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terça-feira, 14 de abril de 2026
O Realismo e o Naturalismo
Geração de 70
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domingo, 12 de abril de 2026
Resumo do capítulo I de O Senhor das Moscas
No início da narrativa, um garoto inglês de cerca de doze anos, Ralph, desce por uma área de rochas até uma lagoa próxima a uma praia em uma ilha tropical. Lá, encontra outro menino, Piggy, que é gordo, usa óculos grossos, sofre de asma e demonstra ser mais intelectual e preocupado. Piggy tem dificuldade em acompanhar Ralph fisicamente, inclusive para nadar, e revela traços de vulnerabilidade: seus pais morreram e ele vive com a tia. Ele também confidencia que odeia seu apelido (“Piggy” / “Porquinho”) e pede que não seja revelado, mas Ralph acaba ignorando isso e mais tarde expõe o apelido aos outros, provocando risos e zombarias.
A conversa entre os dois revela o contexto da situação: durante uma guerra — possivelmente nuclear, envolvendo uma bomba atômica — um avião que transportava um grupo de meninos ingleses foi abatido e caiu em uma ilha deserta no oceano. A aeronave foi parcialmente arrastada para o mar, e acredita-se que todos os adultos a bordo morreram. Não há sinal do piloto, e é provável que ninguém saiba onde os meninos estão, o que reduz drasticamente as chances de resgate. Enquanto Ralph reage com entusiasmo à ausência de adultos e à ideia de liberdade em uma ilha paradisíaca, Piggy demonstra preocupação e senso de urgência, alertando que eles precisam se organizar para sobreviver.
Explorando a praia, Ralph encontra uma grande concha de búzio cor creme. Piggy reconhece que ela pode ser usada como uma trombeta para reunir os sobreviventes. Como Piggy não consegue soprá-la devido à asma, ele orienta Ralph, que produz um som alto e estridente. O som da concha atrai gradualmente outros meninos, com idades entre seis e doze anos. O primeiro a aparecer é um garoto pequeno chamado Johnny, e os demais vão surgindo da selva e se acomodando, por exemplo, em troncos de palmeira caídos, aguardando.
Entre os que chegam, destaca-se um grupo organizado: um coral de meninos vestidos com túnicas e capas pretas, ainda usando seus gorros apesar do calor intenso. Eles marcham em formação sob a liderança de Jack, um garoto mais velho, autoritário e ambicioso, que exige disciplina e postura dos demais. Inicialmente, Jack acredita que um adulto os convocou, mas ao perceber que estão sozinhos, afirma que terão que se virar por conta própria.
Durante a reunião, Piggy tenta registrar os nomes dos meninos, mas encontra dificuldades e é frequentemente interrompido. Jack demonstra desprezo por ele, mandando-o calar e chamando-o de “gordo”, enquanto os outros meninos também zombam de sua aparência e comportamento.
Os meninos decidem então escolher um líder. Jack se apresenta como candidato, alegando que deveria ser o chefe, e os coristas votam nele. No entanto, a maioria dos meninos escolhe Ralph. Sua eleição parece decorrer de vários fatores: sua aparência, seu carisma e, simbolicamente, a posse da concha, que representa autoridade. Todos, inclusive o coral, acabam aceitando a decisão, embora Jack fique visivelmente contrariado e constrangido.
Para amenizar a tensão, Ralph permite que Jack permaneça no comando do coral, designando-os como caçadores. Jack aceita essa função com satisfação. Em seguida, Ralph organiza o grupo e propõe que verifiquem se estão realmente em uma ilha deserta e se há habitantes. Ele escolhe Jack e um terceiro menino, Simon, para acompanhá-lo na exploração. Piggy insiste em ir também, mas é excluído, o que o magoa; Ralph tenta compensá-lo dando-lhe a tarefa de anotar os nomes dos demais.
Ralph, Jack e Simon partem então pela selva densa. Durante a exploração, experimentam entusiasmo, liberdade e um sentimento crescente de amizade e aventura. Eles atravessam a vegetação, chegam a regiões de rochas altas e escalam uma colina íngreme. Do topo, confirmam que estão em uma ilha isolada, sem qualquer sinal de civilização. Ralph sente que aquele território lhes pertence, como se fosse uma descoberta própria. Jack já começa a pensar na caça como meio de sobrevivência.
