sábado, 29 de junho de 2019

Regência de "assistir"

1. Com o sentido de "ver, presenciar", «assistir» é um verbo transitivo indireto. pelo que rege a preposição a:
     . No sábado, assisti ao programa de Ricardo Araújo Pereira.

2. Quando significa "prestar auxílio médio", "dar assistência", ou "servir de advogado ou procurador de alguém", seleciona um complemento direto, pelo que é usado sem preposição:
     . O médico assistiu os doentes.
     . O advogado que assiste Sócrates no processo veio de Marte.

3. Quando significa "caber a alguém, ser seu por direito, por justiça", rege a preposição a ou liga-se ao complemento indireto:
     . Votar é um direito que assiste a todos.
     . Meu amigo, votar é um direito que lhe assiste.

Mordillo


Guillermo Gordillo

(04/08/1932 - 29/06/2019)

quarta-feira, 26 de junho de 2019

"Presságio"

            O poema “Presságio” foi escrito por Fernando Pessoa em 24 de abril de 1928, já na fase final da sua vida (13 de junho de 1888 – 30 de novembro de 1935).
            O tema da composição poética é o amor, mais concretamente a dificuldade em o revelar à pessoa amada (em última análise a impossibilidade de viver um amor correspondido), abordado em cinco quadras de redondilha maior (bem ao gosto popular), com rima cruzada, segundo o esquema rimático ABAB.
            Na primeira quadra, o sujeito poético apresenta o mote do texto, isto é, o tema que vai ser desenvolvido, bem como o seu posicionamento face ao mesmo: quando o sentimento amoroso se revela, quando surge, não sabe como se revelar, como se confessar (note-se a antítese construída em torno da repetição de formas do verbo “revelar” nos dois versos iniciais: “revela” e “revelar”). Recorrendo à personificação, ele representa o amor como uma entidade autónoma, que age independentemente da vontade do sujeito. Assim, sem conseguir controlar aquilo que sente, apenas pode olhar a mulher amada, mas não consegue conversar com ela, não sabe o que dizer.
            Na segunda estrofe, o sujeito poético reforça a incapacidade de expressar devidamente o seu amor, parecendo acreditar que o sentimento não pode ser traduzido por palavras, pelo menos por ele: “Quem quer dizer o que sente / Não sabe o que há de dizer.”. O «eu» é um inadequado relativamente ao «outro» e tem dificuldade em comunicar com ele, a qual resulta na sensação de que está sempre fazendo algo de errado.
            A observação e a opinião dos outros restringem os seus sentimentos. O sujeito acredita que, se falar sobre eles, vai parecer que mente, mas, se os calar, vai ser julgado por deixar (a amada? O amor?) cair no esquecimento. Assim sendo, sente que não pode agir de nenhum modo.
            Na terceira estrofe, o sujeito lírico, triste e desalentado, lamenta-se e, socorrendo-se do pretérito imperfeito do conjuntivo (modo verbal do desejo) e de uma oração subordinada adverbial condicional, manifesta um desejo: que ela pudesse compreender o amor que sente através do olhar. Atente-se na sinestesia dos versos 9 e 10 (“Ah, mas se ela adivinhasse, / Se pudesse ouvir o olhar”), que exprime a crença do sujeito, segundo a qual o modo como olha a amada denuncia mais o seu sentimento do que qualquer declaração. O «eu» suspira (“Ah”), imaginando como seria se ela percebesse, sem que ele tivesse de dizer por palavras. Porém, a presença do conjuntivo (“adivinhasse”, “pudesse”) e da oração condicional nega desde logo a possibilidade de se concretizar essa vontade.
            Na estrofe seguinte, defende que “quem sente muito, cala”, ou seja, aqueles que estão realmente apaixonados calam o seu sentimento. Para ele, quem tenta expressar o seu amor “fica sem alma nem fala”, “fica só, inteiramente”. Falar do que sente irá sempre levá-lo ao vazio e à solidão absoluta. Assim, é como se assumir um amor fosse, automaticamente, uma sentença de morte para o sentimento, que passaria a estar condenado.
            A última quadra é passível de diferentes leituras:
a) Se o sujeito poético pudesse explicar à mulher a dificuldade que tem em exprimir o seu amor, não mais seria necessário fazê-lo, porque já se estava a declarar, mesmo que indiretamente. Porém, a realidade é que não consegue verbalizar o sentimento nem discutir essa sua inabilidade. Assim sendo, o relacionamento está condenado a não passar do plano platónico.
b) O texto é, na verdade, uma declaração de amor. Neste caso, o «eu» usa a poesia como forma de falar, de mostrar o que sente; o poema diz/fala aquilo que ele não consegue. Porém, para que esta forma de comunicação se concretizasse, seria necessário que ela lesse o poema e soubesse que lhe era dirigido. Como não o lê não sabe, o relacionamento também não se concretiza deste modo.
c) O verdadeiro amor é incomunicável, não pode ser expresso através de palavras, caso contrário desaparece. O sujeito poético conclui que só conseguiria declarar o seu amor, caso o sentimento não existisse mais.
            A conjunção coordenativa adversativa “mas” estabelece uma oposição entre aquilo que tinha sido dito antes e a quadra que encerra o poema. Embora lamente não poder expressar o seu sentimento, está conformado, pois sabe que não pode ser revelado, sob pena de desaparecer.
            Ao longo de todo o poema, transparece a atitude derrotista do sujeito poético face ao amor.



