domingo, 22 de outubro de 2084
Professor
sábado, 24 de janeiro de 2026
Pequena biografia de Camilo
A questão seguinte consiste em saber a razão por que Camilo também esteve preso. Em termos pedagógicos, esta é uma ótima oportunidade para o professor apresentar os dados biográficos essenciais de Camilo, sem entrar em pormenores desnecessários.
Camilo nasceu em Lisboa em 1825 (16 de março),embora a sua vida tenha estado muito ligada à região norte de Portugal: Trás-os-Montes, Porto e Minho. Mal conheceu a mãe, de quem guardou memórias muito ténues, pois perdeu-a com cerca de dois anos, e aos 10 faleceu o pai, restando-lhe apenas a irmã Carolina, um pouco mais velha do que ele, mas também criança, na prática. Camilo tinha família paterna na região de Vila real, nomeadamente uma tia, pelo que os dois irmãos foram viver para casa dessa tia (Rita Emília), à guarda de quem ficaram. Fizeram a viagem de navio, de vapor, no entanto, à entrada da barra do Porto, depararam-se com condições adversas, pelo que tiveram de prosseguir a viagem até Vigo, onde desembarcaram. No meio dessa aflição, aquando da aproximação à Cidade Invicta, a criada que os acompanhava fez uma promessa ao Bom Jesus de Braga. A viagem entre a Galiza e o Minho foi feita por terra e, quando passaram por Braga, fizeram um desvio para a criada cumprir essa promessa.
A tia Rita Emília não teve uma boa relação com Camilo e a irmã. Quando esta, anos volvidos, se casou com um estudante de Medicina de uma aldeia chamada Vilarinho de Samardã, Camilo abandonou a tia e foi morar com a irmã, o cunhado e um irmão deste, que era padre – o padre António de Azevedo, que foi uma figura muito importante na formação intelectual de Camilo, pois ministrou-lhe os alicerces que lhe permitiram desenvolver os dotes intelectuais e literários. Ensinou-lhe latim e francês, deu-lhe a ler os clássicos, Camões (Os Lusíadas), etc. O escritor guardou, ao longo da sua vida, um sentimento de gratidão por esse padre, a ponto de lhe dedicar a obra O Bem e o Mal.
Camilo casou pela primeira vez, ainda muito jovem, com uma rapariga da região, e desse matrimónio nasceu uma filha, mas ambas morreram muito cedo. Prosseguiu os estudos, fazendo os chamados preparatórios para entrar na universidade, o que veio a acontecer, tendo-se matriculado na Escola...
A análise prossegue aqui: »»».
terça-feira, 20 de janeiro de 2026
Introdução a Amor de Perdição
O percurso atribulado de vida de Camilo Castelo Branco acaba por estar diretamente relacionado com a génese de Amor de Perdição. Tendo a vida do escritor conhecido múltiplas peripécias, a ponto de ser um romance, O Romance do Romancista (uma obra de cariz biográfica da autoria de Alberto Pimentel, publicada em 1890, que aborda os aspetos mais dramáticos da vida de Camilo), é um fator que merece ser explorado, até como forma de despertar o interesse dos alunos para a novela.
Nas linhas iniciais da Introdução de Amor de Perdição, encontramos um sujeito de enunciação que diz «li», forma verbal que remete para...
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domingo, 18 de janeiro de 2026
Qual é o lugar mais frio do Universo?
Análise do poema "Ao amado ausente"
Por que razão flutuam os astronautas?
quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
Análise do poema “A F., favorecendo com a boca e desprezando com os olhos”
quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
A Terra está a ficar mais leve?
segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
Análise do poema "Ao rigor de Lísi"
sexta-feira, 9 de janeiro de 2026
Paradoxo de Olbers - Porque é o céu escuro?
Análise do poema "À fragilidade da vida humana"
quarta-feira, 7 de janeiro de 2026
segunda-feira, 5 de janeiro de 2026
O que aconteceria se caíssemos do espaço?
domingo, 4 de janeiro de 2026
Canibalismo: o que é e para que serve?
Jornal Acção
Acção foi um jornal fundado em 1919, tendo o seu primeiro número conhecido a luz do dia a 1 de maio. O periódico era o órgão do Núcleo de Ação Nacional e o seu diretor era Geraldo Coelho de Jesus, sendo Carlos de Noronha o editor e Fernando Pessoa o principal (e talvez único) redator.
No pensamento dos seus criadores, o jornal seria um quinzenário, porém apenas os dois primeiros números respeitaram o plano inicial, visto que o terceiro foi publicado unicamente em agosto e o quarto (e último) em 27 de fevereiro de 1920.