No caminho de volta, os três encontram um porco (ou leitão/javali) preso em cipós. Jack, armado com uma faca, se prepara para matá-lo, o que representaria sua primeira ação como caçador. No entanto, ele hesita — seja por medo, inexperiência ou conflito interno — e o animal escapa. Jack, envergonhado, promete com firmeza que da próxima vez não falhará.
Após essa longa exploração, os três retornam à praia, onde os outros meninos aguardam, encerrando o primeiro momento de organização e descoberta na ilha.
quinta-feira, 9 de abril de 2026
Análise da ação de O Senhor das Moscas
O eixo dramático de O Senhor das Moscas gravita em torno do embate entre Ralph e Jack. dois polos de liderança que encarnam visões inconciliáveis de organização humana. De um lado, Ralph, com a sua inclinação para a ordem, a deliberação coletiva e o amparo dos mais frágeis; do outro, Jack, cuja autoridade se funda na imposição, no medo e na sedução da violência. Se, num primeiro momento, Jack se curva, ainda que a contragosto, à escolha de Ralph como chefe, essa aceitação logo se revela provisória. A rivalidade latente cresce como uma chama mal contida, até consumir por inteiro a frágil estrutura social erguida pelos meninos.
Mais do que indivíduos, Ralph e Jack configuram arquétipos: são figuras simbólicas de impulsos antagónicos que habitam a própria natureza humana. À medida que o domínio de Ralph se dissolve, enfraquecido pela indisciplina, pela negligência e pelo fascínio que a caça exerce sobre os demais, torna-se cada vez mais evidente a precariedade da civilização. O colapso da sua liderança sugere que os instintos primitivos, quando liberados, tendem a subjugar as convenções sociais, revelando-as como construções delicadas, sempre à beira da ruína. O resgate final de Ralph por um oficial da marinha, representante de uma ordem maior, não chega a oferecer consolo pleno: ao contrário, o pano de fundo de uma guerra global insinua que a barbárie não é exclusividade da ilha, mas atravessa o mundo dito civilizado.
Inserido nesse contexto de conflito planetário, o romance funciona como advertência, tanto em relação ao poder destrutivo da tecnologia bélica quanto à instabilidade inerente ao espírito humano. Ao restringir a ação a um grupo de crianças isoladas, com escassas referências ao exterior, a narrativa adquire um caráter quase mítico, como se aquilo que ali se desenrola fosse inevitável e universal. O microcosmo da ilha torna-se, assim, espelho ampliado do mundo: um laboratório onde se expõem...
Continuação da análise aqui: »»».
Análise de O Senhor das Moscas
Resumo de O Senhor das Moscas
O Senhor das Moscas desenrola-se numa ilha deserta do Pacífico, durante uma guerra devastadora — frequentemente interpretada como nuclear —, após um avião que transportava um grupo de rapazes britânicos ser abatido. O piloto morre, e os sobreviventes ficam entregues a si próprios, sem qualquer supervisão adulta, num ambiente simultaneamente paradisíaco e hostil.
Entre os primeiros a surgir estão Ralph e Piggy, um rapaz intelectual, fisicamente frágil e frequentemente ignorado pelos outros. Na praia, Ralph encontra uma concha, e Piggy percebe o seu potencial: ao soprá-la, conseguem convocar os restantes sobreviventes. Reunidos, os rapazes organizam-se e tentam recriar uma ordem semelhante à sociedade de onde vieram. Elegem Ralph como líder, apoiado pelo conselho de Piggy, e atribuem a Jack, chefe do antigo coro, a responsabilidade pelos caçadores.
O grupo divide-se de forma geral entre os “pequeninos”, crianças de cerca de seis anos, e os mais velhos, entre os dez e os doze. Desde o início, Ralph estabelece como prioridade o resgate: decide que devem manter uma fogueira acesa no topo da montanha para sinalizar navios. O fogo é aceso com recurso aos óculos de Piggy, que concentram a luz solar. Contudo, a excitação e a irresponsabilidade dos rapazes fazem com que o incêndio...
Resumo completo: »»».
Contexto de O Senhor das Moscas
Quando O
Senhor das Moscas foi publicado pela primeira vez, o mundo procurava ainda
recompor-se da devastação humana provocada pela Segunda Guerra Mundial. Entre
civis e militares, este conflito ceifara cerca de 60 milhões de vidas, deixando
atrás de si uma memória de ruína e perda dificilmente mensurável.
