Nevile Strange, um atleta famoso, rico e aparentemente feliz, vive com a jovem e bela esposa Kay, com quem partilha uma relação leve e carinhosa, embora com tensões escondidas. Durante o pequeno-almoço, Kay lamenta terem de passar o verão em Gull’s Point, a casa de Lady Tressilian, que desaprova o novo casamento. A conversa revela ressentimentos: Kay sente-se rejeitada pela família do marido, e Nevile mostra-se ainda perturbado pelo divórcio da primeira mulher, Audrey. A atual vê nela uma figura fria e assustadora, enquanto o tenista admite ter-lhe causado sofrimento a separação e carrega um sentimento de culpa. Nevile propõe que Audrey e Kay se encontrem em Gull’s Point, defendendo que todos poderiam conviver civilizadamente. A esposa reage com estranheza e insegurança, suspeitando que a ideia partiu, na verdade, da primeira mulher. O diálogo deixa claro que, apesar da vida aparentemente perfeita, o casal vive sob a sombra da presença de Audrey, cujo passado com Nevile continua a pesar sobre a nova união.
Lady Tressilian condena a ideia de Nevile Strange de reunir a atual esposa, Kay, e a ex-mulher, Audrey, em Gull’s Point. Conversando com a prima Mary Aldin, critica Kay, considerando-a vulgar, ambiciosa e culpada pela rutura do casamento anterior do tenista. Para a idosa, Audrey é a verdadeira vítima da situação, uma mulher sensível que sofreu muito com o divórcio. Mary, mais ponderada, tenta relativizar a situação, mas também desconfia da carta de Nevile, suspeitando que a iniciativa não partiu dele, mas talvez da própria Audrey, o que intriga Lady Tressilian. Apesar da sua recusa inicial, a velha senhora, desconfiada e relutante, acaba por concordar em convidar a ex-esposa para um almoço, reconhecendo que a jovem pode estar disposta a aceitar o encontro.
Audrey Strange, a primeira mulher de Nevile, visita Lady Tressilian. O narrador apresenta-a como uma figura delicada, pálida, enigmática e serena e de presença quase etérea, como um fantasma que, paradoxalmente, parece mais real do que os vivos. A sua voz é suave e encantadora, reforçando a impressão de serenidade e mistério. Lady Tressilian confronta-a com a carta de Nevile, onde este propõe reunir as duas esposas da sua vida em Gull’s Point. Para a idosa, trata-se de uma ideia absurda e dolorosa, mas Audrey, calma e firme, insiste que aceitar o encontro poderá “simplificar as coisas”. Apesar das objeções da anciã, confirma que deseja ir e que está disposta a enfrentar Kay. Após a sua saída, Lady Tressilian mostra-se exausta e confessa à criada Barrett que já não compreende o mundo moderno. A criada, por sua vez, partilha a impressão de que Audrey é uma presença inesquecível e que Nevile poderá ainda pensar nela, apesar da beleza de Kay. Lady Tressilian, com uma gargalhada amarga, conclui que o tenista se arrependerá por querer juntar as duas mulheres.
Thomas Royde, homem reservado e pouco dado a palavras, prepara a viagem de regresso a Inglaterra após quase oito anos a trabalhar nas plantações da Malásia. O amigo e sócio Allen Drake nota o seu ar fleumático e estranha a decisão, lembrando que Royde já adiara uma visita anterior ao lar, nomeadamente aquando do falecimento do irmão. Fica claro que Thomas esconde algo: cora quando se fala numa mulher, revelando sentimentos por Audrey, prima criada como irmã e ex-esposa de Nevile Strange. A conversa também mostra que não tem grande proximidade com o irmão falecido, Adrian, e que mantém um passado familiar marcado por silêncios e reticências. Royde, porém, limita-se a comentar que pretende rever a família e talvez ficar em Saltcreek, lugar pacato onde “nunca acontece nada”.
Mr. Treves lamenta o encerramento do Marine Hotel, em Leahead, onde se hospedava há vinte e cinco anos e onde se sentia sempre confortável e bem servido. Rufus Lord consola-o e sugere-lhe o Balmoral Court, em Saltcreek, um hotel tradicional dirigido pelo casal Rogers, antigo mordomo e cozinheira de Lord Mounthead, famosos pela excelência do serviço e da comida. O lugar é descrito como tranquilo e adequado ao estilo de vida de Treves, com varanda, terraço e todas as comodidades modernas, incluindo elevador. Além disso, Rufus menciona Lady Tressilian, vizinha próxima e senhora de grande distinção, o que agrada ao velho senhor. Ele considera então a sugestão excelente e decide escrever para pedir informações, planeando instalar-se ali em agosto ou setembro.