Lendo a correspondência trocada entre Fernando Pessoa e Geraldo de Jesus, ficamos a conhecer o entusiasmo do poeta de "Autopsicografia" com o projeto, bem como as dificuldades de vária índole (financeiras, logísticas, etc.) que tiveram de enfrentar e que, em última análise, ditaram o seu fim. O maior dos problemas enfrentados foi o facto de Pessoa ser aquele que fazia praticamente todo o trabalho: escrevia os «artigos mais substanciais» e cuidava das questões referentes à tipografia e à distribuição. Por exemplo, numa missiva enviada, a 12 de agosto de 1919, a Geraldo, que se encontrava em Porto de Mós, o poeta detalha em pormenor como tenciona proceder à expedição do jornal para as províncias e aproveita para se lamentar nos termos seguintes: "E isto tenho eu de fazer tudo sozinho, e com cartas sobre cartas que fazer aqui no escritório do Ávila, e com assuntos meus que tratar, e todos estes dias estar no Diário de Notícias [em cuja tipografia a Acção era impressa] às 8 da manhã, etc., etc.!".
Geraldo de Jesus explica, no último número, os motivos do encerramento do jornal, afirmando "ser impossível (dados outros afazeres) dedicar-lhe aquela soma de atividade que a sua boa redação exige", aludindo também a "um certo desalento, proveniente, pelo que toca à nossa campanha a favor do fomento nacional, da noção de inutilidade [...] de uma campanha dessas se fazer sem se apoiar numa corrente política; e, sendo assim, pela noção da perfeita desunião das forças conservadoras, que representam a única corrente política em quem pensa como nós, patriótica e praticamente, se podia filiar.» O diretor refere-se claramente ao sidonismo assumido do jornal (sidonismo foi uma corrente construída em torno do presidente Sidónio Pais, assassinado em 14 de dezembro de 1918) e à sua tentativa de dar voz à política que o seu mentor não pudera concretizar. O n.º 3 confirma isto, ao inserir uma fotografia do «Grande Morto», a toda a extensão da 1.ª página, provocando (para gáudio de Fernando Pessoa) tumultos nas ruas de Lisboa, tendo sido queimados vários exemplares do jornal, e manifestações de fúria por parte dos setores democráticos. Poeta confessa, numa carta a Geraldo, datada de 10 de agosto de 1919, o seguinte: "Os democráticos que eu conheço estão indignadíssimos comigo. Um, que foi secretário do Leonardo Coimbra, manifestou-se muito desgostoso [...] por lhe constar que eu não só «era da Acção», mas andava mesmo a fazer as vezes do diretor".
Os dois primeiros números não escondiam a sua vertente ideológica, incluindo um editorial (o n.º 1), no qual é afirmada a intenção, nacional e não-partidária, de atuar «no sentido de estabelecer uma resistências social que, pelo menos, atue e corrija os erros e excessos dos partidos»; no do n.º 2 considera-se absurdo «pretender que o povo governe» e apela-se à criação de uma «elite competente, capaz de governar, de administrar, de nos repor na civilização».
Mais importante do que a questão ideológica é o empenhamento dos promotores do jornal em promover a ideia de um verdadeiro desenvolvimento económico e social do país. Assim, o primeiro número contém dois artigos muito revelantes, intitulados "Bases para Um Plano Industrial», de Geraldo de Jesus, e "Como Organizar Portugal", de Fernando Pessoa". No primeiro deles, propõem-se medidas como, por exemplo, a educação profissional, o crédito às empresas, a exploração mineira e o aproveitamento hidroelétrico. Pessoa usa a Alemanha como exemplo e propõe, no seu texto acima referido, adotar medidas que conduzam à transformação mental do povo português, no sentido de levar ao fim da estagnação e do atraso, através do reforço da coesão social e do patriotismo, e à transformação profissional, por meio da industrialização da nação e da educação da «inteligência e da vontade».
No n.º 2, Fernando Pessoa publica um longo artigo de fundo, intitulado "A Opinião Pública", que prossegue nos dois números seguintes, no qual procura demonstrar que a democracia da época era inimiga da opinião pública, por causa do seu caráter antissocial, antinacional e antipatriótico.
Em 10 de agosto de 1919, Pessoa informou Geraldo de Jesus de que estava a planear um quarto número «sensacional e forte», no entanto a sua publicação seria adiada até fevereiro de 1920, acabando mesmo por não sair do prelo. O poema "À Memória do Presidente-Rei Sidónio Pais" seria o aspeto «sensacional» de que o poeta falara a Geraldo, constituindo a melhor síntese do seu pensamento acerca do sidonismo, visto como gerador de esperança e indicador de um rumo para Portugal.
Bibl.: Adaptado de Manuela Parreira da Silva
sábado, 3 de janeiro de 2026
Análise do poema "À memória do presidente-rei Sidónio Pais", de Fernando Pessoa
No entanto, tendo em conta a situação de instabilidade e insegurança que Portugal vivia na época, Fernando Pessoa considerou, provavelmente, que seria mais importante e urgente criar e dar a conhecer um poema que, nesse contexto, relembrar uma figura que, para muitos, ainda representava a imagem de um salvador. Assim sendo, a 27 de dezembro de 1920, o poeta publicou a composição no n.º 4 do jornal Acção, exaltando e divinizando o presidente assassinado a 14 de dezembro de 1918.
Como o governo daquele que Pessoa adjetiva como «soldado-rei» foi curto (durou de 5 de dezembro de 1917 a 14 de dezembro do ano seguinte, data do seu assassínio), na opinião do poeta, a esperança que a nação depositara nesse... (continuação da análise aqui: »»»).