O fim do
conflito foi, quase de imediato, sucedido pelo início da Guerra Fria. O bloco
comunista encontrava-se sob a liderança da União Soviética, que instaurara um
regime totalitário na sequência da revolução de 1917 — revolução essa
alicerçada nas teorias do socialismo. Este defendia a propriedade comum dos
recursos em benefício da comunidade, em oposição à expansão territorial que, na
prática, os líderes comunistas procuravam assegurar. Por sua vez, o Ocidente
capitalista, liderado pelos Estados Unidos, receava a disseminação do
comunismo. Com ambas as superpotências na posse de armamento nuclear, a Guerra
Fria tornou-se um tempo de tensão constante e latente. Ambos estes conflitos
históricos servem de pano de fundo a O Senhor das Moscas.
A
Segunda Guerra Mundial exerceu uma influência profunda sobre William Gerald
Golding. Ao serviço da Royal Navy, participou em combates no Atlântico Norte,
tomou parte na batalha que conduziu ao afundamento do navio de combate alemão
Bismarck, em 1941, e comandou uma embarcação lançadora de foguetes durante o
desembarque na Normandia, em 1944.
Aquilo
que testemunhou durante o conflito marcou profundamente a sua visão do ser
humano e da sociedade. Golding ficou abalado perante a extraordinária
capacidade humana para infligir dor e destruição. Num ensaio publicado em 1965,
intitulado “Fábula”, escreveu: “Comecei a perceber do que as pessoas eram
capazes”. Não foram apenas os horrores perpetrados pelos nazis sobre os
prisioneiros nos campos de concentração, nem os maus-tratos infligidos pelos
japoneses que o perturbaram. Também as ações dos Aliados o inquietaram:
justificavam a destruição em nome de princípios morais, mas essa justificação
abria uma inquietante zona cinzenta, onde o desumano podia tornar-se aceitável.
Todas estas contradições levaram Golding a conceber a natureza humana como algo
simultaneamente selvagem e implacável.
Os ecos
destas ideias percorrem O Senhor das Moscas. Jack e os seus caçadores,
em particular, tornam-se agentes da violência: começam por caçar animais, mas
acabam por matar e torturar seres humanos. Até Ralph, símbolo da ordem e da
sociedade, participa numa caçada e no assassinato de Simon. Tal como o texto
sugere, todos os seres humanos encerram em si a capacidade de praticar o mal.
O
Senhor das Moscas foi escrito durante a Guerra Fria, período em que a
humanidade viveu, pela primeira vez, sob a ameaça concreta de aniquilação
nuclear. As bombas atómicas tinham sido utilizadas duas vezes pelos Estados
Unidos para forçar a rendição do Japão, em 1945. Perante isso, os líderes da
União Soviética sentiram-se compelidos a desenvolver o seu próprio arsenal
nuclear, tanto por razões defensivas como ofensivas. Quando a União Soviética
se tornou oficialmente uma potência nuclear, em 1949, a Guerra Fria já estava em
curso.
Tal
como sucede no romance, onde os rapazes se dividem em grupos que passam a
desconfiar uns dos outros e a procurar a destruição mútua, também as nações se
fragmentaram em blocos. A maioria dos países alinhou-se sob a influência da
União Soviética e dos seus aliados comunistas, ou sob a esfera dos Estados
Unidos e do Ocidente. A tensão entre estes dois polos era elevada, dando origem
a conflitos indiretos, como a Guerra da Coreia — invasão da Coreia do Sul pela
Coreia do Norte entre 1950 e 1953 —, na qual os Estados Unidos apoiaram o Sul,
enquanto a China e a União Soviética apoiaram o Norte.
A
Guerra Fria, com o seu potencial de destruição em massa, bem como a paranoia
que dominava ambos os lados, encontra-se refletida na obra. A narrativa
inicia-se com os rapazes isolados numa ilha, após o avião em que viajavam ter
sido abatido. Acreditam que uma bomba nuclear destruiu o mundo e vivem com o
receio de serem encontrados pelos “Vermelhos”, termo frequentemente utilizado
no bloco ocidental para designar os comunistas.
Biografia de William Golding
Desde
cedo revelou inclinação para a escrita: começou a escrever aos sete anos e, aos
doze, já ensaiava o seu primeiro romance. Leitor precoce, mergulhou na poesia
de Alfred Tennyson e na obra de William Shakespeare, influências que o
acompanhariam ao longo da vida. Contudo, a sua infância não foi isenta de
sombras: há registos de que, em pequeno, podia ser agressivo, chegando a
maltratar outras crianças — traço que mais tarde ecoaria na complexidade moral
das suas personagens.