https://www.culturagenial.com/poema-pressagio-de-fernando-pessoa/

Análise de "O Grito", de Edvard Munch

 O Grito é considerado a obra-prima de Edvard Munch, pintor norueguês nascido em Loten, em 12 de dezembro de 1863, e aí falecido em 23 de janeiro de 1944, um dos precursores do Impressionismo e do Expressionismo. Pintado pela primeira vez em 1893 a óleo e pastel sobre cartão, o quadro conheceu quatro versões, três das quais dispersas por museus e outra na posse de um empresário norte-americano, Leon Black, que a comprou por 119,9 milhões de dólares.          
            A pintura situa-nos num cenário natural, constituído por céu, água e arvoredo, representado de forma impressionista, no qual são visíveis três figuras: uma em primeiro plano e as outras duas ao fundo, todas situadas numa ponte, que é o único elemento do cenário caracterizado por linhas direitas, pois todos os restantes elementos estão representados com linhas ondulantes e curvas, criando um efeito de redemoinho, de abismo que tudo engole, nomeadamente as duas embarcações que parecem à deriva. Este movimento, conjugado com as cores, é gerador de tensão e sugere um grito da própria natureza.
            À semelhança do cenário, a figura humana em primeiro plano caracteriza-se por linhas curvas: trata-se de um corpo contorcido, em sofrimento, estado sugerido pelo seu grito e pelas mãos que apertam a cabeça, em atitude de desespero, contrastando com as outras duas figuras, direitas e de costas, que se afastam, acentuando a ideia de solidão e de profundo desespero. O rosto da primeira pessoa é fantasmagórico, os seus olhos estão desmesuradamente abertos, mas, ao mesmo tempo, as cavidades oculares parecem estar vazias, evocando uma caveira, o que torna este rosto uma prefiguração da morte. Em suma, este ser grita em uníssono com a natureza ou porque não quer ouvir o grito dela, dado que as mãos na cabeça podem indiciar o seu desejo ou recusa de escutar. De facto, cada vez mais surgem interpretações, baseadas nas palavras do próprio Munch, segundo as quais a figura não grita, antes cobre os ouvidos enquanto ouve os gritos da natureza. Mais: segundo Giulia Bartrum, curadora de uma exposição dedicada ao artista no Museu Britânico, a pintura é a reprodução de um pôr do Sol, de um céu vermelho-sangue que gerou nele um efeito de muita ansiedade. Assim sendo, a figura e as mãos nos ouvidos está praticamente em êxtase, a tentar bloquear o grito da natureza. No fundo, o quadro seria uma metáfora para uma emoção muito intensa e muito pessoal.
            Igualmente importantes são os efeitos cromáticos. De facto, as cores do quadro são fortes e vivas, mas simultaneamente soturnas: o amarelo e o vermelho remetem para as nuvens do pôr do Sol, divisando-se ainda réstias de azul; o azul-escuro identifica a água (o mar talvez, ou um lago); enquanto os tons verdes e castanhos assinalam as árvores e a terra. Por outro lado, as cores que caracterizam o céu parecem contaminar todos os outros elementos que ganham tonalidades sangrentas. O elemento cromático assume, assim, um significado simbólico, não sendo somente um reflexo da realidade, até porque esta pintura não pretende constituir a sua representação objetiva.
            Várias curiosidades rodeiam também este quadro. Por exemplo, ele inspirou a saga de filmes Scream, protagonizada pela atriz Neve Campbell, na qual os «serial killers» usam máscaras baseadas na expressão da figura principal da pintura. Além disso, apareceu duas vezes na série Os Simpsons, a primeira na aberta do episódio Treehouse of Horror IV (exibido nos EUA em 1993) e a segunda no episódio See Homer Run, de 2005, no qual foi satirizado o roubo de duas versões da pintura.
            Em suma, segundo as interpretações mais antigas, O Grito constitui a representação de um determinado estado psíquico, expressando um intenso sentimento de desespero e angústia. Neste sentido, a figura em primeiro plano simboliza o ser humano na sua íntima e intrínseca solidão. Pelo contrário, tendo em conta interpretações mais recentes, o quadro representa o êxtase de uma figura perante o «grito da natureza».


