sábado, 14 de dezembro de 2019

Resumo e análise da Cena IV do Ato I de Romeu e Julieta

Resumo
Romeu, Benvólio e o seu amigo Mercúcio, todos usando máscaras, reuniram-se a um grupo de convidados que usavam máscaras a caminho do banquete dos Capuletos. Ainda melancólico, Romeu pergunta-se como entrarão na festa dos Capuletos, já que são Montecchios. Quando essa preocupação é deixada de lado, afirma que não vai dançar no banquete. Mercúcio começa a zombar gentilmente dele, transformando todas as declarações de Romeu sobre o amor em metáforas descaradamente sexuais. Romeu recusa-se a envolver-se nessa brincadeira, explicando que num sonho ele aprendeu que ir ao banquete era uma má ideia. Mercúcio responde com um longo discurso sobre a rainha Mab das fadas, que visita os sonhos das pessoas. O discurso começa como um voo de fantasia, mas Mercúcio fica quase fascinado por ele, e uma tensão amarga e fervorosa instala-se. Romeu intervém para interromper o discurso e acalmar Mercúcio, que observa que os sonhos são apenas "os filhos de um cérebro ocioso".
Benvólio volta a atenção para a festa. Romeu expressa uma última preocupação: ele tem a sensação de que as atividades da noite acionarão a ação do destino, resultando em morte prematura. Porém, os espíritos de Romeu elevam-se e ele continua com seus amigos em direção ao banquete.

Análise
Esta cena pode parecer desnecessária. Como público, já sabemos que Romeu e os seus amigos vão para uma festa. Já sabemos que Romeu é melancólico e Benvólio mais pragmático. A inclusão desta cena não contribui diretamente para a exposição ou progressão da trama.
No entanto, a cena aumenta o senso geral de destino através da afirmação de Romeu de que os eventos da noite levarão à morte prematura. O público, é claro, sabe que ele sofrerá uma morte prematura. Quando Romeu se entrega a “quem tem a direção do meu curso”, o público sente a presença do destino.
Esta cena também serve como introdução ao Mercúcio inteligente, rodopiante e fascinante. Soltando trocadilhos selvagens à esquerda e à direita, parecendo falar com tanta liberdade quanto os outros respiram, ele estabelece-se como um amigo que pode, gentilmente ou não, zombar de Romeu como ninguém mais pode. Embora pensativo, Benvólio não tem o raciocínio rápido para esse comportamento. Com o seu discurso selvagem e o seu riso, Mercúcio é um homem de excessos. Mas suas paixões são de outro tipo que não aquelas que levam Romeu a amar e Tebaldo a odiar. As paixões destas duas personagens são fundamentadas na aceitação de dois ideais diferentes veiculados pela sociedade: a tradição poética do amor e a importância da honra. Mercúcio não acredita em nenhum. De facto, ele contrasta com todos as outras personagens de Romeu e Julieta, porque é capaz de ver através da cegueira causada pela aceitação sincera dos ideais sancionados pela sociedade: ele abre buracos na adoção arrebatadora de Romeu da retórica do amor, enquanto zomba da adesão exigente de Tebaldo às modas do dia. Não é por acaso que Mercúcio é o mestre do jogo nesta peça. Um trocadilho representa derrapagem, ou torção, no significado de uma palavra. Essa palavra, que anteriormente significava uma coisa, agora de repente é revelada como tendo interpretações adicionais e, portanto, torna-se ambígua. Assim como Mercúcio pode ver através das palavras outros significados usualmente degradados, ele também pode entender que os ideais mantidos por aqueles que o rodeiam têm origem em desejos menos inteligentes do que alguém gostaria de admitir.
O discurso da rainha Mab de Mercúcio é um dos mais famosos da peça. A rainha Mab, que traz sonhos às pessoas adormecidas, parece basear-se livremente em figuras da mitologia celta pagã que antecederam a chegada do cristianismo à Inglaterra. No entanto, o nome tem um significado mais profundo. As palavras "quean" e "mab" constituíam referências a prostitutas na Inglaterra elisabetana. Na rainha Mab, Mercúcio cria uma espécie de trocadilho conceitual: ele alude a uma tradição mitológica povoada de fadas e anexa-a a uma referência a prostitutas. Atrai a diversão infantil das fadas para uma visão muito mais sombria da humanidade. O próprio discurso revela essa dicotomia. Uma criança adoraria a descrição de Mercúcio de um mundo de fadas repleto de carruagens de nozes e corcéis de insetos, as suas histórias de uma fada trazendo sonhos para as pessoas que dormem. Mas observemos mais de perto esses sonhos. A rainha Mab traz sonhos adequados para cada indivíduo, e cada sonho que ela traz parece descer para uma depravação e brutalidade mais profundas: os amantes sonham com o amor; advogados sonham com casos legais e ganham dinheiro; os soldados sonham em "cortar gargantas estrangeiras". No final do discurso, a rainha Mab é a “bruxa” que ensina as jovens a fazer sexo. O conto de fadas da criança transformou-se em algo muito, muito mais sombrio, embora essa visão sombria seja um retrato preciso da sociedade. Mercúcio, por mais divertido que seja, pode ser visto como oferecendo uma visão alternativa da grande tragédia que é Romeu e Julieta. "Não dizes senão tolices", diz Romeu a Mercúcio para o forçar a encerrar o discurso da rainha Mab. Mercúcio concorda, dizendo que os sonhos "são filhos de um cérebro ocioso". Mas as visões de amor de Romeu não se qualificam como sonhos? As fantasias de Tebaldo sobre as noções de perfeita posição social e propriedade não contam como sonhos? E o sonho de Frei Lourenço de trazer a paz a Verona? Na avaliação de Mercúcio, todos esses desejos "são filhos de um cérebro ocioso". Todos são ilusões. O seu comentário pode ser visto como um alfinete nas grandes paixões idealistas do amor e da lealdade da família que animam a peça. O discurso da rainha Mab não esvazia a grande tragédia e os ideais românticos de Romeu e Julieta, mas acrescenta-lhes o subtexto de um trocadilho, aquele lado negro que oferece uma visão alternativa da realidade.