Em
1930, ingressou no Brasenose College, na University of Oxford. Seguindo a
vontade dos pais, iniciou estudos em ciências, mas, após dois anos, cedeu à sua
vocação e mudou para literatura inglesa. Ainda estudante, publicou o seu
primeiro livro — um volume de poesia — integrado na série da Macmillan
Publishers. Mais tarde, viria a desvalorizar essa obra, considerando-a juvenil;
no entanto, nela já se pressente a sua crescente desconfiança face ao
racionalismo herdado. Concluiu o curso em 1935, com um grau em Inglês e um
diploma em educação.
Após a
universidade, experimentou várias ocupações, trabalhando como escritor, ator e
produtor num pequeno teatro londrino, ao mesmo tempo que se sustentava como
assistente social. Considerava o teatro — em especial a tradição dos
tragediógrafos gregos e de Shakespeare — a sua influência literária mais
profunda. Acabaria por seguir o caminho do pai, tornando-se professor de Inglês
e Filosofia em Salisbury, na Bishop Wordsworth's School, onde viria também a
exercer funções de direção. O contacto diário com rapazes proporcionou-lhe uma
visão penetrante da natureza humana que, mais tarde, se revelaria decisiva para
a criação da sua obra mais célebre.
Em
1939, casou com Ann Brookfield, com quem teve dois filhos. No ano seguinte,
porém, interrompeu a vida civil para se alistar na Royal Navy, participando na
World War II. Durante cerca de seis anos, serviu no mar, tomou parte em
diversas missões e foi promovido a tenente, desenvolvendo uma duradoura ligação
ao oceano e à navegação. Terminada a guerra, regressou ao ensino e à escrita.
Foi em
1953 que concluiu Lord of the Flies (O Senhor das Moscas),
romance que viria a ser publicado em 1954, após ter sido rejeitado por vinte e
uma editoras. A receção inicial foi hesitante e as vendas modestas; chegou
mesmo a desaparecer do mercado nos Estados Unidos, embora se mantivesse
disponível no Reino Unido. Só em 1959, com a edição de bolso, a obra conheceu
um renascimento, vindo a afirmar-se como um clássico incontornável da
literatura contemporânea e presença habitual nos currículos escolares.
Ao
longo da sua carreira, Golding escreveu treze romances, além de poesia, peças
de teatro, ensaios e contos. O conjunto da sua obra valeu-lhe o Prémio Nobel da
Literatura em 1983, sendo ainda distinguido com o título de cavaleiro em 1988.
Em 1961, abandonou definitivamente o ensino para se dedicar por inteiro à
escrita.
Golding morreu a 19 de junho de 1993, na sua terra natal, Cornualha, encerrando uma vida marcada pela reflexão profunda sobre a natureza humana, onde a razão e a sombra convivem em tensão permanente.
Apresentação de O Senhor das Moscas
O romance é uma alegoria ,
ou seja, uma história em que personagens, cenários e eventos representam algo
maior do que eles próprios. Por exemplo, a ilha representa o mundo; Ralph e
Jack simbolizam diferentes abordagens à liderança.
sexta-feira, 3 de abril de 2026
Mandarim não é só pudim
Por mais estranho que pareça, na China fala-se mandarim, a língua oficial do país. O chinês é outra "coisa". O jornalista não sabe. Oh, 😞 que surpresa!
terça-feira, 31 de março de 2026
Despacho Normativo n.º 3/2026
segunda-feira, 30 de março de 2026
Análise do poema "Quando era criança", de Fernando Pessoa
O poema é constituído por três
quadras de redondilha menor (versos de cinco sílabas) e rima interpolada e
emparelhada, segundo o esquema abba.
Na primeira estrofe, o sujeito
poético declara que, enquanto foi criança, viveu sem ter consciência dos
sentimentos (“Quando era criança / Vivi, sem saber” – vv. 1-2), pois não era
dominado pela consciência, pela racionalidade, pelo pensamento. Porém, agora
que é consciente (“Só para hoje” – v. 3), no presente, enquanto adulto, lembra
aquilo que foi no passado (“Aquela lembrança” – v. 4). A antítese entre esses
dois tempos – passado e presente – é marcada pelos tempos verbais (pretérito
imperfeito – “era” – e perfeito – “Vivi” – versus presente) e pelo
advérbio de tempo “hoje”.
