terça-feira, 17 de abril de 2012

O espaço social de OS MAIAS - Introdução

     «Os Maias são, superficialmente, um fresco caricatural da sociedade portuguesa do século XIX em forma de crónica de costumes, com fortes caraterísticas de romance folhetinesco.» (Machado da Rosa, Eça, discípulo de Machado?).

     O romance realista visava a crítica social que espelha determinados vícios / defeitos de caráter e de personalidade do Homem, explicados / analisados segundo uma perspetiva determinista.
     É para aí que aponta o subtítulo do romance - Episódios da Vida Romântica -, isto é, para «a pintura detalhada de uma sociedade" de uma determinada época - a da Regeneração - e de um meio - o da alta sociedade lisboeta. Esta radiografia é feita à custa de dois recursos específicos: as personagens-tipo, isto é, personagens figurantes que tipificam um determinado grupo social, caraterizando-o, e a representação de ambientes, a partir de episódios.

     De acordo com Carlos Reis (Introdução à leitura de Os Maias), estes dados permitem-nos integrar o romance «no estatuto do roman-fleuve, também chamado romance-fresco; estreitamente ligado à problemática (...) do romance de família, o romance-fresco é aquele que "através da aventura de um indivíduo, de uma família, de um clã, aspira a captar um momento histórico numa sociedade. Deseja também, como o romance histórico ou o romance rural, representar a cor exata de uma época e de um meio"».

Sem comentários :

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...