domingo, 7 de abril de 2013

Tipos de frase

                Na língua portuguesa, as frases, de acordo com a intenção comunicativa do falante, podem ser classificadas em quatro tipos: declarativo, interrogativo, exclamativo e imperativo.

                1. Frase de tipo declarativo

                A frase declarativa é aquela através da qual o falante enuncia um pensamento, referencia um acontecimento, faz uma asserção, uma afirmação / proposição (de polaridade positiva ou negativa) acerca de uma situação ou uma entidade do mundo real ou possível:
. Eu sou professor de Português.
. O Benfica goleou o Rio Ave.
                Surge associada aos atos ilocutórios assertivos e declarativos.
                No registo oral, a frase declarativa é caraterizada por uma entoação ascendente no seu início e descendente no final. No registo escrito, é assinalada, habitualmente, com ponto final.
                Diz-se que a frase declarativa é não marcada quando os elementos que a constituem obedecem à seguinte ordem: sujeito – verbo – complementos:
. Vi o jogo do Benfica pela televisão.
                Diz-se que é marcada quando não obedece àquela ordem:
. O jogo do Benfica, vi-o na televisão.


                2. Frase de tipo interrogativo

                A frase interrogativa é aquela através da qual o falante formula uma pergunta ou um pedido, visando obter uma informação (1) ou conduzir a uma ação (2):
(1) . Sabes que horas são?
(2) . Passas-me esse livro?
                Surge associada aos atos ilocutórios diretivos, visto que pretende obter uma resposta (verbal ou não verbal) por parte do interlocutor, isto é, leva-o a agir.

                Por outro lado, a frase interrogativa pode ser direta ou indireta.

2.1. Frase interrogativa direta: termina, na escrita, com ponto de interrogação; na oralidade, é caraterizada por uma entoação ascendente.
. A que horas começa o baile?

2.2. Frase interrogativa indireta:
‑ corresponde a uma oração subordinada substantiva completiva;
‑ termina, no registo escrito, com ponto final;
‑ é introduzida por verbos de inquirição como «perguntar», «questionar», «averiguar», «interrogar», «saber», «dizer», etc.;
‑ o verbo de inquirição é, habitualmente, seguido da conjunção completiva “se”:
. Ele perguntou-lhe a que horas começava o baile.
. Perguntou-lhe se sabia as horas.

                A frase interrogativa pode ainda classificar-se como total ou parcial, de acordo com a resposta que se pretende com a pergunta.

2.3. Frase interrogativa total:
‑ é aquela em que o falante pretende obter uma resposta afirmativa ou negativa, isto é, de tipo sim / não;
‑ não é introduzida por nenhum elemento interrogativo;
‑ as respostas podem ser constituídas apenas pelo verbo ou por advérbios;
‑ no registo oral, é marcada por uma entoação ascendente:
. A Madalena canta mal, não canta?
Sim. OU
Muitíssimo! OU
Pessimamente!

2.4. Frase interrogativa parcial:
‑ a interrogação incide apenas sobre um dos constituintes da frase;
‑ é iniciada por um elemento interrogativo (pronome, determinante, quantificador ou advérbio interrogativo);
‑ quando iniciada por um elemento interrogativo, apresenta ordem derivada ou inversa relativamente à ordem normal (S – V – C), podendo o elemento interrogativo ocorrer em diferentes posições:
. Quem marcou os golos do Benfica?
‑ O Cardozo e o Lima.
. Quantas namoradas tiveste ao longo da vida?
‑ Perdi-lhe a conta.
. Onde viste o futebol?
‑ No café.
. Viste o futebol onde?
‑ No café.
. Que respondeste à segunda pergunta do teste?
‑ Nada.

NOTA: Na segunda e na quinta frases, o elemento interrogativo desempenha a função sintática de complemento direto.


                3. Frase de tipo exclamativo

                A frase exclamativa é utilizada para exprimir emoções ou sentimentos, estados de espírito ou opiniões (entusiasmo, alegria, surpresa, tristeza, euforia, angústia, desespero, admiração, etc.).
                Surge associada aos atos ilocutórios expressivos.
                No registo escrito, termina por um ponto de exclamação, enquanto, na oralidade, é caraterizada por uma entoação de intensidade prolongada que pode recair sobre toda a frase ou apenas sobre um dos seus constituintes.
                Pode ser constituída por
. uma frase: És um anjo!
. uma expressão: Pobre de mim!
. uma só palavra (interjeição ou onomatopeia): Bravo!; Pam!

                À semelhança da frase interrogativa, também a exclamativa pode ser classificada em função do foco da exclamativa:

3.1. Frase exclamativa total: a exclamação incide sobre a totalidade da frase:
. Cumpri sempre o meu dever!

3.2. Frase exclamativa parcial: a exclamação recai sobre um dos elementos da frase:
. A tua namorada é liiiiiiiinda!

                Por outro lado, a frase exclamativa pode ser marcada de diversas formas:

1. Por elementos prosódicos:
Sofia, és um amor!
A paisagem duriense é fantástica!

2. Por expressões específicas:

i) Expressão «é que» ou semelhante:
Tu é que és tonta!

ii) Anteposição de um constituinte:
Que livro magnífico!
Muitos golos marca o Messi!
Linda figura fizeste no exame!
Tanta gente desgraçada que eu fiz!

iii) Conjunção condicional «se», seguida de verbo no modo conjuntivo:
Ainda se Miguel Relvas fosse inteligente!

iv) Advérbio «não» com valor expletivo, isto é, usado para reforçar uma afirmação:
Diz-me lá se o Relvas não fez um discurso patético!

v) Marcadores de quantidade ou grau:
A Kim Basinger era tão sensual!

                Frequentemente, a frase exclamativa pode apresentar características sintáticas que, juntamente com marcas prosódicas (como a intensidade), evidenciam algum constituinte da frase:

. Inversão do sujeito: Que bom é o pão que o Senhor nos dá!

. Expressões quantificadores no início da frase: Muitos livros lês tu!


4. Frase de tipo imperativo

                A frase imperativa é aquela através da qual o locutor expressa uma ordem, faz um pedido, dá um conselho, faz uma proibição, uma proposta, uma sugestão.
                Realiza frequentemente atos ilocutórios diretivos.
                Neste tipo de frases, os verbos encontram-se, maioritariamente, nos modos imperativo e conjuntivo, mas podem também surgir no modo indicativo e nas formas não finitas (gerúndio, infinitivo e particípio passado):
Fecha a janela, João!
Limpem o chão, meninos!
Calou!
Andando!
Calar!
Calado!
                No registo escrito, a frase imperativa termina, normalmente, com ponto de exclamação, enquanto, no registo oral, é caracterizada por uma entoação descendente.
                Além disso, contrariamente aos demais tipos, a frase imperativa ocorre apenas na forma ativa:
Fecha a janela, João!
Limpem o chão, meninos!

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