Traduzido de SparkNotes

Resumo e análise da Cena III do Ato I de Romeu e Julieta

Resumo
Na casa de Capuleto, pouco antes do início do banquete, Lady Capuleto chama a enfermeira, pois precisa de ajuda para encontrar a filha. Julieta entra e a mãe dispensa a enfermeira para que possa falar a sós com a filha. No entanto, muda imediatamente de ideia e pede à enfermeira que permaneça e a aconselhe. Antes que Lady Capuleto possa começar a falar, a enfermeira inicia uma longa história sobre como, quando criança, Julieta sem entender se tornou cúmplice inocente de uma piada sexual. Lady Capuleto tenta, sem sucesso, parar a divertida enfermeira. Julieta, envergonhada, ordena-lhe que pare.
Lady Capuleto pergunta a Julieta o que ela pensa sobre casar-se. A jovem responde que nunca pensou nisso. A mãe observa que deu à luz Julieta quando tinha quase a idade atual da filha. E continua, animada, afirmando que Julieta deve começar a pensar em casamento, porque o valente Páris manifestou interesse nela. Julieta, obedientemente, responde que vai olhar para Páris durante o banquete para ver se poderá amá-lo. Um criado entra para anunciar o começo da festa.

Análise
Chegado à terceira cena, o público finalmente conhece a segunda personagem inscrita no título da obra. Tematicamente, esta cena continua a desenvolver a questão da influência dos pais, particularmente a força dessa influência sobre as jovens. Lady Capuleto, ela mesma uma mulher que se casou em tenra idade, oferece total apoio ao plano do marido para a filha e pressiona Julieta a pensar em Páris como um marido antes da filha começar sequer a pensar em casamento. Julieta admite o quão poderosa é a influência dos seus pais quando diz sobre o pretendente: "Se o facto de olhar pode levar ao afeto, olharei para ele, para que isso aconteça; contudo as flechas dos meus olhos não irão mais além do que a vossa vontade o permita.”. De facto, Julieta está a dizer que seguirá o conselho da mãe exatamente ao pensar em Páris.
Enquanto fornece um momento de humor, a anedota tola da enfermeira sobre Julieta quando bebé também ajuda a retratar a inevitabilidade da situação da jovem. O comentário do marido da enfermeira sobre Julieta caindo de costas quando ela atinge a maioridade é uma referência ao seu envolvimento um dia num ato sexual. O seu comentário, portanto, mostra que Julieta tem sido vista como um objeto potencial de sexualidade e casamento desde que era criança. Em termos gerais, o seu destino de um dia ser dada em casamento foi definido desde o nascimento.
Além do desenvolvimento temático, esta cena fornece uma visão magnífica das três principais personagens femininas. Lady Capuleto é uma mãe impotente e ineficaz: ela dispensa a enfermeira, procurando falar sozinha com a filha, mas, assim que a enfermeira começa a sair, fica nervosa e chama-a de volta. A enfermeira, na sua hilariante incapacidade de parar de contar a história sobre a insinuação do seu marido sobre o desenvolvimento sexual de Julieta, mostra uma veia vulgar, mas também uma familiaridade com a jovem que implica que foi ela, e não Lady Capuleto, quem criou a miúda. De facto, foi a enfermeira, e não Lady Capuleto, que amamentou Julieta quando era bebé.
A própria Julieta é revelada nessa cena como uma jovem ingénua e obediente à mãe e à enfermeira. Mas há vislumbres de força e inteligência nela que estão totalmente ausentes na sua mãe. Onde Lady Capuleto não consegue que a enfermeira cesse a sua história; já Julieta interrompe-a com uma palavra. Já observámos que a frase de Julieta transcrita parece implicar uma completa concordância com o controle de sua mãe. Mas a frase também pode ser interpretada como ilustrando um esforço da parte de Julieta de usar uma linguagem vaga como meio de afirmar algum controle sobre a sua situação. Nesta frase, ao concordar em ver se pode amar Páris, ela está a dizer ao mesmo tempo que não colocará mais entusiasmo nesse esforço do que a mãe exige. A frase pode, portanto, ser interpretada como uma espécie de resistência passiva.