terça-feira, 25 de junho de 2019

A escola e o elevador social ou o 54/2018

O SE Costa veio recentemente falar da escola como «elevador social», referindo a este propósito o papel do 54/18, como elemento integrador e que garante oportunidades aos mais desfavorecidos, ao garantir o sucesso a todos os alunos, através das chamadas medidas universais.
Por outro lado, um jornal explicava que «a indisciplina nas salas de aulas está a prejudicar o ensino e é um dos motivos pelos quais cada vez mais pais procuram explicadores para os filhos mais cedo, logo no 1.º Ciclo. A ansiedade e a pressão pelas boas notas justificam que já não se vendam apenas aulas particulares de Matemática, mas também para as línguas, as Ciências e, até, o Português».
Estas duas lógicas são contraditórias, ou o elevador social só funciona com as medidas universais, isto é, adapta a avaliação ao aluno, se o aluno não teve sucesso com o nível normal de exigência, reduz-se o mesmo; ou funciona com mais esforço, com mais repetições, nas explicações.

     Um excelente artigo de opinião [artigo] sobre a falácia que constitui a Educação segundo o governo de António Costa.

     De facto, nele o autor mostra, com facilidade e total clareza, como o 54/2018 aprofunda as desigualdades no setor educativo: os «mais fracos» não saem da cepa torta e os com «mais recursos» singram, ou pelo menos têm muito mais possibilidades de singrar.

     A ler com toda a atenção por parte de todos aqueles de mente aberta e que procuram os dois lados do espelho.

sábado, 22 de junho de 2019

"The Sun Ain't Gonna Shine Anymore", The Walker Brothers


     "The sun ain't gonna shine anymore" surgiu em 1966 pela voz dos The Walker Brothers.

     Scott Walker, o membro mais destacado da banda, faleceu no passado dia 25 de março deste ano, notícia que nos passou despercebida até hoje. Há muitos anos, várias noites de verão eram passadas ouvindo este tema e este grupo. RIP, Scott!

