domingo, 18 de março de 2018

"Édipo Rei", de Sófocles


     A peça Édipo Rei foi escrita por Sófocles (496-406 a.C.), provavelmente no ano de 427 a.C..

     Laio e Jocasta têm um filho, porém aquele tinha sido avisado por um oráculo que de seria morto pelo próprio filho, pelo que pede a um dos seus servos para abandonar a criança no Monte Citerão (entre Tebas e Corinto) com os pés amarrados a uma árvore, para aí morrer. No entanto, um pastor encontra-o e salva-o e a criança acaba por ser adotada Pólibo, rei de Corinto.
     Já adulto, Édipo decide abandonar Corinto e consultar um oráculo, que lhe revela o seu destino trágico: assassinar o pai e casar com a mãe. Destroçado pela revelação, segue em direção à cidade e, numa encruzilhada, tem uma discussão com um velho senhor, acabando por o matar e a toda a sua comitiva, à exceção de um homem.
     Chegado às portas de Tebas, encontra a Esfinge, ser mitológico metade leão e metade mulher que aterrorizava o povo tebano com os seus enigmas, posto que quem não os decifrasse acabava devorado por ela. Confrontado com a charada do monstro ("Qual é o animal que de manhã tem quatro pés, dois ao meio dia e três à tarde?"), Édipo não hesita e responde que se trata do homem. Ao acertar a resposta, ele salva-se, bem como à cidade, onde é recebido como um herói. Como recompensa, recebe a coroa da cidade e a mão da rainha Jocasta, que enviuvara misteriosamente.
     Jocatas e Édipo têm quatro filhos. Quinze anos passados, Tebas é assolada por uma doença terrível. Preocupado com a maldição (a peste) que assolava a cidade, Édipo envia Creonte, seu cunhado, ao oráculo de Apolo, em busca de orientação e de uma solução para o problema.
     Ao regressar, Creonte informa-o de que a maldição é um castigo divino pelo facto de Laio ter sido morto e ninguém o ter ainda vingado e que acabaria quando o assassino do antigo rei de Tebas, caído, muito anos antes, numa encruzilhada, fosse encontrado e punido (com a morte ou a expulsão da cidade).
     Deste modo, Édipo dedica-se inteiramente à tarefa de descobrir o assassino e, assim, salvar Tebas, começando por interrogar vários cidadãos sobre o ocorrido. Um dos interrogados é Tirésias, um profeta cego que lhe diz que o autor do crime estará mais perto do que ele imagina.
     O rei fica atordoado com a informação, porém Jocasta, sua esposa, procura tranquilizá-lo, dizendo-lhe que os profetas já se enganaram anteriormente. E ilustra as suas palavras, referindo a história do seu filho com Laio, cujo oráculo profetizou que mataria o próprio pai e desposaria a mãe. De acordo com Jocasta, tal profecia não se concretizou, dado que a criança foi entregue, ainda bebé, a um camponês para ser morta.
     A narração da esposa não descansa Édipo, pois recorda que, quando era criança, um velho lhe havia dito que estava predestinado a matar o seu próprio pai e a deitar-se com a mãe. Além disso, anos volvidos, quando se dirigia para Tebas, assassinara um homem numa encruzilhada, situação que soa muito semelhante à história de Laio.
     Jocasta implora ao marido que não remexa mais no seu passado, porém tal pedido é ignorado por ele. Édipo questiona mais pessoas, incluindo um mensageiro e um camponês que conheceriam bastante bem a história de como ele fora abandonado e adotado por uma família de Corinto.
     Jocasta compreende, então, que, na verdade, é a mãe de Édipo. Horrorizada com a descoberta, tira a sua própria vida. Posteriormente, é o próprio Édipo quem toma consciência de que é ele o assassino do próprio pai e marido da própria mãe. Igualmente horrorizado, fura os seus olhos, amaldiçoa os dois filhos que lutam pela coroa e exila-se de Tebas, guiado pela filha Antígona, cumprindo assim o castigo (a expulsão da cidade) que Apolo tinha destinado ao assassino, para que a mancha fosse retirada da cidade, salvando-a da peste.
     Édipo, que trouxera outrora sorte à cidade, voltou a trazê-la no final da peça, ao salvá-la da peste, conseguindo aquilo que se tinha proposto na peça.

     A peça e o seu protagonista deram origem ao célebre Complexo de Édipo, conceito criado por Sigmund Freud no campo da psicologia, que consiste na atração que um filho sente pela mãe durante determinado período da vida.

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