domingo, 22 de outubro de 2084
Professor
domingo, 4 de janeiro de 2026
Canibalismo: o que é e para que serve?
Jornal Acção
Acção foi um jornal fundado em 1919, tendo o seu primeiro número conhecido a luz do dia a 1 de maio. O periódico era o órgão do Núcleo de Ação Nacional e o seu diretor era Geraldo Coelho de Jesus, sendo Carlos de Noronha o editor e Fernando Pessoa o principal (e talvez único) redator.
No pensamento dos seus criadores, o jornal seria um quinzenário, porém apenas os dois primeiros números respeitaram o plano inicial, visto que o terceiro foi publicado unicamente em agosto e o quarto (e último) em 27 de fevereiro de 1920.
Lendo a correspondência trocada entre Fernando Pessoa e Geraldo de Jesus, ficamos a conhecer o entusiasmo do poeta de "Autopsicografia" com o projeto, bem como as dificuldades de vária índole (financeiras, logísticas, etc.) que tiveram de enfrentar e que, em última análise, ditaram o seu fim. O maior dos problemas enfrentados foi o facto de Pessoa ser aquele que fazia praticamente todo o trabalho: escrevia os «artigos mais substanciais» e cuidava das questões referentes à tipografia e à distribuição. Por exemplo, numa missiva enviada, a 12 de agosto de 1919, a Geraldo, que se encontrava em Porto de Mós, o poeta detalha em pormenor como tenciona proceder à expedição do jornal para as províncias e aproveita para se lamentar nos termos seguintes: "E isto tenho eu de fazer tudo sozinho, e com cartas sobre cartas que fazer aqui no escritório do Ávila, e com assuntos meus que tratar, e todos estes dias estar no Diário de Notícias [em cuja tipografia a Acção era impressa] às 8 da manhã, etc., etc.!".
Geraldo de Jesus explica, no último número, os motivos do encerramento do jornal, afirmando "ser impossível (dados outros afazeres) dedicar-lhe aquela soma de atividade que a sua boa redação exige", aludindo também a "um certo desalento, proveniente, pelo que toca à nossa campanha a favor do fomento nacional, da noção de inutilidade [...] de uma campanha dessas se fazer sem se apoiar numa corrente política; e, sendo assim, pela noção da perfeita desunião das forças conservadoras, que representam a única corrente política em quem pensa como nós, patriótica e praticamente, se podia filiar.» O diretor refere-se claramente ao sidonismo assumido do jornal (sidonismo foi uma corrente construída em torno do presidente Sidónio Pais, assassinado em 14 de dezembro de 1918) e à sua tentativa de dar voz à política que o seu mentor não pudera concretizar. O n.º 3 confirma isto, ao inserir uma fotografia do «Grande Morto», a toda a extensão da 1.ª página, provocando (para gáudio de Fernando Pessoa) tumultos nas ruas de Lisboa, tendo sido queimados vários exemplares do jornal, e manifestações de fúria por parte dos setores democráticos. Poeta confessa, numa carta a Geraldo, datada de 10 de agosto de 1919, o seguinte: "Os democráticos que eu conheço estão indignadíssimos comigo. Um, que foi secretário do Leonardo Coimbra, manifestou-se muito desgostoso [...] por lhe constar que eu não só «era da Acção», mas andava mesmo a fazer as vezes do diretor".
Os dois primeiros números não escondiam a sua vertente ideológica, incluindo um editorial (o n.º 1), no qual é afirmada a intenção, nacional e não-partidária, de atuar «no sentido de estabelecer uma resistências social que, pelo menos, atue e corrija os erros e excessos dos partidos»; no do n.º 2 considera-se absurdo «pretender que o povo governe» e apela-se à criação de uma «elite competente, capaz de governar, de administrar, de nos repor na civilização».
Mais importante do que a questão ideológica é o empenhamento dos promotores do jornal em promover a ideia de um verdadeiro desenvolvimento económico e social do país. Assim, o primeiro número contém dois artigos muito revelantes, intitulados "Bases para Um Plano Industrial», de Geraldo de Jesus, e "Como Organizar Portugal", de Fernando Pessoa". No primeiro deles, propõem-se medidas como, por exemplo, a educação profissional, o crédito às empresas, a exploração mineira e o aproveitamento hidroelétrico. Pessoa usa a Alemanha como exemplo e propõe, no seu texto acima referido, adotar medidas que conduzam à transformação mental do povo português, no sentido de levar ao fim da estagnação e do atraso, através do reforço da coesão social e do patriotismo, e à transformação profissional, por meio da industrialização da nação e da educação da «inteligência e da vontade».
No n.º 2, Fernando Pessoa publica um longo artigo de fundo, intitulado "A Opinião Pública", que prossegue nos dois números seguintes, no qual procura demonstrar que a democracia da época era inimiga da opinião pública, por causa do seu caráter antissocial, antinacional e antipatriótico.
Em 10 de agosto de 1919, Pessoa informou Geraldo de Jesus de que estava a planear um quarto número «sensacional e forte», no entanto a sua publicação seria adiada até fevereiro de 1920, acabando mesmo por não sair do prelo. O poema "À Memória do Presidente-Rei Sidónio Pais" seria o aspeto «sensacional» de que o poeta falara a Geraldo, constituindo a melhor síntese do seu pensamento acerca do sidonismo, visto como gerador de esperança e indicador de um rumo para Portugal.
Bibl.: Adaptado de Manuela Parreira da Silva
sábado, 3 de janeiro de 2026
Análise do poema "À memória do presidente-rei Sidónio Pais", de Fernando Pessoa
No entanto, tendo em conta a situação de instabilidade e insegurança que Portugal vivia na época, Fernando Pessoa considerou, provavelmente, que seria mais importante e urgente criar e dar a conhecer um poema que, nesse contexto, relembrar uma figura que, para muitos, ainda representava a imagem de um salvador. Assim sendo, a 27 de dezembro de 1920, o poeta publicou a composição no n.º 4 do jornal Acção, exaltando e divinizando o presidente assassinado a 14 de dezembro de 1918.
Como o governo daquele que Pessoa adjetiva como «soldado-rei» foi curto (durou de 5 de dezembro de 1917 a 14 de dezembro do ano seguinte, data do seu assassínio), na opinião do poeta, a esperança que a nação depositara nesse... (continuação da análise aqui: »»»).
quinta-feira, 1 de janeiro de 2026
Por que motivo os seres humanos choram?
domingo, 21 de dezembro de 2025
Benfica vence Supertaça de basquetebol
sexta-feira, 19 de dezembro de 2025
Na aula (LVII): Veneza é uma mulher
Sophia escreveu O Cavaleiro da Dinamarca e colocou Veneza no caminho do protagonista.
Na aula de Português, fala-se dessa passagem. O professor pergunta sobre a cidade. Um par de alunos sabe o que é e onde se situa. Beleza!
Eis, porém, que a Ana Clara solta em voz audível do outro lado da avenida:
- Veneza é uma cidade? Ah, eu pensei que era uma mulher...
Adenda: Os alunos já tinham lido um excerto que reza(va) o seguinte: "Veneza, construída à beira do mar Adriático sobre pequenas ilhas e sobre estacas, era nesse tempo uma das cidades mais poderosas do mundo."