A antítese prolonga-se na segunda quadra. Assim, afirma que, no presente (“hoje” – v. 5) reflete, tem consciência de que era feliz no passado, o que contrasta com a infelicidade que o caracteriza atualmente (“É hoje que sinto / Aquilo que fui.” – vv. 5-6). Nos versos 7 e 8, estabelece que “mente”, isto é, que finge, intelectualiza todos os seus...
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Biografia de Eurípides
Eurípides foi um dos três grandes dramaturgos Atenas clássica, conjuntamente com Sófocles e Ésquilo, tendo nascido por volta de 484 a.C. na atual capital grega, mais concretamente na ilha de Salamina, e falecido em 406 a.C. na Macedónia.
É complexo escrever sobre a vida de Eurípides, pela simples razão de que ele viveu há milhares de anos, numa época em que se estava apenas no início da escrita de História (Heródoto – 484 a.C. - 425 a.C. –, considerado o seu pai, foi contemporâneo próximo do escritor). Os homens daquela era já tinham começado a registar grandes eventos, no entanto não tinham entendido que o registo da vida de alguém implicava o trabalho de pesquisa sobre a figura em questão. Uma espécie de biografia começou a ser elaborada cerca de duas gerações depois, quando os discípulos de Aristóteles e Epicuro se preocuparam e empenharam em desvendar e registar as vidas dos seus mestres. Contudo, a biografo como a entendemos atualmente nunca foi praticada na Antiguidade, visto que, em regra, era constituída por excertos selecionados da vida do biografado, como, por exemplo, grandes feitos, grandiosos discursos, e concentrava-se nos últimos anos da sua vida, especialmente na sua morte. É isto que explica o facto de pouquíssimas datas de nascimento serem hoje conhecidas, ou o desconhecimento das primeiras obras e primeiros anos de vida dos grandes homens da época.
Por outro lado, a História era um ramo das “belas-letras” e não se preocupava grandemente com a exatidão do conteúdo. Regra geral, contentava-se com a data em que um homem se distinguia, o que constituía uma conceção muito vaga, convencionalmente fixada na época em que realizou a sua obra mais importante ou no ano em que alcançou a maturidade: a idade de quarenta anos.
domingo, 29 de março de 2026
sábado, 28 de março de 2026
Há... labreguice a rodos
sexta-feira, 27 de março de 2026
quarta-feira, 25 de março de 2026
Modalidade e valor modal
domingo, 22 de março de 2026
Aspetos materiais do teatro grego
Primórdios da tragédia grega
Problema das origens da tragédia
Doutor Pulquério
10/10/1990
17/10/90
terça-feira, 10 de março de 2026
segunda-feira, 9 de março de 2026
Na aula (LXI): Casar num estante
Resposta a uma pergunta de um teste sobre Inês Pereira:
«Ela surge em diálogos e falas com a mãe e consigo mesma, desesperada e impaciente ao se quer casar num estante...»
Quer casar uma estante? Talvez num instante?
Leonor C.
Por que razão o céu é azul?
sexta-feira, 6 de março de 2026
Carta de apresentação
O que é uma carta de apresentação?
Este tipo de texto é uma apresentação de uma candidatura a um emprego ou a uma atividade, destacando as motivações e as qualidades do candidato. Poderá informar o destinatário do envio do currículo do candidato e solicitar a realização de uma entrevista.
Qual é a sua estrutura?
A estrutura da carta de apresentação compreende o cabeçalho, onde se identifica o destinatário e o seu endereço. A seguir vem...
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A humanidade será exterminada?
terça-feira, 24 de fevereiro de 2026
Análise do capítulo III de Amor de Perdição
Este capítulo é dominado pelo diálogo entre Teresa de Albuquerque e Baltasar Coutinho, diálogo esse que, por um lado, apresenta o primeiro como rival de Simão e, por outro, descreve e organiza o romance em torno de um triângulo amoroso estereotipado, no fundo, o triângulo de Romeu e Julieta.