Nesta cena, mais uma vez, é feita uma comparação direta entre criados e senhores. No decorrer da história da enfermeira, fica claro que a sua própria filha, que teria a idade de Julieta, morreu há muito tempo. O marido da enfermeira também morreu. Essas mortes podem ser simplesmente coincidentes, mas parece igualmente provável que correspondam à posição mais baixa da enfermeira na vida.

Traduzido de SparkNotes

Resumo e análise da Cena II do Ato I de Romeu e Julieta

Resumo
Noutra rua de Verona, Capuleto caminha com Páris, um parente nobre do príncipe. Os dois discutem o desejo de Páris de se casar com a filha de Capuleto, Julieta. Capuleto está muito feliz, mas também afirma que Julieta – ainda com catorze anos - é jovem demais para se casar. Ele pede a Páris que espere dois anos, garante-lhe que o favorece como pretendente e convida-o para o tradicional baile de máscaras que irá realizar naquela mesma noite, para que Páris possa começar a cortejar Julieta e conquistar o seu coração. Capuleto envia um criado, Pedro, para convidar uma lista de pessoas para a festa. À medida que Capuleto e Páris se afastam, Pedro lamenta não saber ler pelo que, portanto, terá dificuldade em realizar sua tarefa.
Romeu e Benvólio surgem em cena, discutindo ainda se Romeu será capaz de esquecer o seu amor. Pedro pede a Romeu que lhe leia a lista de convidados; o nome de Rosalina é um dos que constam nela. Antes de partir, Pedro convida Romeu e Benvólio para a festa – assumindo, diz ele, que não são Montecchios. Benvólio diz a Romeu que o banquete será a oportunidade perfeita para comparar Rosalina com as outras mulheres bonitas de Verona. Romeu concorda em ir com ele, mas apenas porque a própria Rosalina estará lá.

Análise
Esta cena apresenta Páris como a escolha de Capuleto para marido de Julieta e também põe em movimento a eventual reunião de Romeu e Julieta na festa. No processo, a cena estabelece como a jovem está sujeita à influência dos pais. Romeu pode ser forçado a lutar por causa da inimizade do seu pai com os Capuletos, mas Julieta está muito mais constrangida. Independentemente de qualquer conflito entre famílias, o pai de Julieta pode forçá-la a casar-se com quem ele quiser. Essa é a diferença entre ser homem e mulher em Verona. Pode parecer pior ser-se apanhado pela violência de uma luta, mas o status de Julieta como jovem deixa-a sem poder ou escolha em qualquer situação social. Como qualquer outra mulher nesta cultura, ela passará do controle de um homem para outro. Nesta cena, Capuleto parece ser um homem de bom coração. Ele difere para a capacidade de Julieta escolher por si mesma ("Minha vontade de consentir é apenas uma parte"). Mas o seu poder de forçá-la a casar-se, se ele achar necessário, está implicitamente presente. Assim, a influência dos pais nesta tragédia torna-se uma ferramenta do destino: o casamento arranjado de Julieta com Páris e o tradicional conflito entre Capuletos e Montecchios contribuirão para a morte de Romeu e Julieta. As forças que determinam o seu destino são estabelecidas bem antes de as duas personagens se encontrarem.
O espectro da influência dos pais, evidente nesta cena, deve ser entendido como um aspeto da força exercida sobre os indivíduos por estruturas sociais como a família, a religião e a política. Todas estas estruturas sociais maciças irão, com o tempo, lançar obstáculos no caminho do amor de Romeu e Julieta.
Pedro, que não sabe ler, empresta um toque de humor à cena, especialmente na maneira como o seu analfabetismo o leva a convidar dois Montecchios para a festa, ao mesmo tempo que afirma expressamente que nenhum Montecchio é convidado. Mas a falta de educação de Pedro também faz parte das estruturas sociais arreigadas. Julieta não tem poder porque é mulher. Pedro não tem poder porque é um servo humilde e, portanto, não pode ler.
Romeu, é claro, ainda está apaixonado por Rosalina; mas o público pode concluir que ele encontrará Julieta no banquete, e as expectativas começam a aumentar. Através da engenhosa manipulação de Shakespeare da trama, o público começa a sentir o farfalhar do destino que se aproxima.

