sexta-feira, 19 de abril de 2019

'Rimas' de Camões

         Rimas é a designação atribuída à obra lírica de Camões.
         Nela concluem três correntes líricas: a da poesia peninsular, constituída por vilancetes, cantigas, esparsas, endechas, cartas, trovas e outras composições extensas, todos eles em redondilha; a corrente italiana, concretizada em sonetos, canções, composições em oitava-rima e sextinas, todos poemas da medida nova ou decassílabos; a corrente greco-latina, composta por éclogas e elegias. Há ainda as sátiras e as cartas moldadas em metro tradicional.
         Em vida de camões, foram publicados apenas uma ode a apresentar Garcia de Orta em Colóquios dos Simples e Drogas (1563), o soneto “Vós, ninfas da gangética espessura”, a elegia “Depois que Magalhães teve tecida”, ambos dedicados a D. Leonis Pereira, insertos no livro de Magalhães Gândavo: História da Província de Santa Cruz (1576). Segundo o humanista Diogo de Couto, encontrou Camões em Moçambique “vivendo de amigos” e trabalhando em duas obras: Os Lusíadas e Parnaso, “livro de muita doutrina e filosofia” que lhe foi roubado. Este roubo deu lugar à incorporação de poesias em Rimas que certamente não lhe pertencem.
         A primeira edição de Rimas foi publicada em 1595 por F. Rodrigues Lobo Soropita.
         A lírica de Camões engloba dois estilos: o engenhoso, na esteira do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, presente na maioria das redondilhas e nalguns sonetos, que se caracteriza pela coisificação das palavras e das realidades sensíveis e manifesta subtiliza e imaginação; e o clássico, em que as palavras pretendem captar uma realidade externa ou interna, com existência independente das mesmas.
         A temática das Rimas é variada, mas pode estruturar-se em 3 grupos: o galanteio amoroso, mais ou menos circunstancial, os temas psicológicos quase sempre analisando a paixão amorosa e os temas filosóficos, como a desarmonia entre o Merecimento e o Destino, o direito à felicidade e a impossibilidade de a alcançar, a justiça aparente e a justiça transcendente.



Queima das Fitas - Coimbra 2019 - Cartaz


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