Exames nacionais do ensino secundário - 1.ª fase - 2019

 1.ª FASE  
138  |   Português Língua Segunda   |   18-06-2019
501  |   Alemão   |   26-06-2019
517  |   Francês   |   26-06-2019
547  |   Espanhol   |   26-06-2019
550  |   Inglês   |   26-06-2019
623  |   História A   |   21-06-2019
635  |   Matemática A   |   25-06-2019
639  |   Português   |   18-06-2019
702  |   Biologia e Geologia   |   26-06-2019
706  |   Desenho A   |   26-06-2019
708  |   Geometria Descritiva A   |   27-06-2019
712  |   Economia A   |   27-06-2019
714  |   Filosofia   |   17-06-2019
715  |   Física e Química A   |   19-06-2019
719  |   Geografia A   |   19-06-2019
723  |   História B   |   21-06-2019
724  |   História da Cultura e das Artes   |   21-06-2019
732  |   Latim A   |   18-06-2019
734  |   Literatura Portuguesa   |   27-06-2019
735  |   Matemática B   |   25-06-2019
835  |   Matemática Aplicada às Ciências Sociais   |   25-06-2019
839  |   Português Língua Não Materna - B1   |   18-06-2019

Exames nacionais de 9.º ano - 1.ª Fase - 2019

3.º Ciclo - 9.º Ano de Escolaridade 
1.ª FASE 
91   |   Português   |   21-06-2019
92   |   Matemática    |   27-06-2019 
93   |   Português Língua não Materna - A2   |   18-06-2019 
94   |   Português Língua não Materna - B1   |   18-06-2019 
95   |   Português Língua Segunda   |   21-06-2019

Despacho n.º 5754-A-2019

quinta-feira, 20 de junho de 2019

'Os Lusíadas': Canto V: estâncias 92 a 100

. Análise estância a estância

. Estância 92

. É agradável (“doce”) ouvir os elogios dos outros quando os nossos feitos são divulgados (“soados” – v. 2).

. Qualquer pessoa de valor (“nobre”) esforça-se por igualar ou superar a glória dos seus antepassados.

. A admiração (“envejas”) dos feitos dos outros/antepassados constitui um estímulo, um incentivo para realizar atos mais sublimes (hipérbole “Fazem mil vezes feitos sublimados.” – v. 6). De facto, o canto, o louvor, incita à realização dos feitos: “Louvor alheio muito o esperta e incita.” (v. 8) – o exemplo origina a ação.


. Estância 93: Heróis da Antiguidade que se dedicaram à poesia ou à cultura.

. Alexandre Magno apreciava os versos melodiosos de Homero (mais do que os próprios feitos de Aquiles).

. Temístocles invejava os monumentos às vitórias do general Milcíades.

. Temístocles gostava de ouvir cantar os feitos de Milcíades.


Apreço dos Antigos pelos seus poetas
e importância dada à cultura
Consequência
Conciliação entre as armas e as letras


. Estância 94

. Vasco da Gama esforça-se por mostrar que a sua viagem à Índia (“que o Céu e a Terra espanta.”) merece mais glória e louvor do que as célebres navegações de Ulisses e Eneias, embora estes tenham sido imortalizados porque Virgílio foi valorizado por um “Herói” (v. 21), Otávio César Augusto.
O Poeta enaltece o Herói clássico pela sua atitude

. Crítica implícita aos portugueses: Camões canta os feitos dos portugueses, tal como Virgílio, e não há um herói que reconheça o seu valor. Quem imortaliza Vasco da Gama e os seus feitos é o Poeta.


. Estâncias 95 e 96

. Em Portugal, há heróis como os clássicos Cipião, César, Alexandre e Augusto, mas…

. Não possuem “aqueles dões / Cuja falta os faz duros e robustos” (vv. 3-4, est. 95): o Poeta censura os guerreiros/heróis portugueses seus contemporâneos, a quem falta cultura e dons artísticos.

. Exemplos de heróis cultos:

1. Otávio, imperador de Roma, no meio das maiores preocupações, escrevia belos versos, tal como o pode provar Fúlvia, a quem aquele dedicou um poema, depois de Marco António a ter abandonado por Glafira.

