segunda-feira, 20 de maio de 2013

Arquétipo da época

D. João V (1689-1750), filho de D. Pedro II e D. Maria Sofia, governou Portugal de 1707 a 1750. Casou com D. Maria Ana Josefa da Áustria com quem teve 6 filhos legítimos. A época do seu reinado é marcada por um grande desenvolvimento económico (ouro e pedra preciosas do Brasil) e pela megalomania do próprio rei que se nota na promessa de construção de um convento mais grandioso que o Escorial de Madrid ou o Palácio de Versalhes se a sua esposa lhe desse um herdeiro.
Com a visualização do vídeo, deparamo-nos com algumas características do rei D. João V, também enunciadas por José Saramago na obra Memorial do Convento. Dentro dessas características destacam-se: os prazeres da carne, a sua doença (flatulência), a megalomania, a vaidade, o egocentrismo e o devoto fanático.
D. João V, apesar de casado, não esconde o seu gosto por mulheres, ao ponto de ter varias relações extraconjugais, destacando-se a relação com a Madre Pauda do Convento de Odivelas. Destas relações resultaram inúmeros filhos bastardos. Este traço é evidenciado na entrevista, quando o rei pega no braço da assistente e a senta no seu próprio colo, acariciando-a, e dando-lhe um cartão para um possível futuro encontro. Este era um rei que se dedicava pouco ao reino, pois o seu maior interesse estava centrado nas mulheres.
O monarca é ridicularizado tanto no vídeo como na obra, devido à doença de que sofria, a flatulência. Esta doença admitida por ele mesmo na entrevista deve-se ao seu gosto excessivo por comida, revelado logo no início do vídeo, quando o rei pergunta, antes de mais nada, por comida. Ao longo da conversa o soberano irá sofrer as consequências deste primeiro ato, ao ponto de ficar com o seu aparelho digestivo alterado, sendo isto evidente nos inúmeros flatos ao longo do tempo.
No vídeo é notório o gosto do rei pelo luxo e ostentação, sendo isto visível no seu próprio vestuário (peruca, vestimenta bem trabalhada…), e a na construção de um grandioso, exuberante e luxuosos convento. O propósito desta construção terá sido o cumprimento de uma promessa pessoal, sendo esta a edificação de um convento, se Deus lhe desse um herdeiro, garantindo assim a sucessão do trono. Para esta mesma construção, o rei sacrificou todo um povo por uma questão meramente pessoal, sendo destacado nesta atitude o seu egocentrismo, a sua vaidade e megalomania. O monarca é egocêntrico, até ao ponto de decidir que a sagração do edifício se realizasse na data do seu aniversário, 22 de outubro.
Em conclusão, depreende-se facilmente que o verdadeiro herói da construção do convento e da obra estudada é o povo, um povo miserável, sofrido, sem horizontes nem sonhos, vergado ao destino e a vontade omnipotente do rei. Um rei cujo único objetivo é assumir um papel gerativo de um filho e de um convento. O monarca é ridicularizado por Herman José e Saramago por protagonizar cerimónia de solenidade e por situações que revelam as suas fragilidades que descascaram facetas pouco dignificantes.

M.Y.

Pastores de Nuvens

Pastores de nuvens” é o título do cartoon criado por Biratan Porto e pulicado in Água com humor. O título é escolhido é este, porque podemos ver vários índivíduos expectantes e com cajados a guardar as nuvens e a agrupá-las, tal como se faz com os animais, daí ser esse título.
Assim que observamos o cartoon, salta-nos logo á vista os índivíduos que são representados com um aspeto de idosos, uns mais que outros, e as roupas que têm vestidas estão muito velhas e rasgadas. O índivíduo que se encontra em primeiro plano está a olhar para as nuvens de uma forma expectante. Todos os índivíduos têm cajados na mão para direcionar as nuvens, para que a água da chuva caia dentro dos bidons de que cada um dispõe.
O autor representou o chão com aspeto de um deserto, tudo muito seco e com algumas pedras espalhadas.
As nuvens têm um tom de cinzento muito carregado, que dá a ideia de que está um tempo mau e muito provavelmente vai chover.
A intencionalidade crítica do cartoon é a harmonia entre os homens, uma vez que eles se encontram todos distantes e sem contacto; a falta de água, porque os homens estão a tentar guardar a água das nuvens em bidons e a desertificação, porque o chão não tem nada, só areia e há poucas pessoas.
Assim, o cartoon pode relacionar-se com o poema intitulado “IX” de Alberto Caeiro, porque ambos falam de ser pastores, ou seja, alguém que guarda algo.
Em síntese, o autor crítica o facto de as pessoas não estarem em harmonia umas com as outras e a falta de água, e isso junto causar desertificação, tanto a nível populacional como a nível de plantas e animais.

S.T.

Carlos Abreu Amorim: a estupidez ruminante


     E é isto deputado da nação.
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