O diálogo é muito rico, o que mostra a mestria de Camilo nos diálogos, e destaca o ressentimento e a ironia de Baltasar. É através da caracterização indireta, dos diálogos (bem mais do que por meio das palavras do narrador, isto é, da caracterização direta), que se vão desenhando os perfis psicológicos das personagens. É o caso da antítese metafórica «a paixão inflamou-se tão depressa quanto o coração de Teresa se congelou de terror e repugnância”, a qual destaca a distância entre Baltasar e Teresa – ele apaixonado por ela e ela indiferente e com repugnância relativamente a ele. Na sua fanfarronice, o primeiro pensava que a frieza e a repugnância da jovem resultava, não de não gostar dele, mas da sua inocência, modéstia e acanhamento, e estava convencido de que iria ultrapassar a frieza que ela estava a demonstrar. Afoitado pelo tio, ele ousa declarar-se-lhe, porém a sua vaidade e certeza de que a filha de Tadeu gostava dele são abaladas pelas respostas frias que recebe. A reação dela revela-lhe o desagrado, o abalo de Teresa perante a insinuação de Baltasar de que se iriam casar. A resposta dela mostra a sua determinação, a sua coragem, a sua inflexibilidade como heroína romântica ao não capitular, ao não ceder aos desejos e determinações do pai e do primo:
“– O primo engana-se: os nossos
corações não estão unidos. Sou muito sua amiga, mas nunca pensei em ser sua
esposa, nem me lembrou que o primo pensasse em tal.
– Quer dizer que me aborrece [=
abomina, não gosta de], prima Teresa? – atalhou, corrido [despeitado,
ressentido], o morgado.
– Não, senhor: já lhe disse que o
estimava muito, e por isso mesmo não devo ser esposa de um amigo a quem não
posso amar. A infelicidade não seria só minha...
– Muito bem... Posso eu saber –
tornou com refalsado sorriso o primo – quem é que me disputa o coração de minha
prima?
– Que lucra em o saber?
– Lucro saber, pelo menos, que a
minha prima ama outro homem... É exato?”
Atente-se na resposta seca de
Teresa:
“– É.
– E com tamanha paixão que
desobedece a seu pai?
– Não desobedeço.”
Teresa afirma aqui os direitos do amor, os direitos do coração perante as leias, as...
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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
Processos de formação de palavras: a composição
sábado, 21 de fevereiro de 2026
Análise do capítulo II de Amor de Perdição
O capítulo II não faz parte da lista proposta no programa
da disciplina, porém faz sentido abordá-lo, pelo menos aquele extrato em que
Camilo descreve maravilhosamente a primeira vez que Teresa e Simão se viram e
se apaixonaram.
Simão
estava a estuda em Coimbra, vive em Viseu. Na primeira, envolve-se na
propaganda política defensora dos ideais da Revolução Francesa e, em
consequência disso, é encarcerado no cárcere da universidade, que tinha uma
prisão para os estudantes mal comportados. Simão andou, portanto, a propagar os
ideais da Revolução Francesa pelas praças de Coimbra, por isso foi preso.
Em consequência de tudo isto, perde o ano letivo. Passa
seis meses na cadeia, sendo libertado por influência dos amigos do pai, que é
um corregedor, portanto um homem influente, mas reprova o ano letivo, regressa
a Viseu, onde leva uma grande reprimenda do pai. Temos aqui o tópico da obra
como crónica da mudança social: o pai de Simão e o de Teresa representam
a mentalidade do antigo regime – os pais autoritários, tiranos (o pai de jovem
ameaça mesmo expulsar o filho de casa; D. Rita não tem um amor extremoso pelo
filho, agindo mais por ser o seu papel enquanto mãe interceder pelo filho).
De seguida, o narrador dá um salto, manipulando o tempo, porque narra primeiro as consequências e só depois as...
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026
Complemento do nome e do adjetivo
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
Fases poéticas e temas da poesia de Álvaro de Campos
terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
Texto de apreciação crítica
domingo, 15 de fevereiro de 2026
Conto tradicional popular: definição, estrutura e características
Os contos são, geralmente, muito
antigos. Remontam ao tempo das milenárias civilizações clássicas e
indo-europeias, que os foram criando ao longo de diferentes épocas da história
e que os transmitiram uns aos outros por via oral.
O conto popular comporta uma alusão
explícita à fonte que se presume responsável pela sua produção: de facto, popular reenvia para povo. Juntamente com os provérbios, as
adivinhas, as canções e os jogos de palavras, os contos populares fazem parte
da literatura tradicional de transmissão oral: circulam oralmente de geração em
geração. Por outro lado, as suas raízes, a sua autoria é coletiva e anónima e,
como foi referido, o texto transmitido de geração em geração oralmente. Daí o
surgimento de várias versões, ou simples variantes, da mesma história ou parte
dela, consoante o emissor.
O conto popular é representativo da memorização das histórias criadas pelo autor coletivo que respeita os valores da sua comunidade e os transmite de geração em geração, histórias normalmente ligadas às crenças religiosas, aos costumes populares, à simbologia do divino ou da magia, ao exorcismo do Mal e ao triunfo do Bem.
