quinta-feira, 16 de maio de 2013

"Pastores de nuvens"

            A imagem é denominada de "Pastores de Nuvens", é da autoria de Biratan Porto e está incluída na obra "Água com humor". A ilustração mostra alguns indivíduos, aparentemente pastores, com compridos cajados, a juntarem nuvens em "rebanhos", com cada pastor a guardar o seu próprio rebanho; destas nuvens pingam gotas de águas para barris metálicos, pertencentes aos pastores, tendo cada o seu. O chão e o céu são incolores e o chão é liso e sem vegetação.
            Esta obra é uma crítica à sociedade contemporânea em vários aspetos, como a ganância das pessoas e os problemas ambientais. No entanto, o alvo principal da crítica são os problemas relacionados com a Natureza, como a escassez de água, o trabalho duro pastores no cuido dos seus rebanhos e etc. A ausência de cores no céu e no solo transmite-nos uma sensação de melancolia, de uma espécie de vazio. Esta imagem contrasta com a personalidade e com a maneira de pensar de Alberto Caeiro. Este é visto como um naturalista ingénuo: ele não se preocupa em pensar muito, escolhendo a simplicidade e rejeitando a complexidade e prefere "pensar" com os sentidos, desfrutar da Natureza e da simples beleza natural das coisas. Ele é como um pastor (daí a correlação com esta imagem). Porém, a personalidade de Caeiro é contrária à sensação transmitida por esta imagem: um é feliz, simples, sensacionista, relaxado, e outro  apenas transmite tristeza e tédio, fazendo-nos todos pensar, algo que Caeiro não consegue evitar e que o deixa um pouco triste.
            Em suma, há muitos aspetos que se podem apontar como comuns ou de contraste entre os pensamentos do heterónimo de Fernando Pessoa e a ideia que a imagem apresenta. Caeiro gosta de usufruir da Natureza e a ilustração mostra esta mesma como morta, gasta e tediosa. Tal como os pastores guardam as suas nuvens, Caeiro é pastor dos seus pensamentos, sendo estes baseados nos sentidos e na simplicidade do que nos rodeia a todos. São pontos de vista diferentes aos quais, no fim, nos podemos relacionar todos.

P.M.

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