Vasco
da Gama permanece nas naus e decide não desembarcar, visto que já não confia no
ambicioso Catual, pois já o traíra, era muito ambicioso («cobiçoso»), corrupto
(«corrompido») e «pouco nobre». Por outro lado, Gama espera vir a descobrir a
verdade com o tempo, daí também a sua decisão.
Ora,
esta referência ao sucedido a Vasco da Gama é o exemplo que serve de ponto de
partida para a reflexão do poeta, que adverte, a partir do verso 5 da estância
96, para o efeito corruptor do dinheiro, que tanto sujeita os ricos como os
pobres.
Na
estância 97, o poeta apresenta três casos através dos quais pretende provar a
sua tese enunciada na estância anterior, isto é, que exemplificam o poder
negativo dos bens materiais – dinheiro e ouro ‑, que levam à adoção de atitudes
inesperadas.
O
primeiro exemplo refere-se ao rei da Trácia, que assassinou Polidoro, filho de
Príamo, rei de Troia, com o único fito de lhe roubar o ouro. De facto, para o
salvar, quando a cidade estava prestes a cair em poder dos Gregos, o rei
enviou-o com ouro ao rei da Trácia que, todavia, se apoderou do ouro e o
assassinou.
O
segundo caso refere-se a Dánae, filha de Acrísio, rei de Argos (Grécia), que
foi encerrada numa torre para que não procriasse e, deste modo, fosse anulada
uma profecia de um oráculo que anunciou a morte do soberano às mãos de um neto.
Porém, Júpiter metamorfoseou-se em chuva de ouro, introduziu-se na torre e
engravidou-a. Desse ato nasceu Perseu, que, concretizando a profecia,
assassinou o avô.
O
último exemplo alude a Tarpeia, uma jovem romana que, na esperança de obter
anéis de ouro dos Sabinos que sitiavam Roma, lhes abriu as portas da cidade. No
entanto, os inimigos não a pouparam, esmagando-a sob as joias e os escudos,
tendo assim ficado soterrada.
Nas
estâncias 98 e 99, o poeta prossegue a enumeração dos efeitos negativos do
dinheiro:
a. corrompe o pobre e o rico (estância 96);
b. leva ao assassínio (exemplo do rei da Trácia);
c. conduz à traição (est. 98, v. 1): os soldados rendem-se quando as suas
fortalezas ainda se encontram abastecidas;
d. conduz à traição e à falsidade entre os amigos;
e. transforma o mais nobre em vilão (est. 98, vv. 3 a 6): a ambição
material pode levar nobres, capitães ou virgens a renderem-se ao seu poder, mesmo
tendo consciência de que a sua honra ficará manchada;
f. corrompe as ciências, os juízes e as consciências, levando-as a agir
contra os seus princípios morais e culturais (est. 98, vv. 7-8);
g. distorce / perverte a interpretação dos textos (est. 99, vv. 1-2);
h. manipula as leis e a justiça, que se aplicam arbitrariamente (est. 99,
v. 2);
i. fomenta o perjúrio (est. 99, v. 3);
j. fomenta a tirania nos reis (est. 99, v. 4);
k. corrompe os membros do clero, ainda que sob uma capa de virtude.
Em síntese, os vícios provocados pela ambição são
os seguintes:
i. a traição (“Faz tredores e
falsos os amigos”);
ii. a corrupção (“Este corrompe virginais purezas”);
iii. a arbitrariedade (“Este interpreta mais que subtilmente / Os textos…”);
iv. a mentira / o perjúrio (“Este causa os perjúrios entre a gente”);
v. a tirania (“E mil vezes [hipérbole] tiranos torna os Reis”).
Relativamente
à estrutura interna, é possível identificar dois momentos:
. 1.º momento (est. 96): apresentação da «tese» ‑ o poder corruptivo do dinheiro, a
partir do sucedido com Vasco da Gama.
. 2.º momento (est. 97 a 99): os efeitos negativos da ambição pelo dinheiro / ouro.
Ia brinca oh mano
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EliminarMuito bala mano
ResponderEliminarobrigado mais uma vez :)
ResponderEliminarMuito Bom
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ResponderEliminarOlá. Gostaria de saber se têm alguma proposta de solução para este problema n'Os Lusíadas sobre o poder corrupto do dinheiro, visto que este tema é bastante atual.
ResponderEliminarAdeus
EliminarObrigada por me ajudarem a copiar nos testes ��
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EliminarMuito obrigado pelo excelente resumo ajudou imenso.👍
ResponderEliminarResumo maior q a propria reflexao q treta
ResponderEliminarOs meus sinceros parabéns.
ResponderEliminarObrigada! Bom trabalho :)
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ResponderEliminar209.85.220.69
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