quarta-feira, 5 de junho de 2013

Entrevista a D. João V

No retrato feito por José Saramago, podemos ver o Rei como um charmoso jovem, muito bonito, propenso ao adultério, com várias pretendentes e casos extra conjugais, sendo a sua mulher D.ª Maria Ana uma antagonista do seu arquétipo de mulher. Depois conforme evelhece torna-se apenas num velho monarca narcisista e vaidoso, género Luis XIV em versão portuguesa e fica doente, com aspeto envelhecido e sofre de flatulência, perdendo muito do seu encanto sobre o sexo oposto e ficando cada vez mais uma réstia daquilo que terá sido. Muito religioso e convicto da existência de Deus, cumpre os seus votos arrastando o país para a miséria, gastando dinheiros públicos. No retrato feito por Herman, podemos apenas comparar este rei ao momento do romance em que ele é mais velho, visto que o comediante já o mostra flatulento, falso charmoso que apenas usa o facto de ser rei para conquistar mulheres e que afirma que a sua obra é esplendida. A intencionalidade crítica do retrato feito pelo comediante e apresentador de tv é óbvio, apresentando João V como um nobre bruto que apenas pensa nos seus interesses, não tem muita noção da realidade em que se encontra e o pouco que sabe, sabe mal.
No geral é uma crítica muito bem-feita, tanto no romance como no video, e achei uma interessante comparação de vistas, embora vistas com propósitos diferentes.

 António S.

"Anjo na neve"

                Enquanto que há montes de músicas de amor e músicas sobre a cumplicidade de um casal, podemos diz que este tema musical se relaciona facilmente com o papel que Blimunda mantém na sua relação com Baltasar.
                A letra da música (Angel, angel or so / Wherever you may go / I'll follow / Wherever you may go) é claramente uma mensagem do cantor (ou de uma certa personagem) para a pessoa que ama, o seu "anjo na neve", dizendo que seguirá sempre essa pessoa, esteja onde ela estiver. Esta declaração de amor e de carinho é muito semelhante à relação existente entre as duas personagens principais do Memorial do Convento, onde existe uma certa cumplicidade e sentido de proteção entre Sete-Sóis e Sete-Luas. Quando Baltasar desaparece, Blimunda não descansa até o descobrir e até saber se o seu amado está bem, mostrando novamente que ela estará sempre lá por ele, como está escrito na segunda estrofe do tema musical ("And always will I be there / Shake worries from your hair").

                Supõe-se que, obviamente, Baltasar faria o mesmo pelo amor da sua vida, protegendo-a de todo o mal e ajudando-a sempre nos seus piores momentos. No fundo, Baltasar e Blimunda são, cada um, o "anjo na neve" do outro, protegendo-se, amando-se e ajudando-se.
Pedro M.

Entrevista a D. João V

Comparando a personagem pitoresca que vemos caraterizada por Herman José com o retrato podemos ver várias semelhanças e diferenças. Por exemplo, Herman José representa o Rei, como flatulento, mulherengo, mal-educado, mau falante, mau ouvinte e megalómano, enquanto José Saramago o caracteriza como primeiramente, um jovem garboso, esbelto, garanhão, grande “cobridor” e segundamente, como doente, apagado, sombra daquilo que um dia foi, e tudo aquilo que o cómico retratou. Ou seja, há duas partes do retrato de Saramago para comparar. Quanto á primeira não podia estar mais longe, enquanto está muito perto da segunda. Na critica é um trabalho inteligentemente construído, um retrato apurado da realidade real, sendo esta feita de aparências e ilusões que depressa se desvanecem, senão com o tempo, com o conhecimento da personalidade.

Marco V. 

Relação de Blimunda com a música Angel in the snow

            Blimunda mantém uma relação com Baltazar que transcende a física e não segue apenas as regras religiosas e humanas. É algo completamente acima dos padrões estabelecidos por qualquer comunidade humana. Comparando com o que a música diz, Baltazar é o anjo e Blimunda o sujeito da canção, que lhe diz que a seguirá para onde quer que ela vá o que de facto se verifica no romance, e que lha afastará todas as inquietações da sua cabeça e lhe trará paz, e Blimunda é de facto o porto de abrigo de Baltazar, é a sua companhia de todas as horas e mesmo quando este morre, esta carrega a sua vontade para que o destino deste se cumpra. Blimunda, e Baltazar unidos apenas pelo vínculo amoroso entre os dois são antagonistas do rei e da rainha, e considero a música mais que apropriada para descrever não só o papel de Blimunda na relação, mas também a relação em si.


Marco V.
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