2. César, fundador do império romano, dedicava-se à escrita e tinha um estilo erudito semelhante à eloquência de Cícero, um célebre orador romano. Em simultâneo, praticava os seus feitos guerreiros, conciliando as letras e as armas: “Vai César sojugando toda França / E as armas não lhe impedem a ciência; / Mas, nua mão a pena e noutra a lança, […]”.

3. A fama de Cipião, chefe de guerra romano, deve-se à sua dedicação à escrita de comédias.

4. Alexandre Magno, o célebre herói da Antiguidade, apreciava tanto Homero que o considerava seu poeta de eleição: “Que sempre se lhe sabe à cabeceira”.


. Estância 97

. No passado, não houve, entre os romanos, gregos ou povos bárbaros, um grande guerreiro que não se revelasse culto e interessasse pela escrita.

. Pelo contrário, os guerreiros portugueses desprezam a cultura e a poesia: “Senão da Portuguesa tão somente” (v. 4).


. Camões sente vergonha pela ignorância dos líderes do seu tempo, que menosprezam as letras, cujo valor deve ser compatível com as artes guerreiras.

. Quem não pratica a poesia não lhe sabe dar i verdadeiro valor: “Porque quem não sabe arte, não na estima.” (v. 8).


. Estância 98

. Consequências da ignorância e do menosprezo pela cultura e da falta de incentivos à poesia:

1.ª) Não haverá poetas épicos como Virgílio e Homero.

2.ª) Não serão cantados heróis, como Eneias e Aquiles, nem os seus feitos.

3.ª) Perder-se-ão exemplos virtuosos da História de Portugal.

4.ª) Perder-se-á a identidade nacional.
Mas pior do que a ignorância
é o desprezo por ela
os heróis nacionais não se importam de ser ignorantes
perplexidade
desencanto
indignação

. Os heróis portugueses contemporâneos de Camões são rudes, toscos, incultos e pouco inteligentes. Porém, “o pior de tudo” é que não percebem que são ignorantes.


. Estâncias 99 e 100

. Vasco da Gama deve agradecer às Musas o patriotismo que as move a cantar os feitos do seu povo, porque Calíope e as Tágides não são tão amigas da descendência dele que deixassem as finas telas de ouro que tecem para louvar em verso épico os feitos dos Portugueses.

. Fugindo à leitura literal da estância 99, Camões sugere que Vasco da Gama deve agradecer ao mesmo Camões a inspiração e o patriotismo que o levaram a deixara poesia lírica para escrever uma epopeia onde mitifica os heróis e os feitos da História de Portugal, embora ninguém lhe reconheça importância cultural.

. Exortação final do Poeta: haverá sempre recompensa para quem realize feitos valorosos, pelo que é necessário haver quem os continue a perseguir.


. Intencionalidade crítica do excerto

            Nesta reflexão, Camões tece uma crítica:

a. à ignorância e ao desprezo pelas artes/letras por parte dos seus contemporâneos;

b. à falta de guerreiros como os do passado, que conciliavam as armas e as letras;

c. à falta de coragem dos heróis nacionais para realizarem feitos sublimes.


. Ideal de herói

            O ideal de herói sugerido por Camões nestas estâncias é aquele que alia as armas às letras, a fim de vencer ou igualar as façanhas dos seus antepassados.



