quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Renascimento - Origem

·         O Renascimento é «um movimento cultural que, articulado com fatores sociais, económicos, políticos e religiosos, criou uma profunda de dinâmica de mudança na Europa dos séculos XV e XVI». É um movimento de recuperação da cultura greco-latina, cuja designação se ficou a dever a uma certa oposição à Idade Média, considerada, erradamente em parte, como uma «época de trevas» pelos homens do Renascimento. Nas palavras de António José Saraiva e Óscar Lopes, o Renascimento é o período que caracterizado pela «adoção das formas artísticas greco-latinas e a assimilação do espírito que as anima», o que sugere que estamos perante uma aceitação e não uma ressurreição das formas clássicas, visto que a ressurreição supõe a morte e as formas greco-latinas nunca morreram. Com efeito, durante a Idade Média leram-se Homero e Virgílio, comentaram-se as obras de Aristóteles e Platão, estudaram-se as línguas grega e latina.
     ·         O berço do Renascimento foi a Itália do século XV, nomeadamente cidades como Florença, Génova e Veneza, não obstante alguns sinais de mudança se terem começado a sentir no final da Idade Média, em determinados centros intelectuais europeus.
     ·         Esta origem explica-se pelo facto de, sobretudo em Florença, se ter formado uma elite de políticos e intelectuais que, enriquecida pelo comércio, esteve na génese de um movimento profundo de renovação cultural.
     ·         Ainda em Florença, é de destacar o papel da família Médicis ao longo do século XV, família essa que governou a cidade e se constituiu como mecenas de inúmeros artistas, o que fomentou o desenvolvimento das letras e das artes. Durante o século XVI, membros dessa família dominaram o papado, o que fez com que Roma se tornasse o novo centro de irradiação do Renascimento.
     ·         O movimento renascentista acabou por e expandir por toda a Europa – tendo como base a Itália e a Flandres, outro centro de comércio e desenvolvimento artísticos ‑, tendo atingido o auge nas primeiras décadas do século XVI.
     ·         Por outro lado, durante o período do Renascimento, a Europa assistiu ao surgimento de cortes luxuosas, de estados poderosos e de forte centralização do poder. Reis e papas interessaram-se pela cultura, pelo que se rodearam de artistas, edificaram palácios e igrejas que ornamentaram com pinturas e esculturas, muitas vezes contendo o retrato do patrono e / ou de familiares seus.
     ·         A riqueza, aliada ao desejo de promoção e notoriedade, possibilitou o investimento na arte por parte de ricos comerciantes e de altos dignitários da Igreja. Em simultâneo, o mecenato alastrou a diversas cortes europeias.
     ·         A difusão do Renascimento pela Europa ficou a dever-se, em larga medida, às viagens e à troca de correspondência encetadas pelos artistas e intelectuais da época, favorecendo assim a difusão de ideias.
·         Esse grupo de letrados desenvolveu uma intensa atividade intelectual distribuída por diferentes áreas:
·         Pedagogia ‑ propunham:
·        a leitura e o comentário dos textos de autores clássicos para apreensão do seu significado preciso;
·        a introdução de matérias novas, como a História, no conjunto das disciplinas existentes;
·        a introdução, nos estudos, das obras de autores científicos da Antiguidade.
·         Sociedade ‑ defendiam:
·        a escolha dos dirigentes segundo o saber e a capacidade;
·        a condenação da guerra;
·         Literatura:
·        adotaram como modelos os géneros literários, as formas poéticas, os recursos estilísticos cultivados pelos antigos autores gregos e romanos;
·        adaptaram as línguas modernas ao estilo antigo.
     ·         Por outro lado, foram vários os fatores que contribuíram para a difusão deste novo espírito:
·         O desenvolvimento do comércio, das atividades industriais e das cidades e, portanto, de uma sociedade mercantil;
·         A descoberta da tipografia, graças a Gutenberg, que se constituiu como um meio prodigioso para a difusão das ideias e da informação, associada ao crescimento de um público a quem já não satisfazia a reprodução manuscrita do livro, com todos os constrangimentos que acarretava;
·         A descoberta do caminho marítimo para a Índia e para a América;
·         O encontro de civilizações desconhecidas, como a chinesa, facto que levou à modificação das conceções acerca do planeta, dos costumes e das crenças;
·         As invenções e aperfeiçoamentos técnicos, como a artilharia ou os novos processos de navegação ou de exploração das minas.
·         Verifica-se, por isso,
·         o alargamento da curiosidade a vários aspetos do património cultural antigo (o saber prático ou especulativo, o lucro e a operosidade mercantil, a inteligência e o corpo humano, a vida terrena);
·         a difusão da cultura clássica pelas novas técnicas de produção do livro, por meio da edição dos clássicos greco-latinos e das obras de análise e interpretação dos humanistas.

Bibliografia:
» Manual Plural 12,
» Manual Português +, Areal Editores
» História da Literatura Portuguesa, de António José Saraiva e Óscar Lopes;
» História da Literatura

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