Durante um torneio de ténis em St. Loo, Kay Strange observa o marido, Nevile, disputar a meia-final contra o jovem Merrick. Apesar de jogar bem, o primeiro perde a partida, mantendo sempre a postura de “bom desportista”, o que Ted Latimer, amigo de Kay e antigo pretendente, critica enquanto sinal de falta de espírito competitivo. Entre os dois há cumplicidade, recordando a antiga intimidade que tiveram, e uma conversa carregada de ironia e insinuações, revelando que Ted ainda guarda ressentimento por ela ter escolhido casar-se com Nevile. Além disso, a conversa entre ambos deixa transparecer tensões: o homem ironiza sobre a vida da antiga paixão, os seus planos futuros em Gull’s Point e a presença de outros convidados, enquanto Kay, por momentos, confessa sentir medo e estranheza. Mais tarde, Nevile e a esposa conversam sobre Ted, durante a qual o marido demonstra sentimentos de indiferença, confiança e uma crença no «Destino» que os uniu. Kay, porém, surpreende-o ao confessar que foi ela quem manipulou os acontecimentos para o conquistar, revelando o seu lado calculista e estratega, o que deixa o esposo intrigado e com um leve ressentimento.
Lorde Cornelly, um aristocrata rico e excêntrico, recebe Angus MacWhirter para uma entrevista. Impressionado pela sua honestidade, demonstrada quando, no passado, se recusou a mentir para proteger o antigo patrão num processo relacionado com um acidente de viação, Cornelly oferece-lhe um emprego importante, bem pago e que exige total confiança. MacWhirter aceita, embora sem entusiasmo. Apesar da sorte inesperada, mantém-se apático: sete meses antes tentara suicidar-se e sobrevivera apenas por acaso. Agora encara a vida de forma mecânica, sem gratidão nem alegria, mas com disciplina. O novo trabalho levá-lo-á para a América do Sul em setembro, mas, antes disso, terá uma semana livre. Nela, considera a possibilidade de ir a Saltcreek, ideia que lhe parece sombria e estranhamente divertida.
O superintendente Battle recebe ordens inesperadas que arruínam as suas férias, deixando a esposa, Mrs. Battle, desapontada, embora resignada pela longa experiência como mulher de um polícia. Ele explica que o caso parece pouco interessante, mas envolve o Foreign Office, que está em grande agitação. Insiste para que a esposa e as filhas mantenham as férias em Britlington, enquanto ele, após resolver a situação, ficará uns dias com o sobrinho, o inspetor James Leach, em Saltington, perto de Masterhead Bay e Saltcreek. Mrs. Battle receia que James o arraste para uma investigação, mas o esposo desvaloriza e encara tudo com calma, como uma prova de paciênciaThomas Royde regressa da Malásia e é recebido por Mary Aldin, que o leva até Gull’s Point, onde a situação familiar está tensa: Nevile Strange reuniu a atual esposa, Kay, e a ex-mulher, Audrey, sob o mesmo teto. Mary explica a Thomas que esse convívio foi ideia de Nevile, embora cause desconforto a todos, e revela a sua preocupação com a estranha serenidade de Audrey, que lhe parece esconder emoções profundas.
Ao chegar à casa, Thomas observa as duas mulheres: Audrey é calma e etérea, mas enigmática, enquanto Kay se apresenta bela e nervosa, mostrando clara antipatia pela primeira. Uma cena banal — a disputa por uma revista — transforma-se num momento de tensão entre as duas, culminando numa explosão de fúria de Kay, que chega a dizer odiar todos na casa e ameaçar violentamente a «rival» ou Nevile. Pouco depois, Audrey recebe Thomas com inesperada alegria e ternura, o que não passa despercebido a Mary Aldin, que observa discretamente a cena.
Nevile procura Kay e encontra-a em lágrimas e furiosa por ele ter dado a revista a Audrey em vez de a ela. A discussão sobe de tom: a esposa acusa-o de preferir a ex-mulher e de estar contra ela, enquanto o marido, com calma fria, reprova o seu comportamento infantil e ciumento. Kay, desesperada, pede-lhe que abandonem a casa imediatamente, mas Nevile recusa, insistindo em cumprir a quinzena prometida. No auge da discussão, ela alerta-o que a ex-mulher não o perdoou realmente e que esconde intenções profundas sob a serenidade que exibe. Ele, porém, vê em Audrey apenas generosidade e decência. O diálogo termina de forma glacial, com a mulher a acusar o marido de ser um homem frio, sem sentimentos, e este, cansado e frustrado, a abandonar o quarto.