Traduzido de SparkNotes

Resumo e análise da Cena I do Ato I de Romeu e Julieta

Resumo
Sampson e Gregory, dois serviçais da casa Capuleto, passeiam pelas ruas de Verona. Através de brincadeiras obscenas, Sampson exala o seu ódio pela casa de Montecchio. Os dois trocam comentários penosos sobre conquistar fisicamente homens Montecchio e conquistar sexualmente mulheres Montecchio. Gregory vê dois servos dos Montecchio a aproximar-se e discute com Sampson sobre a melhor maneira de os provocar a lutar sem violar a lei. Sampson morde o polegar para os Montecchio – um gesto altamente insultuoso. Um confronto verbal rapidamente se transforma em briga. Benvólio, um parente de Montecchio, entra e desembainha a espada na tentativa de parar o confronto. Tebaldo, um parente de Capuleto, vê a espada desembainhada de Benvólio e tira a sua. Benvólio explica que está apenas a tentar manter a paz, mas Tebaldo professa um ódio pela paz tão forte quanto o seu ódio por Montecchio e ataca. A luta espalha-se. Um grupo de cidadãos com tacos tenta restaurar espancando os combatentes. Montecchio e Capuleto entram, e apenas as suas esposas os impedem de se atacar. O príncipe Della-Scala chega e ordena que a luta pare sob pena de tortura. Os Capuletos e Montecchios deitam as suas armas no chão. O príncipe declara que a violência entre as duas famílias se prolonga há muito tempo e proclama uma sentença de morte contra qualquer pessoa que perturbe a paz civil novamente. E acrescenta que falará com Capuleto e Montecchio mais diretamente sobre esse assunto; Capuleto sai com ele, os desordeiros dispersam, e Benvólio é deixado sozinho com os seus tios, Montecchio e Lady Montecchio.
Benvólio descreve a Montecchio como a luta começou. Lady Montecchio pergunta se Benvólio viu seu filho Romeu, ao que o jovem responde que o tinha visto a passear por um bosque de plátanos fora da cidade, mas como lhe parecia perturbado, não falou com ele. Preocupados com o filho, os Montecchios dizem a Benvólio que Romeu tem sido visto com frequência melancólico, andando sozinho entre os plátanos. Eles acrescentam que tentaram descobrir o que o incomoda, mas não tiveram sucesso. Benvólio vê Romeu a aproximar-se e promete descobrir o motivo da sua melancolia. Os Montecchios partem rapidamente.
Benvólio aproxima-se do seu primo. Com ar triste, Romeu diz-lhe que está apaixonado por Rosalina, mas que ela não retribui os seus sentimentos e que jurou viver uma vida de castidade. Benvólio aconselha Romeu a esquecê-la, contemplando outras belezas, mas este afirma que a mulher que ele ama é a mais bonita de todas. Romeu parte, assegurando ao primo que este não pode ensiná-lo a esquecer o seu amor. Benvólio resolve fazer exatamente isso.

