal era reverenciada e cuidadosamente utilizada. Entretanto, o chamado homem branco norte-americano continuava a conquista do Oeste, invadindo terras de diversas tribos índias, incluindo a dos Osage. Alguns desses homens, mais cruéis e oportunistas, não se limitavam a invadir esses terrenos e a usurpá-los, pois também assassinavam as famílias que neles viviam, mesmo nos casos em que os nativos concordavam com a sua venda.

    Os Osage decidiram, então, comprar terras aos Cherokees, concretamente uma área aparentemente imprópria para cultivo, pensado que, assim, demoveriam os colonos brancos de a ambicionarem e ocuparem. Foi nessa área que Lizzie e Ne-kah-e-se-y se estabeleceram em 1974, após se terem casado, juntamente com outros membros da tribo, que assistia a um decréscimo dos seus membros a cada ano que passava. As suas circunstâncias de vida eram cada vez mais precárias, por um lado, porque a população de búfalos eram cada vez menor e, por outro, porque o governo norte-americano lhes pagava em rações, em vez de em espécie, o que levava a que passassem fome e outras privações. Vendo-se cada vez mais em situação insustentável, decidiram enviar uma delegação ao governo, que lhes fez algumas concessões, as quais, porém, não melhorou grandemente o estado de coisas. Nesse tempo, os Osage foram forçados também a enviar os seus filhos para a escola, onde aprenderam a língua e a cultura inglesa e norte-americana. Foi o caso de Mollie. Além disso, a esperança que os Osage depositavam no desinteresse dos brancos por aquele pedaço de terra intratável caiu também. Nada parecia parar os colonos.

    E assim chegamos à década de 1890, quando o governo dos EUA pressionou a tribo no sentido de aceitar a divisão das suas terras até então partilhadas em parcelas de propriedade individual, que seriam concedidas a cada membro da tribo. Os Osage não se fizeram rogados e compraram-nas, o que permitiu ao chefe multilingue da tribo, James Bigheart, bem como ao advogado John Palmer, um homem de ascendência simultaneamente Sioux e caucasiana, casado com uma mulher osage, adiar a distribuição e, deste modo, negociar termos mais favoráveis para o seu povo. Com efeito, conseguiram chegar a um acordo que lhes proporcionava direitos duradouros sobre tudo o que existe debaixo da terra, o que constitui um golpe de génio, até porque os negociadores do governo desconheciam que nela tinha sido descoberto petróleo. O referido acordo estipulava, entre outras coisas, que cada membro da tribo teria direitos de cabeça que não poderiam ser vendidos. Os Osage, inteligentemente, passaram a arrendar lotes a uma enchente de exploradores selvagens que se deslocavam para a zona em busca de fortuna rápida e fácil. Alguns deles alcançaram, de facto, a riqueza, mas muitos outros fracassaram. Os únicos que lucraram no seu todo foram os Osage.

Análise da 3.ª parte da crónica 1 de Assassinos da Lua das Flores


    Este capítulo da obra centra-se na figura de William Hale, um self-made man que, na prática, governa o condado de Osage. Graças ao casamento de Mollie Burkhart com o seu sobrinho, Ernest, é familiar de Mollie e promete ajudá-la na demanda de justiça para a irmã. No entanto, parece haver algo sinistro ligado à sua pessoa, como o epíteto por que é conhecido entre a população deixa adivinhar. A sua aparência sugere estarmos na presença de um homem benevolente, preocupado e atencioso com a comunidade, como se pode depreender pela pressão que exerce sobre as autoridades locais e, mais tarde, quando contrata detetives privados para investigar os assassinatos ocorridos. A sua determinação e energia demonstradas na busca e obtenção de sucesso, superando dificuldades e obstáculos, granjeiam-lhe respeito de todos, porém o seu trajeto de vida também mostra que se trata de alguém que não observa e respeita limites, como fica bem patente através da referida pressão exercida sobre diversas pessoas. Embora tal suceda por um bom motivo, não deixa de ser uma postura reveladora de prepotência e abuso de poder.

    Por outro lado, a figura de Mollie continua a merecer grande centralidade na narrativa. Neste capítulo, o leitor pode observá-la pela primeira vez em discurso direto quando responde no contexto do inquérito sobre a morte de Anna. Grann reproduz as palavras da personagem, constituindo a transcrição do inquérito um documento inestimável, dado que permite que ela fale por si mesma e revele uma mulher determinada, decidida, de personalidade bem vincada, que se expressa num inglês claro, mesmo que não perfeito. De toda a sua intervenção, ressalta o desejo intenso de obter justiça para a irmã.

    A Décima Oitava Emenda da Constituição norte-americana estabeleceu a chamada Lei Seca, tendo sido ratificado em 16 de janeiro de 1919 e entrado em vigor um ano depois, até à sua revogação em 1933. Os seus efeitos práticos foram frequentemente contraproducentes, se tivermos em conta os objetivos que presidiram à sua publicação. De facto, os contrabandistas responderam à sua entrada em vigor abrindo lojas e comercializando produtos que continham substâncias altamente venenosas. O comércio ilegal de álcool transformou-se num negócio extremamente lucrativo e perigoso, ou até moral, em simultâneo. Ou seja, se quem esteve por trás da Lei Seca cria que a sua publicação iria reduzir a taxa de criminalidade, na realidade sucedeu o oposto. É neste contexto que as colinas que rodeavam Osage adquirem grande importância, visto que constituíam um esconderijo extraordinário para pessoas em fuga à lei.

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