quinta-feira, 23 de agosto de 2012

"De mais" ou "demais"?

1. Usa-se "de mais" quando se trata:
          a) da preposição «de» seguida do advérbio «mais», funcionando este
               autonomamente, e exprime a noção de quantidade:
                    . Antes de a aula terminar, o professor falou ainda de mais dois temas.
                    . Nenhuma vida é de mais.
          b) de uma locução adverbial que significa muitíssimo, excessivamente,
               demasiado, em demasiaa mais (é o oposto de de menos):
                    . A Bar Rafaeli é linda de mais.
                    . Hoje esteve calor de mais para o meu gosto.
                    . A minha afilhada Eduarda come de mais, por isso está uma bola.

2. Escreve-se "demais" quando significa:
          a) os restantes, os outros (determinante ou pronome demonstrativo):
                    . Só o Pereira enjoou; os demais passageiros não tiveram problemas.
          b) ainda por cima, além disso, de resto, ademais:
                    . O vestido era feito. Demais a mais, custava os olhos da cara.
                    . A docência é uma profissão difícil; demais, é mal remunerada.


     Esta não é, porém, uma posição consensual. Atente-se no que escreve a professora Regina Rocha, no Ciberdúvidas:

     «Demais ou de mais? é uma das dúvidas – e confusões – mais frequentes no português corrente, razão, de resto, de permanentes perguntas de quem consulta o Ciberdúvidas. Vejamos esta dúvida de um leitor do jornal 24 Horas1: «Nenhuma vida é demais» ou «Nenhuma vida é de mais»?
Defendo que deverá escrever-se «Nenhuma vida é de mais». Quando se pretende exprimir a noção de quantidade, deve utilizar-se a locução adverbial de mais. No caso, pretende dizer-se que «não existe nenhuma vida a mais» («de sobra», «além do devido ou necessário»).
Demais, uma só palavra, pode ser um pronome ou um determinante demonstrativo, equivalente a «outros», «outras», «restantes». Exemplos: «Foram visitar a igreja só três excursionistas; os demais ficaram a apanhar sol no jardim.» «Toda a gente já ouviu falar de Miguel Torga, de Fernando Pessoa, de Luís de Camões e dos demais escritores referidos naquele programa de televisão.»
Demais (ou ademais), uma só palavra, também pode ser um advérbio que significa «além disso», «de resto». Exemplos: «O trabalho é muito difícil; demais, é mal pago.» «Não lhe obedeças; demais, essa determinação não está no regulamento.»
Demais, uma só palavra, pode ainda ser um advérbio de modo, que exprime a intensidade e significa «muitíssimo», «excessivamente», «em demasia», «demasiadamente». Emprega-se intensificando formas verbais, advérbios ou adjectivos. Exemplos: «Aquele rapaz dorme demais.» «A jarra é frágil demais; vai partir-se.» «Para aquele pasquim, ele escreve bem demais.»
De mais, duas palavras, é uma locução adverbial (formada pela preposição de e pelo advérbio mais) que exprime a ideia de quantidade. Tem um significado equivalente a «a mais» e aparece ligada a substantivos. É de quantidade que se trata, e não de intensidade. Exemplos: «Comprei discos de mais» (comprei mais discos do que devia); «São de mais os livros que tenho para ler» (são mais livros do que aqueles que tenho tempo ou disposição para ler; são livros a mais); «O chá tem açúcar de mais» (tem mais açúcar do que devia).
Na frase em causa, estamos perante um substantivo (vida), pelo que parece ser a quantidade que está em causa, e não a intensidade.»

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Momentos de glória olímpica (IV)


     Meia-final do torneio olímpico de basquetebol masculino. A Argentina elimina a seleção dos Estados Unidos, constituída por jogadores da NBA (LeBron James estava lá), para, na final, se sagrar campeã olímpica.

domingo, 12 de agosto de 2012

Momentos de glória olímpica (III)



     A 12 de agosto de 1984, em Los Angeles, Carlos Lopes sagra-se campeão olímpico da maratona, obtendo a primeira medalha de ouro para Portugal numas Olimpíadas.

Londres 2012 (I)


terça-feira, 7 de agosto de 2012

Metas curriculares de Português - Ensino básico

«Da» ou «de a»? «Deste» ou «de este»?

     Regra geral, a preposição «de» contrai-se com os artigos, pronomes ou advérbios com que se combina.
  • O problema dela  [de + ela] é ser muito vaidosa.
  • O som veio dali [de + ali].
  • O Elvis Presley morreu novo por causa da [de + a] droga.
     No entanto, quando a preposição faz parte de uma construção que precede um verbo no modo infinitivo, não se contrai:
  • Depois de a chuva parar, a corrida recomeçou.
  • Apesar de a Emma Stone cantar mal, o público aplaudiu-a.
  • O facto de o Benfica ser treinado por um casmurro não ajuda nada.
  • A Maria está muito contente por causa de aqui estar de férias.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Os números totais de professores sem componente letiva

Professores descartáveis ou professores a mais?

     O país está em crise... O Estado gasta em demasia... É preciso poupar... Os ministérios têm de gastar menos... Os portugueses têm de empobrecer...
     Desde Maria de Lurdes Rodrigues a ordem no MEC é para cortar nos professores a torto e a direito. Nuno Crato decidiu ir mais longe do que nunca. Observe-se o quadro seguinte:

     O senhor ministro Nuno Crato definiu as disciplinas de Português e de Matemática como estruturantes e «merecedoras» de um reforço da carga letiva semanal. No entanto, os dados entretanto disponibilizados pelo MEC vêm revelar que o grupo mais atingido no que diz respeito aos «professores descartáveis» é o 300, isto é, o de Português (3.º ciclo e secundário), com 1241 DACL. Se a este número acrescentarmos os quase 600 do 2.º CEB pertencentes aos grupos que podem lecionar aquela disciplina, a coerência de Nuno Crato é merecedora de registo... cómico-trágico.

     Toda esta informação foi, descaradamente, roubada ao bogue A Educação do Meu Umbigo.
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