Inicialmente, o termo conto designava uma qualquer história breve, sobretudo aqueles que tratassem de acontecimentos lendários, extraordinários e muito imaginativos (ex.: remontam a cerca de 2000 anos a.C. as histórias do Antigo Testamento).
Atualmente, designamos por conto uma narração ...
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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
O conto tradicional: definição, características e estrutura
domingo, 8 de fevereiro de 2026
Análise de Memórias do Cárcere
As Memórias do Cárcere iniciam-se com uma longa introdução, intitulada «Discurso Preliminar». Este capítulo introdutório é todo ele autobiográfico. Depois, ao longo da obra, percebemos que Memórias do Cárcere são mais as memórias dos outros que memórias propriamente de Camilo Castelo Branco, isto é, que memórias autobiográficas.
Memórias do Cárcere constituem um conjunto de histórias, de casos de vida que Camilo conheceu quando esteve preso na cadeia da Relação. Durante o tempo em que esteve encarcerado, conviveu com os outros detidos, conheceu casos de vida, e narrou-os (os crimes, as desgraças que levaram essas pessoas ao cárcere como ele...). É, por isso, um livro com um profundo sentido humanístico, pois nele encontramos histórias de vida extraordinárias no contexto do século XIX português, mas, como é apanágio dos grandes escritores, Camilo captou muito bem a essência humana. Um desses casos de vida mais conhecidos é o de José do Telhado, o mais célebre salteador da História portuguesa. O escritor conheceu-o na prisão e dedicou-lhe um dos capítulos das Memórias do Cárcere para contar a sua história de vida, tendo estreitado com ele uma grande amizade, tão próxima que o salteador lhe terá dito: «Senhor Camilo Castelo Branco, se algum dia alguém lhe quiser fazer mal aqui dentro, é só chamar por mim, que eu estou aqui para o defender”. Camilo retribuiu o gesto, pois, quando o seu julgamento terminou e foi libertado, conseguiu que o seu advogado, o Dr. Marcelino de Matos, se encarregasse da defesa de José do Telhado.
O primeiro capítulo das Memórias do Cárcere, intitulado «Discurso Preliminar», é totalmente autobiográfico. É nele que Camilo evoca os meses que andou foragido, antes de se entregar às autoridades e foi também nele que António Lopes Ribeiro bebeu o material para compor a introdução do filme que realizou que surge numa voz-off, assim como também foi buscar elementos à Introdução do Amor de Perdição. Camilo refere a proteção que lhe foi dada pelo advogado (Marcelino de Matos) e pelos amigos Custódio Vieira e Júlio Xavier, durante 15 dias em setembro de 1860. Curiosamente, foi o próprio escritor quem pediu o mandado de captura para entrar na cadeia.
Nesta mesma introdução, Camilo faz uso de uma técnica de que se socorre com alguma frequência nas suas obras: contrastar um acontecimento dramático com um ambiente / cenário / tempo meteorológico favorável, o que faz aumentar a angústia, o sentido dramático dos acontecimentos. Exemplo dessa técnica é a descrição que faz do dia em que se foi entregar à cadeia: cá fora, está um belo tempo, com o céu azul e o sol a brilhar; quando entra, depara com um “ar glacial e pestilento”, as “paredes pegajosas de humidade”. De seguida, alude à sua primeira passagem por aquela cadeia, em 1846, quando aí esteve preso por causa do envolvimento com Patrícia Emília de Barros, de Vila Real, entre 9 e 16 de outubro. Com ele, são encarceradas pessoas envolvidas nas guerras liberais, nomeadamente a revolta da Maria da Fonte. Na sequência, refere-se à filha que gerou com Patrícia Emília, que, depois de Camilo se fixar no Porto, arranjou maneira de a trazer para junto de si, para ser educada no convento das freiras de São Bento – Convento de São Bento da Avé Maria –, onde depois foi construída a estação ferroviária chamada justamente Estação de São Bento. Essa filha saiu desse convento para se casar com um brasileiro torna-viagem riquíssimo.