terça-feira, 18 de junho de 2019

Calendário escolar 2019-2020



Correção do exame nacional de Português - 12.º ano - 2019 - 1.ª fase

Grupo I

Parte A


1. Caracterização do espaço:
  • ilhas do sul com paisagens belas e irreais ["Onde há paisagens que não pode haver. / Tão belas (...) como que o veludo..." - vv. 2-3];
  • espaço associado ao sonho e à imaginação;
  • espaço associado à beleza, à suavidade ("Tão belas que são como que o veludo" - v. 3);
  • espaço acolhedor e aprazível ("o veludo / Do tecido" - vv. 3-4);
  • espaço associado à ilusão do amor ("E o pensamento julga que é amor"- v. 12);
  • espaço visto como promessa da felicidade ("... tudo o que é a vida / Tornado amor e luz..." - vv. 6-7).
2. Os versos 3 e 4 contêm uma comparação entre a beleza das ilhas e o "veludo", nome que sugere a ideia de suavidade que o mundo pode proporcionar ("Do tecido que o mundo pode ser." - v. 4). Os versos associam-se à dicotomia entre o sonho e a realidade (o tema do poema), visto que o sujeito poético imagina as "ilhas lá ao sul", proporcionadoras de beleza, suavidade, mas que são produto do seu sonho, da sua imaginação, e não da realidade.

3. As anáforas sugerem o seguinte:
  • a ideia / consciência de que o espaço ("ilhas lá ao sul") é mero produto do sonho e da imaginação ("o que o sonhar / Dá à imaginação..." - vv. 7-8);
  • a consciência de que o espaço descrito sugere o amor, a felicidade, a tranquilidade e harmonia, mas, enquanto fruto do sonho, é impossível de alcançar ("Sei, sim, é belo, é longe, é impossível..." - v. 13);
  • a consciência de que o sonho é distinto da realidade (vv. 17-18), mas característico do ser humano.


Parte B

4. O padre Vieira elogia os peixes por não confiarem nos homens e, por isso, se manterem, prudentemente, afastados dele.
     Por outro lado, esse facto fez com que os peixes conservem a sua liberdade e autonomia, ao contrário do que sucede com os outros animais que vivem próximos do homem, se deixam domesticar e sofrem as consequências dessa atitude.

5. Os exemplos apresentados por Vieira sustentam o conselho dado aos peixes para que se mantenham, prudentemente, afastados do ser humano e, assim, conservem a sua liberdade. Por contraste, esses exemplos sugerem que os outros animais, porque vivem próximos dele e se deixam subjugar, perdem a sua liberdade e são explorados.

6. Um dos objetivos da oratória é delectare, ou seja, agradar ao auditório; para o alcançar, nas linhas 14 a 21, entre outros processos, Vieira socorre-se de uma construção na qual existe uma estrutura paralelística ou simétrica (1) que contribui para uma evidente musicalidade (4) do discurso.



Parte C

Visão crítica sobre o tempo histórico representado e a sociedade desse tempo:

Obra
Crítica
Memorial do Convento
. a megalomania, a ostentação e a sumptuosidade associadas a D. João V, traços visíveis na importação de materiais e objetos valiosos/caros do estrangeiro e na ampliação do convento de Mafra;
. a prepotência, o poder absoluto e discricionário do rei, patentes no recrutamento à força de trabalhadores para as obras do convento em todo o reino e na sua vida precária e miserável em Mafra como autênticos escravos;
. a prática religiosa caracterizada pelo fanatismo, primitivismo e barbarismo;
. a violência, a crueldade e a opressão exercidas pela Inquisição, visíveis nos autos de fé;
. o contraste entre as classes sociais: por exemplo, entre a riqueza, o luxo, a opulência do rei e do alto clero e a pobreza, a miséria em que vive o povo.
O Ano da Morte de Ricardo Reis
. a opressão que caracteriza o Estado Novo, patente na forma como a PIDE oprime e controla o povo e na ação dos delatores;
. o controle e a manipulação da informação transmitida pelos meios de comunicação social, de que é exemplo a informação/o noticiário sobre a guerra na Europa;
. a propaganda política em favor do regime político, de que é exemplo a forma como a figura de Salazar é elogiada e apresentada como um modelo a seguir por outros países e como o salvador de Portugal;
. o poder opressor do Estado Novo, visível no modo como são reprimidas as manifestações de revolta, cujo exemplo mais eloquente está presente na atuação dos marinheiros.



Grupo II
    Versão 1     Versão 2

1. D                    C

2. B                    A

3. C                    B

4. C                    D

5. D                    B

6.
a) Complemento do nome.
b) Complemento direto.

7. Modalidade deôntica, valor de obrigação.
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