domingo, 13 de novembro de 2011

"O tempo de António Vieira"

          Vieira atravessou quase integralmente um século muito fustigado por várias catástrofes e rasgado por grandes inovações. (...) Foi um período que nasceu assistindo a uma certa supremacia do mundo ibérico e que definhou dominado pela emergente Holanda, porventura a grande potência económica do tempo, pela França de Luís XIV, e pela Inglaterra.
          No plano dos códigos estéticos foi o século do Barroco, tendência que se infiltrou nas artes plásticas, na música, na literatura, no vestuário, nos comportamentos cortesãos, nas formas de religiosidade e que se pautou por ser mais sensitiva do que racional, mais desmesurada do que contida, mais metafórica do que realista, mais ondulante do que relinínea, mais colorida do que acromática, mais espetacular do que sóbria.
          Foi ainda o tempo da emergência do espírito científico e do método experimental, que provocaram avanços importantes no conhecimento do mundo físico em vários domínios, graças aos trabalhos e reflexões de Galileu, Bacon, Torricelli, Kepler, Descartes e, mais tarde, Newton. (...)
          Em Portugal, o século foi muito agitado do ponto de vista político. Até 1640 perpetuou-se o domínio filipino da coroa portuguesa, situação herdada do século anterior, na sequência do fracasso de Alcácer-Quibir, que conduzira à conquista da coroa por parte de Filipe II de Espanha, em 1580. No 1.º de dezembro de 1640, um golpe palaciano que provocou pouco sangue, repunha na mão de portugueses os destinos da monarquia e D. João IV, o primeiro rei da Casa de Bragança, assumiu o poder. (...)
          Este clima de perturbação política foi acompanhado por crescentes dificuldades económicas. (...) A dominação castelhana da coroa havia ainda legitimado ataques holandeses, franceses e ingleses, a muitos dos territórios portugueses, no Oriente, África e Brasil, ataques que se prolongaram alguns anos após a Restauração, provocando um agravamento da economia. Por outro lado, a perseguição movida pela Inquisição aos cristãos-novos, que neste século assumiu particular violência, tinha como consequência a fuga de muitos deles para o estrangeiro, transportando consigo avultados capitais. (...)
          Culturalmente, o período não foi de grande brilho, tendo visto empalidecer o fulgor que as Artes e Letras haviam alcançado na época do Renascimento e do Maneirismo, pese embora a pujança que a arquitetura religiosa de traça barroca assumirá, sobretudo na parte final do século, bem como a vasta produção lírica muito consumida e divulgada em algumas academias literárias então nascentes, e ainda a abundante produção parenética, talvez o género mais produtivo e apreciado no campo cultural português de então. (...)
          A censura, sobretudo a inquisitorial, limitava a abertura de Portugal às correntes que no estrangeiro faziam triunfar o saber científico, conhecimento aqui divulgado por poucos e habitualmente com atraso.
          Foi este o tempo em que Vieira viveu.

José Pedro Paiva, António Vieira, o Percurso Biográfico


          Proceda a uma esquematização do texto, orientando-se pelos seguintes tópicos:


  • Designação genérica da época;
  • Países emergentes;
  • Marcas do código estético;
  • Avanços científicos;
Situação em Portugal (política, economia, cultura...). 

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