Posteriormente, salta para a segunda vez em que aí esteve preso: fala dos companheiros de prisão, faz mais referências autobiográficas e aos livros que escreveu enquanto esteve preso (Doze Casamentos Felizes – seis ou sete dessas narrativas foram, pois, escritas na cadeia; Romance de um Homem Rico, o seu preferido, escrito com apontamentos que lhe tinham sido dados pelo falecido António José Coutinho, um dos colegas de cárcere, que lhe forneceu, portanto, apontamentos (aqui encontramos um traço característico de Camilo: a encenação – e muitas corresponderiam à realidade – de que as histórias que escrevia não eram inventadas, antes verídicas, baseadas em casos reais. Trata-se de uma forma de captar a atenção do leitor. Ora, a transcrição do registo prisional de Simão Botelho, presente no Amor de Perdição, serve precisamente para colar ao romance o selo da veracidade, da verdade. É como quem diz: Este livro não é fruto da minha imaginação. Eu estou a basear-me num caso de vida real.” Mesmo as personagens ficcionais são moldadas de acordo com pessoas reais. Por exemplo, no Romance de um Homem Rico, quando se refere a Leonor, uma personagem desta obra, dá a entender que foi desenhada tendo por modelo “o coração que estava ao lado dele”, ou seja, Ana Plácido, também ali presa, noutra cela, perto dele. Além disso, confessa que o protagonista, o padre Álvaro, foi copiado de um padre real, chamado António, que era o padre António de Azevedo, irmão do cunhado de Camilo, com o qual conviveu nos tempos em que viveu na casa da irmã e que desempenhou um papel muito importante na sua formação.
O romance a seguir escrito foi Amor de Perdição: “Desde menino que eu ouvia contar a triste história de meu tio paterno, Simão António Botelho.” Neste passo, não deixa dúvidas quanto à relação de parentesco entre o herói de Amor de Perdição, Simão, e ele mesmo, Camilo, autor. De seguida, sempre na perspetiva de que se limitou a registar, a passar a escrito, uma história verídica, enumera uma série de elementos que lhe serviram de fontes para a escrita: a tradição oral da família (“eu ouvia contar a triste história”) – quando esteve em casa da tia de Vila Real, irmã de Simão, ela contou-lhe a história do tio; o registo prisional que Camilo encontrou; uns maços de papéis antigos que estavam em casa da irmã e ainda testemunhos orais de contemporâneos da história de Simão (“pedi aos contemporâneos que o conheceram notícias e miudezas a fim de entrar de consciência naquele trabalho”). Todas estas referências servem o mesmo propósito: fazer crer ao leitor que o Amor de Perdição narrava uma história, um caso acontecido, verídico, não inventado.
“Escrevi o romance em quinze dias, os mais atormentados da minha vida. Tão horrorizado tenho deles a memória que nunca mais abrirei o Amor de Perdição.”: ao dizer isto, Camilo está a vincar o paralelismo, a analogia entre a sua situação -está preso na cadeia da Relação por um crime passional, um crime de adultério, e o seu tio Simão Botelho, que também esteve ali preso por um crime passional, segundo Camilo refere na obra. Note-se como duas histórias se entrecruzam, pelo que temos aqui um dos tópicos constantes do programa atual de Português do 11.º ano: a sugestão biográfica. Porquê sugestão? Porque há aqui uma encenação: Camilo sugere que há uma ligação biográfica e uma semelhança, um paralelismo, uma analogia, entre o seu caso, Camilo, e o de seu tio, Simão. Deste modo, o escritor retrata-se a si próprio como um herói romântico, como alguém que está a padecer as penas por ter amado.
Amor de Perdição no cinema
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026
Na aula (LX): O misterioso Lia
A história é simples: está-se na aula de Português do 10.º ano a analisar a cena da Alcoviteira, da Farsa de Inês Pereira, do inigualável Gil Vicente. Os alunos estão a explicar, oralmente, o episódio vivido por Lianor Vaz quando ia a caminho da casa da Mãe, para apresentar um pretendente a Inês, nomeadamente o passo em que é atacada por um homem.
O professor questiona: - Que homem era esse?
Lampeiro, responde o Ricardo Silva:
- Lia.
Todos param, sem perceber: quem?
O rapaz responde: Lia.
Alguém questiona: Leão?
Não, Lia.
A cena prossegue durante longos segundos, até que finalmente alguém percebe: Lianor?
Sim, o Ricardo tinha visto escrito, nas páginas do manual, Lia. (abreviatura do nome da personagem - Lianor) antes de cada uma das suas falas e assumira que se tratava da identificação do misterioso homem que a atacara quando ela atravessava a sua vinha.
A resposta pretendida, já agora, era: um clérigo.
Como diz Gil Vicente no final da citada peça: «Assim se fazem as cousas.»