Análise
Numa abertura cheia de ação estimulante que certamente atrairá a atenção do público (e projetada parcialmente para esse fim), Shakespeare fornece todas as informações necessárias para entender o mundo da peça. Na luta, ele retrata todas as camadas da sociedade de Verona, desde as que detêm menos poder, os servos, até ao príncipe que ocupa o pináculo político e social. Além disso, fornece uma excelente caracterização de Benvólio como temente da lei, Tebaldo como cabeça quente e Romeu como distraído e apaixonado, enquanto revela o ódio profundo e de longa data entre os Montecchios e os Capuletos. Ao mesmo tempo, Shakespeare estabelece alguns dos principais temas da peça. A abertura de Romeu e Julieta é uma maravilha de economia, poder descritivo e emoção.
A origem da luta, como é comum nas bravatas sexuais e físicas, introduz o importante tema da honra masculina. Esta temática não funciona na peça como uma espécie de indiferença estoica à dor ou ao insulto. Em Verona, um homem deve defender a sua honra sempre que for atingida, verbal ou fisicamente. Esse conceito de honra masculina existe em todas as camadas da sociedade de Verona, desde os servos até aos nobres. Anima Sansão e Gregório tanto quanto Tebaldo.
É significativo que a luta entre Montecchios e Capuletos irrompa em primeiro lugar entre os servos. Os leitores da peça geralmente concentram-se nas duas grandes famílias nobres, como deveriam. Mas não se deve negligenciar a inclusão por Shakespeare dos serviçais na história: as perspetivas dos criados em Romeu e Julieta são frequentemente usadas para comentar as ações dos seus senhores e, portanto, da sociedade. Quando os servos aparecerem na peça, não devem ser encarados apenas como objetos destinados a fazer o mundo de Romeu e Julieta parecer realista. As coisas que os criados dizem muitas vezes mudam a maneira como podemos ver a peça, mostrando que, embora os Montecchios e os Capuletos sejam gloriosamente trágicos, também são extremamente privilegiados e estúpidos, já que apenas os estúpidos trariam a morte sobre si mesmos quando não há necessidade disso. As preocupações prosaicas das classes mais baixas mostram a dificuldade das suas vidas; dificuldade que os Capuletos e Montecchios não teriam de enfrentar se não fossem tão cegos pela honra e pelo ódio.
Através figuras da segurança civil e do príncipe, a luta apresenta ao público um aspeto diferente do mundo social de Verona que existe além dos Montecchios e dos Capuletos. Esse mundo social contrasta constantemente com as paixões inerentes às duas famílias. O contraste entre as exigências do mundo social e e as paixões particulares dos indivíduos é outro tema poderoso da peça. Por exemplo, observe-se o modo como os criados tentam alcançar os seus desejos enquanto permanecem do lado certo da lei. Observe-se como Sansão é cuidadoso ao perguntar: "A lei está do nosso lado, se eu disser 'Ei' '", antes de insultar os Montecchios. Depois de o príncipe instituir a pena de morte para quem voltar a perturbar a paz, as hipóteses de as paixões privadas se sobreporem à sobriedade pública aumentam bastante.

Finalmente, esta primeira cena também nos apresenta Romeu, o amante. Mas essa introdução vem com um choque. Numa peça chamada Romeu e Julieta, esperaríamos que o abandonado Romeu estivesse apaixonado por Julieta, mas, em vez disso, ele está apaixonado por Rosalina. Quem é ela? A questão permanece na peça, pois a jovem nunca aparece no palco, mas muitos amigos de Romeu, desconhecendo que se apaixonou e se casou com Julieta, acreditam que ele está apaixonado por Rosalina durante toda a peça. E Frei Lourenço, por um lado, mostra-se chocado por as afeições de Romeu poderem mudar tão rapidamente de Rosalina para Julieta. Dessa maneira, Rosalina assombra Romeu e Julieta. Pode-se argumentar que ela existe na peça apenas para demonstrar a natureza apaixonada de Romeu, o seu amor ao amor. Por exemplo, nos clichês, ele fala sobre o seu amor por ela: "… pena de chumbo, fumo resplandecente, fogo gelado, saúde doentia…". Parece que o amor de Romeu pela casta Rosalina decorre quase inteiramente da leitura de poesia de mau amor. O amor de Romeu por Rosalina parece, pois, um amor imaturo, mais uma afirmação de que ele está pronto para estar apaixonado do que o amor real. Um argumento alternativo sustenta que o amor de Romeu por Rosalina mostra que ele deseja sentir amor por quem que que seja bonito e queira compartilhar os seus sentimentos, manchando assim a nossa compreensão do amor de Romeu por Julieta. Ao longo da peça, a pureza e o poder do amor de Romeu por Julieta parecem superar quaisquer preocupações sobre a origem desse amor e, portanto, quaisquer preocupações sobre Rosalina, mas a questão do papel desta na peça oferece um ponto importante para consideração.

Traduzido de SparkNotes
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