Lady Tressilian conversa com Thomas Royde, notando que ele mantém a mesma reserva e silêncio da juventude, em contraste com o irmão falecido, Adrian. A idosa aborda então a delicada situação da casa, o “eterno triângulo” entre Nevile, Kay e Audrey, e admite divertir-se com o embaraço criado pela teimosia do primeiro em reunir as duas mulheres. De seguida, questiona de quem teria partido a ideia, concluindo que não seria de Audrey e duvidando que Kay tivesse essa astúcia. Lady Tressilian considera a atual esposa uma jovem desmiolada, de mau génio e sem maneiras, o que só prejudica o casamento. Já a antiga consorte, ponderada, parece ser quem mais sofre. Na conversa, fica evidente o amor discreto e de longa data de Thomas por Audrey. A velha senhora recorda a sua alcunha de juventude, “Fiel Thomas”, e sugere que a constância e devoção dele possam finalmente ser reconhecidas por Audrey, agora que passou por tantas desilusões. Thomas, envergonhado mas sincero, admite que foi com essa esperança que regressou.
Na cozinha, Hurstall, o mordomo, confessa à cozinheira Mrs. Spicer o seu mal-estar e inquietação: sente que há algo estranho na casa, como se todos estivessem presos numa armadilha, tensos e desconfortáveis. A cozinheira, prática, atribui isso a má digestão, mas ele insiste que o ambiente anda carregado. Na sala de jantar, Mary Aldin anuncia que convidou Latimer, amigo de Kay, para jantar no dia seguinte, o que gera conversas sobre passeios, golfe, dança e programas sociais. Entre as trocas, surgem pequenas ironias que evidenciam tensões entre o casal. Mary, instigada por Thomas Royde, revela discretamente a sua vida: tem 36 anos, vive há 15 com Lady Tressilian, depois da morte do pai, e sente pesar por nunca ter viajado, apesar de ser o seu maior desejo. Há um início de aproximação entre ela e Thomas, marcado por olhares atentos e sinceros. O jantar termina com Mary a anunciar outro convidado: Mr. Treves, um idoso distinto, advogado reformado, de saúde frágil, mas intelectualmente lúcido, conhecido por ter convivido com muita gente interessante. Enquanto isso, Thomas observa as duas mulheres em contraste: Kay, exuberante, cheia de vida e beleza intensa; e Audrey, pálida, recatada, quase apagada. A comparação inspira-lhe a imagem de duas figuras de contos populares: Rosa Vermelha e Branca de Neve.
Durante o jantar em Gull’s Point, Mr. Treves aprecia a boa comida, o vinho e a organização impecável da casa de Lady Tressilian, apesar de a sua dona estar confinada ao quarto. Enquanto observa os presentes, repara no contraste entre Kay — radiante, sedutora, dominando a atenção de Ted Latimer — e Audrey, discreta, silenciosa e imersa em pensamentos. A diferença entre ambas impressiona o velho advogado. Após o jantar, todos se reúnem na sala: Kay impõe-se com vitalidade, escolhendo a música e dançando provocadoramente com Latimer, deixando Nevile hesitante. Quase por cortesia, este convida a ex-esposa para dançar, mas esta recusa o convite, desculpando-se com o calor, e retira-se para o terraço. Mr. Treves, pensativo e observador, tece comentários ambíguos sobre Latimer, elogiando-lhe os dotes de dançarino, mas insinuando que a sua aparência lembra um criminoso que conheceu. A conversa com Mary Aldin revela o seu olhar clínico e insinuante, sugerindo que por vezes ver demasiado bem pode ser uma maldição. Enquanto isso, no terraço, Nevile e Audrey têm um breve momento de proximidade forçada quando o cabelo dela se prende no botão da manga dele. Ambos ficam nervosos e trémulos, e Thomas Royde interrompe a cena. O ambiente permanece tenso e cheio de olhares implícitos. Esta parte termina com a chegada da criada de Lady Tressilian, que anuncia o desejo da velha senhora de ver Mr. Treves no seu quarto.